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Mesmo magra, a criança pode ter colesterol elevado

TEXTO: Dra. Márcia J. Kelman (*)


O colesterol avaliado nos exames de sangue contabiliza a soma de suas origens, isto é, a fabricada pelo corpo (fígado), responsável por 70% do total, e a oriunda da dieta alimentar responsável pelos 30%.

Entretanto, existem exceções familiares, como por defeitos genéticos na produção do colesterol, amplificando sua produção. Daí, crianças também, costumeiramente, apresentarem colesterol alto. Neste caso, em especial, já que sua origem do colesterol é interna, e não da dieta, daí magros. Porém, na maioria dos casos, o mesmo é impulsionado por práticas não saudáveis, como: consumo excessivo de alimentos gordurosos e sedentarismo.

 

Como atua

1 - O colesterol é transportado no sangue acondicionado em proteínas especiais chamadas lipoproteínas, de baixa densidade (LDL, colesterol ruim) e de alta densidade (HDL, colesterol bom).
2 - O LDL em excesso se deposita nas paredes dos vasos e pode levar ao seu entupimento, acarretando, possivelmente, infarto ou derrame na vida adulta (mau colesterol).
3 - Já o HDL (bom colesterol) ajuda a remover o excesso de colesterol do sangue, transportando-o de volta ao fígado para ser eliminado do organismo.

 

Dicas práticas

1) Evite abusar de:

- frios e embutidos (presunto, salsicha e outros embutidos);
- queijos com mais de 30% de gordura (prefira mussarela, prato, minas);
- refrigerantes e sucos artificiais adoçados com açúcar;
- chocolates, balas e outros doces;
- refeições pré-preparadas;
- gorduras de origem animal; 
- manteiga, maionese, creme de leite.

2) Prefira substituí-los por:

- biscoitos recheados por integrais sem recheio;
- sorvetes de massa por picolé de frutas;
- leite integral por semi-desnatado;
- Iogurte integral por desnatado.

 

 

Sete dúvidas mais comuns sobre colesterol em crianças

1-Existe algum alimento proibido?

Não, para evitar que a criança crie uma “birra” em relação à própria alimentação. É válido aprender a fazer trocas, preparar as refeições em casa (para controlar os níveis de gorduras e sódio), sempre que possível e reduzir o consumo de alguns alimentos mais ricos em colesterol, para que, quando ela saia, possa alimentar-se com moderação, da oferta disponível. Por exemplo: em festas, aceitar uma fatia de bolo e poucos docinhos. Ou nas saídas com a família e amigos, ingerir duas fatias de pizza, sendo, por exemplo: uma mais magra, como marguerita ou atum e outra à seu gosto. O acompanhamento nutricional é fundamental no alcance do controle do colesterol.

 

2- Devo cortar as gorduras da dieta da criança?

Não. As gorduras devem sempre compor entre 25% e 30% do total de calorias ingeridas, pois são responsáveis pela produção de hormônios, síntese da vitamina D (essencialmente os ossos). Lembre-se de mostrar a criança a pirâmide alimentar, situando-a à dieta, incluindo todos os grupos alimentares diariamente. Este envolvimento favorece a aceitação dos “combinados”, contribuindo para melhores resultados na saúde.

 

3-Quando a criança deve fazer exame de colesterol?

Crianças acima de dois anos, com antecedentes familiares (avós, pais ou tios com histórico de eventos cardiovasculares) devem passar pelo exame bi-anualmente. Aquelas com risco próprio, como obesidade, problemas renais e doenças reumáticas, entre outros que podem alterar os níveis de gordura no sangue, com mais freqüência devem ter o colesterol monitorado rotineiramente. Um sinal clínico comum é o aparecimento de pequenas gorduras localizadas, como certos, caroços brancos (xantelasmas) no rosto, ou em braços. Verifique com seu pediatra, tal suspeita.

 

4-As consequências do colesterol alto em crianças são imediatas?

Não, pois o depósito de gordura nos vasos sangüíneos é cumulativo. Por isso, quanto antes o problema for diagnosticado e tratado, melhor.

 

5-A criança deve saber de seu problema?

É importante explicar a ela o que acontece em seu organismo de forma acessível, para que ela se sinta envolvida no tratamento e aceite melhor as mudanças alimentares. Mas, jamais utilize-se do terror.

 

6-Só as gorduras são vilãs?

Não. Os níveis de triglicérides aumentam com a ingestão de carboidratos em excesso. Por isso, alimentos ricos em açúcar (ex: balas) e carboidratos simples, (ex: pães brancos) devem ser controlados.

 

7-Criança precisar de medicação para controlar o colesterol?

É preciso mudar o estilo de vida, com dieta alimentar e exercícios físicos regulares principalmente até os 10 anos de idade. Após este período de apartação, se o LDL persistir alto mesmo com as mudanças, o médico poderá recitar remédio de uso diário para controle. Hoje temos o aval de estudos médicos, comprovando o benefício e a segurança do uso contínuo deste tipo medicação, nesta faixa etária.

 


(* Dra. Márcia Jablonka Kelman é médica, especialista Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Especialista em Homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia. Médica da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD), com experiência ambulatorial e em pesquisas nesse setor. Médica do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein).