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Drag queen e rapper, Gloria Groove lança primeiro disco com show em Teresina

Apenas um dia após o lançamento do seu primeiro álbum "O Proceder", Gloria Groove chega ao Piauí para fazer o primeiro show de sua nova tour homônima. Considerada a 1ª drag queen rapper do país, Gloria vem da zona Leste de São Paulo e agora leva sua mensagem de resistência do gueto para os quatro cantos do Brasil, quiçá do mundo, através da sua música.

O Playlist conversou com a cantora que promete muita militância e 'bateção de bunda' eu seu novo show. A repercussão ainda é discreta, mas Gloria já comemora o feed back que recebeu após o lançamento do disco. "Olha, até agora o que bateu pra mim foras as boas reações o pessoal sempre dizendo que o álbum não tem música mora e me surpreendeu muito a receptividade de Gloriosa. Ela foi a última música do álbum e eu não esperava que ela fosse ter essa repercussão", contou.

O disco reforça as raízes e influências da rapper com muito hip hop e trap music e poderosos vocais inspirados na black music, que foram as principais influências de Gloria, desde a infância. "Beyoncé, Rihanna, Alicia Keys e tantas outras negras me influenciaram ao longo da vida. Na minha época de criança eu frequentava a igreja evangélica e essas referências eram muito fortes. Eu acho que captei de um lugar onde essa música vinha como uma coisa realmente divertida e leve pra mim. Não absorvi a parte misógina e machista e eu me identificava por poder transformar sentimentos não só em melodia, mas em flow, levada sabe?!", comentou.

Gloria representa!

Ciente da visibilidade que ganhou na carreira Gloria se sente grata em poder representar especialmente tantos outros gays que, como ela, em algum momento se sentiram menosprezados simplesmente por serem quem são. Gloria diz se sentir grata pelo reconhecimento, mas anda longe de tornar uma "estrela inacessível", para ela, sua grande e real missão é dar voz a quem não a possui.

"É difícil explicar o tamanho da gratidão que eu sinto porquê assim como todo outro gay eu passei por muita opressão. Eu senti que hoje depois de tanto tempo eu consegui transformar o que diziam que era o pior em mim e conseguir dar voz. O que eu faço não é para inflar meu ego, e sim para ser plataforma a uma  minoria que é muito oprimida no Brasil. A sensação de dar voz a todos é uma gratidão eterna", completou.

Alavancada nacionalmente após o lançamento do single "Dona" ainda em 2016, Gloria comenta que sua nova fase vai muito além da festa que ela trouxe no início. Depois de marcar presença como a "Dona da festa toda" agora chegou a vez de levantar bandeiras. "Eu acho que Dona é uma música que representa o lance de cheguei e estou aqui e agora estamos levantando a bandeira para seguir a diante. Dona foi mais festiva e menos pretensiosa e Império já é uma espécie de peneira de quem realmente gosta do que eu faço e entende meu posicionamento político", enfatizou.

Universo Drag

"Se montando" há apenas três anos, Gloria surpreende pela qualidade dos seus looks e maquiagem. Ela reconhece que Ru Paul's Drag Race foi um grande influenciador, mas ela se define como "Filha de Youtube" e foi lá que ela aprendeu todos os truques que fazem dela uma das drags mais respeitadas no meio.

"Eu sou filha de youtube total e na época que eu comecei a me montar - tipo quero fazer e então vou atrás  - fui atrás de botar a mão. Eu conheci sim pessoas muito importantes que construíram o meu caráter como Íkaro Kadosh que me adotou como filha, mas não tive uma 'mãe drag' como muitas tem", comentou. Minha mãe na verdade foi uma inspiração para o meu trabalho. Ela também é cantora e o universo feminino sempre chamou a minha intensão", pontuou.

Acostumada a ouvir falar em rivalidade no meio feminino, Gloria tenta trazer o inverso para o universo drag. Para ela, a rivalidade é 'fruto da cultura machista' e do contrário o 'fazer drag queen' surge como um movimento de força.

"A gente dentro do universo drag uma coisa de emular e simular as competições que existem no mundo feminino. Isso é uma estrutura da sociedade que instiga as mulheres a competirem  - da minha parte eu vejo na gente muita força, as mesmas coisas eu acredito - que a gente vem pra revolucionar", garante.

Foto: Noisey/Vice

Sucesso

Dividindo agora os hits do mundo drag com cantores como Pabllo Vittar e Lia Clarck, Gloria só fala em amizade e parceria. Para ela, além de amigas na vida, as drags de sucesso podem sim se tornar parceiras na música. "A Pabllo, por exemplo, eu conheço desde antes da gente fazer qualquer tipo de sucesso. Nos conhecemos pessoalmente no fumódromo de uma festa chamada 'Nêga' e a gente foi se reencontrar depois dentro do Projac. Ela é uma querida e com certeza mais dia, menos dia quem sabe a gente não faz algo juntas?!", comenta Gloria.

Marcia Pantera, Ikaro Kadoshi, Lorelay Fox , Alexia Twistter, Kira Lyon e Aretuza Lovi  estão entre as drags citadas por Gloria como as que "todo mundo precisa conhecer", mas segundo ela muitas outras podem ser referência para quem se interessa por este universo. "Eu tenho medo de esquecer alguém então melhor não falar muito. Mas além de dar valor a essas drags conheça as queens da sua cidade porquê esse é o apoio que vai fazer efeito", reforça.

Foto: Noisey/Vice

Preparada e motivada para a estreia de sua tour na boate Red, Gloria encerra nossa entrevista prometendo muita militância, fervo e muita festa por onde passar.

"O pessoal pode esperar além das músicas novas muito enaltecimento de talento nacional - muita militância, muita bateção de bunda e muito tudo. Pode espalhar!", finalizou.