Cidadeverde.com

Glúten não é esse vilão criado pelas indústrias de alimentos

A chegada de novos produtos da indústria de gêneros alimentícios é muito forte. Consequentemente, são altos os investimentos em mídia e publicidade para colocar estes produtos na mesa do consumidor. E, infelizmente, uma das táticas utilizadas é desqualificar algum nutriente presente em alimentos comuns como se o mesmo fizesse mal para o organismo. Isso acontece ao se aproveitarem de algumas reações metabólicas presentes em pessoas que já apresentam problemas de saúde. É o caso do glúten com quem sofre da doença Celíaca. Devido a uma alteração genética, o organismo de algumas pessoas não tem capacidade de digerir o glúten da maneira correta. A doença atinge 1% da população mundial. Quando o glúten chega ao intestino dos celíacos, o sistema imunológico o reconhece como micróbios invasores, liberando células de defesa para atacá-lo. É aí onde nasce o problema, conhecido pela luta contra os efeitos colaterais. As vilosidades acabam sendo prejudicadas e afetam o trânsito intestinal, comprometendo toda a nutrição do corpo. 

 

 

A diretora da Faculda de Nutrição Emília de Jesus Ferreiro (UFF) e professora da área de ciência de alimentos, Alexandra Anastácio Monteiro, alerta que estudos comprovam que a restrição desnecessária de glúten pode levar à deficiência de carboidratos, fibras, ferro, foslato, niacina e zinco. Além disso, produtos alimentícios sem glúten não têm menos gordura, açúcar ou sal. Em muitas situações, aumenta-se a quantidade de gorduras para minimizar as características perdidas com a retirada do glúten. A profissional acrescenta que uma dieta sem glúten é pobre em fibras, minerais e hiperlipídica. Ou seja, a retirada do glúten pode ser indicada somente para pacientes celíacos, cuja dieta será adequada ao tratamento da doença.