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Zelenski vai a Butcha e chama mortes de civis de genocídio

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Foto: Reprodução/redes sociais 

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, foi à cidade de Butcha, nos arredores de Kiev, na manhã desta segunda-feira (4). A cidade se tornou o novo epicentro das tensões do conflito depois que centenas de corpos de civis foram encontrados pelas ruas e em valas comuns após a retirada de tropas russas.

Cercado de seguranças fortemente armados e equipado com um colete à prova de balas, Zelenski conversou com jornalistas e disse que o cenário é de crimes de guerra, que devem "ser reconhecidos pelo mundo como genocídio".

Para o presidente, o cenário visto em Butcha também se torna um obstáculo para as negociações de paz, já marcadas por uma série de encontros presenciais e virtuais pouco frutíferos. "É muito difícil conversar quando se vê o que eles fizeram aqui. Quanto mais a Federação Russa arrastar o processo de negociação, pior será para eles e para esta situação e para esta guerra."

"Nós queremos mostrar ao mundo o que aconteceu aqui. O que as Forças Armadas da Rússia fizeram. O que a Federação Russa fez na pacífica Ucrânia. É importante que vocês vejam que [as vítimas] eram civis", disse o presidente, depois de destacar a importância da presença da imprensa na cidade.

Zelenski disse ainda que o cenário em Butcha é uma "questão de vida, morte e tortura". Alguns dos corpos encontrados nas ruas da cidade estavam com as mãos amarradas nas costas. Segundo autoridades locais, a maior parte das vítimas foi executada com tiros na nuca. Muitos carregavam tecidos brancos -um sinal de que eram civis e estavam desarmados.

"Vamos colocar pressão máxima. Não vamos parar um minuto até encontrar todos os criminosos, e acho que isso beneficiará a civilização", continuou o líder ucraniano, pedindo uma solução civilizada para o conflito. Se isso não acontecer, disse Zelenski subindo o tom, o povo ucraniano "encontrará uma solução não civilizada".

Depois da fala de Zelenski, oficiais ucranianos conduziram um grupo de jornalistas ao porão de uma casa que eles disseram ser uma residência de verão para crianças. No local, havia cinco homens mortos com as mãos amarradas nas costas, segundo a agência de notícias Reuters. "Eles levaram tiros, na cabeça ou no peito. Foram torturados antes de serem mortos", disse aos repórteres Anton Heraschenko, conselheiro do ministério do Interior ucraniano.

Segundo o prefeito de Butcha, ao menos 50 moradores da cidade foram mortos deliberadamente pelos soldados russos em execuções extrajudiciais. A informação não pôde ser confirmada de forma independente.

A Rússia nega matar civis de forma deliberada e afirma que não é responsável pelas mortes em Butcha. O Kremlin diz que deixou a cidade em 30 de março, dias antes das denúncias de assassinatos pelas ruas, e afirmou que as imagens são falsas, frutos de manipulação e de "provocação ucraniana".

"Essa informação deve ser seriamente questionada", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. "A partir do que temos visto, nossos especialistas identificaram sinais de falsificação nos vídeos e outros conteúdos falsos."

A descoberta dos corpos elevou a pressão internacional sobre Moscou, com acusações contra a Rússia por crimes de guerra e pedidos de investigação. Nesta segunda, a União Europeia anunciou a abertura de um inquérito, em conjunto com a Ucrânia, para apurar as circunstâncias do cenário de massacre visto em Butcha.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que conversou com Zelenski por telefone e ofereceu a ele condolências pelos "assassinatos atrozes" cometidos na cidade. A operação envolverá diversas instâncias do bloco europeu, como Eurojust e Europol, além de agências de investigação dos países-membros da UE e órgãos como o Tribunal Penal Internacional. ?

O pedido de investigação das mortes em Butcha também foi reforçado pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que voltou a se referir a seu homólogo russo, Vladimir Putin, como "criminoso de guerra".

"Esse cara é brutal, e o que está acontecendo em Butcha é ultrajante e todo mundo está vendo isso. Eu acho que isso é um crime de guerra. Ele deve ser responsabilizado", disse Biden a jornalistas nesta segunda. O americano disse ainda que planeja impor novas sanções contra a Rússia, mas não deu detalhes quando questionado sobre o que haveria de novo no possível novo pacote de retaliações.

No Reino Unido, a secretária de Relações Exteriores, Liz Truss, disse que a Rússia deve ser expulsa do Conselho de Direitos Humanos da ONU, "dadas as fortes evidências de crimes de guerra, incluindo relatos de valas comuns e de hedionda carnificina em Butcha".

O pedido para que Moscou seja excluída do colegiado deve ser apresentado pelos EUA. Em visita à Romênia, a embaixadora americana na ONU, Linda Thomas-Greenfield, disse que vai formalizar a solicitação à Assembleia-Geral.

"Minha mensagem para os 140 países que corajosamente se uniram é: as imagens de Butcha e a devastação na Ucrânia exigem que agora combinemos nossas palavras com ação", disse.

De Genebra, o embaixador russo na ONU, Gennadi Gatilov, disse que dificilmente a expulsão da Rússia terá o apoio da maioria e afirmou que "Washington explora a crise da Ucrânia para seu próprio benefício".

No domingo (3), o premiê britânico, Boris Johnson, prometeu "fazer de tudo para matar de inanição a máquina de guerra de Putin". Outros líderes europeus, como o alemão Olaf Scholz e o francês Emmanuel Macron também fizeram duras declarações contra Moscou a partir dos acontecimentos em Butcha.

Fonte: Folhapress

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