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Internos da penitenciária de Picos transformam restos de madeira em arte

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Internos da Penitenciária Regional José de Deus Barros, em Picos, transformam restos de madeira em arte. A madeira, parte doada por comerciantes locais, é reaproveitada e em algumas horas se transforma num mini caminhão ou em um mini paredão de som, onde a riqueza de detalhes chama atenção.
 
“Passei cinco meses fazendo uma mini caminhonete com palitos de picolé, dentro do pavilhão. Hoje, já frequento o espaço de artesanato e uso as horas livres para fazer os caminhões. As peças são vendidas e essa é uma forma de ajudar minha família”, disse Paulo Francisco, de 32 anos, que está há quatro anos na penitenciária.
 
Além de Paulo, outros 12 internos – selecionados de acordo com o bom comportamento e o tempo de cumprimento da pena – convivem nesse espaço. É daí que saem os mini paredões de som que, dependendo do tamanho, podem custar mais de R$ 250. O gerente da unidade, Sinval Hipólito, conta que as peças produzidas pelos internos já são famosas na região. “As pessoas ligam, fazem encomendas e repassamos para eles. Os familiares ficam responsáveis por receber o dinheiro, já que essa é uma fonte de renda para eles”, relata.
 
Porém, a produção de peças artesanais também acontece dentro dos pavilhões e envolve cerca de 40 internos. A partir de palitos de picolés, eles fazem casas e cofres, que são vendidos fora da unidade. “Muitos conseguem ganhar mais de um salário mínimo com a venda. Os valores dos produtos são definidos por eles”, afirma Sinval Hipólito.
 
Quem participa dessa e de outras atividades tem o benefício da remissão da pena. A penitenciária José de Deus Barros mantém também em funcionamento a panificação. “Por dia, são produzidos 600 pães, que são consumidos tanto pelos detentos, como por agentes e policiais que trabalham na penitenciária. Quatro internos são responsáveis pela produção”, completa o gerente.
 
De acordo com ele, 40 internos assistem as aulas do ensino regular. O cultivo de uma horta, implantada no início deste ano, é outra atividade existente na penitenciária. A ideia inicial, resultado de uma parceria com a Universidade Estadual do Piauí (Uespi) de Picos, era cultivar um canteiro. “Hoje, temos oito canteiros, onde produzimos beterraba, cenoura, pimentão, pimenta de cheiro, cebola, dentre outros, consumidos dentro da própria unidade”, diz Sinval.
 
O secretário estadual de Justiça, Daniel Oliveira, salienta que a ressocialização através do trabalho é uma das ações prioritárias para todas as unidades prisionais do Estado. “Acreditamos que todos os internos merecem uma segunda chance. Estamos trabalhando para levar mais cursos de capacitação às unidades, a exemplo do que está acontecendo na Colônia Agrícola Major César Oliveira, em Altos, onde 40 novos pedreiros estão sendo formados. Essas pessoas estão tendo a oportunidade de escreverem uma nova história quando saírem do sistema prisional”, destaca.

Da Redação
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