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Da máquina de escrever à inteligência artificial: Jornalismo UFPI completa 40 anos testemunhando mudanças

Foto: Roberto Araujo / Cidadeverde.com

Por Roberto Araujo

Há quatro décadas, diversos acontecimentos que marcaram a história do Piauí foram testemunhados por jornalistas que passaram pelo curso de Jornalismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Reunindo diferentes gerações de profissionais, a programação de aniversário de 40 anos do curso começou na segunda e encerrou nesta quinta (6), no auditório do Centro de Ciências da Educação (CCE).

Em 40 anos, tanto o jornalismo piauiense - e não só o piauiense - como o curso, que é o primeiro do estado, passou por transformações. Testemunha dessas mudanças, enquanto ex-aluna, professora e pesquisadora, Samária Andrade participou de uma palestra sobre as mudanças na profissão. Ela cita que, desde que o jornalismo existe, passa por transformações, e que as últimas mudanças tecnológicas impõem desafios aos profissionais.

“Hoje as formas de produzir mudaram bastante, muito em função de mudanças tecnológicas mesmo. Então são desafiadoras também para os estudantes e devem ser compreendidas também nessa ideia de que é interessante. Que sempre vai se transformar. Então peguei mudanças aqui, quem está hoje, está na mudança, quem entrar daqui a dois anos pega outras mudanças”, disse.

Foto: Roberto Araujo / Cidadeverde.com

As mudanças tecnológicas que perpassam o cotidiano das pessoas reverberam ainda mais alto na prática do dia-a-dia do jornalista. E dentro disso, o desafio do ensinar jornalismo nas universidades e faculdades se tornam ainda maiores. O professor e chefe do departamento de Comunicação Social, Fenelon Rocha, conta que o curso tem tentado se adaptar às mudanças do mercado de trabalho

"A gente tem que ter a capacidade de se ajustar aos momentos que vão se modificando. Se a gente no começo era a máquina de escrever, hoje a gente está de inteligência artificial, e não apenas para o público interno. Depois do nosso espaço que discutiu inteligência artificial, uma empresa local disse que já começou a formatar um trabalho pra dotar os seus profissionais desse conhecimento. Então, é quando o curso fala com o aluno, mas fala também com o mercado, com as empresas, e nesse falar com esse público externo, conseguir interferir, impactar positivamente no funcionamento e, portanto, na evolução do jornalismo e na qualificação das pessoas que fazem jornalismo", citou.

O professor pontua a mudança no perfil da formação do jornalista, que mudou de 1984, no início do curso, que tinha um caráter mais tecnicista, e que hoje tem tentando se adaptar às mudanças do mercado de trabalho e às necessidades de uma formação que leve em conta o papel do jornalismo na sociedade.

"A gente saiu de uma visão que era extremamente tecnicista lá no começo, o fazer o jornalismo, depois isso foi agregando outras visões como a própria reflexão sobre o processo comunicacional e a interação com a sociedade. É importante, fundamental, que a gente tenha essa discussão sobre o impacto na sociedade, porque a comunicação em geral e o jornalismo em particular tem essa força junto à sociedade. Por mais que a gente tenha outros canais e muita gente fazendo de conta que é jornalista mesmo sem ser, a gente tem no jornalismo a principal fonte de informação e a fonte mais segura da cidadania", disse.

Jornalismo que chega para as pessoas

Um dos espaços de discussão na programação de aniversário do curso foi sobre jornalismo local. Um dos palestrantes foi o apresentador da TV Cidade Verde, Joelson Giordani, que tem 21 anos de formado, e que passou pelas cadeiras das salas de aula da UFPI. Ele conta que foi uma oportunidade que permitiu o compartilhamento de experiências com a nova geração de jornalistas.

"Eu tenho 21 anos de formado na UFPI, de um curso que tem 40. Então, eu entrei lá no curso tinha 19 anos apenas e, ao ser convidado para fazer uma palestra, eu me senti honrado por fazer parte desse grupo de pessoas formadas pela UFPI. E mais ainda por perceber o nível de engajamento dos estudantes que estão compondo essa geração de futuros jornalistas. Para mim, foi uma honra ter esse contato com os estudantes, perceber de que maneira eles entendem o nosso trabalho", comentou.

Foto: UFPI

Dentro desses 40 anos, surgiram os cursos de Jornalismo na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), outros cursos de Comunicação em instituições privadas, que tiveram na UFPI seu nascedouro, com professores formados por ela, e que permitiu uma diversificação de ambientes de ensino-aprendizagem e discussões sobre o jornalismo.

Quem está hoje nas cadeiras do curso de jornalismo, enfrenta desafios referentes à transformação seja do mercado de trabalho, das dinâmicas produtivas, ou das mudanças tecnológicas. São questão refletidas e discutidas dentro do curso, que segundo o estudante Pedro Pires, traz discussões sobre o mercado de trabalho e também tem uma característica de forte contato com a pesquisa científica, que permite um olhar maior sobre o processo, bem como, abre um leque de possibilidades também para a trajetória acadêmica.

"A gente tem ótimos professores que nos incentivam muito tanto para questões de estágios e mercado de trabalho, mas também para aqueles que querem enveredar para a carreira da pesquisa, do mestrado. A gente tem muito incentivo de pesquisa para encaminhar para o mestrado, aqui no curso eu até comento com os meus amigos que desde o começo, quando eles se apresentavam, eles já citavam o grupo de pesquisa que eles faziam parte e diziam: 'se você quiser fazer parte, pode vim'. Acho que é algo que eles nos incentivam muito, tanto na pesquisa como pra o mercado de trabalho", apontou.

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