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Parto humanizado respeita os desejos e as necessidades da mulher

A hora do parto é um momento de muita preocupação e dúvidas na maioria das mulheres. O medo da dor é uma das principais angústias das gestantes, mas, será que a hora do nascimento do bebê aguardado por nove meses deve ser realmente uma experiência ruim? Para o ginecologista e obstetra Jailson Costa Lima, a resposta é não. Com uma vasta experiência na área de ginecologia e obstetrícia, o médico é defensor do parto natural humanizado e diz que com este método a mulher pode ter total controle do momento do nascimento. “O parto natural ou humanizado é a retomada do método antigo de dar à luz quando a mulher dita o ritmo do parto, ela escolhe como terá o bebê”, diz Jailson.

Existe uma diferença entre parto natural humanizado e o parto normal e é justamente a maneira como o processo é conduzido. As intervenções de medicamento, aceleração do parto ou mesmo o tradicional corte vaginal acontece somente quando é estritamente necessário, pois no parto humanizado o atendimento é concentrado na mulher. “A mãe é tratada de forma carinhosa, podendo desfrutar da companhia da família, caminhar, tomar banho de chuveiro ou banheira para aliviar as dores”, conta o médico. O maior medo da mulher é sentir muita dor. Sobre isso, Jailson explica que varia muito de mulher para mulher e que ela pode ser aliviada de forma natural, com massagens nas costas, banhos de chuveiro ou de banheira. “A mulher que opta pelo parto natural deve estar disposta e consciente de que terá papel ativo na hora do parto. O tempo em que a gestante fica em trabalho de parto também pode variar. Em geral a primeira gestação leva em torno de 16 horas, já as demais o tempo chega até 12 horas”.

Existem também procedimentos para os casos de intervenção sejam minimizados e que podem ser feitos antes de se optar pela cesariana. “Estimulamos a gestante ficar livre, caminhar,  fazer alguns exercícios em bola de parto que estimulam as contrações e facilitam o trabalho de parto, além de tecnicas para aliviar a dor. O monitoramento da equipe deve existir para garantir a normalidade do processo e, em casos pontuais, iremos intervir com medicamentos ou parto cesariana”, diz o obstetra. Além do fator sentimental o parto natural também oferece uma recuperação mais rápida para a mãe e menos risco para o bebê, isso por que ao nascer de parto natural ele corre menos risco de aspirar líquido e também de contrair infecções.

Isso foi fundamental para escolha de Priscilla Khrisna, que em nenhuma hipótese pensou em fazer o parto de outra forma. “Eu acompanhei uma amiga em uma cesariana e vi quanta violência obstétrica a mulher sobre nesses tipos de parto, mas na época eu nem conhecia esse tipo de atitude. As cenas ficaram marcadas na minha mente e a partir daí eu determinei se um dia eu fosse mãe, traria meu filho por parto normal. Busquei informações sobre o parto humanizado com um médico especializado e fiz minha escolha.”, disse.  
Priscilla fez o relato do seu parto em uma rede social onde ela denomina a “Saga do parto Normal”, onde conta as dificuldades e emoções para realização do seu desejo por um parto mais humanizado. “Tive uma equipe maravilhosa, que me trouxeram muita segurança. Tive apoio da família e dos médicos e isso começa a ser a humanização do parto, além de todo carinho e amor, emocionalmente também me senti amparada, também tem as vantagens físicas que contam bastante.”, conta.

Ela conclui. “Devemos levantar a bandeira do respeito não só com a mãe, mas com o bebê também, pois é seu primeiro contato com o mundo, até porque a criança é a protagonista da história, tudo é feito pensando em seu bem estar. Dizer que parto humanizado pode ser feito em qualquer situação de nascimento (cesariana, normal, natural).

(Foto: Amana Dias)


Dados

O Brasil é o país campeão de cirurgias cesarianas no mundo. Na rede particular de saúde, 82% dos bebês nascem assim. Na pública, 37%. Mais que o dobro da estimativa aceita pela Organização Mundial de Saúde, que é de 15%. Além dos riscos da cirurgia, os procedimentos considerados padrão para os partos feitos nos centros cirúrgicos acabam impedindo medidas que fazem bem para o binômio mãe-bebê, como amamentação na primeira hora e clampeamento tardio do cordão umbilical.

ENTENDA A DIFERENÇA:

Parto cesariana: cirurgia em que o bebê nasce por meio de uma incisão no abdôme e no útero da mãe.

Parto normal: é o parto por via vaginal.

Parto natural: ocorre quando não há intervenções externas ao trabalho de parto normal, sem induções ou administração de medicamentos.

Parto humanizado: acontece independente da via de nascimento, quando a equipe segue a política nacional do Ministério da Saúde e a parturiente é protagonista e tem seus direitos e escolhas plenamente respeitados.