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Alunas de História da Ufpi denunciam assédio sexual de monitor do curso

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Duas estudantes do curso de História, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), registraram boletim de ocorrência contra um colega de turma por assédio sexual. Segundo o relato de uma das vítimas, que não quis se identificar, o rapaz é monitor e tem acesso às chaves das salas de professores e chegou a trancá-la para cometer os abusos.

A jovem diz que se aproximou do colega já no fim do curso, quando mudou de turno. Ele é tido como um aluno exemplar. 

“Muita gente já falava dele, por conta das notas e do bom desempenho, então nos aproximamos e começamos a estudar juntos, mas ele mudou de comportamento e eu estranhei, mas não quis tratá-lo mal”, disse. 

A estudante relata que recebeu repetidos convites para sair e que recusou todos, destacando que além de não ter interesse no colega, sabia que ele era casado e a esposa está gravida.

O fato que gerou a denúncia aconteceu há cerca de 15 dias. Os dois fariam uma prova e o rapaz convidou a estudante para estudarem juntos na sala de um dos professores. Por ser monitor, ele tem acesso às chaves. 

“Depois de algum tempo, dentro da sala, ele se aproximou tentou me beijar e trancou a porta da sala. Eu fiquei desesperada, com muito medo do que ele faria comigo, só conseguia pedir por favor, para que me desse as chaves e eu pudesse ir embora”, contou a universitária. 

Ela disse ainda que, inicialmente, não havia pensado em denunciar, mas com medo, conversou com colegas do curso e soube que não era a única vítima. Além disso, disse que o rapaz continuou a importuná-la.

A jovem passou a evitar ficar nos corredores da universidade, porque sempre era abordada pelo colega, que dizia estar apaixonado. Ela precisou mudar o número do telefone, porque as mensagens eram insistentes. Ela disse ainda que deixou de ir às aulas, por medo. 

Por fim, a estudante soube que uma colega também foi trancada em uma sala e que o ocorrido foi ainda mais grave: o rapaz chegou a tocar as partes íntimas da moça.

"A exposição que isso está me causando é terrível e eu estou muito abalada, mas vejo que a denúncia valeu a pena, porque tem outras colegas de curso criando coragem para denunciar que também foram vítimas”, afirmou. 

A jovem destacou que será realizada hoje a primeira audiência do caso. Ela informou ainda que a UFPI foi acionada e que os professores do curso de História protocolaram o pedido de procedimento administrativo. 

"Eu só quero que ele não se aproximo mais de mim, porque eu tenho medo de ficar perto dele, tenho medo do jeito que ele me olha e tenho receio que aconteça algo pior", finalizou a jovem.

Diferença entre estupro e assédio

Assédio sexual pressupõe componente de hierarquia, com a submissão. Por exemplo, quando o chefe tira vantagem sexual de uma funcionária. Se a mulher recebe cantada ofensiva, “passada” de mão ou é “encoxada” é “importunação ofensiva ao pudor” - contravenção penal, que não prevê cadeia (é aplicada multa). Se há violência ou ameaça, é “estupro”.
 
Estupro 

É qualquer ato sexual sem consentimento, com emprego de violência ou grave ameaça. Com menor de 14 anos, a presunção de violência é absoluta: qualquer ato é considerado “estupro de vulnerável”.

Em nota, a UFPI disse que o caso está sendo apurado e que a procuradoria jurídica já foi acionada.

Confira a nota na íntegra:

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) informa que o caso está sendo apurado. A Coordenação do Curso de História já comunicou o fato à procuradoria Jurídica para que todas as medidas necessárias sejam tomadas.

A Administração superior da Universidade Federal do Piauí repudia veemente qualquer forma de discriminação contra mulheres, violência física e psicológica, assédio moral, constrangimentos ilegais, discriminação de gênero, orientação sexual, raça e até mesmo padrão de beleza que reflitam o pensamento autoritário.

Todos os fatos, que chegam de maneira formal, por meio da ouvidoria ou denúncias pelas vias legais (coordenações, Chefias de departamento e diretoria de Centros) têm apuração rígida e as penalidades na forma da lei dando direito ao contraditório e a ampla defesa - uma vez que o princípio do contraditório, que é inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há de ser ouvida também a outra, dando a oportunidade de resposta.

A UFPI reitera o compromisso de zelar e defender a segurança dos estudantes e servidores para o pleno desenvolvimento das suas atividades acadêmicas e administrativas. Não obstante, na UFPI, como em qualquer outro lugar, é esperado que o cidadão acolha e compreenda o outro em sua integralidade e no respeito a heterogeneidade do ser humano.

Flash de Maria Romero
Redação Caroline Oliveira
redacao@cidadeverde.com

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