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Vazamento da prova não causou dano ao Enem e vê "sabotagem", diz ministro da Educação

Fotos: Gabriel Jabur/MEC

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, confirmou neste domingo (10) que um candidato do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) tirou fotos da prova e enviou em grupos de WhatsApp antes das 18h, quando é possível levar o caderno de questões para fora da sala. 

Weintraub minimizou o ocorrido, disse não se tratar de vazamento e afirmou que o responsável já foi identificado. Segundo o ministro, o homem de 18 anos terá que responder a processo. 

"Vamos qualificar, não é um vazamento interno, não tem nada a ver com o Enem. Isso não teve nada a ver com a estrutura em si. Indivíduos estatisticamente irrelevantes antes do final da prova se comportaram de maneira inadequada", afirmou o ministro. "Foi divulgada antes do prazo mas sem comprometer em nada." 
Fotos da íntegra do Enem circularam em grupos de WhatsApp a partir das 16h30. Os candidatos só podem deixar a sala com a prova a partir de 18h. 

 "É um garotão de 18 anos que vai ter que se explicar toda vez que fizer uma entrevista de emprego por que ele tentou sabotar o Enem naquele dia", afirmou Weintraub, que não quis informar o local de prova onde aconteceu o vazamento. 

O ministro classificou como mais grave o caso ocorrido no primeiro dia da aplicação da prova, em que houve vazamento de uma foto da prova em Fortaleza às 15h. Ele disse que duas aplicadoras são investigadas sobre o caso e que "ao menos uma é culpada". 

Segundo Weintraub, a aplicadora seria militante e planejou o vazamento antes do dia da prova. "O que ela fez foi terrorismo", afirmou. 

Ele classificou a prova de 2019 como um sucesso. A taxa de abstenção por dia foi a menor desde 2009, quando o exame começou a ser aplicado em dois dias: foram 23% no primeiro dia e 27,2% no segundo dia (em 2015, a taxa foi apenas um pouco menor, de 27,3% no segundo dia). 

Neste ano, porém, o número de candidatos eliminados subiu. Foram 747 desclassificados por diversos motivos, como uso indevido de eletrônicos, recusa de se submeter à biometria e falha de seguir orientações dos fiscais. 

Em 2018, foram apenas 137 eliminados nos dois dias. Em 2019, o MEC instituiu uma nova regra para celulares, segundo a qual qualquer som emitido por aparelhos eletrônicos, mesmo os lacrados, causa a eliminação dos candidatos. 

De acordo com o ministro, os responsáveis pela divulgação do segundo dia foram candidatos e não aplicadores. Houve registro de boletins de ocorrências para notificar o caso. "O dano disso foi zero", afirmou Weintraub. "Isso é um trouxa. É um babaca", classificou o ministro, em referência a quem divulgou. "Tem que punir essas pessoas de forma exemplar para saber que uma ação danosa para prejudicar o coletivo não sai impune."

O ministro ainda afirmou que os responsáveis vão ter que explicar o caso "pelo resto da vida" e negou que tenha sido um "vazamento" porque não teria saído da estrutura do Enem. "Vai ser preso? Não. A gente não consegue nem prender ladrão contumaz, manter preso um ladrão contumaz... não vou polemizar", comentou o ministro, sem citar nenhum nome específico. Na sexta-feira, 8, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a prisão após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

'Terrorismo'

Ao comentar o vazamento da prova no domingo anterior, dia 3, o ministro classificou como "terrorismo" de "militantes" o comportamento de duas aplicadoras acusadas de vazarem o conteúdo A Polícia Federal investiga o caso. Weintraub comentou que uma delas "talvez seja inocente" e que outra é "culpada". "O que ela tentou fazer foi terrorismo. Isso se chama terrorismo, colocar terror na sociedade civil", comentou.

Weintraub apontou para uma estrutura maior que teria planejado o vazamento. "Pessoas adultas recebendo para fazer a prova planejaram essa ação. Não foi piada, gracinha, foi sabotagem, foi para causar mal-estar da sociedade", comentou, respondendo mais tarde que cabe à polícia esclarecer as informações.

 

Fontes: Folhapress e Estadão Conteúdo