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18 Estados foram afetados pelo apagão, diz ministério

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O Ministério de Minas e Energia confirmou que 18 Estados foram afetados pelo apagão que atingiu o país entre a noite de ontem (10) e a madrugada de hoje. De acordo com lista divulgada na tarde desta quarta-feira pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) os Estados atingidos são: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo (estes com o fornecimento afetado em praticamente 100% de suas áreas), além de Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Acre, Rondônia, Bahia, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte (estes parcialmente afetados). Apesar de não entrar na lista oficial, o Distrito Federal também relatou falta de energia.
 
As causas do apagão ainda são controversas. O governo fala em fatores climáticos que teriam afetado linhas de transmissão. "Houve uma condição meteorológica adversa, com ventos e chuvas de grande intensidade concentrados na região que recebe os circuitos de transmissão da energia da usina de Itaipu e distribui essa energia para outras regiões", diz nota do ministério.
 
Pela manhã, o secretário-executivo do ministério, Márcio Zimmermann, afirmou que o desligamento de três linhas de transmissão foi a causa do problema: duas delas ligam Ivaiporã, no centro do Paraná, a Itaberá, em São Paulo. A terceira liga Itaberá à subestação de Tijuco Preto, também em São Paulo. Ele classificou o fato de "ocorrência raríssima". "Itaberá é uma subestação importante. Uma ocorrência ali causou essa situação. Se for logo confirmado que foi a partir de Itaberá, facilita a análise", disse o secretário.
 
Em nota oficial, o ministério afirma que a energia foi totalmente restabelecida em uma hora depois do começo do blecaute, exceto nos Estados do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, que ocorreu ao longo da madrugada. O ministro Edison Lobão conversou nesta manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por telefone sobre o assunto. E convocou uma reunião extraordinária do comitê de monitoramento do sistema elétrico para às 17h de hoje.
 
Técnicos fazem uma varredura de todo o sistema de transmissão, para identificar com detalhes as causas. "Não há danificação de equipamento. Há um esforço do setor para avaliar como foi essa ocorrência e quais as medidas (necessárias) para que se minimize esse tipo de situação." O secretário voltou a citar causas climáticas como fator de influência para o apagão, o que já tinha sido afirmado pelo ministro no final da noite de ontem. "A ocorrência teve origem em função das condições meteorológicas adversas no Paraná e na região de Itaberá (SP)", disse Zimmermann.
 
A informação sobre a origem do problema ser climática não é conclusiva. "Apenas tufões, furacões, queda de avião, caminhão que atropela torre ou abalos extremamente graves e muito improváveis não são compreendidos no projeto das usinas, porque cobrir o sistema para todo tipo de evento seria muito caro. Mas raios não explicam de jeito nenhum o apagão. O sistema é projetado para permanecer estável para mudanças climáticas", disse o especialista em setor energético Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), para quem a causa também pode estar relacionada a falta de manutenção.
 
De acordo com Zimmermann, o sistema de transmissão brasileiro permite que, em caso de desarme de um circuito, nada ocorra. "Nesse caso, tivemos as três simultaneamente. O sistema para se proteger aciona uma série de mecanismos de proteção para salvaguardar. Prova disso é que quatro horas depois do início da ocorrência, você tinha toda a carga religada no Brasil". O secretário-executivo registrou que o problema teve início por volta das 22h14.
 
O secretário-executivo descartou qualquer semelhança entre o problema da noite passada e o apagão de 2001, que levou o governo a instituir um esquema de racionamento no país. "O Brasil vem investindo pesado em um sistema de transmissão robusto. Em 2001, o que ocorreu era uma falta de energia. Agora, não tem falta de energia, foi um problema elétrico que levou a essa perturbação. Naquela época não tinha sido feito o investimento necessário em trasmissão e geração e teve que racionar a energia. Diminuiu em 20% o fornecimento, de junho de 2001 a 2002, porque não tinha energia".
 
Segundo ele, o Brasil agora tem o sistema "mais interligado do mundo", e o novo apagão foi resultado de uma combinação inédita de fatores. "O Brasil sempre teve essa característica de pós-perturbação. O sistema elétrico não é imune a isso, ele fica sujeito a essas perturbações. Agora, o que ocorreu foi uma contingência tripla que é raríssima". A usina hidrelétrica Itaipu Binacional informou na manhã de hoje que voltou a operar em "condições de normalidade" a partir das 6h (horário de Brasília). O fornecimento de energia está normal na maior parte do país, mas ainda há rescaldos do apagão que deixou grande parte do país às escuras por volta das 22h de ontem. 
 
Fonte: uol
 
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