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Show da Resistência abre o mês da consciência negra no dia 1 de novembro

Arte: Ludmila Nascy

Para abrir o novembro negro, artistas e militantes de movimentos sociais realizam o Show da Resistência no dia 01 de novembro na Praça Pedro II, centro de Teresina.  Na ocasião haverá atividades de manifestação em prol da população impactada pelo  Programa Lagoas do Norte, muitas das quais tiveram suas casas destruídas. 

O evento começa a partir das 18h e conta com música ao vivo, performances artísticas e conversas, tudo ao melhor estilo arte-negra. 

Para uma das organizadoras, a artista, bailarina afro e professora, Artenildes Silva este é um momento para visibilizar a luta. “É preciso trazer para  o centro da cidade essa luta de mulheres, crianças e homens que resistem contra o impacto do Programa Lagoas do Norte. A comunidade continua resistindo contra as desapropriações e remoções de suas casas. Os moradores tem o apoio dos artistas e dos mais diversos movimentos sociais para resistir”, afirma. 

O Programa Lagoas do Norte, encontra-se em sua segunda fase, e em seu marco de reassentamento involuntário, um documento da prefeitura,  aponta que quase duas mil famílias podem ser removidas de seus locais de moradias, onde cultivam um sentimento de pertencimento e territorialidade. 

Ali onde as famílias, muitas das quais tem relação profunda com as lagoas e os rios, com suas vazantes (plantações), pescaria, lazer, e outros costumes. 

Para Maria Lúcia Oliveira, militante negra que resiste ao impacto do Programa Lagoas do Norte, o show da resistência “é uma celebração e não é ao mesmo tempo”. Se soou confuso para você é porque confusa é vida de um povo que tem que rir e chorar e carregar na raça o esteriótipo de ser o povo que resiste sorrindo contra as violências, inclusive a violência institucionalizada do Estado. 

“Esse tipo de atividade não era pra gente estar fazendo como a gente tá. Era o próprio Estado que tinha que se responsabilizar, porque a gente tem sido vítima da omissão do Estado. Esta poderia ser uma comemoração, mas para nós este é um momento de indignação, onde vamos mostrar através da arte que a gente existe”, afirma Lúcia sobre os momentos de luta serem também momento de cantar, já que até aqui o povo negro resistiu também dançando. 
 
O Show da Resistência é um chamado contra o silenciamento do povo negro 

Maria Lúcia acrescenta ainda que o encontro é um chamado para todos e todas se solidarizem e perceberem que a rede que os fios da história tecem é um só. “E vamos abrir o mês da consciência negra com este show como um alerta para as instituições e para os mais diversos movimentos negros, que estão fazendo umas rodas fechadas, sendo que eles também estão dentro da roda que está aberta, porque o que está acontecendo também vai acontecer com eles”. Lúcia afirma por metáforas que as rodas pequenas sempre estão nas rodas grandes e, por isso, elas se encontram. 

Segundo a organização do evento, o mais importante para se destacar no Show da Resistência é o protagonismo e empoderamento. “Porque se participar de atividades com um gestor que diz que tem simpatia ‘pelo povo moreno’ é sinal de que a gente tem muito que avançar e que este avanço não seja aquele onde tenhamos que ficar subservientes. Nós temos que nos colocar como sujeitos da transformação e não permitir que eles falem em nosso nome. Não podemos mais aceitar que eles derrubem as nossas casas, destruam a nossa cultura, tragam programas como o Vila Bairro Segurança que age de forma arbitrária e ainda dizerem que é em nosso nome”, conclui Maria Lúcia Oliveira.

 

Fonte: Ocorre Diário

PL das armas pode aumentar o número de feminicídios

Está na pauta de discussão da Câmara dos Deputados um projeto de lei de Bolsonaro que facilita a posse e o porte de armas no Brasil. Hoje, 40% das mulheres assassinadas em casa são por armas de fogo. Se o PL 3723/2019 for aprovado, as mulheres vão estar ainda mais vulneráveis! A votação do PL foi adiada em uma semana.

Uma campanha promovida pela ONG Cepia, Mais armas, mais feminicídios (#maisarmasmaisfeminicidios),  propõe que as pessoas pressionem deputados federais para que o o projeto não seja aprovado. O sistema da campanha envia e-mail direto aos deputados favoráveis ao projeto e aos indecisos.  O vídeo produzido para a campanha tem a atuação de atrizes consagradas como Cris Viana e Gisele Fróes. 

O projeto de lei é um  substitutivo proposto pelo deputado Alexandre Leite (DEM-SP) que permite a regularização da posse de armas de fogo sem comprovação de capacidade técnica, laudo psicológico ou negativa de antecedentes criminais.

Veja o vídeo da campanha. 

Essa regularização do registro da arma poderá ser feita em dois anos a partir da publicação da futura lei. O interessado deverá apenas apresentar documento de identidade, comprovante de residência fixa e prova de origem lícita da arma, dispensados ainda o pagamento de taxas, comprovante de ocupação lícita e ausência de inquérito policial ou processo criminal contra si.

O texto também diminui de 25 para 21 anos a idade mínima para a compra de armas; permite o porte de armas para os maiores de 25 anos que comprovem estar sob ameaça; e aumenta as penas para alguns crimes com armas.

A correlação entre posse de armas e feminicídios pode ser vista nos seguintes dado: 40% das mortes de mulheres em casa são provocadas por armas de fogo . Em 83,5% dos casos, os responsáveis foram familiares, parceiros ou ex-parceiros das vítimas segundo o Mapa da Violência 2015. Em 10 anos, mais mulheres morreram por armas de fogo dentro de casa do que na rua. É um crescimento de quase 30% no número feminicídios em ambientes domiciliares segundo o Atlas da Violência de 2018. Uma pesquisa do Instituto Maria da Penha mostra que 16, 6 segundos é o intervalo que leva para uma mulher ser vítima de ameaça com faca ou arma de fogo no Brasil. Se mais homens andarem armados, mais ameaças serão cumpridas e mais mulheres serão mortas. 

Há muito apoio ao projeto de pessoas que que reivindicam o direito de se protegerem contra a violência urbana achando que ter uma arma é a resposta. Embora todas as pessoas adultas tenham alguma responsabilidade individual sobre a sua segurança pessoal e a de seus dependentes vulneráveis, a segurança pública é um dever do Estado, não de indivíduos. A segurança pública não é composta somente de repressão e justiça, mas sim de políticas que atuem das diversas áreas da vida e garantam o mínimo de equidade para que os cidadãos e cidadãs possam ter acesso a oportunidades e uma vida digna. 
 

Conheça o projeto e ajude a pressionar deputados clicando aqui.

 

Com informações da Agência Câmara e ONG Cepia.

A Lei do Feminicídio é uma redundância!

 

 

"A Lei do Feminicídio é redundante". Ainda é comum ouvirmos essa frase sendo dita pelos críticos da Lei no Feminicídio (13.104). Acima, a postagem de um deputado federal da época em que a lei foi sancionada. Ele pode até ter razão quando diz que não é mais uma lei que vai acabar com a violência contra mulher. Mas como acabar com uma "cultura" se não damos visibilidade ou discutimos as estruturas desta cultura? Em 83,5% dos casos de assassinatos de mulheres, os autores dos crimes  foram familiares, parceiros ou ex-parceiros das vítimas de acordo com o Mapa da Violência 2015. Mas o que alguns críticos parecem não entender é que grande parte dos assassinatos de mulheres têm mais algo em comum: a categoria de gênero.  

Antes julgados como crimes passionais, os feminicídios caíam na mesma vala de crimes comuns, onde era ignorado que eles podiam ser premeditados e se distanciavam do seu caráter de gênero e sexo. Há um entendimento de que um crime  passional é mais brando e por isso recebia penas mais leves, pois somava-se a isso a ideia de que a vítima também teve culpa sobre o episódio, os antigos crimes para “lavar a honra”. Nem tão antigos assim.

Até o Google...

De acordo com a pesquisadora e consultora na área de gênero e violência, Wania Pasinato, quem propôs o termo feminicídio foi a então deputada mexicana Marcela Lagarde em 2004, que propôs o termo junto com uma mudança no debate que já existia. Pasinato ainda reforça que a categoria feminicídio surgiu também de uma preocupação em mostrar que os assassinatos de mulheres são diferentes dos assassinatos decorrentes da criminalidade comum ou violência urbana.

Entretanto, o feminicídio não é exatamente um crime de ódio contra as mulheres. O processo  é diferente dos  crimes de ódio por sexualidade ou raça, por exemplo. É o resultado da intolerância às mulheres que não estão cumprindo os papéis tradicionais de gênero adequadamente na percepção do autor do crime. Hoje pode-se entender que raça e classe também são importantes na compreensão do feminicídio.  

 

Vanessa Carvalho. Foto: arquivo pessoal

Vejamos o caso de Vanessa Carvalho, 27 anos, atropelada e morta intencionalmente por Pablo Henrique Campos Santos no dia 29 de setembro, ao sair de uma festa  com a namorada do acusado, Anuxa Kelly Leite Alencar, 34, em Teresina.  Embora Vanessa não fosse o alvo primordial de Pablo - era Anuxa, que também foi atropelada, mas sobreviveu -  a morte de Vanessa é um feminicídio por conexão, que é quando a vítima encontra-se na “linha de fogo” do assassino.  

 

Pablo e Anuxa. Foto: arquivo pessoal

Jovem é suspeito de atropelar namorada e matar amiga após festa  

De acordo com testemunhas,  o casal começou a discutir porque Anuxa estava dançando com outras pessoas na festa. Para ele, a namorada não pode ter a liberdade de dançar ou interagir com quem ela quiser, sobretudo com outros homens, sendo considerado por ele  é um grave desvio do papel de mulher submissa

Isso nos mostra, de acordo com Pasinato, que o feminicídio não é um fato isolado para a mulher vitimada, o que define o feminicídio é uma estrutura ou espiral, sendo o assassinato o ponto final da rota do terror pelo qual muitas mulheres passam. Embora haja exceções, a rota inclui frequentes abusos físicos, verbais, sexuais  e privações às quais são submetidas durante a vida e que torna as mulheres muito vulneráveis.  

 

Por Samira Ramalho

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Colabore e ganhe com o Festival Cabíria de mulheres e audiovisual

A atriz Giulietta Masina em cena do filme Noites de Cabíria (1957)

Entre os dias 22 a 26 de novembro no Rio de Janeiro, acontecerá a primeira edição do Cabíria Festival - Mulheres & Audiovisual, um evento com exibição de filmes de realizadoras contemporâneas brasileiras e estrangeiras, seguidas de debates com o público, laboratório de projetos, painéis, mesas e masterclasses. O festival também contará com a premiação de roteiro em três categorias: Piloto de Série, Longa-metragem de Ficção e Argumento de Longa Infantojuvenil. 

O Prêmio Cabíria acontece desde 2016, mas este ano vem com a proposta de um festival de referência para roteiristas e cineatas.  Para isso, o projeto precisa arrecadar os fundos para a realização da primeira edição. A organização do eventou lançou uma campanha de  financiamento coletivo com meta de 35 mil reais, no entanto faltam 12 dias para a campanha acabar e ainda falta arrecadar cerca de 60% da meta. Em troca do apoio, a organização do festival está oferecendo recompensas como, consultorias de roteiro e montagem de filmes, ingressos para palestras,  cursos, livros e até comida. Veja mais no endereço benfeitoria.com/cabiriafestival.

O objetivo do Festival Cabíria é estimular roteiristas a criarem histórias com protagonistas mulheres relevantes, diversas e inspiradoras, além de converter o prêmio em um selo de qualidade para os projetos premiados, visando a ampliação das suas chances de encontrar financiamento e chegar às telas e também contribuir para o aumento de oportunidades e visibilidade a roteiristas mulheres.  

Iniciativas assim são importantes porque mulheres são quase 50% da população, mas protagonistas em apenas 23% dos filmes segundo pesquisa do Instituto Geena Davis realizada em 11 países – entre eles o Brasil. 

Representatividade importa, pois,  aprendemos a nos comportar de diversas maneiras e uma das mais eficientes é o aprendizado por imitação. Na adolescência, por exemplo, nós imitamos nossos ídolos, geralmente construídos pela cultura pop. Assim o que vemos nas telas tem um grande impacto em nossa visão de mundo. Aumentar e diversificar os modelos oferecidos hoje à sociedade, especialmente a meninas e mulheres, é fundamental e isso só acontecerá com mais diversidade à frente e atrás das câmeras.

Se quiser contribuir com a cultura e com a visibilidade de mulheres do cinema, conheça e contribua com o Prêmio Cabíria. Veja mais informações aqui
 

 

Saiba como fazer gratuitamente exames preventivos do câncer de mama

Foto: Comunicação Ceir

Já sabe onde encontrar os serviços gratuitos de prevenção do câncer de mama em Teresina durante o Outubro Rosa? A Fundação Piauiense de Serviços Hospitalares (Fepiserh) e o Hospital Getúlio Vargas (HGV) realizam de 14 de outubro a 14 de novembro, a campanha "Outubro Rosa Piauí" com o objetivo de atender mulheres na prevenção e tratamento do câncer da mama, através de consultas, exames, diagnósticos e cirurgias. A ação acontece em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde e Prefeitura Municipal de Teresina, através da Central de Marcação de Consultas e Hospital Lineu Araújo

A meta do projeto é oferecer 150 consultas com mastologista, 104 cirurgias mamárias, 750 exames de mamografia, 150 ultrassons mamários, além de exames de biópsia, histopatológico, tomografia computadorizada e ressonância magnética, de acordo com as necessidades de cada paciente.

As 150 consultas acontecerão no dia 24 de outubro no Ambulatório de Ginecologia do HGV. Já os exames poderão ser realizados no período de 14 de outubro a 14 de novembro, e as cirurgias de mama acontecerão no período de 26 de outubro a 9 de novembro.

O câncer de mama é o quinto tipo de câncer em mortalidade no mundo, sendo estimadas pelo IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer) mais de 627 mil mortes em 2018 - o que representa 6,6% do total de mortes por todos os tipos da doença. No Brasil, neste ano, quase 60 mil pessoas serão diagnosticadas com a doença. A boa notícia é que se descoberto precocemente, as chances de cura são de até 95%. Além de ter acesso a um diagnóstico ágil e adequado, é importante que cada paciente receba o melhor tratamento para o tipo de câncer que tem. 

O presidente da Fundação Hospitalar do Estado, Welton Bandeira, comentou a importância da prevenção e tratamento do câncer, e sobre os benefícios da campanha. "Entendemos que a prevenção é sempre a melhor estratégia, pois quanto mais cedo diagnosticado a doença, mais eficaz será o tratamento e menos agressivo para a paciente, assim como, reduzimos os custos hospitalares com a terapia e acolhimento. Como maior hospital público do Estado, o HGV tem que estar engajado nessas ações preventivas e informativas que trazem mais qualidade de vida para população", pontua Bandeira.

Onde mais você pode fazer mamografia? 

Além do período de campanha do Outubro Rosa, pacientes podem procurar exames preventivos no Centro Integrado de Reabilitação (Ceir), que completa um ano que iniciou o exame de mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O mamógrafo do Centro de Diagnóstico do Ceir é adaptado para pessoas com deficiência. As marcações para o exame podem ser realizadas nas Unidades Básicas de Saúde, após consulta com um médico do Programa de Saúde da Família ou credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Boas notícias

O Plenário do Senado Federal aprovou, na noite de quarta-feira (16) o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 143/2018, em seu texto original, que garante aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com suspeita de câncer o direito a biópsia no prazo máximo de 30 dias, contados a partir do pedido médico. A matéria segue agora para a mesa do Presidente da República, que tem um prazo de até 15 dias para sancionar ou vetar o projeto de lei. Caso não o faça nesse período, é sancionado automaticamente.

O avanço do projeto faz parte do trabalho da FEMAMA (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama ) e suas 71 ONGs associadas, uma vez que o texto da matéria foi proposto pela Federação à deputada Carmen Zanotto, que o apresentou em 2015. Além disso, as instituições associadas também realizaram audiências públicas em 15 Assembleias Legislativas de seus estados, bem como enviaram ofícios a senadores para se sensibilizarem e votarem a favor do PLC e a deputados federais e estaduais para que o apoiassem.

A mudança será incluída na lei que já estipula o início do tratamento pelo SUS em no máximo 60 dias a partir do diagnóstico do câncer (Lei 12.732/2012). O objetivo é acelerar ainda mais o acesso a medicações e cirurgias necessárias pelos pacientes. A autora da pauta avalia que a falta de prazo também para os exames diagnósticos é uma lacuna na lei atual.

 

Com informações da Comunicação do Governo do Estado, Femama, Fundação Maria Carvalho Santos e Ceir.

 

Prefeitura abre inscrições para o "Selo Saló" de equidade de gênero

Estão abertas as inscrições da 2ª edição do Selo Dona Saló. A empresa que desejar concorrer tem até o dia 11 de novembro para realizar sua inscrição. O Selo Dona Saló é uma iniciativa A Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SMPM) e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Semdec). Acesse informações completas aqui. 

O selo tem como principal objetivo certificar e dar visibilidade às empresas privadas, localizadas em Teresina, que atuem ou estabeleçam projetos, programas ou ações em prol da equidade de gênero nas relações de emprego, qualidade de vida no ambiente de trabalho, ações de enfrentamento à violência e valorização da mulher no ambiente de trabalho.

“Essa é uma forma da Prefeitura de Teresina reconhecer as empresas que promovem cada vez mais a equidade de gênero na nossa capital. Com essa ferramenta pretendemos diminuir o preconceito e a discriminação contra a mulher, oferecendo a elas um ambiente de trabalho com mais qualidade de vida”, afirma a gerente de Articulação e Transversalidade da (SMPM), Adriana Carvalho.

De acordo com matéria publicada pela revista Forbes, dados mostram que equidade de gênero nas empresas não é apenas algo politicamente correto, mas é também uma oportunidade de ganhos. Dados de uma pesquisa realizada em mais de 4.000 empresas, em 29 países, chegaram à conclusão que para cada aumento de 10% na equidade de gênero, há um aumento de 1% a 2% nas receitas.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas, através do preenchimento de formulário online. Acesse aqui.  A certificação será concedida a pelo menos três empresas de cada categoria: pequenas, médias e grandes empresas, considerando o número de colaboradores da empresa. A cerimônia de concessão do Selo será realizada em evento alusivo ao mês da mulher a ser realizada em março de 2020.

Mais informações

 

 

ONU seleciona profissionais com expertise em gênero até 18/10

Camila Pitanga é Embaixadora da ONU Mulheres no Brasil/ Foto: Comunicação ONU

A ONU Mulheres Brasil anuncia a abertura de processo seletivo para duas oportunidades no Brasil até o dia 18 de outubro. A primeira delas é para a contratação de consultoria, que realizará oficinas sobre as Regras de Bangkok – Regras das Nações Unidas para o tratamento de mulheres privadas de liberdade.

Poderão se candidatar pessoas com bacharelado em Direito, Ciências Sociais, História ou em área relacionada; fluência em Português; experiência profissional e/ou acadêmica em temas relacionados aos direitos das mulheres em privação de liberdade; e experiência profissional na elaboração de metodologias e facilitação de oficinas. São desejáveis: nível avançado de leitura em inglês; experiência profissional e/ou acadêmica em temas relacionados à promoção da igualdade de gênero, raça e etnia e empoderamento econômico de mulheres.

Programa de Furnas

Está aberto também o processo seletivo para a contratação de consultoria para análise sobre o impacto da implantação de núcleos de integração em três comunidades no âmbito do Programa de Desenvolvimento Territorial de Furnas e elaboração de um marco de promoção da igualdade de gênero e sistema de indicadores de gênero para os núcleos de integração do programa de desenvolvimento territorial de Furnas.

Serão elegíveis, as candidaturas de pessoas com mestrado em Ciências Sociais, Estudos de Desenvolvimento, Economia ou em área relacionada; experiência profissional e/ou acadêmica em temas relacionados à promoção da igualdade de gênero, raça e etnia e empoderamento econômico de mulheres; experiência profissional e/ou acadêmica com elaboração de indicadores; e fluência em Português. São desejáveis: doutorado em Ciências Sociais, Estudos de Desenvolvimento, Economia ou em área relacionada; experiência profissional e/ou acadêmica em temas relacionados projetos de desenvolvimento; e experiência profissional em elaboração de estudos e relatórios. 

Para apresentação das candidaturas, as documentações deverão ser enviadas para o correio eletrônico unwomenbra.hr@unwomen.org até 23h59 (horário de Brasília) de 18 de outubro de 2019. Informações completas nos link. Vaga 1. Vaga 2

A ONU Mulheres informa que somente serão notificadas as candidaturas selecionadas para cada fase do processo seletivo.Com vistas à promoção da diversidade, a ONU Mulheres incentiva a candidatura de mulheres, negras e negros, indígenas, pessoas vivendo com HIV/AIDS, pessoas LBGTI e pessoas com deficiência.

Fonte: ONU Mulheres Brasil

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Consultoria de mulheres abre inscrições para banco de profissionais

A consultoria feminista Think Eva acaba de abrir inscrições para a formação de um banco de profissionais freelancers e especialistas. O banco de profissionais é voltado para mulheres que queiram trabalhar em projetos com mulheres e para mulheres.  Para se inscrever, basta a acessar este link.

A organização dá preferência a mulheres negras, LBTI+, com deficiência, periféricas e/ou vindas de regiões fora do eixo Rio-São Paulo, ou seja, as Nordestinas também serão prioridade.  A inscrição dá oportunidade pra que as profissionais façam  parte de uma rede de especialistas para atuarem pontualmente em projetos de inovação social desenvolvidos com foco no setor privado.

Pra quem não conhece, a Think  Eva é uma consultoria de inovação social que trabalha para sensibilizar, educar e instrumentalizar o mundo corporativo para as questões de equidade, diversidade e inclusão? A consultoria é irmã da ONG feminista Think Olga, que visa empoderar as mulheres através da informação. A mesma ONG foi responsável pela campanha Chega de Fiu Fiu  contra a importunação sexual em espaços públicos que deu origem ao também aclamado documentário Chega de Fiu Fiu. Veja o trailer.

 

 

 

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Dia Nacional de luta contra a violência à mulher: equidade está distante

A violência contra a mulher é problema com raízes profundas. Capaz de se manifestar de diferentes formas, ela produz efeitos em diferentes cenários. Nesta quinta-feira (10/10), dia nacional de luta contra esse tipo de violência, especialistas e estudos mostram que ainda há um longo caminho a ser percorrido na busca pela equidade. Os impactos vão além da questão da segurança e revelam obstáculos em setores como saúde, economia, política e educação.

Na saúde, por exemplo, as mulheres foram maioria (76,1%) entre os pacientes vítimas de agressão atendidos nas unidades públicas do DF em 2018. A quantidade de mulheres que sofreram violência física e sexual chegou a 2.172. Para além da vida da vítima, as consequências chegam a crianças e adolescentes que vivem em lares onde persiste esse tipo de cenário.

Dados da Secretaria de Segurança Pública do DF mostram que, entre as vítimas de 2019, a maioria sofreu violência moral ou psicológica e física . Além disso, 26 mulheres foram vítimas de feminicídio de janeiro a outubro deste ano. Para propor um novo modelo de tratamento dessas informações, a professora Cristina Castro-Lucas, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB), criou o projeto Glória — plataforma sem fins lucrativos que usa inteligência artificial e algoritmos para ajudar mulheres nessa situação e transformar informações em dados de pesquisas.

As vítimas poderão conversar com a robô Glória e falar sobre gatilhos, motivos das violências, tipos, locais e situações frequentes. As informações favorecerão o planejamento de soluções educacionais, legais e preventivas. Cristina observa que um dos problemas é a limitação para a coleta de falas das próprias mulheres: “A maior parte da violência é detectada por meio de boletins de ocorrência ou médicos. Em nenhum desses dois momentos, sabemos o depoimento pelas palavras da vítima, e isso faz toda diferença”, avalia a professora.

Ela destaca que analisar esse cenário é crucial para criar políticas públicas com foco nas vítimas. “Nossa forma de conseguir tocar toda e qualquer mulher que sofre, sofreu ou pode vir a sofrer foi por meio de uma plataforma digital on-line e off-line. E isso se encaixa nas propostas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). Com ela (a robô Glória), poderemos entender padrões de comportamento e evitar que esse ciclo de violência comece”, comenta Cristina. A robô está em fase de testes e será disponibilizada em breve pela internet.

Índices
Tipos de violência de maior incidência registrados no DF de janeiro a julho de 2019

» 80,9% – Moral ou psicológica
» 62,2% – Física
» 24,95% – Patrimonial
» 1,9% – Sexual
» 9,6% – Outras naturezas
 
Fonte: Secretaria de Segurança Pública

Por que a mulher ganha menos?

A diferença salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função em empresas e a ausência delas em posições de liderança são desafios a serem encarados. Os impactos afetam a economia e levam a perdas com o afastamento das mulheres do emprego ou do mercado de trabalho. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mulheres a partir dos 14 anos que trabalham recebem, em média, 71,5% do que é pago aos homens. A diferença corresponde a R$ 1.334.

Outro estudo, publicado em agosto pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que a violência doméstica atinge 52,2% das mulheres que compõem a população economicamente ativa e 24,9% das que não fazem parte desse grupo. Entre as que trabalham, muitas precisam se afastar do emprego devido às agressões sofridas em casa. Diante desse cenário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, em agosto, que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deverá arcar com os gastos da subsistência da vítima nessa condição.

No Distrito Federal, as mulheres correspondem a 52,2% dos moradores, sendo maioria entre a população em idade ativa em 2018. Apesar de a taxa de desocupação entre elas ter caído 1,2% entre 2017 e 2018, elas permanecem como minoria entre a parcela ocupada (54 mil a menos que os homens). Além disso, 18% dos domicílios são compostos apenas por mães e filhos, segundo a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan).

Os estudos também indicam que a maternidade interfere nas escolhas do mercado de trabalho. Segundo o pesquisador da empresa de consultoria IDados e professor de Economia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Bruno Ottoni, ao sair de licença-maternidade, a funcionária deixa de acumular experiência, e o empregador pode preferir oferecer oportunidades aos homens, já que não há perspectiva de afastamento. “Pesquisas mostram que, mesmo quando você iguala todos os aspectos — qualificação, experiência de mercado, nível educacional —, ela ainda recebe menos. Os economistas entendem isso como uma forma de medir o preconceito.”

A partir de dados do IBGE, Ottoni também destaca que, enquanto trabalhadoras sem filhos ganham, em média, R$ 2.115,39 por mês, a remuneração média das mães é de R$ 1.560,51. (JE e MM)

O que diz a lei

O artigo nono da Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) garante às mulheres vítimas de violência doméstica que atuam na iniciativa privada a manutenção do vínculo trabalhista quando precisarem se afastar por até seis meses, não podendo ser demitidas. No caso de servidoras da administração direta ou indireta que sofreram agressões, a norma prevê prioridade para deslocamento entre departamentos, setores ou órgãos.
Por que a mulher não está na política?

Das 24 cadeiras do plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), apenas quatro são ocupadas por mulheres, uma a menos do que no mandato anterior. Isso significa que elas são 16,6% das vozes que legislam na Casa. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que taxas de desigualdade tendem a diminuir em países com maior participação feminina em cargos do governo.

O estudo intitulado “Mulheres, Governo e criação de políticas em países da OCDE: cultivando a diversidade para crescimento inclusivo” destaca que mulheres, enquanto políticos, dão atenção com maior frequência à violência de gênero. No Senado Federal, apenas 12 deputadas compõem a bancada de 81 parlamentares. No ano passado, o DF elegeu pela primeira vez uma mulher para o cargo, Leila do Vôlei (PSB). Na Câmara Federal, há 77 deputadas, ou seja, 15% do total. A bancada de Brasília destoa do padrão: dos oito legisladores, cinco são mulheres.

Por lei, os partidos políticos devem reservar 30% das candidaturas a mulheres, mas, ainda assim, a representatividade nas unidades da Federação segue baixa. Segundo a cientista política Letícia Medeiros, nos estados, em geral, a média é de 15% das cadeiras ocupadas por candidatas. Em alguns casos, no entanto, como em Mato Grosso do Sul, não há deputadas estaduais na Assembleia Legislativa.

Buscando encorajar e auxiliar campanhas femininas, Letícia e outras mulheres com experiência na área criaram a organização não governamental #ElasNoPoder. A iniciativa nasceu após o grupo observar um contexto de polarização, com narrativas ameaçando direitos das mulheres.

Espaços de poder

A presença em cargos de poder também reflete diretamente na segurança delas e na criação de leis de proteção. “Como a questão da violência contra a mulher é algo vivido e que faz parte da realidade social, quando ela não está nos espaços de poder onde são pensadas e formuladas essas políticas públicas, ela não consegue dar voz e não consegue influenciar esse processo de uma maneira que se torne mais qualificado e realmente efetivo”, analisa Letícia Medeiros. (MM)

Elas legislam
Mulheres que ocupam quatro das 24 cadeiras do plenário da Câmara Legislativa
» Arlete Sampaio (PT)
» Jaqueline Silva (PTB)
» Júlia Lucy (Novo)
» Telma Rufino (Pros)

 

Por Jéssica Eufrásio e Mariana Machado

(Correio Braziliense, 10/10/2019 – acesse no site de origem)

Foto: Pablo Valadares (Agência Senado)

Você conhece a chocante história da Histeria feminina?

Cena do filme Histeria (2011)/ Divulgação

O sociólogo e historiador Michel Foucault (1990) disse que, por muito tempo, os homens insistiram na tentativa de fixar as mulheres à sua sexualidade, como se elas fossem o seu próprio sexo, mas um sexo frágil, propenso ao adoecimento do homem e da mulher. A patologização feminina deu um lugar de excelência à Ginecologia. Já o termo Histeria veio de hystera, que significa útero em gregoO conceito de histerização do corpo da mulher, que surgiu, diz que é uma forma de analisar o corpo da mulher, qualificando ou desqualificando-o pelas suas características sexuais e reprodutivas. E esse corpo foi classificado como impregnado de sexualidade!

Entretanto, mesmo a mulher submetida à sua função sexual, por assim dizer, isso não fez dela um ser sexual, pois, o modelo médico vigente conseguiu separar totalmente a sexualidade da reprodução. Às mulheres não era permitido ou bem aceito ter prazer sexual da sua função, já que os médicos insistiam que as mulheres não se interessavam pelo sexo, mas somente interessava cumprir o destino que seu instinto materno traçava. Demonstrar qualquer atitude de gozo na relação sexual com um marido rígido era visto com desconfiança e talvez fosse suficiente para associá-lo com o sintoma de algum mal feminino, de acordo com as escritoras americanas Barbara Ehrenreich e Deirdre English no livro Para o seu próprio bem: 150 anos de conselhos de especialistas para as mulheres.

Mas Histeria era mesmo apenas um dos nomes dados pelos médicos do século XIX às diversas enfermidades que afetavam somente pessoas do sexo feminino. Muitas experiências extremamente perigosas, como cauterização uterina com ferro quente ou nitrato de prata, ou aplicação de injeções ou sanguessugas no útero, eram realizadas nas mulheres na tentativa de acalmar o seu nervosismo. Os médicos recorriam a essas técnicas brutais porque acreditavam que o sistema reprodutivo feminino era responsável pelo adoecimento das mulheres. Essa certeza ia tão longe que ligava o útero ao cérebro, estabelecendo que o cérebro feminino era completamente suscetível aos comandos uterinos e assim colocavam o próprio corpo feminino em guerra interna. 

 Barbara Ehrenreich e Deirdre English contam que as práticas terapêuticas foram, em seguida, substituídas pela remoção uterina completa, uma suposta alternativa mais eficaz e definitiva. Mesmo não sendo aprovada pela maioria dos médicos, era utilizada em casos onde se identificasse a ninfomania (presença excessiva de desejo sexual), masturbação, crescimento incomun do clitóris, ou até mesmo desrespeito às leis e à ordem do Estado.

 Além da Histeria, outros nomes eram dados aos problemas típicos da população feminina. Neurastenia, dispepsia e até reumatismo nomeavam as síndromes que envolviam sintomas físicos e comportamentais, como a “dor de cabeça, dores musculares, fraqueza, depressão, dificuldade menstrual, indigestão etc. E, geralmente, uma fraqueza geral que exigia repouso constante”, citam Ehrenreich e English. 

 

Cena do filme Augustine (2012)/ Divulgação

Um estilo de vida burguês

As síndromes eram praticamente exclusivas das mulheres de classe média e alta da segunda metade do século XIX. O que para os médicos eram doenças, para as mulheres começava a representar um estilo de vida que envolvia a fragilidade e a completa inutilidade, criando um novo ideal romântico de mulheres belas e frágeis. Raramente esses médicos atendiam mulheres trabalhadoras com esses tipos de queixa. Elas não tinham tempo nem dinheiro para o novo estilo de vida. 

Os problemas exclusivos femininos viraram também um pretexto para que elas tivessem alguma liberdade de viver, se expressar ou se recusar a cumprir as obrigações conjugais e domésticas, já que essas condições de saúde exigiam o repouso absoluto. A doença também era uma aliada da prevenção da gravidez, já que os métodos anticoncepcionais eram inseguros e a possibilidade de aborto era excluída. 

A popularização dessas síndromes entre a classe médica e a propagação deste estilo de vida entre as mulheres fez com que, logo depois, surgisse uma névoa de dúvidas sobre a veracidade dessa doença, o que criou um conflito entre a relação médico- paciente. 

Insurgência feminina

 Desmaios, perda da voz, falta de apetite, tosses e espirros. Mais sintomas! Os médicos viam a Histeria como um mal misterioso e rebelde aos tratamentos vigentes da ginecologia. Desconfiada, a literatura médica observou características específicas das histéricas que indicavam a possível fraude das mulheres. Frequentemente as pacientes desmaiavam apenas sobre algo macio ou tinham ataques somente na presença de outras pessoas.  Os sintomas poderiam ser examinados apenas clinicamente e precisavam inteiramente da colaboração e descrição detalhada da paciente. Os médicos, quando seus tratamentos, recomendações e intimidações não pareciam ajudar na condição, ficavam confusos sobre a ineficácia de sua abordagem terapêutica ou se estavam mesmo sendo enganados. 

Cartaz de As Sufragistas (2015)

Embora a base de estudos médicos fossem as mulheres de classe média e alta, as condições sociais não eram consideradas nesses estudos médicos e psicológicos. O fato é que durante a epidemia, as mulheres a aceitaram e a utilizaram como uma forma de revolta contra o papel social fixo, que era a relação econômico-sexual do casamento à qual elas eram submetidas. 

 Para Ehrenreich e English, com o passar dos anos, as mulheres notaram que havia mais funções e lugares que elas poderiam ocupar na vida e no mundo, através do trabalho, educação e luta por direitos. É nesse momento que floresce o movimento Sufragista. E então o cérebro se transforma no novo inimigo íntimo e público das mulheres e no alvo de novas especulações da medicina misógina, que passou a se ocupar do questionamento e da regulação da educação das mulheres.

 

Fragmento da dissertação de mestrado Gênero e Sexualidade: discursos de mulheres feministas sobre a pornografia, de Samira Ramalho.

 

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