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Suzane Jales

Relacionamentos que são igual a empinar pipa

 

Pode parecer esquisito dizer isso, mas, acredite, tem relacionamentos que são iguais a empinar pipa.

Como assim, Suzane?

Para você entender o que digo, preciso explicar, caso ainda não saiba, como se empina uma pipa, algo que fiz muito na minha infância. Vamos ao passo a passo:

Primeiro, num dia de vento, você vai a um local aberto, sem árvores e postes. Nos relacionamentos, é assim também: você precisa estar com o coração aberto, sem obstáculos, para que tudo aconteça…

Depois, você pede para alguém lhe ajudar a segurar a pipa. E fica de frente para ela. Claro que é até possível fazer isso de maneira solitária, mas fica muito mais legal se contar com uma ajuda.

Isso lhe dá alguma ideia? Isso mesmo: é preciso que haja disposição dos dois lados para se relacionar e um estar diante do outro. Dá para começar de maneira unilateral, mas é muuuuuuito mais difícil!

Agora, você precisa de espaço para empinar sua pipa… assim como em qualquer relacionamento. Podemos chamar isso de individualidade nas relações: cada um tem seu espaço. Beleza?

Mas é exatamente aqui começa a complicação: em alguns relacionamentos, não existe esse espaço. Um quer preencher tudo na vida do outro… Conhece algum assim?

Vamos em frente. Aí a pipa começa a subir e ganhar altura: coisa linda de se ver. E você até voa junto com ela!

A partir desse ponto, nova reflexão. Pois a forma de empinar pipa pode ganhar outras feições, assim como os relacionamentos que não se tornam tão sadios. Isso tem a ver com “manobras” que se faz na brincadeira e jamais deveria ser feita nos relacionamentos.

É que quando a pipa ganha uma certa altura, é possível dar umas “puxadinhas na linha”, para um lado e para o outro, o que faz a pipa ter movimentos diferentes. No ar, é um show à parte, mas na metáfora que estou usando tem a ver com as “manobras” feitas nas relações: joguinhos dos casais, um se aproveitar do outro nas amizades, mentiras nos dois casos… e por aí vai.

No caso da pipa, nessas horas, ela pode “embicar” para baixo e começar a descer… Aí é só dar mais linha que ela volta ao normal. Nos relacionamentos também: a pessoa faz coisas que machucam o outro e quando tudo está para se romper, vai lá, cheia de carinho pra dar e tudo volta ao “normal”.

Você já viu isso acontecer?

É uma coisa meio doentia para os dos dois lados: para quem faz e para quem aceita se submeter a esse puxa, estica e solta.

No caso das pipas, tem ainda o “cerol de linha” que é colocado na linha da sua pipa para cortar as linhas dos outros e ficar só, estilo conquistador, dominador. Nos relacionamentos, também. É aquele ciúme doentio, tanto entre casais como entre amigos.

Lembrei até de um caso que foi muito noticiado recentemente em minha cidade: o cara batia na mulher e depois lhe cobria de presentes. Cortou todas as suas amizades para ser só eles dois. Ela aceitava a situação… até que foi morta por ele.

OK, fui ao extremo. Mas, infelizmente, essa história é verdadeira e creio que você já deve ter ouvido falar de casos como esse. Foi só para alertar sobre relacionamentos perigosos. Quando brincamos de pipa, é algo sadio, que dá prazer e alegria. Os relacionamentos precisam ser assim também.

Existem muitas teorias sobre relacionamentos saudáveis, seja de um casal, seja de amigos. Quase todos eles têm 3 pontos em comuns: Se aceitam como são; Apoiam-se um no outro; Fazem do outro alguém melhor.

Encerrando, recordo que, anos atrás, eu fiz um artigo que mostrava não haver uma fórmula mágica para conseguir bons relacionamentos, mas, usando a Programação Neurolinguística (PNL), podíamos listar algumas dicas valiosas para isso:

  1. Seja um bom ouvinte

Você já observou que tem gente que, como ouvinte, fica a espera da hora que a outra pessoa respira, para cortar o que ela está dizendo e falar de si e de seus problemas? Se existe interesse genuíno na outra pessoa, é preciso, sobretudo, aprender a ouvir com sinceridade e ter sua atenção voltada exclusivamente para isso.

  1. Coloque-se no lugar da outra pessoa

Não precisamos nos envolver nas questões da outra pessoa, mas podemos – e devemos – procurar entendê-la segundo o mapa de mundo dela. Mas nada de sentir pena e tentar encontrar soluções. Isso é extremamente desrespeitoso e indica que não acreditamos que ela, por iniciativa própria, tenha recursos para lidar com suas próprias dificuldades.

  1. Foque nos pontos positivos

Nós comandamos a nossa percepção. Assim, podemos focar mais nos pontos positivos da outra pessoa e do relacionamento, ao invés de escolher prestar mais atenção nos defeitos. Não precisamos ficar cegos… É bom conhecer os defeitos, mas apenas não focar neles.

  1. Aceite os defeitos e fraquezas do outro

Defeitos e fraquezas são avaliações subjetivas baseadas na nossa visão de mundo. O que é defeito para um pode ser considerado talento para outro. Não existe uma pessoa perfeita. A maioria de nós está fazendo e dando de si o melhor que pode, naquele momento.

  1. Mantenha contato, mesmo quando distante

Lembra como fazemos para o fogo não apagar (desde que ainda exista carvão)? É soprando a brasa. Podemos fazer muitas coisas para manter “acesas” nossas relações, mesmo quando fisicamente distantes: ligar, passar torpedo, enviar e-mail… Nessa intenção positiva, tudo vale, até mesmos surpreender com cartas e cartões via Correios… É antigo, sim, mas ainda funciona, porque surpreende: quem ainda recebe uma carta carinhosa?

E aqui fica a reflexão de hoje: como estão os seus relacionamentos? São relações enriquecedoras ou como empinar pipas?

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Beijos mil e até o próximo!

Suzane Jales,
sua coach