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Quem é o pai da Ciência?

Desde que comecei a escrever para o Ciência Viva procuro compatibilizar os textos aos períodos do ano. Assim dia das mães ou dos pais procuro temas compatíveis com o período. Ainda que, ceticamente incorpore estas datas como de cunho comercial, como escrevo para pessoas que se interessam por ciência devo, em respeito aos leitores entrar no clima de festa e homenagear aqueles que, para mim, merecem homenagens todos os dias.

Em homenagem ao Dia dos Pais, comemorado no segundo domingo de agosto, vamos falar hoje sobre o Pai da Ciência. Mas quem é o pai da Ciência? Lendo um pouco sobre história da Ciência entendemos que nomes da Grécia Antiga como Pitágoras ou Anaximandro, os precursores de explicações dentro de uma lógica que podemos considerar como um pré-método científico poderiam receber tranquilamente este título. Ao ler uma matéria da Ciência Hoje para as Crianças publicada em 2011 passei a concordar. O Pai da Ciência, sem qualquer dúvida foi Galileu Galilei.

Galileu Galilei. Fonte: https://saber-curiosidades.blogspot.com/2020/07/16-curiosidades-sobre-vida-e-o-legado.html

Galileu Galilei foi um físico e matemático nascido em Pisa e falecido em Florença, Itália, que viveu entre 1564 e 1642. Foi o responsável pela invenção de vários instrumentos dentre eles o compasso de Galileu e a Balança Hidrostática. Aperfeiçoou o Telescópio, uma invenção holandesa que lhe permitiu observações criteriosas do universo e descobertas como as crateras da Lua, quatro das 12 luas de Júpiter, os anéis de Saturno e a natureza fluida do Sol. Galileu foi o responsável pela Lei científica sobre a queda dos corpos e pela confirmação do Heliocentrismo (a ideia de que os planetas giravam em torno do Sol). Apoiar o descobrimento do astrônomo polonês Nicolau Copérnico de que os planetas giravam em torno do Sol, contrariando a ideia corrente de Aristóteles e Ptolomeu de que tudo girava em torno da Terra (Geocentrismo) chegou a lhe valer uma condenação pelo tribunal do Santo Ofício da Igreja Católica, na época comandada pelo Papa Urbano VIII. Felizmente Galileu chegou a sofrer sanções consideradas leves, como uma espécie de prisão domiciliar, mas seus livros foram listados no Index, uma espécie de lista proibida de obras da Igreja Católica.

Nesta época os livros foram publicados na Holanda, onde o Protestantismo já era vigoroso, e lá Galileu fez experimentos com o telescópio. Sua história dedicada a Ciência, junto aos riscos que correu por contrariar censores ignorantes que condenaram sua obra, o tornaram um verdadeiro exemplo para ciência. O Papa João Paulo II, no ano 2000, fez um pedido formal de desculpas a todos aqueles que haviam sido considerados hereges pela Igreja Católica, o que incluiu o ilustre cientista italiano, Galileu Galilei.

Assim, me referenciando em Galileu Galilei, o pai da Ciência (e de mais três filhos Virgínia, Lívia e Vincenzo), desejo a todos os que leem o Ciência Viva, um feliz dia dos Pais!

Boa semana para todos (as)!

 

P.S.: Um abraço especial ao Professor Francisco Soares Santos, a quem devo a honra de ter como meu pai.

COVID19: E a imunidade cruzada?

No estágio em que estamos com muitas pessoas contraindo a COVID-19 e algumas pessoas morrendo, o que vai aparecendo pela frente de novidade ficamos ávidos em conhecer e tentar investigar para dar, sobretudo, boas notícias ou esperanças reais.

Hoje vamos falar um pouco sobre Imunidade Cruzada. Todos sabemos que o SARS-CoV2, vírus que causa a COVID-19 é um vírus novo. Mas a sua família (a dos coronavirídeos) tem pelo menos 7 vírus que atacam humanos. Alguns destes vírus já circulam há décadas entre humanos nos causando gripes ou síndromes gripais sem problemas maiores. São eles

1) ?-229E; 2) ?-NL63; 3) ?-OC43; 4) ?-HKU1; 5) SARS-CoV; 6) MERS-CoV; 7) SARS-CoV2

Os quatro primeiros são causadores de gripes leves que normalmente acometem crianças. Os três últimos são os grandes vilões pelas epidemias que causaram. O SARS-CoV, é um vírus de origem zoonótica, depositado em um animal da fauna chinesa chamado Pangolim, iniciou em uma província chinesa, espalhou-se por 12 países entre 2002 e 2003. O MERS-CoV espalhou-se na Coreia do Sul em 2015 e também é de origem zoonótica, só que se deposita em camelos e dromedários. E agora o SARS-CoV2 que tem como depósito morcegos e causou este estrago razoável, dado o seu mecanismo de infecção.

Como estes vírus são todos da mesma família há a possibilidade de que, se o paciente tiver contraído uma virose com uma destas formas mais brandas, pode ter desenvolvido imunidade suficiente para não ser afetado pelo SARS-CoV2. Ou contrair a doença sem qualquer tipo de sintomas ou mesmo com sintomas leves.

Outra suspeita de imunização cruzada também recai sobre agentes patogênicos de outras doenças, cujas vacinas provavelmente podem servir para reforçar pessoas que, em tese, seriam mais resistentes em contrair o novo coronavírus. Esta suspeita tem recaído sobre pessoas, principalmente crianças, que tomaram a Vacina BCG, contra a Tuberculose (que é uma doença causada por bactérias) ou a Tríplice Viral que previne de Sarampo, Caxumba e Rubéola. Apesar de algumas evidências a Organização Mundial da Saúde ainda não tem uma posição segura sobre o tema.

Pelo sim, pelo não, seria muito interessante que a existência de vacinas para algumas doenças e já comprovadamente seguras pudessem dar garantias de reforço ao sistema imunológico contra este novo agente patogênico.

Em março passado, fiz uma viagem para o interior da Bahia e lá, no hall do hotel, havia um posto de vacinação de tríplice viral. Como estava com muito tempo que tinha tomado vacina contra o sarampo resolvi aceitar a dose. Coincidência ou não, eu e os dois colegas que comigo viajavam ainda não tivemos contato com COVID-19. Ouvi relatos de pessoas que estão na linha de frente contra a COVID-19 e que também se imunizaram para estas doenças e, até o momento também não contraíram COVID-19. Mas isso não é ciência. Por enquanto só pode ser tratado como uma coincidência.  

A Revista Science Advances da semana passada publicou um estudo que diz que os países que têm como obrigatório o uso da Vacina BCG na sua população tiveram as mais baixas taxas de morte por COVID-19. Isto é ciência, mas carece de uma explicação para tal.

Boa semana para todos (as) e até o próximo post.

COVID-19: a hora é de se reinventar

O mundo inteiro ficou de joelhos para esta doença que já chegou perto demais de todo mundo. Enquanto estava matando chineses ninguém por aqui se preocupava, nenhum leito novo de hospital era inaugurado e nem pensar em adiar o carnaval. A doença chegou no Brasil e está fazendo um estrago daqueles. Para os que perderam entes queridos tem sido mais difícil (não perdi nenhum parente, mas amigos queridos perderam e a dor deles também é a nossa dor). Para os que perderam seus empregos ou os negócios estão indo de mal a pior a marca da COVID-19 também vai ficando profunda. Mas um segmento vai ficando com marcas fortes também: a educação.

O pior de tudo, referente a educação, é a forma como as instituições se mexem diante do problema. É preciso ver que algumas instituições estão procurando alternativas: plataformas de ensino remoto com material em vídeo para ser assistido na hora que o estudante quiser (assíncrono) e encontros virtuais ao vivo (atividades síncronas). Isso para os estudantes mais jovens, da educação infantil e ensino fundamental, até para os estudantes mais velhos, do ensino médio, educação profissional e para o ensino superior. O que há de comum em todas estas realidades? Quem está correndo atrás, prioritariamente? São as instituições privadas. São aquelas que tem contratos com os pais e que dependem do pagamento de mensalidades. Há, neste sentido, um esforço superlativo. As faculdades, por exemplo, suspenderam suas atividades por uma ou duas semanas enquanto se adaptavam e retomaram o primeiro período de 2020. Microsoft Teams, Google Classroom, Cisco Webex, Google Meet, Zoom passaram a ser instrumentos de viabilização dos encontros entre estudantes e professores. As escolas estão procurando se alinhar para garantir para seus estudantes a melhor das experiências, ainda que todo mundo permaneça trancafiado em suas casas.

O mesmo não acontece com as instituições de ensino públicas. Na educação básica, a rede pública estadual tem procurado desenvolver atividades remotas, ou através das plataformas virtuais ou imprimindo materiais para os estudantes se manterem vinculados. Não está alcançando a todos, mas certamente consegue chegar em alguns locais. As universidades públicas, entretanto, só estão conseguindo chegar, em alguns casos, para os estudantes de pós-graduação. Há uma imobilidade que inquieta a todos. A instituição em que trabalho, de tão imóvel que sua administração está, levou dois meses para instalar o Comitê de crise. Interrompeu aulas no meio de um período especial. Alguns professores nem conseguiram concluir este período.

As pessoas se acomodaram muito de uns tempos para cá. Lembro, de quando era criança, que existia um programa de rádio chamado Projeto Minerva. A ideia era que as pessoas, mesmo distantes, conseguissem se manter estudando para fazer exames supletivos, utilizando para isso o rádio. Como sou filho de professores, tinha na minha casa alguns livros deste programa. Lembro ainda do cheiro das cartilhas feitas em papel jornal, com letras bem graúdas e capas padronizadas que mudavam apenas as cores de um ano para o outro.

Cartilha do Projeto Minerva.

Fonte: https://www.timetoast.com/timelines/aspectos-historicos-da-linguagem-do-radio-e-da-tv-na-educacao

 Fui pesquisar e achei no YouTube um áudio que reproduzo para vocês aqui abaixo.

No fim dos anos 1970 a Fundação Roberto Marinho também inovou com as aulas do Telecurso 2º grau. Muita coisa interessante. Por que estou comentando estas experiências? Porque o Estado do Piauí tem um canal de TV aberta e rádios. Porque a Assembleia Legislativa do Piauí tem um canal de TV que chega em praticamente todos os lugares do Estado e uma rádio de excelente qualidade. Porque embora a internet não alcance o Estado todo, existem outras formas de tentar planejar uma situação alternativa. Acompanhei pelas redes sociais as lamentações de estudantes da UESPI ao saberem que o Calendário Acadêmico foi postergado por tempo indeterminado. Percebi que tem muita gente preocupada com o seu futuro. Senti o peso de um comentário que disse “...não dá para nos calar diante de posição da faculdade (...) e também é desumano mexe(r) com sonho(s)...”. Entendo a posição dos gestores, porque sua autonomia é baseada na vontade superior, mas penso que o que a comunidade quer é ver alguma proatividade.

Em tempo: o Projeto se chamava Minerva porque Minerva era a deusa grega da sabedoria.

É hora de se reinventar...

Boa semana para todos (as).

COVID-19: é possível matar o que não está vivo?

Desde que a COVID-19 se estabeleceu como pandemia, cientistas do mundo todo se puseram a pensar sobre como interromper esta doença que derruba recordes diariamente e já se firmou como a doença mais tenebrosa do século XXI, que agora que ainda está finalizando sua segunda década.

As pesquisas atacam diferentes nuances do processo infeccioso. Para entender melhor, vamos explicar um pouco mais sobre o vírus e a doença, e entender por que algumas medidas são efetivas e outras não.

1) COVID-19 é como chamamos a doença provocada por um vírus chamado SARS-CoV2. É comum jornalistas e entrevistados chamarem “o COVID-19” numa referência ao vírus, quando o correto é “a COVID-19”, pois estamos falando da doença. O vírus se chama SARS-CoV2, isso porque em 2002 tivemos uma epidemia com SARS-CoV, mas que ficou restrita a doze países, incluindo o Brasil, que chegou a ter mais de 800 mortes provocadas por este vírus.

2) O SARS-CoV2 é um vírus da família Coronaviridae, porque são esféricos e possuem projeções que lembram uma coroa, daí o nome Corona (coroa em latim). Os vírus apresentam uma estrutura bem simples. Os vírus são entidades que atuam como “parasitas intracelulares obrigatórios”. Isso quer dizer que só manifestam atividade biológica quando estão no interior da célula do seu hospedeiro. Por isso dizer “vamos matar o coronavírus” soa muito estranho. É possível “matar” quem não está vivo?

Estrutura do SARS-CoV2: envelope viral (em azul) e  o material genético do vírus (em tons avermelhados). Fonte da Figura: Site da SBAC. 

3) Os vírus têm uma estrutura muito simplificada: apresentam material genético (que pode ser DNA ou RNA) envolvido por uma cápsula ou envelope viral formada por lipídios e proteínas. No caso do SARS-CoV2 existem algumas particularidades. Eles têm como material genético o RNA de fita simples. Isso significa que mais rapidamente se reproduzem: ao penetrarem nas células hospedeiras o RNA rapidamente forma uma fita molde que “escraviza” os recursos genéticos da célula hospedeira, que passa a produzir sequências de RNA do vírus. Ou seja: nossas células produzirão novos vírus, usando recursos do nosso próprio corpo. O RNA de fita simples também tem como a característica a possibilidade maior de sofrer mutações mais rapidamente. Isso pode ser bom, pois pode produzir uma linhagem viral que perca a força de se disseminar e causar tantas mortes. Mas pode ser ruim, pois pode produzir uma linhagem ainda mais virulenta, que modifique muita coisa como a forma de infecção e até a sintomatologia da doença. Isso tudo será fruto do acaso.

3) O envelope viral do SARS-CoV2 é formado por uma dupla camada de lipídios. Então, quando lavamos as mãos com água e sabão ou detergente, o vírus simplesmente se desintegra. É como se estivéssemos lavando pratos engordurados: ao misturarmos água e detergente a gordura se desfaz, dissolvendo o envelope viral. Este é o efeito dos saponáceos e também do álcool, outro desintegrador de gorduras.

4) Já falamos que o vírus tem umas projeções (que o faz lembrar uma coroa - as estruturas com bolinhas amarelas da figura). Estas projeções são chamadas de Espículas e são feitas de proteínas. Elas são muito importantes no sucesso reprodutivo do vírus. Estas espículas é que são reconhecidas quimicamente pelas células das nossas mucosas (boca, nariz e olhos) e por isso as células aceitam o vírus infectá-las. Como nossas portas de entrada do vírus são as mucosas é este motivo que se recomenda o uso de máscaras. Assim quando alguém diz que tem o direito de andar sem máscara, está dizendo na verdade “tenho direito de permitir que o vírus chegue mais fácil nas minhas mucosas”.

5) Como já vimos que o vírus não “morre”, fica fácil entender porque, a rigor, medicamentos que matam protozoários, como a hidroxicloroquina (medicamento que combate muito bem o Plasmodium, causador da malária), e que eliminam vermes, como a ivermectina, propagados e usados nos protocolos de muitos hospitais, não são, comprovadamente, drogas que combatam o SARS-CoV2. Se assim fossem, há muitos anos já estaríamos usando-os para eliminar outros vírus. Ensaios laboratoriais determinaram alguma eficiência para estas e outras drogas, mas, definitivamente, não apresentam comprovação contra este vírus. Mas como todo medicamento, as drogas terminam pressionando o fígado, que é órgão do nosso corpo que retira impurezas. Este excedente de drogas pode comprometer a saúde hepática, por isso nunca devem ser usados sem o consentimento médico.

Agora que já está sabendo algumas coisas mais técnicas sobre o SARS-CoV2, que tal rever o que estava sabendo pelas redes sociais e jogar no lixo? Bom para você e bom para todos com quem se relaciona mais de perto.

Boa semana para todos (as).

CEE-PI sob nova Presidência

O Conselho Estadual de Educação do Piauí, órgão regulador do Sistema Estadual de Ensino do Piauí, mudou na última quinta-feira, 16 de julho, seu comando. Assumiu o CEE a Profª Maria Margareth Rodrigues dos Santos, tendo como Vice-presidente a Profª Viviane Fernandes Faria, para o biênio 2020-2022.

A Profª Margareth é pedagoga formada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Possui especialização em Administração Educacional pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Faculdade Santo Agostinho (FSA) e mestrado profissional em Gestão Educacional pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Atualmente é Diretora Acadêmica do Colégio São Francisco de Sales (Diocesano) e é professora aposentada da rede pública estadual onde atuou durante muitos anos. Trata-se de uma educadora completa, mas tem apreço pela Educação Especial. Atualmente está na finalização do seu quarto mandato como membro do Conselho Estadual de Educação, onde atua em várias frentes como a Comissão de Educação Especial e a Comissão de Educação Superior.

Cons. Margareth Santos. Fonte: CEE-PI.

A Profª Viviane é bacharel e licenciada em Psicologia pela Universidade Católica de Santos e especialista em Gestão de Processos Comunicacionais pela Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo. Profª Viviane foi diretora de Políticas de Educação do Campo, Educação Indígena e Relações Etnorraciais da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação e consultora da Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), além da Secretaria-Executiva da Rede Primeira Infância do Piauí. Entre outros temas, a Profª Viviane é uma apaixonada pela Educação Especial. No CEE está no seu primeiro mandato e atua nas Comissões de Educação Especial, Educação Superior e de Municípios.

Cons. Viviane Faria. Fonte: CEE-PI.

Como se vê, a partir do currículo das conselheiras, o CEE-PI está nas mãos de duas educadoras que primam principalmente pela Educação Inclusiva.

Estive, nos últimos 11 meses, a frente desta casa e a tenho como um lugar de grandes aprendizados. Sou professor há 34 anos, dos quais 12 estive como membro deste colegiado. Lá aprendi com grandes educadores como as duas professoras que hoje dirigem a casa e grandes mestres como Diogo Airemoraes Soares, Antonio Fonseca dos Santos Neto, Socorro Cavalcanti, Eliana Mendonça, Conceição Castelo Branco, Santana Neri, Marta Freitas, Ribamar Torres, Pe. Wellistony Viana, Carlos Alberto Pereira da Silva e muitos outros.

O CEE-PI é, como falei no início deste texto, o órgão normativo da educação básica e ensino superior ofertado pelo Estado, no caso  a Universidade Estadual do Piauí (UESPI). É um órgão vinculado à Secretaria Estadual de Educação e que merece um olhar mais cuidadoso por parte dos governantes. Na minha opinião, o Governo deve olhar muito melhor.

Boa semana para todos (as).

Emirados Árabes mandarão missão para Marte

Hoje, 15 de julho, os Emirados Árabes Unidos, uma pequena nação situada no Golfo Pérsico entrou para uma elite formada por potências mundiais como EUA, Rússia, consórcio de países europeus e  Índia e mandou uma missão espacial para o Planeta Marte, segundo matéria da Revista Science publicada dia 10 de julho.

Trata-se da Emirates Mars Mission (EMM, Missão Marte dos Emirados, em tradução livre), usando o satélite Hope que ficará na órbita de Marte e chegará lá lançado por um foguete japonês, com chegada prevista para fevereiro de 2021. A ideia é colocar o satélite em posição melhor do que os atuais seis satélites que se situam em órbitas polares em relação ao planeta vermelho.

O satélite será composto basicamente de uma câmera e um espectrofotômetro infravermelho que coletarão informações sobre a atmosfera marciana com dados como poeira, ozônio e umidade na atmosfera inferior e um espectrofotômetro ultravioleta que captará dados como oxigênio, hidrogênio e monóxido de carbono na atmosfera superior.

A missão já é vista como uma grande revolução educacional na pesquisa do país. Depois do lançamento do projeto o número de estudantes nas áreas de Física e Astronomia mais do que dobrou, ocupando cinco novos programas de graduação e um programa de pós-graduação em física no país.

O programa espacial do país deu início em 2014 a partir da parceria com EUA. A missão já é aguardada com ansiedade por pesquisadores que investigam as condições atmosféricas e ambientais do Planeta Marte.

Às vezes não adianta somente investir recursos em pesquisa. É preciso ter audácia de querer mudar as coisas a partir da base. Isto é muito bom para os jovens estudantes dos Emirados Árabes Unidos.

Boa semana para todos (as).

 

Razão Áurea

Você já ouviu falar em Razão Áurea? Razão é como chamamos o resultado de uma divisão. 10 dividido por 2 é igual a 5. Ou seja, 5 é a razão de 10/2. Áurea vem da palavra Aurus, que quer dizer ouro em latim. Então o que chamamos de Razão Áurea?

Numa pesquisa rápida na internet descobrimos que razão áurea ou proporção áurea é uma constante real algébrica irracional, representada pela divisão de uma reta em dois segmentos desiguais (a e b) sendo que quando a soma destes dois segmentos é dividida pelo valor da parte maior do segmento chega-se a um resultado aproximado de 1,61803398875. Este valor é chamado de número de ouro, representado pela letra grega phi (?), inspirado no arquiteto grego Phidias que criou o conceito. Phidias foi um dos projetistas do Parthenon, obra século V a.C. da Grécia Antiga.

Afinal, o que tem de tão especial nesta observação meramente matemática? Leonardo Fibonacci, nascido por volta de 1170 na cidade italiana de Pisa, considerado um dos maiores matemáticos da idade média e um dos responsáveis pela introdução dos números hindu-arábicos na Europa, foi uma das pessoas que estudou a fundo a razão áurea.

Fibonacci descobriu o que ficou conhecido como sequência de Fibonacci. Trata-se de uma sequência numérica infinita iniciada por 0 e 1 e sequenciada pela soma dos dois números antecessores. Assim a sequência inicia assim: 0, 1, 1 (0+1), 2 (1+1), 3 (1+2), 5 (2+3), 8 (3+5), 13 (5+8), 21 (8+13)... e assim por diante. O físico Johannes Kepler descobriu que a taxa de crescimento dos números da sequência de Fibonacci tende a ser representada pela razão áurea.

O que é mais interessante nisso tudo é que na natureza várias coisas são definidas por esta razão. A espiral da concha de um caramujo, por exemplo. Ou a disposição das flores em um capítulo de um girassol, obedeceriam a esta razão áurea, por um simples capricho da natureza!

O vídeo a seguir mostra um pouco deste entendimento.

 

 

NATURE BY NUMBERS from Cristóbal Vila on Vimeo.

 

Pelo sim, pelo não, quero crer que certo mesmo estava William Shakespeare que em Hamlet fala: "há mais mistérios entre o céu e a Terra do que a vã filosofia dos homens pode imaginar"...

Boa semana para todos (as)... Até o próximo post...

COVID19: modelos SIR e SEIR

Acompanhe o vídeo apresentado pelo epidemiologista Altay de Souza no qual ele explica as curvas de contágio de doenças como a COVID19.

De modo simples e bastante didático ele explica em que se baseiam as medidas de isolamento social propostas para evitar que mais pessoas contraiam esta nova Síndrome Respiratória Aguda que deixou gestores e governos sem saber direito o que fazer. As explicações ajudam você a entender porque algumas medidas de distanciamento continuam sendo necessárias.

Bom proveito e boa semana!!!

A história do “menino da internet”

Nestes tempos de pandemia observamos que as desigualdades se tornaram bastante acentuadas. Especialmente, quando falamos de educação. Enquanto estudantes de escolas privadas dividem o seu tempo entre videoaulas e lives com seus professores, muitos estudantes de escolas públicas aguardam o sinal de internet que não os alcança, ou tentam acompanhar os conteúdos por meio de material impresso. O mesmo ocorre nas instituições de ensino superior: enquanto estudantes de instituições privadas assistem aula de seus professores através de plataformas online, os de instituições públicas ainda esperam suas IES sinalizarem algo para a continuidade dos seus estudos.

O mundo acadêmico sempre teve este apartheid, especialmente quando nos referimos ao acesso às publicações científicas das grandes empresas de editoração de revistas científicas que cobram muito caro para que se alcance produções acadêmicas.

Muitos pesquisadores defendem que os dados científicos devem ser abertos, para que a ciência cresça de modo colaborativo. Mas as editoras dos principais periódicos acadêmicos têm políticas próprias de assinatura e acesso o que dificulta um acesso mais amplo, dificultando que mais pessoas possam deter mais conhecimento e interferindo até na reprodutibilidade da ciência, um dos seus pilares mais importantes.

Nos anos 2000 um jovem prodígio norteamericano chamado Aaron Swartz tentou mudar isso meio que na marra. Como um defensor de uma ciência de dados abertos, o jovem Aaron acessou o repositório de artigos da gigante Jstor a partir de uma invasão no sistema do MIT e foi pego pela segurança do instituto. Preso por violação dos direitos autorais, mas defendendo a bandeira de que os recursos arrecadados com o compartilhamento pago aos artigos deveriam ir para seus autores e não para as editoras, ao sair da prisão, Aaron comandou uma verdadeira cruzada pelo acesso ao conhecimento científico.

A história de Aaron que, aos 12 anos criou uma espécie de Wikipedia para acesso da sua família e seus amigos e aos 13 anos foi um dos criadores do RSS feed (RSS significa Rich Site Summary, ou Resumo do site completo, em tradução livre), mecanismo que permite que se colete rapidamente todas as atualizações sobre determinado tema na internet, aponta para um gênio em ebulição. Depois da prisão e de não aceitar um acordo onde ficaria preso por um tempo curto desde que deixasse a militância pelo acesso livre de dados, Aaron foi encontrado morto em seu apartamento em Nova York, aos 26 anos.

A história de Aaron foi contada em um vídeo que disponibilizo abaixo para quem quiser conhecer mais detalhadamente sua cruzada em defesa do acesso livre e ao compartilhamento de dados abertos, especialmente em nome da coletividade.

Em tempos de pandemia, a história de Aaron precisa ser difundida, pois a humanidade está correndo riscos de ser extinta. O desequilíbrio econômico provocado pela pandemia, a insegurança dos gestores nas tomadas de decisão, a corrupção dos aproveitadores no desvio de recursos públicos em razão da situação de calamidade, a falta de investimento na pesquisa científica, a desnecessária briga política (cenário exclusivo do Brasil), a desnecessária briga de egos e de recursos econômicos entre o uso de medicamentos patenteados e protocolos com medicamentos de patente quebrada, precisam ser revistos.

Boa semana para todos (as).

Educação: quando retornam as aulas presenciais?

Um dos setores mais afetados do mundo durante a pandemia de COVID-19 foi a Educação. Isso porque, naturalmente, há aglomerações nas escolas e, quanto mais jovem é o estudante, mais difícil é determinar os cuidados necessários para evitar a contaminação: 1) difícil manter o distanciamento social; 2) complicado impor as corretas formas de higienização; 3) e determinar o uso correto de máscaras.

Pensar em uma volta agora está complicado. Depende das condições sanitárias de cada lugar e dos índices de contaminação, bem como da relação com a lotação de hospitais. Por isso, praticamente todos os conselhos de educação do Brasil, reagiram rapidamente e dispuseram normas, todas em consonância com a legislação vigente, para aproveitamento das atividades desenvolvidas de modo remoto, cuidando para que estas, considerando o período de excepcionalidade, pudessem ser computadas.

O Governo Federal expediu Medida Provisória, abrindo mão do mínimo de 200 (duzentos) dias de efetivo trabalho escolar, conforme a LDB, mas considerando a manutenção das cargas horárias exigidas em lei. Para as universidades e faculdades, atividades presenciais dos cursos podem ser substituídas por atividades remotas, com exceção de atividades práticas e de estágios. As instituições privadas se ajustaram rapidamente. As instituições públicas, na sua grande maioria, só conseguiram organizar as aulas remotas para a pós-graduação. Além das dificuldades inerentes de carência de recursos tecnológicos, muitos professores não se sentem seguros para esta adaptação e o lado mais fraco, o dos estudantes, não dispõe, também em sua grande maioria, de condições tecnológicas e de internet suficiente para acompanhar atividades remotas. A situação está fazendo com que cada IES repense sua própria situação. Em algumas instituições a incompetência e a dificuldade dos dirigentes em contornarem a crise tem sido desnudada.

Em nível nacional, se discute como ocorrerá o retorno. Nos países onde o retorno está acontecendo, muitas situações têm se verificado. Alguns países retornaram atividade com parte dos estudantes, outros adotaram sistemas híbridos que combinam atividades presenciais e remotas. Outros países retornaram e tiveram que paralisar atividades novamente. Países que iniciam suas atividades letivas no meio do ano, postergaram o início. Existem situações diversas. Inclusive aqueles que já admitem, pela atipicidade da situação, um ano letivo com regras totalmente distintas.

Como Presidente do CEE/PI, participei de uma reunião com o Conselheiro Eduardo Deschamps, do Conselho Nacional de Educação, em uma discussão sobre a implementação do Novo Ensino Médio, que teve cronograma atrapalhado em função da pandemia. Ele nos alertou que vamos nos deparar com a necessidade de regulamentar, de modo especial, uma matriz curricular que considere um continuum para os anos letivos de 2020/2021. As mudanças previstas para o ENEM em 2023 passaram para 2024, ou provavelmente sigam mais para frente, adiando a implementação do currículo do Novo Ensino Médio. Não tem sentido marcar data para implantar currículo novo se nem conseguimos saber quando as aulas presenciais retornam.

Seguimos cobertos de dúvidas, torcendo para a ciência chegar logo num antiviral que atue contra o SARS-Cov2 ou uma vacina que o previna com eficácia.

Para a educação, repensemos algumas práticas que precisavam de uma pandemia para virarem o epicentro das discussões.

Boa semana para todos (as) e se puderem, permaneçam em casa.

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