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INSS deve pagar por afastamento de vítima de violência doméstica

         Fachada do STJ/ Foto: divulgação STJ

 

#MariadaPenha

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu hoje (18) que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deve pagar auxílio para a mulher que precisar se afastar do trabalho devido à violência doméstica. Pelo entendimento, a situação está prevista na Lei da Maria da Penha e justifica o recebimento do benefício. A decisão não é definitiva e foi tomada em um processo específico, mas a tese deve valer para outros casos idênticos que chegarem à Sexta Turma. Ainda cabe recurso da decisão.

Por unanimidade, o colegiado seguiu o voto proferido pelo ministro Rogério Schietti Cruz. Segundo o magistrado, a Lei Maria da Penha definiu que a vítima de violência doméstica pode ficar afastada do trabalho por até seis meses, no entanto, não definiu se o empregador ou a Previdência Social devem continuar pagando o salário da trabalhadora durante a manutenção do vínculo trabalhista. A manutenção do emprego por seis meses é uma das medidas protetivas que foram criadas pela norma e que podem ser decretadas por um juiz.

Pelo entendimento do ministro, o INSS deve custear o afastamento diante da falta de previsão legal sobre a responsabilidade do pagamento. "Assim, a solução mais razoável é a imposição, ao INSS, dos efeitos remuneratórios do afastamento do trabalho, que devem ser supridos pela concessão de verba assistencial substitutiva de salário, na falta de legislação especifica para tal", decidiu o ministro.

O caso específico envolveu uma mulher que recorreu de uma decisão da Justiça de São Paulo que negou pedido de medida protetiva de afastamento do emprego, por entender que a competência para decidir a questão seria da Justiça Trabalhista. Pela decisão do STJ, casos semelhantes devem ser decididos pela Justiça comum.

 

Por André Richter - Agência Brasil

 

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Agressores de mulheres deverão ressarcir ao SUS. Veja críticas à nova lei

#MariadaPenha

Na última terça (17), o presidente Jair Bolsonaro sancionou a alteração na Lei Maria da Penha, nº11.340,  que torna  obrigatório o ressarcimento dos custos do SUS (Sistema Único de Saúde) por parte dos agressores de mulheres nos casos relativos aos  atendimentos hospitalares decorrentes de  violência doméstica e familiar. O ressarcimento também se estende aos custos dos dispositivos de segurança utilizados pelas mulheres. A alteração garante a cobrança mesmo antes da condenação do agressor.

O texto havia passado pelo Senado em março deste ano e foi aprovado em agosto na Câmara dos Deputados.  Os autores do projeto de lei, de número 2438/2019, são os deputados Rafael Motta (PSB/RN) e Mariana Carvalho (PSDB/RO). Muito embora a dívida seja cível, ou seja, não há punição com prisão para o agressor que não pagar a dívida, a intenção da lei, de acordo com o Planalto, é trazer mais responsabilização para o agressor que não apenas na esfera penal,  “mas também por meio do ressarcimento aos danos materiais e morais causados pela sua conduta ilícita. O objetivo é reforçar a legislação e as políticas públicas que visam coibir a violência contra as mulheres e, consequentemente, garantir a proteção à família”, diz a nota publicada pelo Planalto. 

“O Projeto de Lei não trará impacto no Orçamento da União, vez que não cria, nem modifica despesa, tampouco prevê renúncia de receita. O projeto de lei entrará em vigor 45 (quarenta e cinco) dias da data de sua publicação”, complementa a nota presidencial.  Entretanto, não há informações sobre como se dará esse ressarcimento. 

Críticas às mudanças 
De acordo com Maria da Penha Fernandes, embora algumas alterações sejam importantes para a Lei 11.340, ela acredita que deveriam ser priorizados mecanismos para se fazer cumprir o texto original. “Estão mexendo muito na lei. A Lei Maria da Penha é uma das três melhores leis do mundo, é uma lei completa. Algumas alterações são mesmo importantes, mas é necessário ver que nem o padrão da lei está sendo cumprido como deveria”, analisa. 

De acordo com Mariana Moura, advogada e mestranda em Sociologia, a recente mudança tem aspectos positivos e negativos. Em sua análise, a alteração pode reforçar outros projetos de Estado.  “É positivo que todas as pessoas sejam responsabilizadas pelos danos que elas causam. A grande questão é que há um contexto por trás disso, como por exemplo, um projeto cada vez maior de se extinguir o SUS. Então começa com essas iniciativas para custeio do sistema de saúde. Sabemos que muitos dos homens que agridem as mulheres não têm recursos e isso vai gerar cada vez mais um processo de encarceramento desses homens”, afirma a advogada. 

Para a advogada, as medidas não podem ser trabalhadas isoladamente sem a educação para a mudança cultural. “Para os homens mais pobres, para os negros, por exemplo, a alteração acaba por ser mais um elemento que pesa na vida deles, que estigmatiza e marginaliza. Nada do que mexe no texto da Lei Maria da Penha pode vir dissociado do processo de trabalhar com os homens, de discutir as masculinidades, porque a violência nunca vai acabar se a mentalidade que a fomenta não acabar”, finaliza a advogada. 

Veja outras alterações recentes da Lei Maria da Penha 

Em junho deste ano foi sancionada a Lei 13.836/19 que altera o texto da Lei Maria da Penha obrigando a informação sobre a condição de deficiência da vítima nos boletins de ocorrência dos casos de violência doméstica. A alteração torna o crime mais grave e é oriunda de projeto da deputada Rosangela Gomes (PRB-RJ). O texto também determina que o registro policial contenha a informação se o ato de violência resultou em sequela ou em agravamento de deficiência já existente.  

Já em maio deste ano, foi sancionada a Lei nº 13.827, que altera a Lei 11.340 para autorizar a aplicação de medida protetiva de urgência, pela autoridade judicial ou policial, à mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou a seus dependentes. O registro da medida protetiva de urgência também deverá constar nos bancos de dados vinculados ao Conselho Nacional de Justiça, garantido o acesso do Ministério Público, da Defensoria Pública e dos órgãos de segurança pública e de assistência social, com vistas à fiscalização e à efetividade das medidas protetivas. 

Propostas em tramitação

Mulheres trans
A proposta de autoria do Senador Jorge Viana (PT/AC) visa alterar a redação do art. 2º da Lei Maria da Penha, que passa a garantir a proteção da lei para mulheres transgênero e transexuais.  A proposta está pronta para deliberação do plenário. 

Divórcio 
Já o projeto de autoria do deputado  Luiz Lima  (PSL/RJ)  visa permitir facilidades para o divórcio ou rompimento da união estável nos casos previstos na Lei 11.340, a pedido da mulher em situação de violência.  A ementa propõe atribuir aos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher competência para julgar as ações de divórcio e de dissolução de união estável. 

Nomeação em cargos públicos

Existe também um projeto tramitando que visa proibir a nomeação dos agressores condenados por crimes previstos na Lei Maria da Penha, na esfera da Administração Pública Federal, Direta e Indireta, em cargos de livre nomeação e exoneração. O projeto é de autoria de Célio Studart  (PV/CE).

 

Com informações do site Universa, Portal da Câmara e do Senado e Portal da Presidência da República.  

Por Samira Ramalho

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Mulheres são 96% das responsáveis por compras e pagam mais!

Clique para ver os créditos da imagem: Freepik 

Já parou para analisar o seu consumo e como ele impacta a sua vida financeiro, no seu acúmulo de lixo, no seu gasto de tempo e até na saúde emocional? Algo é fato: o comportamento de consumo tem a ver com o gênero. As mulheres dominam o mercado consumidor,  sendo 96% dos responsáveis pelas compras e utilizam mais de 20% da sua renda individual para abastecimento doméstico, de acordo com o Panorama do Comportamento de Consumo e Estilo de Vida das Mulheres Brasileiras, produzido pela empresa de pesquisa de mercado Nielsen em 2018. Elas são também são os principais alvos de armadilhas do mercado, que apelam para suas inseguranças e para o aumento sorrateiro de preços.  

Diferente do comportamento de consumo masculino, as mulheres valorizam mais a relação entre  custo e benefício e a experiência de compra na hora de escolher a marca ou loja. 

Em perfis construídos também pela Nielsen, em 2016, as mulheres brasileiras foram divididas em três categorias básicas quanto à sua maneira de consumir.  A pesquisa concluiu que o perfil Prática, que representa 56,4% da população feminina consumidora,  gasta 23% acima da média dos demais perfis com produtos de mercearia, sobretudo lanches rápidos, guloseimas e  refrigentes. 

Já o perfil Vaidosa  representa 36,4% da população feminina brasileira e gasta 48% acima da média das mulheres com produtos de cuidado pessoal e  com uma frequência 17% maior, de acordo com o mesmo relatório. Essas mulheres têm uma idade de 19 a 35 anos e se concentram principalmente no Nordeste e na Grande São Paulo. Quando sobra dinheiro da renda mensal,  28% é direcionado para roupas novas e 17% com melhorias para o lar, diferente dos homens que empregam 40% em pagamentos de dívidas e 23% na compra de produtos de tecnologia. 

O terceiro perfil é o da Despojada, que representa 16,7% da população  e dá mais importância à compra de bebidas alcoólicas, gastando 82% acima da média.

Mulheres são mais gastadeiras?

É bastante comum ouvirmos por aí ou vermos representadas na cultura midiática as mulheres como compradoras compulsivas, que gastam com futilidades e estão dispostas a pagar mais. Mas as pesquisas sobre comportamento de consumo indicam que esses discursos não são realistas. 

O relatório Nielsen de 2016  aponta que no assunto economizar, as mulheres fazem isso melhor que os homens. As áreas onde elas mais economizam são em gás e eletricidade (70% vs. 57%), roupas novas (65% vs. 46%), entretenimento fora de casa (65% vs. 57%) e ao trocar marcas de produtos de mercearia que tenham melhor custo-benefício (53% vs.35%). 

Mas apesar do bom senso nas compras, é bastante frequente que elas ainda paguem mais por determinados produtos sem perceberem. A armadilha chamada Taxa Rosa ou Pink Tax – em inglês - é uma prática que incrementa o preço de produtos direcionados para o público feminino.  Em geral, a taxa rosa é aplicada a produtos de uso comum, ou seja, que atendem a todas as pessoas, mas quando mesmo assim há uma separação por gênero, como roupas e produtos de higiene pessoal.

De acordo com um estudo realizado pelo Departamento de Assuntos do Consumidor (DCA) da Prefeitura de Nova York (EUA)  em 2015, os produtos de cuidados pessoais, como barbeadores e sabonetes tiveram o maior encarecimento – com média de 13% - em relação ao gênero. Porém, os xampus e condicionadores para o público feminino podem ser até 48% mais caros que os masculinos. 

Foto: Samira Ramalho

A pesquisa do DCA envolveu produtos de uso pessoal comercializados nas principais farmácias de Nova York, e foram escolhidos produtos equivalentes, mas posicionados em diferentes setores e com estratégias de marketing diferentes. Foram escolhidos produtos através da descrição e composição. Em geral, os produtos masculinos vêm marcados como “para homens”, enquanto os produtos considerados femininos também podem ser considerados “unissex”,  já que o rótulo não indica o gênero. 

Entretanto, os produtos para as mulheres não trazem a  expressão “para mulheres”, mas são percebidos assim devido às suas embalagens com curvas e cores claras e por incluírem no rótulo a palavra “beleza”, em geral.  Enquanto os produtos “para homens” têm embalagens mais retas, cores escuras e trazem mensagens que reforçam a força e a eficácia do produto. 

Alguns produtos são difíceis de comparar por não terem descrições idênticas. O próprio relatório do Departamento indicou que as marcas atribuem o incremento do preço dos produtos aos insumos e tecnologias diferenciadas, mais sofisticadas e mais caras. Um exemplo são os  produtos para cabelo e pele que são vendidos para satisfazerem variadas necessidades, cores, tipos e comprimentos, no caso dos cabelos. Mas a conclusão do DCA de Nova York é que a única diferença visível em alguns produtos de cuidado pessoal é apenas a cor!

Foto: Samira Ramalho

Kit de barbeadores "para homens" custa 1,10 a menos que o kit "para mulheres"

Em 2015, a apresentadora americana Ellen DeGeneres fez uma denúncia bem humorada a esta prática após o lançamento de uma caneta exclusiva “para mulheres” lançada por uma marca (Veja o vídeo abaixo). Por isso, vale ficar mais atenta aos preços e denunciar as diferenças nas redes sociais, nos sites de reclamações e também nos canais oficiais das marcas. 


 Como são construídos esses comportamentos de consumo?

Devido à representatividade no consumo, as mulheres  geralmente são os primeiros alvos dos discursos publicitários e ações de marketing voltados para determinados tipos de produto, como a moda, os cosméticos e produtos para o lar. 

Até certo tempo, as estratégias discursivas despertavam o sentimento de inadequação nas mulheres a partir da ausência de determinadas roupas e produtos na sua vida ou de imperfeições que esses produtos poderiam amenizar ou resolver. Isso se deve a uma contrução histórica e cultural a respeito das mulheres, como aponta a designer de moda e socióloga Carol Barbosa. 

Foto: João Paulo Brito

Designer de moda e socióloga, Carol Barbosa

“Nos séculos anteriores, antes das mulheres alcançarem  autonomia e a representatividade que hoje possuem na sociedade, só lhes eram destinadas algumas ativides, como por exemplo, administrar a casa, educar os filhos e comprar. Aliás, comprar os melhores produtos da última moda e estar sempre bonita e elegante era considerado um agregador de status para os maridos”, conta a designer. 

Atualmente, os discursos procuram explorar outros significantes, como o empoderamento feminino, inclusão, respeito às diferenças e ética socioambiental, considerando as atualizações sociais e o maior interesse feminino por essas pautas. Como indica o Panorama produzido pela Nielsen (2018), as mulheres de todas as gerações possuem algo em comum que influenciam nos seus comportamentos de consumo.  Para o estudo, as mulheres já não aceitam preconceito e intolerância; mudam os hábitos de consumo por causa do meio ambiente; cuidam mais da saúde e vão ao médico e ao dentista com mais frequência; acreditam que propagandas estimulam a comprar mais que o necessário; elas costumam ler quando têm tempo livre e todas têm o objetivo de serem felizes.  

Mas é preciso cuidado também com os novos discursos empoderadores do mercado, como alerta Carol Barbosa. “Nos dias de hoje o mercado apodera-se dos discursos feministas revertendo-os em campanhas publicitárias de empoderamento feminino através do consumo de produtos que vendem a promessa de libertar os corpos femininos, somando-se a isso o termo empoderamento feminino vem sendo utilizado também pelo mercado para incentivar o consumismo de mulheres.”

Carol também acrescenta que embora o poder aquisitivo de uma mulher seja ferramenta imprescindível para  consolidar a independência feminina o consumismo por sua vez não condiz com a luta do movimento feminista que em muito comunga com o movimento de preservação do meio ambiente. “Além  disso, o consumo pelo consumo não contempla e nem dá espaço para o autoconhecimento, termo em voga e que tem sua importância, pois é através deste que nós mulheres poderemos de forma consciente transformar nossas atitudes em relação a nós mesmas para além de modelos mercadológicos que estejam sendo difundidos”, conclui.

Mas o que podemos fazer para não cair nas armadilhas do mercado?

A designer Carol Barbosa deixa aqui algumas recomendações para melhorar a nossa relação com o consumo de moda, por exemplo, mas que servem também para outros tipos de produtos.  

1 - O guarda-roupa é uma ferramenta de comunicação, expressão e trabalho, não deve ser o motivo de uma autoestima inadequada, angústias, dívidas ou perda de tempo.  Outras alternativas de consumo (não necessariamente de compras) podem ser buscadas, como as trocas, doações, bazares, brechós, outlets, pontas de estoque, liquidações, aluguéis e customização. Além, claro, de usar mais e de forma mais criativa aquilo que já está no guarda-roupa.

2 -  Ter a consciência de que somos parte do mundo e temos responsabilidade de contribuir com a mudança a partir de atitudes éticas. A indústria da moda rejeita um caminhão de resíduos por segundo em todo o mundo. Todos os nossos hábitos de consumo possuem consequências e que mesmo indiretamente pode estar financiando a degradação ambiental, desperdício e também a violação de direitos trabalhistas e direitos humanos. Para uma atitude ética e sustentável, econômica e ambientalmente, é preciso também desacelerar o hábito de compras, privilegiar durabilidade, melhorar os cuidados com a peça (respeitando as etiquetas de instruções), buscar produtos que sejam produzidos em ritmo mais lento e por empresas com perfil sustentável. 

 

Por Samira Ramalho

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Crimes de violência doméstica prescrevem por falta de movimentação

#MariadaPenha

De acordo com o Relatório Mundial de 2019 da organização não governamental Human Rights Watch, mais de 1,2 milhão de processos de violência doméstica estavam pendentes nos tribunais brasileiros até o fim de 2017. Isso se deve à implementação incipiente da Lei Maria da Penha, que este ano completou 13 anos desde que foi sancionada. Além disso, o relatório apontou que foram fechadas 23 casas-abrigo devido a cortes orçamentários em 2017. No Brasil inteiro, apenas 74 abrigos continuam em funcionamento. O relatório também denuncia que os casos de violência domésticas não são investigados adequadamente e, por isso, muitos sequer chegam a ser processados criminalmente. 

Conforme a Política Nacional de Enfrentamento às Violências contra as Mulheres, a rede de enfrentamento deve ser composta por juizados especializados, promotoria, delegacias especializadas, os centros de referência municipal e  estadual e casas-abrigo. Contudo, para a advogada Mariana Moura, a falta de pessoal qualificado e direcionado para os serviços contribui muito para as falhas na aplicação da lei. 

“Muitas vezes os serviços ofertado são ineficientes ou inadequados, seja pela quantidade insuficiente de profissionais destacados, o que repercute na morosidade para conclusão dos atendimentos. No caso dos juizados, por exemplo, é comum ocorrer prescrição dos crimes por falta de movimentação processual, seja pela incapacidade de muitas políticas adotadas de realmente produzirem efeitos concretos na vida das mulheres em situação de violência, o que por vezes gera descrédito da instituições.”

“Nesse mesmo rol podemos citar ainda a desconsideração da lei em diversos casos, quando não há comunicação às vítimas no caso de soltura de agressores presos e a falta de controle e acompanhamento do cumprimento das medidas protetivas, situações que as coloca em risco –permitindo que os agressores, muitas vezes voltem a agredi-las”, aponta a advogada. 

 

A advogada Mariana Moura. Foto do arquivo pessoal

 

A falta de formação adequada em torno da temática da violência de gênero também é frequentemente verificada nos serviços, o que acaba permitindo que as violações da lei ocorram. De acordo com Mariana Moura, o machismo enraizado faz com que muitos profissionais acabem induzindo o retorno daquela mulher para o relacionamento abusivo, que muitas vezes provoca a revitimização e representa um exemplo bem evidente de reprodução de violência simbólica pelo próprio Estado.

“A falta de uma escuta sensível muitas vezes desencoraja as mulheres a denunciarem, ou as estimula a desistirem, sem falar que muitas dependem financeiramente do companheiro agressor, fato que acaba mantendo-as dentro do círculo de violência por falta de oportunidades. Para essas mulheres, a libertação da violência só termina por meio do exercício da autonomia e segurança. No entanto, para isso, muitos passos ainda precisam ser dados.”

Para Maria da Penha Fernandes, farmacêutica cearense e a mulher que dá nome à lei, esses serviços devem ser monitorados por outras instâncias do Estado e que as pessoas que trabalham aí precisam ser minimamente capacitadas. “Por exemplo, em um momento de capacitação de movimentos de mulheres em comunidades, é preciso sugerir pra aquelas mulheres que caso elas sejam mal atendidas, que elas possam pegar o telefone do órgão local e reportar, pra que o órgão tome conhecimento e possa corrigir a falha desse funcionário”, orienta. 

Centros de Referência são essenciais para o enfrentamento da violência e aplicação da Lei

Um dos principais entraves para a aplicação efetiva da lei é ausência de centros de referência em municípios do interior, de acordo com Maria da Penha Fernandes. Esses centros oferecem atendimento social, psicológico e jurídico para mulheres em situação de violência e estão previstos pela lei.

“Em 13 anos de lei e nós só temos as políticas públicas que fazem a lei sair do papel nas grandes cidades, mas é necessário que todo município tenha pelo menos o centro de referência da mulher, que é um local onde a mulher pode se orientar sobre os seus direitos, pra que ela saia da situação de perigo. Então, todos os municípios podem criar o centro de referência, inclusive dentro da unidade hospitalar que está presente na maioria dos pequenos municípios”.

Mas na falta de centros, outras alternativas devem ser buscadas por enquanto. “Por exemplo, o dia das mães na escola, vamos até lá conversar com as mulheres, porque geralmente a escola faz uma comemoração. Temos que buscar estratégias para chegar até essas mulheres ”, acrescenta Maria da Penha .

Foto: Dulce Luz (Semcom- PMT)

(Maria da Penha durante entrevista coletiva no dia 28/08/2019 em Teresina)

Além disso, outro problema apontado pela advogada Mariana Moura para a aplicação da lei é a localização desses serviços, quando eles existem.  “O fato de geralmente serem fixados nas capitais e zonas centrais faz com que as mulheres residentes na zona rural ou nas zonas periféricas dos centros urbanos, em sua maioria negras e pobres, tenham maior dificuldade de acessar os serviços, ficando mais vulneráveis a esse tipo de violência. Dessa forma, não à toa, elas são mais suscetíveis ao feminicídio”, conclui a advogada. 

Onde buscar ajuda em Teresina? 

Em Teresina, o apoio às mulheres em situação de violência pode ser encontrado no Centro de Referência Esperança Garcia (CREG), localizado na Rua Benjamin Constant, 2170, Centro. Os serviços ofertados passam pelo atendimento psicólogico, serviço social, assessoria jurídica e também serviços para  o fortalecimento da mulher na perspectiva de práticas integrativas, em articulação com a rede municipal de atendimento. O Esperança Garcia já tem quatro anos, com mais de 1600 atendimentos realizados. Teresina também possui três delegacias especializadas em direitos da mulher. Veja os endereços e telefones abaixo:


DELEGACIA DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS DA MULHER-CENTRO
ENDEREÇO: Rua 24 de Janeiro, 500, Centro-Norte, Teresina-PI
TELEFONE: (86) 3222-2323
DELEGADA: Maria Vilma Alves da Silva
CIRCUNSCRIÇÃO => Abrange a zona centro de Teresina-PI.

DELEGACIA DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS DA MULHER-SUDESTE
ENDEREÇO: Conj. Dirceu Arcoverde (por trás 8º DP), Teresina-PI
TELEFONE: (86) 3216-1572
DELEGADA: Alexsandra de Sousa Alves da Silva
CIRCUNSCRIÇÃO => Abrange a zona sudeste de Teresina-PI.

DELEGACIA DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS DA MULHER-NORTE
ENDEREÇO: Rua Bom Jesus, s/n, Buenos Aires, Teresina-PI
TELEFONE: (86) 3225-4597
DELEGADA: Cláudia Elisa Ribeiro Pinheiro
CIRCUNSCRIÇÃO => Abrange a zona norte de Teresina

Para orientações de como proceder ou mais informações, a Central de Atendimento à Mulher está disponível para ligações gratuitas pelo número 180. 

 

Por Samira Ramalho

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Aberto concurso de roteiros de cinema feminino. Inscrições até 20/09

Reprodução do site oficial do concurso

 

 O Instituto Dona de Si, comandado pela atriz e roteirista Suzi Pires, e a Arezzo lançaram o Concurso de Cinema Feminino. Mulheres poderão se inscrever para criarem roteiros autorais para filme curta-metragem que expõem suas próprias definições sobre a sororidade, abordando como tema principal o protagonismo feminino no dia a dia. As inscrições seguem até o dia 20 de setembro e podem ser feitas pelo site.

Cinco mulheres serão escolhidas para receberem a premiação, que serão cinco dias de mentoria para desenvolvimento dos roteiros no Instituto Dona de Si, no Rio de Janeiro, com todas as despesas de viagem pagas.  Logo em seguida, os scripts selecionados já começam a se transformar em filmes, que serão lançados no dia 28 de outubro. 

Poderão se inscrever roteiristas que sejam do gênero feminino e aquelas que se identifiquem com o gênero feminino (transexuais e/ou transgêneros) e que possuam, comprovadamente, ao menos, 02 (dois) anos de experiência como autoras ou roteiristas (de peças teatrais, livros, colunas, artigos jornalísticos, roteiros de obras audiovisuais, dentre outras possibilidades). As participantes poderão inscrever quantos roteiros originais desejarem. De acordo com o instituto, a comprovação da experiência pode ser por links de blogs, sites e arquivos com os textos. 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Suzi Pires orienta sobre questões do concurso

Uma publicação compartilhada por suzana pires (@institutodonadesi) em

 

Após a análise feita por especialistas, que avaliarão quesitos como originalidade, aderência ao tema e experiência da candidata, as cinco finalistas são convidadas para uma semana toda de mentoria liderada pela própria Suzi, diretora artística do projeto, que atuará ao lado de profissionais também exclusivamente do gênero feminino.

Suzi Pires gravou um vídeo para a conta do Instagram do Instituto Dona de Si, em que afirma que as candidatas não precisam ser roteiristas profissionais, basta terem alguma experiência com escrita. O que vai contar é a originalidade da ideia. 

O Instituto Dona de Si, idealizado pela atriz Suzi Pires, é um acelerador e fomentador de talentos femininos com o objetivo de crescer o número de criadoras e inovadoras no mercado de produtos e também na narrativa. Tem a missão de fazer com que os talentos criativos tenham aparato técnico e artístico para apresentar seu material ao mercado profissional, tornando-se empreendedoras de si mesmas.

Para se inscrever e obter maiores informações, acesse o site do concurso

 

Com informações do site do concurso.

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A Quarta Onda chegou!

Foto: João Paulo Brito

Olá, eu sou Samira Ramalho! Dos meus estudos e inquietações nasceu o blog Quarta Onda  e que inicia, agora, a sua história no Portal Cidade Verde. A  minha  proposta é produzir conteúdo sobre todos os temas, mas focado no centro das críticas feministas, que são as relações sociais estabelecidas a partir do gênero, e as práticas e discursos que têm produzido problemas à existência das mulheres. É também mostrar, com seriedade e leveza, exemplos de protagonismo e empoderamento feminino em diversos campos da sociedade, bem como suas experiências e reflexões. 

Decidi chamar este projeto de Quarta Onda por causa da perspectiva teórica de que entramos em mais uma era dos movimentos feministas. A primeira onda – das Sufragistas – queria o direito ao voto; a segunda onda floresceu na militância e na academia; a terceira apresentou as primeiras teorias de gênero, institucionalizou o movimento e apresentou amadurecimento fundamental para o que temos hoje. Já a nova onda é caracterizada pela dependência do acesso à internet, das redes sociais e por uma população de feministas nascidas ou criadas durante a efervescência do movimento lado a lado com o desenvolvimento da internet. 

Mas por que escrever de maneira feminista? 

Há um modo de pensar feminista sobre a contribuição das mulheres para rápidas mudanças nas relações sociais, ao apresentarem inovações e exemplos de reestruturação dos espaços físicos, sociais, culturais e científicos, mas, além disso, ao proporem novos horizontes interpretativos e agregando sujeitos sociais considerados subalternos.  O mais importante é que uma maneira feminista de pensar vem conquistando e promovendo novas formas de viver.

Afinal, quem escreve?

Uma feminista, jornalista, relações públicas e mestra em Sociologia. Durante o mestrado, desenvolvi a pesquisa Gênero e Sexualidade: discursos de mulheres feministas sobre a pornografia com orientação da professora Rita Sobral. Além disso, gênero e feminismos são temas sobre os quais eu pesquiso há mais de quatro anos, embora eu nem me lembre mais quando me tornei uma feminista na vida prática. Bom, se eu não fosse tão feminista e tão dona do meu nariz, eu diria que os astros já haviam decidido isso por mim antes de eu nascer…

Por isso, o blog Quarta Onda também foi idealizado como um instrumento de resistência, pois, acredito que a informação e a reflexão podem mover estruturas, aos poucos, com paciência e consistência, e com todas e todos juntos. :)

               

 

P.S. As atualizações são diárias com matérias, notas, crônicas, resenhas, artigos de opinião, vídeos e mais.  Espero a colaboração de vocês com comentários e sugestões de pautas. Contato pelo blogquartaonda@gmail.com ou direct no instagram @samiramalho e @blogquartaonda. Sigam também no Twitter @quartaonda4.