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Educador físico inclui crianças autistas no Parkour

Você já ouviu falar em Parkour? Pois saiba que a modalidade é um treino de transposição de obstáculos do seu ambiente, como escalar muros, equilibrar em corrimãos, ou saltar sobre vãos. Porém, mais do que isso, é a incessante busca pelo desenvolvimento da autonomia de nosso corpo e mente sobre os desafios do cotidiano. Aqui em Teresina, o educador físico e instrutor de Parkour, Franklin Júnior, faz um trabalho muito interessante nesta área com crianças autistas. O blog VIDA foi atrás dele que, gentilmente, nos concedeu entrevista.

MARCELO FONTENELE - Geralmente, o Parkour é visto como esporte que exige muita resistência física, flexibilidade e que é praticado por atletas. Como nasceu a ideia de levar a modalidade para crianças com problemas neurológicos?

FRANKLIN JÚNIOR - A idéia para incluir o parkour para crianças com probelmas neurológicos foi basicamente que a minha filosofia é que todos podem praticar a atividade. Após 1 ano dando aula para crianças e adolescentes, percebi uma grande mudança no estilo de vida e no comportamento das mesmas. Foram vários os relatos de agradecimento das mães. Uma dia, uma mãe me relatou a história de seu filho autista, até então eu nunca tinha dado aula para um autista. Era algo novo e sabia que se a criança se adaptasse aos movimentos, aquilo iria chamar sua atenção. Assim, poderíamos progredir nos objetivos que a mãe queria. Desde então ja passaram por mim cerca de 30 crianças que possuem autismo. 


MARCELO FONTENELE - Como eles reagem às aulas?

FRANKLIN JÚNIOR - Cada criança reage diferente. Depende do nível do espectro. Algumas são agitadas e tem problemas de concentração e equilíbrio, outras são mais lentas e possuem pouca coordenação motora. Mas a maiora gosta dos desafios corporais que proporciono a cada aula. É uma felicidade enorme após o desafio ser concluído.


MARCELO FONTENELE - Quais as evoluções que você observa nas crianças?

FRANKLIN JÚNIOR - Melhora da interação social, afetivo-social, equilíbrio, coordenação motora, agilidade, ganho de força no tônus, fortalecimento de pernas, braços e mãos que ajuda na hora da escrita, concentração durante a atividade e o olhar fixo.


MARCELO FONTENELE - O que os profissionais de saúde falam à respeito da sua iniciativa?

FRANKLIN JÚNIOR - Terapeutas ocupacionais, psicólogas, fisioterapeutas que me conhecem indicam a atividade para seus clientes, na expectativa de acelerar o processo de seus trabalhos ou como um complemento do tratamento.


MARCELO FONTENELE - Como é a logística das aulas?

FRANKLIN JÚNIOR - A aula dura 50 minutos. Recomendo para os pais que matriculem a criança pelo menos 3 vezes na semana para que os resultados sejam atingidos rapidamente. 


MARCELO FONTENELE - E os pais, como se sentem ao ver os filhos no Parkour e se integrando às outras crianças?

FRANKLIN JÚNIOR - Eles adoram ver seus filhos superando seus limites corporais, vibram a cada salto, a cada caminhada sem cair da pista de equilíbrio.