Cidadeverde.com
Últimas

Comitê Científico do Consórcio Nordeste orienta estados a manter vacinação de jovens

Imprimir

Foto: Sesapi

O Comitê Científico de Combate ao Coronavirus do Consórcio Nordeste divulgou nota nesta sexta-feira (17) orientando estados e municipios a não interromperem a vacinação de adolescentes contra a covid-19. Ontem, o Ministério da Saúde recomendou a suspensão da vacinação de jovens entre 12 e 17 anos que não apresentem algum fator de risco.   Leia a nota na íntegra

A orientação, de acordo com o MS, é baseada em evidências científicas que consideram o baixo risco de óbitos ou casos mais graves da Covid-19 neste público. 

Para o Comitê, as justificativas apresentadas pelo MS não são claras e não têm sustentação científica. 

"Este Comitê Científico faz coro com as manifestações da Sociedade Brasileira de Imunizações e de respeitados especialistas, no sentido que as justificativas apresentadas pelo MS não são claras e não têm sustentação científica", diz o documento.

A nota do Comitê cita três pontos para que a vacina não seja interrompida. O primeiro deles é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não é contrária a vacinação de adolescentes com ou sem comorbidades, e que recomenda a utilização de vacinas de mRNA, como a da Pfizer para o uso em pessoas acima de 12 anos.

Outro ponto é que, ao aprovar a referida vacina para adolescentes entre 12 e 17 anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não restringiu a administração a pessoas com comorbidades.

Por fim, o Comitê alega que a vacinação de adolescentes sem comorbidades foi autorizada pelo Ministério da Saúde no capítulo 3.1 da Nota Técnica Nº 36/2021-SECOVID/GAB/SECOVID/MS, de 02 de setembro de 2021, e no capítulo 4.3.3.2 da 10ª edição do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19 (PNO), de 15 de agosto de 2021.

"O Comitê Científico de Combate ao Coronavirus do Consórcio Nordeste recomenda aos Estados e Municípios que não alterem suas programações de vacinação dentro das disponibilidades de doses de vacinas", recomenda o Comitê.

Baixo risco

De acordo com o Ministério da Saúde, entre os adolescentes, de 15 a 19 anos, que morreram por Covid-19, 70% tinham pelo menos um fator de risco. Entre os mais de 20 milhões de adolescentes brasileiros, apenas 3,4% têm alguma comorbidade, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. Esse número representa cerca de 600 mil jovens nesta faixa-etária.

“O Ministério da Saúde pode rever a sua posição, desde que haja evidências científicas sólidas em relação à vacinação em adolescentes sem comorbidades. Por enquanto, por uma questão de cautela, nós temos eventos adversos a serem investigados. Nós temos essas crianças e adolescentes que tomaram essas vacinas que não estavam recomendadas para eles. Nós temos que acompanhar esses adolescentes”, ressaltou o ministro da Saúde Marcelo Queiroga nesta quinta-feira (16), durante uma coletiva para esclarecer o assunto.

Hérlon Moraes
[email protected]

Imprimir