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Terapia neural consegue diagóstico ao avaliar a boca

A medicina ocidental teria começado no século 5 a.C com Hipócrates, na Grécia. Hoje, mais de dois milênios depois, a nossa medicina requer testes e estudos para considerar válidos novos tratamentos ou medicamentos. A chamada medicina alternativa inclui modalidades tão antigas quanto Hipócrates, como a acupuntura, por exemplo, mas que ainda não são completamente aceitas pela ciência. A terapia neural, data do início do século 20, e adota os dentes como índices para avaliar a saúde do restante do corpo - a modalidade, porém, ainda não é reconhecida oficialmente no Brasil.

A terapia neural foi desenvolvida na Rússia e na Alemanha nas primeiras décadas do século 20. Quem descobriu o paralelo entre os variados órgãos e os dentes foi o médico Ernest Adler, que ao tratar doenças bucais observou, como efeito colateral, a melhoria de outros problemas de saúde relatados pelos pacientes.  "Quando um dente precisa de tratamento, seja um canal, um implante ou mesmo a retirada de um siso, para a terapia neural há a criação de um 'campo de interferência' que prejudica ou promove a melhoria de doenças", explica a médica clínica geral Suellen Vieira Araújo.
Como é feito o diagnóstico - A médica cita o caso de alguém que não escova os dentes com a frequência adequada e quando o faz não usa fio dental. Embora todo o ambiente bucal esteja sendo prejudicado, só alguns dentes sofrem com cáries, ou apenas uma pequena área é atingida pela gengivite. Além de encaminhar o paciente para um dentista com conhecimento em terapia neural, Suellen irá investigar qual a relação daquele dente com o corpo.
"A gente sabe que a língua, seguindo os conceitos e da medicina ayurvédica e chinesa, concentra a informação do corpo todo. Então, eu oriento os meus pacientes a acordar e olhar a língua, ver se a saburra está branca ou mais amarelada - se estiver amarelada, indica que o organismo está eliminando por ali as toxinas, nesse caso, a orientação é para que a pessoa escove ou use um raspador de língua para higienizar e remover a saburra", exemplifica a médica. Rachaduras na língua e aftas também são objeto de análise dessa modalidade de medicina alternativa.


"Pedimos um raio-x panorâmico da boca e com isso avalia os campos de interferência e  os locais onde serão feitas as aplicações de procaína. Na terapia neural o estudo da boca é tão forte, que um grande especialista na área, o médico argentino Pablo Koval, só trata pela boca - ele nem procura as outras interferências. Eu tenho dentistas que são terapeutas neurais - eu sempre mando para um dentista que tenha um maior conhecimento de terapia neural", relata Suellen. 


Tratamento simples e mais humanizado - O tratamento por meio da terapia neural consiste na aplicação de pequenas doses de procaína, um tipo de anestésico no ponto relacionado ao órgão que se deseja tratar.  Suellen relata casos de pacientes nos quais ela fez uma única aplicação e a pessoa relatou melhora de dores no joelho. "O mais comum é que a dor volte, mas em menor intensidade. Com o evoluir da terapia, a dor vai diminuindo até desaparecer", conta ela. Para a médica, a terapia neural apresenta algumas vantagens importantes em relação às técnicas tradicionais: "É uma terapia que não precisa de exames laboratoriais. Usamos um único remédio,  que é a procaína, que não é mais tão fácil de encontrar, mas dispensa o uso de medicamentos caros. O diagnóstico baseado na observação e no diálogo com o paciente dá uma autonomia muito grande ao médico".


Fonte: Saúde Bucal