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Vacinação é um fator de proteção a mais para o retorno às aulas, diz pediatra

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A pediatra e presidente da Sociedade de Pediatria do Piauí, Anenisia Coelho de Andrade, diz que a vacinação de crianças contra a Covid-19 é um fator de proteção a mais para o retorno às aulas. Em entrevista ao Jornal do Piauí, a médica se posicionou a favor da volta presencial nas escolas e destacou também a eficácia da vacina Coronavac, liberada no Brasil, nesta quinta-feira (21), para a faixa etária a partir dos 6 anos de idade. 

"O retorno das aulas é importante não só pelo aprendizado, mas porque a gente viu outros problemas psicossociais associados. As crianças ficaram dois anos presas em casa, aumento de muitos distúrbios relacionados à depressão, ansiedade, aumento de obesidade, aumento de doenças porque os pais tinham medo de levar as crianças para fazerem tratamento. De um modo geral, aspectos sociais [...]  falta de segurança, aumento do abuso dentro de casa, seja físico ou sexual. Tudo isso foi prejudicial para as nossas crianças. A vacina não é um critério para a volta às aulas, mas é um fator de proteção a mais", disse a pediatra. 

Foto: Yala Sena/ Cidadeverde.com

Ela explica que as crianças são um grupo de menor risco, até mesmo para variante Ômicron. Por outro lado, a médica reforça a necessidade de vacinação diante do número expressivo de mortes pela doença no país, neste público específico. 

"Infelizmente, o Brasil teve casos de doenças e mortes relacionadas à doença e isso nos deixou um pouco assustado. Na faixa etária de 0 a 18 anos, temos 1.200 mortes associadas à Covid. Parece pouco comparado com mais de 600 mil em adultos, mas é sete vezes maior que no Reino Unido e cinco vezes maior que os Estados Unidos que tem uma população equivalente à nossa. Tem outros fatores que justificam,  como nossa população ser mais vulnerável, talvez nossas crianças tivessem mais comorbidades. Mas o fato é que a Covid matou crianças e por isso a gente batalha tanto pela vacinação. Mas a vacinação nunca foi, nem é critério para retornar às aulas", avalia a médica. 

CORONAVAC

Sobre a liberação da  Coronavac para a faixa etária a partir dos 6 anos, Anenisia Coelho destaca que o imunizante vem sendo aplicado em crianças na China há mais de um ano. Além disso, países como a Argentina, Chile, entre outros, também já fazem a aplicação da vacina. Pelo menos 2 milhões de crianças  foram vacinadas com o imunizante que, em alguns lugares, é conhecido como Sinovac, nome do laboratório. 

A médica diz ainda que o imunizante deve ser evitado apenas em crianças imunossuprimidos ou com alguma comorbidade. 

Foto: Yala Sena/ Cidadeverde.com

"Por ser vírus inativado, quer dizer é como se fosse uma forma leve da doença para que o corpo produza aquela resposta imunológica e, com isso, não está liberada para crianças com deficiência, que estão com câncer, que estão passando por tratamento com quimioterapia. No grupo que tem imunossupressão, a gente não indica a Coronavac", pontua. 

Anenisia Coelho diz que, assim como a Pfizer, a Coronavac evita formas graves da Covid-19. 

"Em termos de efetividade, as duas evitam formas graves. Assim como acontece com os adultos, a Coronavac tem uma efetividade um pouco menor do que a Pfizer, em torno de 70% no geral, mas para evitar formas graves é superior a 90% como acontece com a da Pfizer", ressalta a presidente da Sociedade de Pediatria do Piauí. 

Por fim, ela reforma que, até o momento, a Coronavac não se manifestou como advento adverso, ainda que raro. Sobre o caso de uma criança que teve parada cardíaca horas após ser vacinada, a especialista esclarece que a reação não teria relação com o imunizante e que a criança era portadora da síndrome de Wolff-Parkinson-White, condição congênita que os pais desconheciam. 

"A criança tem um tipo de arritmia cardíaca e já nasceu com esse problema. É a Síndrome de Wolff-Parkinson, é como se ela tivesse uma via elétrica extra que pode dar uma aumento na frequência do coração. É uma doença que não se manifesta mais cedo. A época de se fazer o diagnóstico é por volta de 10 ou 12 anos. Era uma doença desconhecida pelos pais e agora pode ser tratada. Coincidiu com o período da vacina, mas não parece ter sido causada pela vacina. Então foi afastada como evento relacionado diretamente. A criança foi reanimada e [...] graças a Deus, não temos relatos de óbitos ou efeitos adversos graves em crianças, tanto com a Pfizer ou Coronavac. São duas vacinas seguras", finaliza Anenisia Coelho. 


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Graciane Sousa
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