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Emicida mostra revolta dos empregados domésticos em clipe de "Boa Esperança"

Emicida lançou nesta terça-feira (30) seu novo clipe "Boa Esperança". O vídeo foi dirigido por Kátia Lund e João Wainer e narra a revolta dos empregados domésticos. “Queria fazer um vídeo em que as empregadas colocassem veneno na comida dos patrões e esse barato virasse uma epidemia pelo Brasil”, conta o MC em entrevista ao site Noisey, que lançou o clipe na web.

A ideia surgiu nos papos com o fotógrafo Ênio César em uma viagem recente à África e ganhou um roteiro coletivo, forte e afiado. Emicida bota em pauta discussões importantes com o clipe. “O Brasil tá num momento em que ele gosta de falar que acordou, ele gosta de falar que vem pra rua, tá ligado. Isso não se aplica a quem tá nessa porra. O hip-hop fala disso há 30 anos”. E, com alguma desesperança, finaliza: “É o tempo da informação, mas quem dá as cartas é a ignorância”. 

Assista ao clipe:

O elenco reuniria inicialmente pessoas comuns, incluindo algumas autoras da história, que foi retirada de depoimentos de empregadas de verdade. Entre elas está a mãe do Happer, Dona Jacira, que por muitos anos trabalhou como empregada. O cronograma apertado inviabilizou a ideia e alguns atores foram incluídos no vídeo, entre eles Jorge e Domenica Dias, filhos do Mano Brown. 

"Não queria mergulhar na ficção de um jeito que eu inventasse as histórias. O que a gente queria fazer era juntar um número de senhoras que trabalharam de empregada doméstica durante a vida inteira e elas falassem suas experiências e aquilo ali ia gerar o roteiro, por isso que o roteiro não é creditado a ninguém. É um plano aberto”. E continua. “Todas elas têm um trauma do tempo em que trabalharam de empregada doméstica, Você vê que bagulho louco, as tiazinhas não trampam há 10, 20 anos e ainda têm medo do patrão e de falar que elas não estavam satisfeitas”, completa.

Tanto no freestyle quanto no som, o rapper joga o holofote no racismo e desigualdade social. “Tem uma pá de camada de ódio no Brasil e no final tem um verniz por cima que deixa aquilo brilhando, e ninguém ultrapassa esse verniz”, explica Emicida.