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Suzane Jales

O importante é saber quem somos nós

Quando eu estava realizando um trabalho na cidade de Bacabal – terra do grande músico, percussionista, compositor, cantor e amigo Papete, que nos deixou na semana passada – eu fui apresentada a um rapaz que atendia pelo apelido de “Me dá um real”. Disseram-me que ele tinha uma leve deficiência mental.

O apelido vinha do fato que, ao chegar perto das pessoas, ele já disparava: “me dá um real!”. A turma adorava vê-lo pedir isso. E ele repetia, repetia, repetia, até receber o tal do um real (na foto deste artigo ele está me abraçando).

Essa história me lembrou duma outra, que rola pela internet e que quero compartilhar com você…

Contam que, quando nosso dinheiro era o real português, um grupo de pessoas de uma cidade do interior se divertia muito com um rapaz de pouca inteligência, que vivia de esmolas e alguns pequenos serviços.

Para quem não sabe, a moeda de 400 réis é um pouco maior que a de 2000 réis. Assim, todo dia eles chamavam o rapaz, mostravam-lhe as duas moedas e pediam que ele escolhesse qual ele queria.

Como ele sempre escolhia a de 400 réis, o grupo explodia em gargalhada.

Só que um dos moradores, cansado de ver aquela humilhação, chamou-o reservadamente e perguntou se ele não sabia que a moeda de maior tamanho era a de menor valor e que a turma estava só tirando um sarro dele.

O rapaz, tido como tolo, respondeu-lhe que sabia que a moeda maior valia cinco vezes menos. Mas sabia também que, no dia que escolhesse a de 2000 réis, a brincadeira acabaria e ele não mais receberia seu dinheirinho.

A partir dessas histórias, podemos fazer várias reflexões: a primeira é que a falta de respeito com o outro, seja ele quem for, é apenas o reflexo da falta de respeito por si mesmo. E como há falta de respeito no mundo!

Seguindo, percebemos que quem parece idiota, nem sempre é. As histórias mostraram isso: quem foram os tolos para você?

Depois, podemos refletir que, grande parte das vezes, se a gente não tiver paciência e for ganancioso, pode acabar com a nossa fonte de renda. Concorda?

Mas o melhor é poder refletir sobre a opinião dos outros e perceber que ela interessa só… aos outros, não a nós! O mais importante é sabermos quem realmente somos nós.

Olha aí a importância do Autoconhecimento… novamente!

Fecho este artigo com as palavras de Confúcio, que têm tudo a ver com as histórias que eu contei: O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente.

Beijos mil e até o próximo!