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ENTREVISTA: A importância da nutrição infantil para a garantia de um futuro saudável

Muitos papais e mamães acabam relaxando no tipo de alimentação dos filhos pequenos. Talvez por desinformação ou pela praticidade, não se ligam que a nutrição infantil pode definir o futuro da saúde dos filhos. Então, para ajudar com importantes orientações nesta fase da vida, o blog VIDA conversou com a nutricionista Layra Layana Vieira do Nascimento. Ela é especialista em Nutrição em Pediatria. Fique atento às dicas da profissional para evitar problemas no seu bem mais precioso.

 

Dra. Layra Vieira

 

MARCELO FONTENELE - Quais as consequências das experiências nutricionais no início da vida?

DRA. LAYRA VIEIRA - As experiências nutricionais no inicio da vida podem ter consequências duradouras. Para isso a introdução de hábitos sadios na alimentação faz toda a diferença. A alimentação é um evento primário na vida do bebê e da criança, é um foco de atenção dos pais, e fonte de interação social por meio de comunicação verbal e não verbal. A experiência de se alimentar oferece não apenas sustento, mas também oportunidade de aprendizagem. Afeta não só o crescimento físico e a saúde da criança, mas também seu desenvolvimento psicossocial e emocional.


MARCELO FONTENELE - Qual o papel dos pais na qualidade da alimentação de seus filhos?

DRA. LAYRA VIEIRA - Hoje em dia muitos pais afirmam ser difícil fazer os filhos se alimentarem de forma saudável e acabam esquecendo que, na verdade, eles são os maiores responsáveis pela criação dos hábitos alimentares das crianças. Vale lembrar que as crianças não conhecem os alimentos e essa apresentação e estimulo dos pais que iram forma hábitos saudáveis. O papel dos pais começa na apresentação dos alimentos, onde fará toda a diferença, por exemplo, aos pais oferecem a criança o pão branco, ele fará parte da rotina dela, e se apresentarem o pão integral da mesma forma, um hábito saudável do zero é muito mais fácil do que mudar um hábito. Outro erro dos pais que prejudicam a alimentação são as atitudes equivocadas como:
Oferecer outro tipo de alimento para a criança durante a refeição. Obrigar a criança a comer tudo.
Parabenizar com doces ou utilizar doces como recompensa.Deixar a televisão ligada na hora da refeição ou fazer brincadeiras neste momento.
Permitir beliscadas.Por isso, a melhor forma de educá-las é tomando atitudes que sirvam de exemplo, como escolher alimentos saudáveis.


MARCELO FONTENELE - À partir de quando os pequenos já podem ser levados para o nutricionista ?

DRA. LAYRA VIEIRA - Antes de tudo, vale lembrar que a recomendação da organização mundial da saúde, ministério da saúde e sociedade brasileira de pediatria é a manutenção do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e complementar até os dois anos ou mais. Por tanto, á partir dos 6 meses de idade, o pequeno já pode ser levado ao nutricionista quando ele sai da amamentação exclusiva e passa a incluir a alimentação complementar. Este é um momento de muitas perguntas e duvidas. Por quais alimentos começar? Como preparar e combinar os alimentos? Quanto o bebê come demais? Comer sozinho? Meu bebê não quer comer, o que fazer? Meu bebê come demais? É onde eu procuro passar todo o meu conhecimento teórico com minha experiência prática, para que juntos possamos construir uma saudável, prazerosa e divertida experiência nutricional para toda a família. 

 


MARCELO FONTENELE - Algumas crianças podem apresentar resistência a uma dieta equilibrada... O que fazer nesta situação?

DRA. LAYRA VIEIRA - Sim. Insistir ou até obrigar os filhos a comerem não é o correto. Claro que a preocupação é compreensível, afinal uma boa alimentação resulta numa criança saudável, Pai e mãe devem ter em mente o seguinte: quando a fome apertar, a criança vai comer. Mas, nada de alarmes, não é preciso deixá-la com fome. Há caminhos bem mais suaves para persuadi-la a alimentar-se. O primeiro passo é verificar se realmente não há nenhum problema de saúde. Segundo se o pequeno não apresentar nenhum problema de saúde vamos lá as dicas.
Nunca ofereça muita comida à criança - ela tem o estômago pequeno.Capriche no visual dos alimentos e no sabor das preparações.Evite a monotonia alimentar variando o tipo de preparação e alimentos.
O horário das refeições deve seguir certa regularidade, um ritmo alimentar que permita a flexibilidade eventual, porém, com disciplina e bom senso. É importante a criança habituar-se a uma rotina alimentar, sem pular as refeições.
A ingestão de líquidos deve ser evitada na véspera das refeições, pois diminui o apetite e prejudica a digestão.Não incentive a criança a comer à custa de insistência, agrados e distrações.
A dieta da criança deve ser adaptada à refeição da família. É importante que ela perceba e observe que todos estão comendo a mesma comida, pois os adultos costumam ser o exemplo para a criança, que costuma imitá-los. Não force seu filho a comer. Se ele ficar com fome, vai alimentar-se na próxima refeição.
Não ofereça comida fora de hora. A criança que passa o dia inteiro comendo dispensa as refeições principais pelo simples fato de não estar com fome.
Deixe a criança comer com as mãos. Ela se diverte manipulando a comida e vê nesse momento uma ocasião prazerosa, agradável. Por fim, seja firme com a criança, sem ser rígido, afinal o momento de se alimentar deve ser prazeroso e não angustiante.


MARCELO FONTENELE - Pelo menos eu observo muitas crianças viciadas em refrigerante. O que isso pode acarretar no futuro?

DRA. LAYRA VIEIRA - O consumo de refrigerantes não é nem um pouco saudável tanto para adultos quanto para crianças. A bebida tem excesso de açúcar, glicose, adoçantes artificial, corantes, flavorizantes, conservantes, sódio e outros componentes que podem causar danos à saúde. Quando consumidos em excesso impedem o aproveitamento de nutrientes pelo nosso organismo, causam cáries, aumentam os riscos da obesidade infantil, diabetes, quando são ingeridos no lugar de alimentos realmente saudáveis. Segundo alguns estudos feito com os escolares o consumo de refrigerantes varia entre 4 ou mais porções ao dia. Em uma conta rápida: são ingeridos 9 litros de água açucarada com aditivos químicos por mês. As versões tipo “cola”, também contém alto teor de ácido fosfórico que reduz a absorção do cálcio. Como o captado pelo IBGE, em que cerca de 30% das crianças brasileiras entre 5 e 9 anos estão acima do peso e quase 15% estão obesas. Daí pode-se dizer que os refrigerantes fornecem calorias vazias, sem nenhum tipo de nutriente, sem nenhum valor nutritivo.


MARCELO FONTENELE - Por conta da praticidade, muitas mães acabam optando por lanches rápidos para seus filhos como biscoitos recheados, achocolatados, salgados e comidas de famosos fast foods. Qual a sua recomendação?

DRA. LAYRA VIEIRA - Estes alimentos podem representar um risco à saúde, causando alergias, doenças cardiovasculares e até câncer quando consumidos em excesso. Para tornar estes alimentos mais vistosos, práticos e duráveis, os fabricantes usam algumas dezenas de aditivos químicos. Os mais comuns são os corantes, aromatizantes, conservantes, antioxidantes, estabilizantes e acidulantes. São eles os responsáveis por dar sabor, cheiro e aspecto naturais aos alimentos industrializados, além de maior durabilidade. Minha recomendação é simples, Tenha uma alimentação adequada com frutas, verduras, legumes, cereais integrais, carnes magras e água são ricos em vitaminas, minerais e fibras. Faça destes alimentos sua principal fonte de alimentação.

 


MARCELO FONTENELE - No caso de crianças com sobrepeso ou obesas, o que pode auxiliar a nutrição para combater este problema?

DRA. LAYRA VIEIRA - O número de crianças com sobrepeso ou obesidade tem aumentado de maneira significativa. Isso preocupa muito os pais e familiares, já que junto a este quadro surgem doenças crônicas como hipertensão e diabetes que não eram tão presentes nessa faixa etária.
A melhor forma para combater esse problema é estimular a criança a levar uma alimentação saudável para que não sofra com a obesidade, necessitando ser balanceada e adequada com todos os grupos alimentares:

•    Energéticos (fornecem energia necessária para a realização das atividades físicas: pães, batatas, arroz etc.);
•    Construtores (formam tecidos e mantêm estruturas orgânicas: leite, queijos, carnes, frango, peixes, ovos, feijões etc.);
•    Reguladores (vitaminas e minerais: frutas, legumes e verduras).
A alimentação também precisa ser livre de açúcares, gorduras e muito sódio e pobre em frituras, alimentos gordurosos e alimentos com muita caloria vazia, ou seja, com baixo valor nutritivo, associado a uma pratica de atividade física.


MARCELO FONTENELE - Por fim, qual o seu recado para os pais que acham que cuidar da nutrição infantil é bobagem e como funciona o atendimento nutricional da criança?

DRA. LAYRA VIEIRA - Como já ressaltei nas respostas anteriores são diversos os motivos para cuidar da nutrição do seu filho, é na infância que os hábitos alimentares serão formados, e esses, seguirão por toda a vida. É nessa fase também que várias doenças começam a ser desenvolvidas, e por meio de uma alimentação equilibrada é possível evita-las e melhorar a qualidade de vida da criança. O atendimento consiste na avaliação nutricional da criança por meio de vários parâmetros.
Avaliação minuciosa do hábito alimentar e da rotina de vida (incluindo a rotina de alimentação na escola), para identificação dos pontos que devem ser mudados. Avaliação do histórico de crescimento e da curva de peso. Avaliação de exames bioquímicos (sempre solicitado em concordância com o pediatra responsável). Avaliação antropométrica (peso, altura), aferição das circunferências (com trenas antropométricas) e das dobras cutâneas (com o adipômetro). Somente após essa avaliação é elaborado um planejamento alimentar personalizado, que atende aos gostos, preferências e necessidades individuais de cada faixa etária.