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"A diferença é fazer com amor", diz zeladora que trabalha há 20 anos em hospitais

Fotos: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

Zeladora por amor à profissão. Assim se autodefine Maricildes Rodrigues da Silva que tem dedicado praticamente metade dos seus 50 anos a manter limpos hospitais em Teresina. Somente na maternidade do bairro Promorar, na zona Sul da cidade, foram mais de 14 anos de trabalho. Após um tempo sem emprego fixo, o retorno ao ambiente hospitalar se deu no início da pandemia quando ela foi selecionada para trabalhar na ala Covid do Hospital Getúlio Vargas (HGV), a maior unidade de saúde pública do estado.

Com brilho nos olhos e um sorriso contido encoberto pela máscara, ela guarda consigo lembranças da profissão, como o dia em que auxiliou em um parto no banheiro; outro dia em que presenciou mais de dez mortes devido à pandemia e de tantos outros em que  deixou o material de limpeza de lado para ajudar quem precisava de apoio, seja para ir a um canto a outro do hospital.

"Quando eu via todos aqueles aparelhos ligados, eu imaginava logo como estava a família daquela pessoa. Houve dias em que quis me desesperar, o dia que teve mais de dez óbitos. Me desesperei, chorei e pedi a Deus para me fortalecer de novo. Não é fácil e me emociono só de lembrar. Sempre trabalhei em hospital, mas foi diferente, pois estava no meio de uma pandemia. O amor à profissão fez com que eu ficasse. Amo minha profissão, faço com gosto. Limpo o hospital de coração porque gosto. Amo limpar e sempre gostei de trabalhar. Ao todo já são quase 23 anos que trabalho em hospital. É meu dom limpar", disse a zeladora.

Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

 

O amor pelo ambiente hospitalar vem com Maricildes desde quando era mais jovem. Ela conta que sonhava em ser técnica em enfermagem, mas os desafios e a necessidade de criar seus três filhos deixaram o sonho adormecido. Coincidência ou não, ela tem uma filha que é técnica em enfermagem, o outro maqueiro e a terceira trabalha em um frigorífico.

Do ano que trabalhou no setor Covid, limpando UTIs e enfermarias, Maricildes Rodrigues traz lembranças também de discriminação. 

"Uma pessoa na rua disse: afasta para lá que você trabalha na Covid. Eu só pensei comigo: Deus não escuta o que ele está dizendo. Ouvir isso doeu muito e não esqueci. Mas, vamos em frente. Dentro do hospital nunca ouvi nada assim. Já entre meus amigos e família, me chamam de mulher corajosa porque fui trabalhar na Covid. Eles dizem que todo mundo tá querendo sair e eu entrei", conta a zeladora que agradece por já ter sido imunizada. 

Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

Atualmente, a zeladora trabalha na limpeza do setor de administração do HGV, em um turno de 12 horas, dia sim e dia não. Maricildes diz que tem orgulho da profissão que é igual a qualquer outra. 

"É daqui que eu como, que eu bebo, que pago minhas contas, que eu visto. A diferença está em fazer com amor e não no que os outros pensam", conta a zeladora. 

Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

"Eu limpo chão, vidraça, banheiro e o que tiver. Trabalhar na limpeza é digno, é como se fosse qualquer outro serviço. É uma profissão que poucos lembram. Lembram do técnico, do médico, da enfermeira, mas dos zeladores não lembram e nossa profissão é muito importante, pois imaginem essas outras profissões sem a gente. Eram todos trabalhando na sujeira. Sou zeladora com orgulho, criei meus filhos e sou muito orgulhosa pela profissão que tenho. É muito puxado, pois é um serviço que nunca termina; é só dando continuidade", disse  Maricildes Rodrigues que, nas horas vagas, gosta de cuidar dos seus sete netos. 

Thelivery

Maricildes Rodrigues da Silva é nossa homenageada na campanha Thelivery – se entregue para Teresina – em comemoração aos 169 anos da capital. O grupo Cidade Verde – Portal, TV, Rádios Cidade Verde e CVMais – contam histórias de teresinenses que se doam para a cidade e contribuem para melhorar a vida de muita gente. Obrigada Maricildes, você nos representa. 

 

Graciane Sousa
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