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Eloídes, A Ferinha, sucesso nos anos 80 que trocou os palcos pelo divã

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Era uma vez uma menina de 14 anos com roupas estampadas de onça, luvas, botas e gorro que cantava por aí que viraria uma fera se seu amor a trocasse por outra. Era 1980 e nascia assim "A Ferinha". Dona de sucesso avassalador na década e há tempos esquecida pela mídia, Eloídes foi encontrada pelo blog Playlist para falar sobre como anda sua vida e celebrar os reencontros no especial Teresina 163 anos Encontros e Reencontros da TV Cidade Verde. 

Hoje aos 54 anos, Eloídes Gonçalves de Oliveira é psicóloga e especialista em saúde da família e comunidade e garante que os tempos de estrelato ficaram mesmo para trás. "Hoje eu vejo que o que vivi foi um momento profissional da minha vida, deixei fluir os sentimentos e emoções daquela época mas agora tenho um novo modo de encarar a vida, um novo modo de ver o mundo", afirmou a cantora.

Descoberta da música

Por influência do pai baterista, Eloídes e os irmãos Remir e Evaldo enveredaram na carreira musical e construíram um legado que rende até hoje na música em bandas como Mastruz com Leite, Calcinha Preta, Cavalo de Pau e outras. Diferente de Eloídes, Remir continua no ramo com o grupo Remir Samba Show, mas até chegar a decisão de deixar a carreira, A Ferinha trabalhou muito para alcançar o sucesso.

"Comecei minha carreira profissional aos 13 anos no grupo "Os Musicais" e foi uma coisa muito bacana porque quando eu cantava meu nome foi ficando difundido graças ao radialista Roque Moreira, que sempre me chamava por Eloides. Depois disso eu viajei para Recife onde conheci uma gravadora e fiz meu primeiro disco com a música "Eu Vou Virar Uma Fera" que esgotou assim que cheguei a Teresina", contou Eloídes.

A Ferinha

Em meio a efervescência da música com o Globo de Ouro e os grandes festivais, a cantora maranhense percebeu que precisava de um diferencial para se destacar, criando aí "A Ferinha". "Eu pensei na caracterização diferente pra poder me destacar, pensei na roupa, na pele de onça, no gorro, nas botas e depois da caracterização eu escrevi "Eu Vou Virar Uma Fera".

A Fama

O sucesso de Eloídes se consolidou quando a cantora assinou com a gravadora EMI Odeon, pelo selo Jangada, voltado para o Nordeste, hoje a gravadora já é extinta, mas gravou trabalhos de bandas como Legião Urbana. Com a EMI, Eloídes gravou quatro discos, que foram distribuídos em todo o Brasil, começava aí o momento de maior sucesso da cantora. "Quando estourou no Brasil eu fiz muitos trabalhos em várias regiões, mas ficava muito pela região Norte, mais para os garimpos, região do Pará, Mato Grosso. Tinha uma aceitação muito grande mas era uma dificuldade fazer divulgação e fazer muitas coisas como se faz hoje com a internet", comenta.

Um dos momentos que mais marcaram a cantora, foi também assustador e sorrindo, Eloídes lembra sua passagem, quase trágica, por Vitorino Freire, no interior do Maranhão. "Era normal as pessoas subirem nas árvores e quebrarem os galhos das árvores pra ver a Ferinha. Uma história bem difícil que a gente passou foi em Vitorino Freire, no clube, onde quando eu subi no palco as pessoas arrebentaram a parede que separava a divisória do clube e foi um sufoco. Por sorte não houve ferimentos graves nas pessoas, mas foi um momento quase trágico", contou a cantora.

Mesmo vivendo um momento de grande sucesso Eloídes teve que enfrentar cinco malárias e só por conta disso, decidiu abandonar as viagens para a região Norte e apostar no sucesso em outro lugar. Desta vez Fortaleza foi a cidade escolhida e em pouco tempo Elóides conseguiu vaga na primeira formação da banda Rabo de Saia, conseguindo mais uma vez se consolidar, dessa vez com o sucesso "Pinto Piou".

"O melô do pinto surgiu numa época onde os compositores lançavam música com duplo sentido e eu não queria ficar fora do mercado. Fizemos a gravação com a banda Rabo de Saia, o dono da banda achou que o nome era forte e acabamos mudando para "Pinto Piou", contou.

Reviravolta

Eloídes não esperava, mas sua passagem por Fortaleza seria curta, e apenas dois anos após sua estreia com a Banda Rabo de Saia, em 1994 uma reviravolta em sua vida a faria traças novos planos. "Eu sou muito família, minha filha ficou aqui, me afastei dos meus irmãos, em Fortaleza eu senti o peso que isso tem. A convite de amigos, frequentei o centro espírita e depois comecei a ler a Bíblia Sagrada e me converti e passei a cantar louvando a Deus", explicou a cantora.

Eloídes hoje é congregada a Assembleia de Deus e já gravou vários discos Gospel como Certificado de Garantia e Nem Sete Nem Setenta. A cantora acrescenta ainda que não segue uma carreira no mercado Gospel e que para ela suas canções hoje são uma forma de louvar. "É importante a gente frizar que minha conversão não foi uma mudança de estilo foi uma conversão minha ao senhor Jesus e como a música faz parte da minha vida, meu repertório passou a se alinhar ao discurso. Fui cursar o ensino médio, fui cursar Teologia e Música e acabei fazendo Psicologia e ao me formar passei em uma residência em Saúde da Família e Comunidade e hoje a música faz parte do meu trabalho com as pessoas", completou Eloídes.

Saudosa do passado, a cantora completa afirmando que não se envergonha de tudo que passou, mas garante que sua música fala muito mais de seu momento e permite assim que as crianças permaneçam na sala. "Pode parecer que não mas existem famílias que tiram as crianças da sala com algumas músicas, inclusive as que eu cantava no passado. Hoje não tenho uma carreira Gospel e minha música é uma forma de louvar a Deus e cantar o amor", concluiu.