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Aplicativo de celular lê o mundo para deficientes visuais

Uma lata de sopa se parece muito com uma lata de feijão. Se você sacudí-los, eles fazem o mesmo som. Então, se você é cego e não quer jantar sopa hoje à noite, pense na possibilidade de baixar um novo aplicativo de smartphone que conecta você via vídeo, ao vivo, a um voluntário com visão normal que pode lhe dizer qual é qual.

Hans Jorgen Wiberg é o inventor do Be My Eyes, um aplicativo gratuito desenvolvido em Copenhague. Ele diz que a ideia original era que as pessoas cegas utilizassem o app principalmente em casa, onde há muitas coisas que precisam ser vistas e uma boa conexão por wi-fi.

Mas Wiberg disse à BBC que os usuários estão usando o aplicativo em outras situações também: "As pessoas usam quando eles vão a algum lugar de ônibus e, ao sair, não encontram a entrada do prédio. Usam o Be My Eyes para vencer esses últimos 20 metros", explica.

 

 

"A resposta tem sido esmagadora", diz Wiberg - que também é deficiente visual. "Lançamos o app há 12 dias e já temos 99 mil colaboradores em todo o mundo. Há tantas pessoas legais no mundo", diz. Um número muito menor, 8.000 pessoas cegas, se inscreveram em busca de ajuda.

Kevin Satizabal, de Londres, registrou uma demonstração do serviço que postou na internet. Ele bate o botão de conexão e nós ouvimos música durante a espera por um voluntário. A música para e aparece uma voluntária com um sotaque americano. Satizabal pergunta se ela está ouvindo e ela diz que pode ouvi-lo bem.

"Você poderia identificar esta embalagem?", diz ele. "Estou apontando a câmera para ele, não sei se você pode vê-lo."

A voluntária arregala os olhos para ver e responde. "É algo de Páscoa... morango sabor marshmallow." Depois de um rápido "obrigado" e "de nada", a ligação termina.

 

Experiência
Smartphones, juntamente com um cão ou uma bengala, tornaram-se uma parte importante do kit de ferramentas de uma pessoa cega. As comunidades online de fãs de tecnologia cegos trazem informações sobre quais modelos têm o software com leitor de tela por fala, por exemplo.

Mas esta é a primeira experiência com ajuda por vídeo ao vivo. Quando abrimos o Be My Eyes pela primeira vez, ele pergunta: "Qual é o seu papel?" O usuário pode então escolher: "Sou cego" ou "Não sou cego".


Fonte: Uol