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Produção de grãos gera até 300 mil empregos dentro e fora do Piauí, diz Aprosoja

Foto: Yasmim Cunha

O Piauí produziu em 2018, 4,2 milhões de toneladas de grãos, gerando mais de 300 mil empregos diretos, indiretos e induzidos dentro e fora do estado. Isso graças, por exemplo, às indústrias de máquinas, insumos. O destaque do setor foi um dos assuntos abordados pelo primeiro programa da série Viva Piauí que Trabalha, exibido nesta segunda-feira (14) pela TV Cidade Verde. Para Rafael Maschio, diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja), a receita com a produção ultrapassa os 4 bilhões de reais.

“O Piauí, como é muito dito, é a nova fronteira agrícola, então ainda tem muito a desenvolver nessa área do setor agropecuário, especificamente da agricultura e cultivo de grãos nos cerrados. Os mais de 4 milhões de toneladas de grãos geram mais de 4,5 bilhões em receitas para o estado. Essa receita bruta do setor agropecuário gera dentro e fora da porteira, mais de 300 mil empregos entre diretos, indiretos e induzidos”, afirmou o diretor em entrevista à TV Cidade Verde.

De acordo com Maschio, o Piauí cultiva hoje algo em torno de 1,5 milhão de hectares, sendo que aproximadamente 1 milhão se concentra na região do cerrado. “Isso num estado que possui mais de 25 milhões de hectares. Hoje, a gente ocupa aí cerca de 6%, 7% da área do estado”, ressalta.


Rafael Maschio, diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja)

Recentemente, uma pesquisa divulgada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revelou que o Piauí possui cerca de 1,7 milhão de hectares plantados para 7,8 milhões de hectares preservados. A média, de acordo com os especialistas, aponta para uma inversão positiva ao que exige o Código Florestal, que prevê a preservação de 20% da área usada para o plantio. O levantamento inédito, chamado de Análise Territorial do Cadastro Ambiental Rural (CAR), foi encomendado pela Aprosoja. No Piauí, de acordo com os produtores, o percentual aponta para a preservação de cerca de 80% da área diante de 20% usados na produção.

“Isso é uma preocupação de todo produtor. O produtor é quem mais dependente do meio ambiente para ter a sua atividade viabilizada. A gente tem uma estimativa que 2,5 milhões de hectares estejam disponíveis para o cultivo nos padrões de tecnologia usados atualmente. A mesorregião sudoeste do Piauí possui aproximadamente 10 milhões de hectares e está cultivando grãos em 1%”, disse o diretor, reforçando que a desinformação sobre o agronegócio ainda é evidente.

“Esse estudo mostra o que se produz e se preserva no estado. O grande problema que se tem nesse ponto é a desinformação. Os 224 municípios foram detalhados nesse estudo”, afirma.

Regularização de terras

Outro problema histórico enfrentado pelos produtores é sobre a posse da terra, o que, muitas vezes, trava investimentos.

“A falta de segurança jurídica é o principal gargalo para o incremento ainda maior da produção agrícola do estado. O produtor que não tem uma segurança no título de propriedade de terra para usar aquilo como garantia e levantar recursos para se investir, acaba dificultando. Ainda temos esse problema sério de questionamento das propriedades privadas do Piaui. O embate entre terra devoluta do estado e terra particular: estamos passando há muito tempo esse problema. Agora chegamos a um entendimento mais próximo do que a gente chancela, que é a garantia do direito à propriedade do produtor rural de boa fé, que chegou há 20, 30 anos, adquiriu suas terras, fez investimentos, valorizou a região e tem gerado riqueza”, finalizou.

 

Hérlon Moraes
herlonmoraes@cidadeverde.com