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Na Escócia, rei Charles 3º abre visita a caixão da rainha Elizabeth 2ª

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Um dia depois de lotar a principal via de Edimburgo para receber o corpo da rainha Elizabeth 2ª, os escoceses voltaram nesta segunda (12) à Royal Mile. Desta vez, no entanto, para dar adeus -de lá, os restos mortais da soberana serão transportados nesta terça (13) para Londres, onde permanecerão até o seu funeral, no início da semana que vem.

A despedida teve início pela manhã, quando o caixão foi levado da residência real, o Palácio de Holyroodhouse, até a Catedral de Saint Giles em uma procissão guiada pelo rei Charles 3º. Foi a primeira cerimônia fúnebre da rainha de que o novo monarca participou.

Os irmãos dele, a princesa Anne e os príncipes Andrew e Edward, também estiveram presentes. Todos estavam de uniforme -menos Andrew, que renunciou a seus títulos militares ao ser acusado de abusar de uma menor envolvida no esquema de tráfico sexual de Jeffrey Epstein; ele chegou a um acordo extrajudicial com a vítima no início do ano.

Um homem de 22 anos que assistia à procissão xingou Andrew de "velho doente" quando o cortejo passou à sua frente. Ele chegou a ser empurrado por pessoas que estavam em volta e, em seguida, acabou preso pela polícia por causar tumulto. Desde sábado (10) outras três pessoas foram detidas em circunstâncias semelhantes, com protestos contra a monarquia, suscitando alertas de movimentos de defesa de direitos civis.

Foram os poucos desvios de um evento no geral solene, que contou com uma salva de tiros no Castelo de Edimburgo no início do cortejo e com um tiro disparado a cada minuto do trajeto até a catedral. Ao longo da Royal Mile, ouviam-se gritos de "Deus salve o rei" -a versão personalizada para Charles da frase que dá título ao hino nacional britânico e que se tornou uma espécie de slogan da monarquia. Parte do público ainda levou escadas e pegou emprestadas caixas de lojas próximas para tentar subir um nível e enxergar melhor o cortejo, segundo relato do jornal britânico The Guardian.

O que observavam pela janela do carro funerário era o caixão de Elizabeth coberto de flores e envolto pelo estandarte real em sua versão escocesa, a mesma configuração de quando o ataúde chegou a Edimburgo na véspera.

Esculpido em carvalho inglês há quase três décadas e forrado com chumbo -o que o torna hermético, já que não será enterrado, mas colocado numa câmara-, ele partiu do Castelo de Balmoral, onde a rainha morreu, na manhã do domingo. Atravessou 280 quilômetros, passando por cidades e dezenas de vilarejos, até a capital escocesa. No trajeto, a caravana de sete veículos em que viajava fez pequenas paradas, para que mais pessoas pudessem se despedir da soberana.

Um serviço religioso restrito a membros da família real e convidados, mas televisionado, foi realizado quando o caixão de Elizabeth adentrou a Catedral de Saint Giles, por volta das 15h do horário local (11h de Brasília). Sobre ele, além do estandarte e das flores, foi colocada a Coroa da Escócia.

O público teve que esperar até o final da tarde para prestar homenagens a ela, aguardando em uma fila que dobrava o quarteirão. Visitantes foram proibidos de entrar com bolsas grandes, comida ou bebida na igreja. Também foram impedidos de fotografar o caixão -ainda que estivesse fechado, coberto com o estandarte e as insígnias reais.

O corpo da rainha ficará na Catedral de Saint Giles por 24 horas, sempre acompanhado por um membro da família real -os filhos foram os primeiros a fazer essa vigília. Nesta terça, ele será transportado de avião para Londres, escoltado pela princesa Anne. Então permanecerá na capital inglesa até a data do funeral, a próxima segunda-feira (19). Segundo a imprensa britânica, o público já começou a fazer fila para ver o corpo, mesmo que ainda faltem dois dias para que as primeiras visitas sejam autorizadas.

A agenda de Charles em Edimburgo ainda incluiu um encontro com a primeira-ministra Nicola Sturgeon e uma visita ao Parlamento escocês, para receber condolências. Charles chegou ao local vestido com o tradicional kilt -uma paixão pessoal- com as cores da família real britânica e acompanhado da rainha consorte, Camilla.

Em seu discurso, o monarca destacou a ligação histórica entre seus antepassados e a Escócia e lembrou em especial a afeição de Elizabeth pelo país -a residência de férias de Balmoral era uma das favoritas da rainha. Há quem aposte que a morte da soberana pode servir de incentivo para a Escócia retomar o desejo de independência e mesmo a romper com a monarquia em prol de um regime republicano.

"Ao longo de seu reinado, a rainha, como tantas outras gerações de nossa família antes dela, descobriu nos morros desta terra e nos corações deste povo um refúgio e um lar. Minha mãe sentia, como eu, a maior admiração pelo povo escocês. Era um grande conforto para ela saber que o afeto que recebia era verdadeiro", disse Charles. Os políticos escoceses fizeram dois minutos de silêncio em honra a sua mãe.

Pela manhã, antes da viagem para Edimburgo -feita em um avião particular da realeza, não da Força Aérea, por razões não esclarecidas-, Charles tinha discursado pela primeira vez ao Parlamento britânico, onde também recebeu condolências. No pronunciamento ao lado de Camilla, no Westminster Hall, prometeu seguir o exemplo da mãe e se comprometeu a apoiar os princípios constitucionais.

Ao final do dia, ele e seus irmãos voltaram a Saint Giles para velar a rainha. Na saída da catedral, os príncipes e a princesa foram aplaudidos pelo público que cercava o edifício. Eles passam a noite em Holyroodhouse e voltam a Londres na terça -onde devem encontrar uma comoção ainda maior.

 

Fonte: Folhapress

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