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Mulheres que dizem não à maternidade

Foto: Sebastian Voortman / Pexels / free download

Mulheres que já passaram dos 30 anos ou casadas há algum tempo são muito cobradas para serem mães. Família, amigos e até simples colegas tentam convencer a mulher de que ter um bebê é algo que se espera dela.

A jornalista e servidora pública Iane Carolina conhece bem a complexidade dessa cobrança. Iane está um relacionamento estável há 11 anos, não tem nenhum desejo de ser mãe e se incomoda com a patrulha de quem acha que ela precisa aumentar a família.

Jornalista Iane Carolina - Foto: arquivo pessoal / instagram

“ De um lado, já estou de saco cheio dessa insistência das pessoas que dizem que eu preciso ter filho; e de outro, eu digo a elas que a gente não é obrigada a ter um filho. Eu gosto da minha liberdade, gosto de dormir no final de semana, gosto de viajar, de sair. É isso! Quem quer ser mãe, seja; eu não quis!”, declara.

 

Quase 1 em cada 4 mulheres em idade reprodutiva não tem filhos. O índice é o maior já registrado nos últimos 14 anos por pesquisas do IBGE. Mulheres de gerações anteriores já haviam decidido ter menos filhos. E, de uns anos pra cá, os dados mostram que muitas delas têm optado por uma vida sem descendentes. 

Mas assumir essa recusa à maternidade ainda é um peso na vida das mulheres. Não faltam julgamentos de que a mulher sem filhos é incompleta, insensível e até egoísta. A doutora em Sociologia, Francisca Verônica Cavalcante, explica que essa cobrança para gerar uma criança tem origem no pensamento equivocado de que a maternidade é função social da mulher. “Quando essa mulher não se identifica com esse paradigma de mulher que tem que ser mãe, ser submissa, isso tem uma relação profunda tanto com a questão da religião e quanto o patriarcalismo. [ Para quem crítica] parece que a pessoa não está completa, parece que não é legítimo uma mulher adulta decidir não ter filhos”, avalia.

 

Foto: Sebastian Voortman / Pexels / free download

 

Há mulheres que escolhem ter uma vida sem as responsabilidades e preocupações de criar um filho. Poder se dedicar mais à carreira, viajar mais ou, simplesmente, não nasceram com o tal “ instinto maternal”. Independente do motivo, não se deve pressionar uma mulher a ter filhos se esse não é um desejo que nasce do seu coração. Pior ainda se os julgamentos partem de outro mulher, acrescenta a socióloga Francisca Verônica Cavalcante.

“Como é que essa mulher pode deixar de colaborar com esse discurso? Quando ela não reitera, não reproduz esse mesmo modelo, seja na sua convivência cotidiana com seus pares, com sua família, seja quando ela já é mãe e decide não ter mais filhos”.

Cada mulher constrói seu modelo de felicidade. Umas querem filhos; outras, não. Que tal respeitar todas as escolhas?