Cidadeverde.com
Suzane Jales

A chave do autoconhecimento

O filme Another Earth, de Mike Cahill, levanta questões e traz reflexões interessantes sobre nossa vida:

Os biólogos têm investigado coisas cada vez menores. E os astrônomos coisas cada vez mais distantes. Mas, talvez o mais misterioso de tudo não é o menor e o grande. Somos nós, bem aqui. Poderíamos nos reconhecer? E se reconhecêssemos conheceríamos a nós mesmos? O que diríamos a nós mesmos? O que aprenderíamos com nós mesmos? E se pudéssemos ficar diante de nós e olhar para nós mesmos?

 

Já o psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica, Carl Jung, sabiamente, dizia: “Sua visão só se tornará clara apenas quando você puder olhar dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”. E Dom Helder Câmara, o único brasileiro indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz, complementa: "A gente só ama o que conhece".

 

Através do autoconhecimento, podemos identificar melhor os nossos objetivos e nos movimentar para alcançá-los. Podemos ver mais facilmente o que nos leva e nos distancia deles. E mais: saber quando estamos agindo em sintonia com o que somos.

 

Mas essa não é uma tarefa tão fácil. O autoconhecimento é como um grande quebra-cabeça: à medida que vamos encontrando as peças, começamos a montá-lo. Só que as essas peças parecem imprecisas: vão modificando seu formato – e seus encaixes – ao longo dos anos.

 

Na verdade, nós vamos mudando quando ganhamos experiências, quando aprendemos, quando sofremos, quando nos livramos de partes de nós que já não faziam sentido, quando adquirimos novos comportamentos... Mas, quanto a nossa essência... ela muda? É possível algo ou alguém nos tirar algum pedaço? Ou os acontecimentos só nos fazem guardar algumas peças bem escondidinhas, lá dentro de nós, de modo que possam ser encontradas ou subam à tona de repente, em um momento qualquer?

 

Michelangelo acreditava que existia uma escultura dentro de cada bloco de mármore e a única coisa que ele tinha de fazer era tirar o excesso de pedra. No nosso processo interno, isso é encontrar-se com o seu âmago e revelar-se!

 

Muitas vezes, acreditamos que nos falta muita coisa, que somos incompletos, o que nos causa grande ansiedade. Além disso, sem dúvidas, essa é uma ideia pobre de si mesmo. Mas a programação neurolinguística (PNL) nos ajuda a clarear o pensamento quando lembra, em um de seus pressupostos, que “As pessoas já possuem todos os recursos de que necessitam”. São aquelas peçinhas do quebra-cabeça que estão guardadas e que, ao acessá-las, podemos usá-las para construir pensamento, sentimento ou até mesmo a habilidade que desejamos.

 

E, vamos combinar, quando nos colocamos na percepção que temos tudo o que precisamos, isso nos preenche com uma agradável sensação de paz, certo? O compositor, cantor, humorista e ator brasileiro, Adoniran Barbosa, em sua Saudosa Maloca, já nos dizia: “Deus dá o frio conforme o cobertor”.

 

O autoconhecimento é uma das primeiras etapas no processo de coaching, por ser fundamental e peça chave para as etapas seguintes. É preciso descobrir quais são nossos valores e analisar as crenças que formamos ao redor desses valores. Sabemos que nos apoiamos em crenças para julgar os outros e para validar e/ou justificar a forma que nos comportamos. E elas podem ser limitantes ou potencializadoras.

 

Assim, o trabalho de coaching é privilegiar o que você tem. O coach lhe ajuda a buscar o que estava esquecido, armazenado... mas, certamente, conservado! É por isso que é um processo extremamente respeitoso: parte do que você é.

 

Na música “A Lista”, o cantor e compositor Oswaldo Montenegro sugere que pensemos um pouco sobre isso:

 

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos, ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

 

E aí, eu pergunto: Em que momento de nossa vida esquecemos de nós, de nossos sonhos, nossos desejos, nossa essência? O que ainda não fizemos e que poderíamos fazer? E até quando vamos adiar esse encontro com nós mesmos?

 

Se pudermos usar a metáfora de um grande pêndulo como sendo a nossa vida, eu diria que pendemos muito para o lado materialista durante décadas e, nos últimos anos, cada vez mais, começamos a pendular para o lado da espiritualidade, da procura pelo autoconhecimento. Nunca foi tão importante a consciência de si mesmo, a busca de seu próprio eu.

 

Essa é uma busca que exige coragem. Mas é esse encontro que dá sentido a nossa vida, como diz o filósofo e teólogo dinamarquês, Kierkgaard: "Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo. E aventurar-se no sentido mais elevado é precisamente tomar consciência de si próprio".

 


O que é coaching?

Quem se der ao trabalho de procurar no Google o que é coaching vai encontrar cerca de2.850.000 resultados. Se a pesquisa for apenas com a palavra coaching, os resultados sobem para 60.000.000. Além disso, vai encontrar diversas definições: algumas maistécnicas; outras bem complexas; há as que pendem para o tipo praticado; e há aquelas que são simplórias demais para a magnitude que o processo é.


Eu gosto de descrições poéticas. A vida é sempre mais bonita sob o olhar da poesia... Então, para mim, coaching é a arte de realizar sonhos!

Mas, para quem gosta de algo mais específico, podemos dizer que coachingé uma atividade especializada que, através de metodologia própria e usando várias ferramentas (por exemplo, da PNL), contribui para o autoconhecimento, a identificação e o uso das próprias competências desenvolvidas, bem como o reconhecimento e a superação de nossas fragilidades, para que alcancemos nosso objetivo. Para tanto, ele trabalha a consciência, a responsabilidade e a autoconfiança. Tudo de maneira extremamente profissional e confidencial.

 

Ele não é terapia, consultoria especializada ou aconselhamento. O coach (profissional que realiza o trabalho) atua como um amigo que, questionando limites e crenças, apoia o coachee (cliente) para que ele encontre suas próprias respostas. O coach não julga, não condena e não direciona: auxilia o cliente a ter novas percepções, a descobrir novos caminhos, a desenvolver novas habilidades e planejar o que fazer.

 

E nisso está o grande mérito do coaching: você se conhece, sabe onde está (estado atual), define aonde quer ir (estado desejado) e traça estratégias e metas para conseguir alcançar seu objetivo.


Esse vídeo de animação dá uma ideia de como é o processo:



Assim, o coaching funciona como um processo da sabedoria interior e, a partir daí, o desenvolvimento começa a acontecer, identificando pontos a serem trabalhados, criando planos de ações e causando mudanças na mentalidade e no comportamento que resultam numa melhora de vida pessoal e profissional.

Nesse vídeo, João Luiz Cortez, trainer em cursos de formação em coaching da ICC – International Coaching Community – explica o processo:

Eu acho esse assunto fascinante. Ele dá margem para usar a imaginação... e deixa uma pergunta no ar: em que o processo de coaching pode me ser útil?

O início da jornada

Quero começar este blog confessando: desde cedo, sempre tive uma “queda” por assuntos ligados à espiritualidade e excelência humana. Por isso, é natural pensar que meu contato com o coaching foi uma “conspiração” do universo. Tudo começou quando Fernando Oliveira, superintendente do Teresina Shopping, que costumava nos instigar com perguntas, jogou uma delas no ar e me deixou intrigada: “Por que as pessoas erram?”.

 

Parti em busca de respostas totalmente descompromissadas e terminei encontrando um portal na internet que tinha como tema “Porque acertar é humano”: a Academia Novak. Enviei e-mail para o coach Aldo Novak colocando minhas indagações e, sinceramente, não estava acreditando muito que ele fosse me responder... eram milhares de assinantes e, com certeza, ele devia receber muitas correspondências. Mas, para minha surpresa, ele respondeu e me convidou para fazer parte da comunidade. Inscrevi-me e tornei-me fã de seus textos, enviados semanalmente por e-mail.

 

Um dia, um desses e-mails trazia a foto dele, em Machu Picchu, convidando-nos para a “Jornada Mágica – viajando pra fora, conhecendo por dentro”. E pode até parecer uma loucura, mas eu senti que aquela montanha estava me chamando... Preparei-me durante um ano – aprofundando estudos sobre como se deve fazer uma peregrinação – e fui!

 

Foram onze dias de viagem onde eu não apenas conheci a região de La Paz à Machu Picchu, mas também convivi com o Aldo Novak, que realizou conosco processos de coaching ao longo de todo o percurso, juntamente com o escritor e especialista na cultura peruana, Alcione Giacomitti, da Operadora Terra Inca, e o xamã Mário El Puma, que nos mostrava a visão espiritual em cada parada.

 

Essa viagem mudou minha vida e, a partir daí, decidi que eu seria coach. Ao chegar a Teresina, pesquisei, comprei livros e fiz um curso na Sociedade Latino Americana de Coach (SLAC), ministrado em São Paulo por Arline Davis, americana que mora e é destaque no Brasil. Tudo aconteceu sob a supervisão de Sulivan França, presidente da SLAC. Em outras oportunidades vou escrever detalhadamente sobre o processo de coaching, mas adianto que, para mim, é a arte de realizar sonhos.

 

Vi, então, que essa jornada é um caminho sem fim e sem volta: você sente a necessidade latente de não mais ficar parado... e eu segui meu instinto. Encontrei, também em São Paulo, uma dupla que se alinhava comigo no que diz respeito a valores, compromisso e interesse genuíno no outro: João Cortez e Nicolai Cursino, da Iluminatta Brasil. Com eles, aperfeiçoei uma ferramenta incrível, que potencializava todo o trabalho que eu pretendia fazer: a programação neurolinguística (PNL), que é o estudo de como o nosso sistema neurológico representa a realidade, de como percebemos e usamos isso através da linguagem e da comunicação não verbal e de como podemos organizar estas informações para atingir os resultados desejados. A PNL nos ensina a pensar sobre soluções. Tudo a ver com o coaching!

 

Durante o aprendizado de PNL, descobri o Eneagrama – Nicolai Cursino é uma fera na área – e que ele pode ser uma chave poderosa para a realização de mudanças... Foi outro grande encontro comigo mesma.

 

Por último, fui “apresentada” à hipnose ericksoniana que, através do transe hipnótico, tem como objetivo promover um estado psicológico especial no qual você pode reassociar e reconhecer suas complexidades interiores, utilizando suas próprias capacidades para manejá-las de acordo com sua experiência de vida... e me apaixonei. Nesse caminho, um dos maiores especialista do mundo, o americano Stephen Paul Adler, do ACT Institute, passou a ser meu mestre.

Passei a atender clientes nessa área de excelência humana e a fazer disso algo de fundamental importância para minha vida. 

Agora, quero compartilhar com vocês neste blog o que venho aprendendo. A ideia é que, através de textos, citações, fotos, vídeos, dicas, indicação de leitura e cursos, eu possa contribuir para que você olhe o seu caminho sob novas perspectivas e comece a trabalhar, de verdade, para conquistar seus sonhos.



Posts anteriores