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Cineasta afirma que tema da redação era previsível devido atualidade

O cineasta Douglas Machado afirmou que o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - sobre a "democratizaçã do acesso ao cinema" - não foi uma surpresa do ponto de vista prático que o Enem impõe ao pegar as questões brasileiras na atualidade. 

Ele acredita que o tema "poderia acontecer"  por causa da presença dos filmes brasileiros premiados, inclusive no exterior, além da maior discussão da acessibilidade no mercado exibidor.  

"Neste ano, todos sabem, quem acompanha os jornais e as notícias, que o cinema brasileiro teve um avanço gigante no mercado exibidor do exterior, dois filmes ganharam Cannes: o Bacurau e a Vida Invisível. Teve tantos prêmios ligados ao cinema brasileiro; essa questão da acessibilidade tem sido a maior discussão do mercado exibidor e, de certa forma, dos meios culturais, que o tema não me surpreendeu em nada, fazia até parte de um dos temas que eu imaginaria que pudesse cair", comentou.

Machado duvidou um pouco da sua intuição porque devido a existência de outros temas propensos a cair como a questão indígena, dos rios e da natureza. 

"Pelo contrário. Se o tema é sobre o acesso ao cinema, quem não tem cinema na sua cidade, quem não pode frequentar o cinema, tem ainda mais argumentos para a redação. O formato, janela cinema, todos sabem, agora, se vai ou não ao cinema, se tem ou não esse acesso na cidade, pode argumentar com mais riqueza a necessidade de haver esse acesso ", rebateu o cineasta.

A sensação é de que o cinema é reconhecido ao ser tema de uma das provas mais importantes do país, comenta Machado. Os estudantes precisam ser aprovados no Enem para ter acesso ao ensino superior público no Brasil. 

"O cinema não nasceu ontem nem nasceu neste ano. O cinema, sobretudo o brasileiro, vem nestes últimos 15 anos ampliando o leque de produções, ampliando as possibilidades de gênero, há filmes brasileiros de drama, comédia, de terror. Isso mostra o fortalecimento da indústria, mostra que está gerando emprego, renda,  que as pessoas estão voltando ao cinema também para assistir filmes brasileiros. O cinema brasileiro hoje tem reconhecimento internacional", acrescenta o cineasta.