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Câncer ocular afeta mais piauienses por causa da luz do sol

Por: Katya D'Angeles (especial para o blog VIDA)

A região Nordeste, devido à alta incidência de luz solar, tem mais casos de câncer de superfície ocular. Publicação da revista científica Internacional Journal of Cancer mostrou que a incidência do retinoblastoma no Brasil é o dobro da registrada nos Estados Unidos e na Europa. Enquanto algumas cidades brasileiras registram entre 21,5 e 27 casos desse câncer por milhão, nos EUA, esse valor varia entre 10 e 12 casos por milhão. As pesquisas sobre o tema ainda são iniciais, mas os estudiosos do Inca (Instituto Nacional do Câncer) acreditam que fatores geográficos e ambientais também estejam envolvidos. Segundo a oftalmologista Mônica Muller a falta de conhecimento em relação ao retinoblastoma, câncer ocular, ainda é um grande problema enfrentado.

Em relação ao Piauí, segundo Mônica Müller há ainda outro fator que é a muito burocratização para o acesso ao tratamento especializado. "O que observamos, em relação a todos os tipos de lesões oculares oncológicas, é a existência de doentes com tumores muito avançados, algumas vezes já com metástases disseminadas. Isso se dá por uma série de problemas sociais, como o desconhecimento da sociedade em geral sobre o assunto; a dificuldade de diagnóstico dos tumores iniciais por médicos generalistas, além da demora e burocratização que existe ao encaminhar pacientes oncológicos aos serviços de alta complexidade".

O câncer ocular é uma doença de prognóstico desfavorável quando detectado em fases avançadas, mas a detecção precoce e o progresso da Medicina têm possibilitado tratamentos com resultados cada vez melhores.  "A incidência de lesões oncológicas da superfície ocular na região Nordeste como um todo é elevada, principalmente por conta da alta taxa de incidência de luz solar nesta região. O segundo principal fator de predisposição é a infecção pelo vírus HPV (Papiloma Vírus Humano), que, infelizmente, tem alta taxa de prevalência entre as classes sociais menos prevalecidas.", explica. Porém muitas vidas têm sido salvas com o diagnóstico precoce.

Dra. Mônica Müller, médica oftalmologista

O retinoblastoma é originado das células da retina, que é a camada neural do olho sensível a luz. Em 90% dos casos não apresenta causas conhecidas e caracteriza-se pelo desenvolvimento anormal das células da retina na infância, acometendo, de forma mais comum, apenas um olho. Cerca de 10% dos casos é transmitido por hereditariedade, podendo comprometer ambos os olhos. Quando não diagnosticado e tratado precocemente, pode levar à perda de visão e até mesmo ao óbito, devido à disseminação de lesões neoplásicas para outros órgãos (metástases). A retirada do globo ocular é necessária em alguns casos como tratamento, evitando-se assim, que a doença se espalhe para órgãos vitais. 

A melhor prevenção ao câncer ocular ainda é a realização de consultas e exames oftalmológicos periódicos, aumentando as chances de um diagnóstico precoce e de cura. "Alguns tipos de tumores estão sendo constantemente estudados na tentativa de melhorar a taxa de cura e sobrevida dos doentes, como é o caso do melanoma de coróide. O objetivo maior do tratamento dos pacientes oncológicos com tumores oculares será sempre preservar a vida em primeiro lugar. Porém devemos também tentar preservar o globo ocular, como órgão, evitando ao máximo as deformidades faciais e poupar a visão, que é o mais difícil devido às próprias sequelas ocasionadas pela patologia", reforça a especialista, orientando a população sobre a importância do diagnóstico precoce.