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"E agora? O que a gente vai fazer?", perguntou menina de 11 anos ao saber de 2ª gravidez

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Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

 

"Tia, e agora? O que a gente vai fazer?" A reação foi de espanto da menina de 11 anos, segundo relato da conselheira tutelar Renata Bezerra, ao descobrir que engravidou pela segunda vez após ser violentada.

Há um ano, também depois de ser vítima de um estupro e não ter realizado o aborto legal a que tinha direito, ela deu à luz.

De acordo com a conselheira, a menina disse querer fazer um aborto e que sonha voltar à sala de aula.

A Polícia Civil do Piauí vai investigar se houve crime de negligência dos pais e das autoridades em relação ao caso.

Exame realizado na última sexta (9) no Serviço de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência, da Maternidade Dona Evangelina Rosa, constatou a gravidez de três meses.

A menina estava havia um mês em um abrigo público, segundo a conselheira, após brigas e desentendimentos com os pais. Como eles se separaram, ela vivia alternadamente nas duas casas.

Na primeira gravidez, a mãe dela, uma dona de casa de 29 anos, disse à reportagem que não permitiu o aborto porque o médico que atendeu a filha havia afirmado que não era mais possível submetê-la ao procedimento, pois ela e o bebê corriam risco de morte. A mãe não soube dizer o nome do profissional.

Nesta segunda (12), a mãe disse à reportagem que é contra também a interrupção nesta segunda gravidez, porque entende que aborto é crime e que ela pode criar o segundo neto.

"Na primeira e segunda gestação, ela [menina] deu sinal de que queria o aborto, mas em casa a mãe bateu o pé que não, então, ela ficou calada. Ela estava sonhando em retornar à sala de aula, fazendo planos para estudar, trabalhar e cuidar do primeiro filho", disse a conselheira à reportagem nesta segunda (12).

A menina, novamente violentada, está ainda mais calada, segundo Bezerra. "Ela está arredia, não é muito de conversar, mas a gente vê no olhinho dela que está abalada. Quando a médica falou que tinha testado positivo, ela se virou e perguntou para mim: ‘Tia, e agora? O que a gente vai fazer?", disse a conselheira.

A conselheira disse que após o exame na maternidade, o pai da menina, que a acompanhava, afirmou que tomaria conta dela.

"Resolvemos deixar com a família, porque o pai estava acompanhando toda a situação e se responsabilizou por ficar com ela até se resolver a situação", disse Bezerra.

Na manhã desta segunda (12), a juíza da 2ª Vara da Infância e da Juventude, Maria Luiza de Moura Mello, determinou que a menina e o filho retornem para um abrigo.

Sobre a possibilidade de aborto, a juíza afirmou que recebeu a denúncia e ainda vai avaliar o caso. Segundo a conselheira e a prefeitura, o pai defende a interrupção da gravidez.

 

Yala Sena
[email protected]

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