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Delegado é denunciado por abuso de autoridade contra estudante

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O titular da delegacia do município de Caracol foi denunciado à Secretaria de Segurança nesta terça-feira (8). O tenente Francisco Tomaz de Sousa de abuso de autoridade no dia 31 de janeiro, quando dois jovens foram levados à delegacia sob suspeita de invadir a Prefeitura. A dupla alega ter sido autorizada a buscar documentos históricos para um trabalho acadêmico. Um dos envolvidos é colunista de um portal de notícias da região.

Fábio Lima/Cidadeverde.com
Jackson e o pedido de investigação feito pelo Ministério Público

Lucas Braga da Silva, titular de coluna no site Sul do Piauí, e Jackson Dias Rocha, que foi funcionário do Município e ajudava o estudante na pesquisa, reclamam terem sido alvo de ameaça, injúria, racismo e calúnia. O primeiro estuda arqueologia na Universidade do Vale do São Francisco e garante ter ido a Caracol por motivos acadêmicos. Após levar o caso ao secretário de Segurança, Jackson trouxe a denúncia ao Cidadeverde.com, acompanhada de uma gravação que ele afirma ter sido feita durante o episódio.  

Em aproximadamente 20 minutos de gravação é possível ouvir um homem, que seria o delegado, ordenar que ele continuasse sentado, após o mesmo afirmar que iria telefonar para seu advogado, direito dos envolvidos. Outro momento que chama a atenção é quando a mesma voz desautoriza que seu nome seja publicado em qualquer veículo de comunicação. "Se botar, se arrebenta", diz. 

Durante todo o diálogo, o homem que se identifica como delegado insiste em dizer aos estudantes que eles não podiam entrar na Prefeitura sem autorização. Ele afirma que recebeu denúncia de invasão do prédio, e ao saber da versão dos alunos, chama um funcionário, identificado como Edmilson, para confirmar a informação. Ao chegar, o servidor disse que autorizou a entrada e foi comunicado depois que só poderia fazê-lo se as visitas fossem acompanhadas por pessoas do setor. 

A voz apontada como do tenente Chiquinho, como também é conhecido o delegado, repreende o servidor por ele ter permitido a entrada de pessoas sem ter essa atribuição. E insiste em explicar aos dois jovens que, mesmo sendo os documentos públicos, havia necessidade de autorização para entrar no recinto: "É do povo? É. Mas que o povo saiba também como se dirigir".

O caso virou notícia e foi motivo de pedido de investigação do Ministério Público, assinado pelo promotor Régis de Moraes. Uma outra pessoa também é denunciada no documento por agressão gratuita em frente ao hotel no qual o estudante estava hospedado. 

O secretário Robert Rios informou ao Cidadeverde.com que um coronel da Polícia Militar irá apurar a denúncia para que, caso confirmada, as providências sejam tomadas. 

O Cidadeverde.com tentou, sem sucesso, localizar o tenente na tarde desta terça-feira. 

Fábio Lima
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