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Suzane Jales

Lições que ficaram de um roubo em Paris

Felipe Pereira estava realizando o sonho de conhecer a Europa. Porém, ao chegar em Paris, viu todo o seu dinheiro ser roubado de dentro da sua mala, no quarto do hotel onde estava hospedado. Seu sonho estava por um tris…

Decidido a reaver seu dinheiro, primeiro, ele reclamou para a gerência do hotel. Nada. Depois, para o clube de turismo do Brasil que ele havia pago e que tinha esse hotel como conveniado. Nada. Foi ao consulado do Brasil na França. Nada.

Nesse momento, Felipe tinha duas opções: voltar para o Brasil e abrir mão de completar seu sonho ou procurar, com os recursos que tinha em mãos – no caso os amigos no Brasil e a força da internet – fazer uma campanha para reaver seu dinheiro.

Optou pela segunda e fez duas campanhas pedindo o dinheiro de volta: para o hotel e para o clube de turismo. Ele convidou os amigos para participar. Os amigos convidaram outros amigos, que convidaram outros amigos… e a campanha cresceu.

Bem, Felipe é filho de uma colega minha e, tão logo eu soube dessa história, entrei na luta por ele postando a campanha na internet. Também comecei a divulgar para outras pessoas.

Tive duas constatações: a primeira, o quanto muita gente é solidária com uma causa justa, mesmo que desconheça o envolvido (embora tenha visto que algumas pessoas que se dizem solidárias, só o são da boca pra fora); e a segunda, como as pessoas que não acreditam que se possa mudar alguma coisa tentam de dissuadir, as vezes de uma forma até delicada, para você não fazer nada.

Confesso que essa última foi a que mais bateu em mim…

É impressionante observar que tem gente que acha a indignação o ponto final de uma insatisfação. Estou indignada! Pronto. Isso é tudo. Como assim??? Isso vai resolver o problema? Vai mudar algo? Hum…

Então, vamos às lições que aprendi nessa história. E nem vou falar do alerta para quando se for viajar… Quero falar do que você pode extrapolar desse caso e levar para a sua vida.

Primeira lição: se indignar ou se revoltar com algo e não fazer nada para mudar, é deixar a situação se perpetuar e aceitar. Simples assim! Isso vale para o caso citado e também para o nosso dia a dia.

Vejo muita gente no emprego que não gosta, no casamento que não lhe satisfaz, na cidade que não quer morar e por aí vai… E só reclama. Reclama de manhã, de tarde e de noite. Mas não faz nada para modificar…

No Coaching a gente tem algumas perguntas poderosas que você pode se fazer nessas situações: O que eu quero ao invés disso? O que está me impedindo de agir? Que passo eu posso dar hoje para mudar essa situação?

Segunda lição: você pode dar um primeiro passo contando com os recursos que você dispõe, que podem ser mínimos. Mas se ponha em movimento! Os recursos do Felipe eram os amigos e a internet. Ele podia ter achado que isso era pouco… Preferiu agir com o que tinha em mãos.

A pergunta de Coaching que você pode se fazer aqui é: Que recursos eu possuo hoje? Que recursos eu posso conseguir? Com quem eu posso contar?

Terceira lição: não ligue para o que alguns acham. Se você sabe o que quer, vá firme na direção do seu sonho. A opinião dos outros será um obstáculo a mais e, acredite, é muito fácil se deixar levar. Muitos têm argumentos bem convincentes…

Aqui eu dou uma pausa nessa história para contar uma experiência própria que guarda uma certa semelhança com a história do Felipe. No dia 14 de junho de 2011, eu postei no Facebook uma campanha para que fosse construída uma calçada enorme, perto de onde eu morava e que deixava a área muito perigosa. A luta era grande, pois a casa era de um casal especial do meu estado: ele, senador; ela, deputada federal.

Recebi o apoio de alguns amigos e o incentivo negativo de muitos: “Já fizemos até matéria no jornal e não conseguimos”, disseram alguns colegas. Ok. Mas comigo vai ser diferente, pensei, porque terei 3 Ps: Presença, Persistência e Paciência. Assim, fiquei postando sempre como estava a situação: sem alteração e piorando com o passar dos dias. À certa altura, eu já estava sozinha: muitos deixaram de acreditar que era possível… Mas, eu me mantive firme!

No dia 17 de dezembro, depois de 7 meses de luta, finalmente, a calçada começou a ser construída. 

Pois é, a mesma coisa aconteceu com Felipe e num tempo bem menor: em menos de uma semana de batalha, ele venceu. O clube de turismo resolveu o problema. O hotel ficou com as leis estrangeiras e continuou sem ligar para o acontecido, embora as páginas do seu site estejam cheias de reclamação dos amigos brasileiros de Felipe. 

Fechando essa história: Se ele tivesse acreditado que não valeria a pena lutar, tinha pego o avião de volta e estaria em casa. Mas, como não desistiu do seu sonho, está viajando e terminando de conhecer a Europa… E, tenho certeza, com um sabor de conquista ainda maior no peito.

Agora, reflita: quantas vezes seus sonhos foram roubados ou você mesmo os engavetou? Quantas vezes desistiu por ouvir argumentos de outros e silenciar seu coração? E, sabendo disso, o que você pode fazer a respeito daqui para a frente?