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Pesquisa mostra que relação entre vasectomia e câncer de próstata é infundada

A vasectomia (método cirúrgico contraceptivo para homens) causa alguns receios naqueles que pensam em fazê-la. Um dos grandes temores masculinos é o seu eventual prejuízo no desempenho sexual, que segundo o especialista no assunto Giuliano Aita, não é afetado. Além desse medo infundado com a potência sexual pós-procedimento, o urologista explica que algumas pesquisas feitas há alguns anos chegaram a levantar outro ponto de receio para os homens, que foi a ligação entre a vasectomia e o risco de câncer de próstata. Porém, segundo ele esclarece, novas pesquisas, divulgadas na última semana, demonstram que esse link não se confirma. “O trabalho foi feito pela Sociedade Americana de Cancerologia e é claro ao afirmar que não há evidências entre a vasectomia e o risco desses pacientes em desenvolver câncer de próstata no futuro”, completa Aita.

A pesquisa ‘Cancer Prevention Study II’ foi iniciada em 1982 e analisou dados de mais de 360 mil homens, incluindo 42 mil que haviam feito vasectomia. Todos eles tinham mais de 40 anos, a idade típica em que geralmente eles decidem fazer a vasectomia. Cerca de 7,4 mil morreram em um período de 30 anos do estudo. Não houve diferença no desenvolvimento de câncer entre os que haviam e os que não haviam feito o procedimento. O primeiro estudo que tinha ligado um sinal de alerta foi conduzido em 2014. Essa foi a primeira pesquisa em larga escala para encontrar a associação entre os dois fatores e mostrou 10% de aumento no risco de desenvolvimento de câncer de próstata. Além disso, foi revelado que houve 20% a mais de risco desse câncer ser fatal em homens que haviam se submetido à vasectomia, comparado com os que não fizeram o procedimento.

Dr. Giuliano Aita, urologista 

Porém, os especialistas concordam que o risco em geral foi baixo e, somado a esse novo estudo, a preocupação com relação ao assunto pode ser reduzida. Ambos os estudos foram similares em termos de número de participantes com formas variadas desse câncer, mas a nova pesquisa trouxe resultados mais precisos com relação às chances de se desenvolver ou não as formas mais fatais da doença. Dessa vez, o estudo foi feito em cima de 7 mil óbitos por esse câncer, comparado com 800 do estudo anterior. Giuliano Aita explica que a nova observação, que incluiu um número bem maior de homens, as chances dos achados serem mais precisos são muito maiores e, portanto, não deve haver coincidências. “Com esse amplo número, podemos entender que o segundo estudo está bem mais apurado e que, portanto, a vasectomia não demonstra ser fator de risco para casos fatais de câncer de próstata”, completa.

 “A vasectomia é um procedimento rápido e com benefício a curto e longo prazo. De acordo com as evidências disponíveis até o presente momento, não há relação com o risco em desenvolver câncer na próstata, pontua Aita.