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Coren, Senatepi e MPPI investigam dopagem de pacientes em hospital de Picos

Foto:divulgação

O Ministério Público do Piauí (MPPI), o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren) e o Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Estado do Piauí (Senatepi) investigam a denúncia envolvendo a conduta de profissionais da enfermagem do Hospital Regional Justino Luz, em Picos, que estariam dopando pacientes para terem mais tempo de descanso.

A denúncia veio à tona após matéria publicada no Cidadeverde.com que mostrou um comunicado interno feito pelas coordenações de UTIs e  pronto socorro da unidade de saúde. 

No aviso as enfermeiras Camila Moura, que gerenciava a UTI do hospital ,e Beatriz Maria dos Santos, coordenadora do Pronto Socorro e Enfermarias Covid-19, dizem que houve denúncias  - dos próprios pacientes conscientes e orientados e de outros profissionais - de que os  pacientes estão sendo dopados durante a noite para que haja um tempo de descanso maior.

A direção do hospital abriu sindicância e decidiu exonerar as duas enfermeiras das funções de coordenadoras alegando que elas não informaram as denúncias aos diretores da unidade de saúde. 

Coren

Por meio de nota de esclarecimento, o  Coren se manifestou sobre o caso e garante que abriu procedimentos  para investigar as denúncias feitas no comunicado.  Para o conselho, dopar pacientes para ter mais tempo de descaso "desatendem ao postulados éticos de profissionais de enfermagem".

O Conselho Regional de Enfermagem destaca que os profissionais de enfermagem possuem formação técnica para prestar assistência de enfermagem livre de danos decorrentes de imprudência, negligencia e imperícia.  

Veja nota

"O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí  vem a público manifestar-se acerca de matérias veiculadas na imprensa sobre supostas condutas que desatendem ao postulados éticos de profissionais de enfermagem do Hospital Regional Justino Luz, do município de Picos – PI e informar que prontamente foram abertos procedimentos com vistas a averiguação dos fatos e encaminhamentos complementares na forma dos normativos do sistema COFEN/Conselhos Regionais de Enfermagem. Ressaltamos para a sociedade piauiense que os profissionais de enfermagem possuem formação técnica para prestar assistência de enfermagem livre de danos decorrentes de imprudência, negligencia e imperícia, e em especial, os profissionais de enfermagem do Hospital Regional Justino Luz, apesar de todas as dificuldades enfrentadas durante a pandemia de COVID – 19, desempenham suas atividades com esmero e zelo. O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí tem intensificado ações de fiscalização do exercício profissional no sentido de garantir condições de trabalho dignas e uma assistência de Enfermagem com qualidade e excelência". 


 

Ministério Público

A promotora Romana Leite Vieira disse ao Cidadeverde.com que o Ministério Público do Piauí teve conhecimento do caso por meio das redes sociais e da imprensa piauiense "de que profissionais da área da saúde, especificamente da ala Covid-19, do Hospital Regional Justino Luz, estariam dopando os seus pacientes a fim de alongar o tempo de descanso".

"Diante de tais fatos, instauramos procedimentos administrativos e requisitamos informações à diretoria do Hospital Justino Luz. Também encaminhamos cópias dos autos ao Conselho Regional de Medicina e ao Conselho Regional de Enfermagem a fim de que tais condutas venham a ser apuradas e os seus respectivos agentes punidos na esfera administrativa", explica a promotora. 

Romana Leite Vieira acrescenta que "tal conduta será apurada na espera criminal e também na espera civil, especificamente no que tange a improbidade administrativa. Trata-se de uma conduta de extrema gravidade e que caso venha a ser comprovada merece ser repelida de pronto bem como os seus agentes responsabilizados. Para tanto, solicitamos à população para caso de novas irregularidades entre em contato com o Ministério Público". 

Senatepi

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos do Estado do Piauí (Senatepi), Erick Ricelly, relata que "a nota é baseada em relatos de pacientes. Então, o Sindicato da Enfermagem já está denunciando formalmente as duas enfermeiras que assinaram a nota e a administração do hospital pela postura irresponsável de condenar não pessoas, mas toda uma categoria, colocar pânico na população como se a Enfermagem estivesse cometendo crimes no hospital sem antes apurar".

Erick Ricelly comenta que é preciso respeitar o processo do PAD (Processo Administrativo Disciplinar). "Após essa apuração, constando que realmente aconteceu, individualiza-se a pena e pune as pessoas que estão envolvidas. Agora, você condenar uma categoria inteira previamente sem ouvir as pessoas que são denunciadas, sem saber se as informações na nota são verdadeiras ou falsas, você coloca em xequê a reputação de toda uma categoria que fez a diferença, que trabalhou, se dedicou e dedicou a sua vida e saúde em prol da população nesse momento de pandemia".

"Quando você coloca que a Enfermagem estaria dopando pacientes para ter horas a mais de repouso é uma denuncia gravíssima, merecia uma apuração, não simplesmente a ampla divulgação de uma nota grave como essa porque coloca pavor na população sem saber se isso é realmente verdade", acrescenta Erick Ricelly. 

 

Carlienne Carpaso e Izabella Pimentel
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