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Médico brasileiro apresenta novidade no tratamento de AVC

Recentemente,uma nova modalidade de tratamento para o AVC está disponível e tem se mostrado bastante eficaz na recanalização das artérias cerebrais e na redução de sequelas do AVC. Trata-se do cateterismo cerebral, também chamado de tratamento endovascular ou trombectomia mecânica.  Basicamente, esse tratamento consiste em colocar um microcateter nas artérias da perna e avançar por dentro das artérias até alcançar a área entupida do cérebro. Estudos de 2015 demonstraram que esse tratamento pode abrir até 80% dos vasos ocluídos e traz excelentes resultados, justamente quando as grandes artérias do cérebro estão entupidas, sendo, portanto, uma alternativa terapêutica quando o trombolítico endovenoso não resolve o problema.  

Entretanto,  na semana passada, o médico brasileiro Raul Nogueira, professor da Emory University, em Atlanta, nos Estados Unidos, apresentou resultados de ensaio clínico denominado Dawn, no Congresso Europeu de AVC, em que dividiu em dois grupos 206 pacientes com AVC. O tratamento para essas pessoas teve  início entre seis e 24 horas do início dos sintomas. Elas apresentavam uma oclusão de uma grande artéria do cérebro e um AVC ainda pequeno nos exames de neuroimagem.  “Um grupo recebeu tratamento clínico padrão e o outro grupo recebeu a trombectomia mecânica em até 24 horas do início dos sintomas". Os resultados mostraram que, após três meses do AVC, 48,6% do grupo tratado com trombectomia mecânica estava funcionalmente independente, comparado a somente 13,1% do grupo tratado com tratamento clínico padrão. Isto corresponde a um aumento relativo de 73% na chance de boa evolução com o tratamento endovascular, se comparado ao tratamento padrão que vinha sendo feito até hoje em todo o mundo.

O professor Pontes Neto lembra que a trombectomia mecânica não pode ser realizada em qualquer paciente com AVC. “Este tratamento é essencialmente para em torno de 15% dos pacientes com AVC que apresentam oclusão de um grande vaso do cérebro e que têm bom fluxo sanguíneo colateral.” Apesar de aprovado pela Anvisa para ser utilizado no Brasil, ainda não é reembolsado adequadamente pelo Sistema Único de Saúde. “O Ministério da Saúde está patrocinando o estudo Resilient, estudo nacional que está sendo feito para comprovar a exequibilidade e o custo-efetividade da trombectomia mecânica no Brasil”, conclui.

 

Fonte: USP