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A importância do planejamento financeiro para mulheres

                                     

                                                                     Empresária Isabella Meneses - Foto: arquivo pessoal

Durante anos, a empresária Isabella Meneses não controlou gastos, desconhecia o lucro de suas empresas e delegava ao marido a tarefa de administrar as despesas em casa. Até precisar mudar de atitude para realizar sonhos como comprar a casa própria e viajar mais. “Era um sentimento de frustação, de vida no automático. Aí, resolvi mudar. Eu me senti obrigada a planejar minha vida. Caso contrário, eu estaria no planejamento de outras pessoas”, avalia.

Ao analisar com cuidado as despesas, Isabella descobriu que os gastos com lazer e alimentação devoravam 40% do orçamento. As compras por impulso também precisavam de um freio. “Se avisto algo que quero, vejo na minha lista se estou realmente precisando daquilo. Caso não esteja, me pergunto se será realmente útil ou se não já não possuo algo similar em casa que, de repente, nunca usei”, conta.

O hábito de acumular compras que Isabelle deixou no passado ainda é devastador no orçamentos de muitas mulheres. Parte da explicação desse comportamento vem da cultura em que mulheres estão inseridas. Muito cobradas para serem extremamente vaidosas e bombardeadas pela publicidade para consumir itens de forma avassaladora. Somemos a isso, o fato de que, pra muitas mulheres, comprar é também uma compensação emocional por algo que não vai bem.

 

                     

                                                                            Marielle Baía - foto: arquivo pessoal

Para a psicóloga e consultora financeira, Marielle Baía, a melhor forma de romper esse ciclo do endividamento é se reequilibrar emocionalmente para não buscar em compras uma espécie de refúgio e, principalmente, investir em inteligência financeira.

“A falta de educação financeira faz as pessoas pagarem o preço da ausência de entendimento. É importante buscar um profissional, ler sobre o assunto, e fazer um diagnóstico de sua vida financeira para resgatar os motivos que fazem você gastar valores acima do que tem condições de arcar. O problema financeiro não é número, é hábito”!, explica.

Novo arranjos familiares e novos desafios às mulheres

Mulheres já são chefes de família em 40,5% dos lares brasileiros, conforme pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015. Na análise anterior, em 2005, elas eram a pessoa de referência em 30,6% das residências.

Esse novo arranjo em que a mulher passa a prover sozinha as contas da casa, dos filhos e, às vezes, até do marido acrescentam uma dificuldade a mais na administração do orçamento.

                                                                                                                                             Foto: pexels

Confira dicas da especialista Marielle Baía para você reposicionar suas contas no azul

- Os gastos com energia elétrica são um dos que mais têm excesso. Faça vistoria permanente em casa. Não faz sentido gastar para manter ambientes iluminados e resfriados se você não está lá;

- Sempre faça listas antes de sair às compras. E esteja focada na necessidade para que suas emoções não controlem suas decisões.

- No supermercado, observe se não está comprando em excesso. Está provado em pesquisas que 30% do que consumimos vira desperdício. Outra dica é não levar crianças ao supermercado, pois elas fazem com que pais acabem gastando mais.

- Adote o reuso e reaproveitamento: de alimentos, de roupas, de livros, do que for possível.

- Cuidado com as promoções tipo leve 3 pague 2. Saque a calculadora do bolsa e vejo se o valor unitário está realmente compensando.

- E, por fim, registre TODOS os tipos de gastos e por categorias: combustível, água, energia elétrica, gastos com crianças. As anotações permitem a você enxergar onde está o problema e, a partir daí, ter uma ação para solucionar.

       

                             Isabella Meneses e o marido Francisco: "Quero poupar pra viajar mais"- Foto: arquivo pessoal

 

A empresaria Isabella Meneses, que abriu esta reportagem, diz que controlar o dinheiro e não ser controlada por ele traz algo que não preço: liberdade!

“ É um sentimento de conquista em alcançar uma meta. E eu sei que consigo guiar a minha vida e da minha família com um bom planejamento”, finaliza.