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Sistema híbrido: funciona?

Desde que a pandemia de COVID-19 se instalou no Brasil, as escolas, faculdades e universidades tiveram suas atividades paralisadas. As faculdades privadas, mais ágeis, buscaram imediatamente treinar seus professores e passaram a oferecer aos seus estudantes aulas online, utilizando os mais diversos tipos de plataforma. As universidades públicas reagiram mais rapidamente no sistema de pós-graduação, que praticamente não chegou a parar, mas demorou demais para achar um meio de atender aos seus estudantes da graduação. Algumas instituições, como a Universidade Estadual do Piauí, demoraram muito para reagir. A UESPI levou dois meses só para instalar seu Comitê Gestor de Crise para a retomada das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

No segmento da educação básica, as escolas privadas, a exemplo das faculdades, procuraram rapidamente se adequar ao ensino remoto e proporcionaram para as crianças um novo meio de aprender, usando estratégias variadas como aulas remotas ao vivo ou assíncronas e, por vezes, marcando atividades presenciais, guardando toda a segurança necessária, para manter o vínculo das crianças com o ambiente escolar. No setor público, as crianças já não tiveram a mesma sorte. Embora o sistema estadual de ensino tenha prontamente recebido por parte do Conselho Estadual de Educação toda a regulamentação, as reações do setor público foram bem mais lentas do que no setor privado. Todavia, foram feitos esforços para integração dos estudantes à nova realidade, incluindo a distribuição de material didático para os estudantes e a transmissão de aulas pela internet e pela TV, a partir de acordos firmados com canais digitas da TV aberta.

Para 2021, o governo do Piauí autorizou, em 09 de janeiro, o protocolo para o desenvolvimento de atividades híbridas. Em resumo, as escolas dividirão seus estudantes em dois grupos: a) o grupo de estudantes que optarem por atividades 100% remotas e; b) o grupo que terá as atividades híbridas, ou seja, metade virá a escola assistir as atividades presenciais, enquanto metade assistirá de casa. Este grupo se revezará vindo a escola ou ficando em casa de modo alternado. Algumas escolas, além de transmitir conteúdos ao vivo também disponibilizarão as aulas gravadas, o que permitirá que os estudantes possam rever quando sentirem necessidade. A educação infantil funcionará 100% presencial, com todos os cuidados para manutenção do distanciamento entre as crianças, treinamento dos professores e funcionários e uma série de medidas que nos fazem acreditar que funcionará muito bem. As crianças são menos suscetíveis a ação do SARS-CoV2, mas de qualquer forma os pais poderão optar por continuar com atividades remotas, se assim o preferirem.

Será que o sistema híbrido irá funcionar? Há fortes indícios de que sim. Há um esforço de todos os entes para que as escolas em 2021 funcionem, ainda que de forma incompleta, pois substituir bruscamente as atividades inerentes ao ambiente de aprendizado da escola não é fácil, ainda que o sistema remoto tenha sido pensado, planejado e bem executado. Aliás não tem sido fácil para ninguém.

Enquanto a vacina não chegar para todos e não cumprir a missão de imunizar as pessoas, pelo menos destas primeiras cepas do vírus, ainda vamos ter que contornar a vida “normal” com estas adaptações. O principal é que o segmento mais importante para emancipação das pessoas – a educação – estará de volta com a força total que lhe é permitida para o momento.

Boa semana para todos e todas.

 

Piauienses contra a COVID-19: a arma agora é o Jaborandi

Fonte: https://www.queplantaeessa.com.br/jaborandi-de-folha-pequena-pilocarpus-microphyllus/

Mais uma pesquisa desenvolvida por cientistas radicados no Piauí aponta resultados positivos contra o agente causador da COVID-19, o coronavírus SARS-CoV2. Agora, compostos extraídos de uma planta já fortemente usada pelos laboratórios farmacêuticos europeus e bem comum nas matas do Piauí e do Maranhão: o jaborandi.

A descoberta veio do grupo de Química Quântica Computacional e Planejamento de Fármacos (QQC&PF), liderado pelo Prof. Dr. Francisco das Chagas Alves Lima. O grupo já trabalhou com compostos extraídos do buriti, o que gerou grande repercussão nos meios de comunicação graças ao post publicado pelo Ciência Viva. Relembre aqui.

Desta vez o objeto de pesquisa são substâncias extraídas da planta Pilocarpus microphyllus Stapf ex Wardleworth, conhecida no norte e nordeste do Brasil pelo nome popular do jaborandi. Esta planta, que é da família botânica das Rutáceas (mesma família da laranja e do limão) já é amplamente usada na medicina, especialmente em função da extração de substâncias como a pilocarpina, usada para reduzir a pressão intraocular, no controle do glaucoma. Mas de uma forma geral o uso do jaborandi vai além de doenças oftalmológicas: é usado contra gripe, febre, inflamação, pneumonia, asma, diabetes, reumatismo, dentre outras doenças.

O estudo foi publicado pela revista Molecular Simulation com o título original de “In silico study of the interactions of Pilocarpus microphyllus imidazolic alkaloids with the main protease (Mpro) of SARS-CoV-2”. Trata de um estudo in silico, no qual são feitas simulações computacionais utilizando a estrutura de moléculas extraídas da planta. Foram testadas 10 moléculas da planta: pilosina, isopilosina, epiisopilosina, epiisopiloturina, pilocarpina, isopilocarpina, pilocarpidina, isopilocarpidina, pilosinina e 13-nor-7(11) -dehidro-pilocarpina. Destas quatro mostraram maior afinidade em se relacionar com a Mpro, uma protease encontrada no capsídeo viral do SARS-CoV2. Foram elas: Epiisopiloturina (EPR), Epiisopilosina (EPS), Isopilosina (IPS) e Pilosina (PS).

Eu conversei com o Prof. Francisco Lima, que me explicou que estes quatro compostos possuem uma interação muito forte com a enzima Mpro, uma protease que constitui o spyke do vírus da COVID-19. “O artigo traz na tabela 4 os parâmetros de afinidade molecular entre as substâncias do jaborandi e a enzima do vírus”, explicou Chicão, como é mais conhecido o Prof. Francisco Lima, no meio acadêmico. O artigo foi publicado pelos pesquisadores Ézio Sá (IFPI), Allan Costa (IFPA), Rayla Costa (UESPI), Janilson Souza (IFMA), Ricardo Ramos (IFPI) e Francisco Lima (UESPI).

O estudo publicado tem o importante papel de indicar que as substâncias do jaborandi são promissoras no desenvolvimento de fármacos contra a COVID-19. Entretanto, a etapa concluída (In Silico) requer continuidade em etapas In Vitro (testes laboratoriais) e In Vivo (testes com cobaias vivas). Assim, embora seja uma notícia alvissareira, ainda serão necessários muitos estudos para obtenção de algo mais efetivo contra a doença. Ao publicarmos estes resultados, nossa intenção é valorizar o trabalho feito por pesquisadores que obtêm resultados formidáveis com poucas condições de trabalho. Outro objetivo seria deixar os tomadores de decisão envergonhados. Acho que este segundo objetivo não é tão bem sucedido assim, mas tá valendo.

Avante, ciência!

Até o próximo post...

 

Enfim, a vacina

Talvez a melhor notícia do ano tenha sido protagonizada pelos pesquisadores e dirigentes do Instituto Butantan de São Paulo ao anunciarem, em 06 de janeiro de 2021, o resultado dos ensaios da terceira fase da vacina Coronavac produzida pelo instituto em parceria com a gigante farmacêutica chinesa Sinovac.

 

Fonte: Rodrigo Lima, Diário Digital.

Os resultados divulgados apontam para uma eficácia de 78% na prevenção de casos leves de COVID-19, com dados obtidos a partir de uma pesquisa com 12000 voluntários. É importante salientar que parte destes voluntários não recebeu a vacina: o chamado grupo controle passa pelo mesmo protocolo de “receber a vacina”, mas na verdade é inoculado com o placebo, substância que não tem o princípio ativo da doença. A medida serve exatamente para o teste de eficácia, pois o grupo inoculado com o placebo deve adoecer normalmente, enquanto os que receberam a vacina de verdade devem ficar imunizados.

A Science, no seu boletim de notícias da semana, enfocou também a dificuldade de relação entre o Instituto Butantan e a Sinovac na divulgação dos dados mais esmiuçados. A justificativa é de que estes dados ainda serão submetidos e publicados em periódicos científicos. Eu, particularmente, vejo como uma tentativa de proteção de dados da Sinovac para se esquivar da ridícula briga política que existe aqui no Brasil protagonizada pelo Presidente da República e o Governador de São Paulo.

A ciência tem procurado diferentes caminhos para livrar-nos dos efeitos desta doença, ainda não totalmente. Além da possibilidade de imunização, o que seria feito por meio da vacinação, outras estratégias estão sendo testadas. Em outro post, já tínhamos falado sobre as principais vacinas em desenvolvimento contra o SARS-CoV2, espalhadas por diferentes regiões do mundo (reveja aqui), além de muitas informações sobre a COVID-19.

Esperamos que estas boas notícias virem rotina neste ano de 2021.

Até o próximo post...

Os olhos da Ciência em 2021

A Revista Science da semana que passou apontou uma série de áreas que merecerão destaque em 2021 apesar da COVID-19. Falo apesar desta doença porque existem atualmente muitos esforços, espalhados pelo mundo inteiro (e eu já falei disso várias vezes aqui no Ciência Viva) buscando vacinas, medicamentos, novas formas de tratamento, novas formas de proteção, novas formas de diagnóstico, ou seja, novos meios para se enfrentar a doença do século XXI.

Cientistas do mundo inteiro contam com barreiras, como é o caso do britânicos, às voltas com o Brexit, os brasileiros, às voltas com os cortes volumosos de recursos e a ingerência do Presidente da República na nomeação dos reitores e um alento para os pesquisadores do EUA, com a eleição do democrata Joe Biden. Aproveito para, neste primeiro post de 2021, reproduzir de forma suscinta quais os desafios que serão notícia em 2021.

Aquecimento global

Apesar do atraso provocado pela pandemia, os pesquisadores vinculados ao IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) finalizaram e estão prestes a divulgar o novo relatório dando conta dos avanços do aquecimento global. Com estes dados atualizados será possível, com maior exatidão, ver o avanço do derretimento das calotas polares, das ondas de fogo e calor e as medidas tomadas para compensação dos problemas.

Saúde Pública

A Organização Mundial de Saúde designou 10 pesquisadores que atuam na área de virologia para mapeamento de parentes próximos do SARS-CoV2, incluindo a confirmação da sua origem, na região de Wuhan. A ideia é prevenir futuros vírus pandêmicos. O grande desafio é vencer a desconfiança política existente entre EUA e China, gerada pelo disse me disse puxado pelo Presidente Donald Trump.

Doenças infecciosas

Apesar dos esforços em gerar vacinas eficientes na prevenção à COVID-19, a indústria farmacêutica insistirá no desenvolvimento de fármacos visando o combate à infecção da pneumonia viral provocada pelo SARS-CoV2. A ideia é partir para o desenvolvimento de drogas que combatam o ciclo viral com maior eficiência e que possa minimizar os efeitos de doenças provocadas por novos vírus que possam surgir, assim como o Remdezivir e outras drogas, não projetadas contra a COVID-19, ajudaram a resolver alguns quadros infecciosos.

Ciência espacial

Ao todo já foram enviadas 18 sondas espaciais para Marte, como o Rover Curiosity que completou em agosto oito anos que pesquisa a superfície do Planeta Vermelho. Este ano mais duas sondas serão enviadas: a americana Perseverance, com a ideia de coletas amostras do solo marciano e retornar para a Terra e a chinesa Tianwen-1, que será o primeiro avanço chinês rumo à pesquisa em Marte. Vamos aguardar novidades nesta exploração.

MARS Rover. Fonte: NASA.

Microscopia

Os pesquisadores que atuam observando ultraestruturas e moléculas avançarão mais ainda em 2021, com aperfeiçoamento de técnicas de microscopia crio-eletrônica (Cryo-EM). A Cryo-EM e a Cristalografia de Raios-X serão usadas na investigação de moléculas úteis à saúde humana e no estudo da causa de doenças provocadas pela disfunção de determinadas moléculas, como proteínas, por exemplo.

Astronomia

A NASA já está pronta para lançar, o que está previsto para outubro, o Telescópio James Webb que será o substituto do Telescópio Hubble. Com uma capacidade seis vezes maior que o Hubble na captação de luz, o Webb já consumiu um orçamento de 8,8 bilhões de dólares e será lançado pelo foguete europeu Ariane 5 em uma base na Guiana Francesa.

Telescópio Hubble. Fonte: NASA.

Energia

2021 será o ano em que o Joint European Torus (JET), um reator nuclear existente no Reino Unido, será alimentado novamente com uma mistura de isótopos de Hidrogênio Deutério-Trítio (DT) visando gerar um maior aproveitamento energético. Os testes servirão para o planejamento de um reator ainda maior em construção na França chamado ITER.

Nutrição

Um estudo desenvolvido de forma pioneira no Bangladesh com 60 crianças desnutridas, poderá subsidiar grandes programas de reparação dos microbiomas intestinais, efeito da desnutrição em bebês. A pesquisa está usando um suplemento alimentar feito de grão de bico, banana, farinha de soja e amendoim de baixo custo e está obtendo excelentes resultados.

Conservação dos mares

A ONU está fechando um novo tratado visando a conservação dos mares e oceanos que estão fora da jurisdição dos países detentores de zonas litorâneas e marítimas. A ideia é criar Áreas Marinhas Protegidas com a finalidade de preservar a biodiversidade marinha. Para isso está sendo criado um novo organismo que funciona nos moldes do que preserva a região da Antártida.

Arqueologia

Em 2021 estudos combinando técnicas de estudos do DNA associado com o exame de microfósseis e patógenos extraídos de ossos, dentes e fezes fossilizadas pretendem responder perguntas clássicas como por exemplo: Qual a origem territorial dos filisteus da Bíblia? Qual a identidade dos primeiros anglo-saxões e gregos da Europa? Ou mesmo: qual a origem das múmias da China e do Egito? Muitas respostas sairão desta combinação de investigações.

Estas e muitas outras pesquisas farão de 2021 um ano cheio de novidades no campo da Ciência. Vamos esperar e torcer por um ano melhor.

Boa semana para todos e todas e até o próximo post...

Esperança em 2021

Não seria de assustar se todo mundo com quem falássemos detonasse o ano de 2020, como um ano que devemos esquecer, como um ano que devemos tomar como lição para decidir uma porção de coisas para o futuro. 2020 de fato foi um ano para focarmos e deixar ali do lado, não para esquecermos, e sempre que necessário, revisitar fatos que ocorreram.

Enfrentar a pandemia de uma doença que a ciência não conhecia nada e finalizar o ano com milhares de perdas pelo mundo, mas uma série de vacinas já em fase de teste e outras já sendo aplicadas é, no mínimo, uma prova de resiliência. Uma prova de que o homem sabe criar problemas, mas também sabe resolvê-los. Mas quais as principais lições o ano de 2020 deixa para levarmos para os anos que vem? Fiz uma pequena lista de sugestões a serem adotadas baseada na minha percepção. Quem não quiser concordar fique à vontade.

1) Viva todos os dias de forma intensa. Intensidade não significa fazer coisas loucas, sem sentido. Significa aproveitar cada momento. Visite seus parentes, dê atenção aos mais velhos e aos mais novos. Converse com as pessoas que te consideram e gaste seu tempo desta forma, para não se arrepender depois. Vi muitas pessoas reclamar que não tiveram tempo para se despedir de seus parentes ceifados por doenças. A pressa do cotidiano nos atropela e impede um bom papo, ainda que seja para jogar conversa fora. Vale muito a pena.

2) Sempre que oportuno diga: Eu te amo. É importante que as pessoas que ame saibam disso. Não deixe dúvidas quanto a este sentimento – o Amor! O mundo precisa de mais amor e a informação sobre este sentimento precisa circular mais. Não se envergonhe de dizer isso com sentimento. Por outro lado, também não banalize ou diga apenas para agradar alguém.

3) Exercite melhor suas escolhas. Escolher com raiva não é sábio. Fazemos isso muito frequentemente e depois arcamos com as consequências. Escolher sua companhia, suas amizades, sua representação. Escolher o que se come, o que se bebe, o que se veste. Escolher onde morar, o que fazer, o que estudar. Escolha sempre pensando no futuro. Uma escolha ruim pode afetar você mais tarde e de forma imprevisível.

4) Se exercite. Sair do ócio e do sedentarismo precisa virar meta de vida. E não exercite apenas o corpo: o exercício da mente também é necessário. Se informe, leia, abstraia, procure uma atividade que ocupe sua mente. Siga o conselho dos seus médicos sobre atividade física. Você vai perceber que o corpo em atividade ter permite relaxar, aproveitar melhor o sono, se alimentar melhor. Exercite o corpo e a mente!

5) Respeite a natureza. Dê espaço para plantas e animais. Preserve o meio ambiente, acondicione o lixo de forma correta, economize água e energia e faça um esforço para usar menos o telefone celular. Ao invés de redes sociais pratique a leitura. Se não gosta de ler busque músicas que te acalmam, que o faça recordar outros momentos. São práticas de respeito ao meio ambiente, à natureza e à sua natureza, absolutamente necessárias.

6) Tenha fé. Fé de que as coisas serão melhores. Fé nas pessoas que trabalham cuidando de pessoas, nas pessoas que ensinam, nas pessoas que correm atrás do conhecimento. Se for religioso, pratique sua religião, faça o bem para pessoas que não conheça. Pratique a solidariedade. O mundo vai ficar melhor se este esforço for coletivo.

Que em 2021 possamos dar sempre boas notícias. Estes são os meus votos pessoais para as pessoas que tiram um pouco do seu tempo para ler estas poucas linhas. Em 2021, o Ciência Viva vai continuar informando sobre Ciência, Tecnologia, Educação e Meio Ambiente. Viva a Ciência! Ciência Viva!

Feliz Ano Novo!!!

A segunda onda

Desde o início da pandemia da COVID-19 já existia o risco de uma retração de casos e uma expansão posterior, porque como toda doença infecciosa onde não existe um controle seguro e nem solução de resolução próxima, há a possibilidade dos casos se ampliarem e novos booms ocorrerem, especialmente onde as medidas mais restritivas demoraram a ser tomadas.

Falamos aqui no início sobre a necessidade de achatar a curva de casos da doença e o que vem ocorrendo é que este achatamento é lento e vai provocar outras levas de doentes. Ou seja, a curva vai crescer e diminuir várias vezes até chegarmos a uma estabilidade. Em várias partes do mundo a segunda onda está acontecendo e especialistas já se preocupam com o resultado das festas de final do ano que pode levar a novos pequenos picos mundo afora. Aqui no Brasil a segunda onda está fortemente relacionada às medidas não tomadas. Interrompeu-se o ciclo educacional de milhões de estudantes alegando a insegurança e a possibilidade de aglomerações nas escolas, por exemplo, e, em nenhum momento, se tomou qualquer providência relativa às campanhas eleitorais, inclusive chamadas cinicamente de “aglomerações do bem”. Sim: a segunda onda está relacionada às campanhas eleitorais. E o pior de tudo: governadores e prefeitos, como se a pandemia tivesse encerrado, desativaram os hospitais de campanha, demonstrando mais uma vez o despreparo na lida com o problema.

Estamos diante de um desafio imenso. Gestores, creio que na intenção de acertar, cometeram falhas absurdas. Cito por exemplo o fechamento dos supermercados nos finais de semana, o que acarretava aglomerações dos dias que antecediam o final de semana. A suspensão de aulas é outro ponto que merece ser discutido, pois as escolas seguiram todos os protocolos determinados, até os que não fazem o menor sentido, como estabelecimento de uma barreira de acrílico na frente da carteira que não evita de forma alguma a proliferação dos vírus.

Apostar no retorno a parte das atividades baseados apenas no surgimento de uma vacina minimamente eficaz também não é inteligente. Quem conhece o funcionamento de uma vacina sabe que as respostas não são imediatas. Quem não conhece acha que o problema estará resolvido. Isto não é tão simples!

Por cabeças melhores que consigam planejar um retorno com o máximo de segurança possível às atividades, o que inclui as escolas. Os efeitos desta doença não devem ser multiplicados por decisões equivocadas.

Boa semana para todos e todas!

Botânicos do Piauí assumem a Regional Nordeste da SBB

A Sociedade Botânica do Brasil é uma entidade civil, sem fins lucrativos que reúne pesquisadores de todos os níveis que atuam na pesquisa botânica no país. Criada em 1950, a SBB é uma das mais antigas sociedades científicas do Brasil.

Com sede em Brasília (DF), a SBB tem como missões prover a ampliação do conhecimento sobre a flora brasileira; incentivar a formação de recursos humanos em Botânica e; fornecer subsídios, dados e parâmetros para a tomada de decisões e políticas de meio ambiente, relacionadas aos diferentes ecossistemas do País e sua cobertura vegetal.

Além da Diretoria principal, a SBB tem seis diretorias regionais. São elas: Regional Sul, Regional São Paulo, Regional Rio de Janeiro, Regional Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo, Regional Centro-Oeste e Regional Nordeste.

A Regional Nordeste vinha sendo presidida pelo Prof. Francisco Soares Santos Filho, na condição de Pro-Tempore (até que fosse feita uma eleição para ocupação da Diretoria) este ano de 2020. A eleição ocorreu no início de dezembro e o mandato da nova diretoria será para o biênio 2021-2022.

Conheça a nova Diretoria da Sociedade Botânica do Brasil na Região Nordeste

Presidente:

Profa. Dra. Josiane Silva Araújo

Doutora em Botânica (UFV), Mestre em Botânica (UFV), Licenciada em Ciências Biológicas (UESPI). Professora Adjunto IV da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), lotada no Campus Heróis do Jenipapo em Campo Maior (PI). É especialista em Anatomia Vegetal, com foco na Anatomia Taxonômica de diversos grupos, com destaque para as famílias Malpighiaceae e Sapotaceae.

Vice-Presidente:

Prof. Dr. Francisco Soares Santos Filho

Doutor em Botânica (UFRPE), Mestre em Botânica (UFRPE), Licenciado em Ciências (UFPI).

Professor Associado II da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), lotado no Centro de Ciências da Natureza do Campus Poeta Torquato Neto em Teresina (PI). É especialista em vegetação de ecossistemas costeiros, atuando também como taxonomista vegetal com ênfase para família Euphorbiaceae.

Secretária:

Profª Drª Maria Carolina de Abreu

Doutora em Botânica (UFRPE), Mestre em Botânica (UFRPE). Bacharel em Ciências Biológicas (UFPI).

Professora Associado I da Universidade Federal do Piauí (UFPI). É especialista em taxonomia vegetal,  família Oxalidaceae, atuando nas áreas de Florística e Ensino de Botânica.

Tesoureiro:

Prof. Dr. Hermeson Cassiano de Oliveira

Doutor em Botânica (UEFS), Mestre em Botânica (UEFS), Licenciado em Biologia (UVA-CE).

Professor Adjunto II da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), lotado no Campus Heróis do Jenipapo em Campo Maior (PI). É especialista em Taxonomia e Ecologia de Briófitas, tendo integrado a missão de cientistas que pesquisa a Biodiversidade da Antártida.

Ensino híbrido: uma realidade necessária

Uma das coisas que a pandemia de COVID-19 nos ensinou é que a vida vai demorar muito a voltar ao que era antes. Conhecendo o efeito e a forma como os vírus têm se comportado, na condição de parasitas intracelulares obrigatórios, creio até que o mundo jamais voltará ao que era antes.

A educação, que foi um dos segmentos mais afetados pela manifestação mundial do SARS-CoV2, terá que ajustar-se à nova realidade. Este processo envolverá muitas atividades híbridas, que desafiam escolas e professores a se reinventar e criam necessidades para o estudante. Atribuímos ao Ensino Híbrido um meio de ajustar a amálgama entre escola, professores e alunos. Mas o que o Ensino Híbrido?

A forma de ensinar terá, da pandemia pra frente, que combinar atividades presenciais e não presenciais. Isso porque, mesmo com o arrefecimento da doença e a chegada da vacina, ainda levará um período razoável para que os pais tenham segurança para mandar seus pequenos para escola. A doença se manifesta de modo muito mais letal em idosos e portadores de comorbidades, mas as crianças também podem ser afetadas, também podem manifestar sequelas e o principal, podem se tornar vetores da doença, levando para casa o agente contaminante.

Neste sentido, as boas escolas devem incorporar práticas de aulas gravadas e atividades a serem desenvolvidas a distância para aquelas crianças, cujos pais optarem por mantê-las em casa. Mesmo sabendo que há um prejuízo muito grande para o processo de socialização, uma das mais importantes características da educação para esta faixa etária. O cardápio de opções remotas inclui o uso de plataformas com atividades de tela para serem usadas pelas crianças, sob orientação dos pais.

Pelo lado das escolas há todo um investimento em equipamentos, especialmente a presença de estúdios e computadores e softwares cada vez mais sofisticados, seja para gravação das aulas, seja para transmissão e para proporcionar a interação entre estudantes e professores. Os professores estão precisando se reinventar, pois precisam transferir o processo de ensino para plataformas que funcionam como salas de aula virtuais, para permitir que suas aulas cheguem, conduzidas pelos bits da internet, uma ferramenta de integração cada vez mais necessária, nestes tempos de isolamento social.

O certo é que levará muito tempo para retornarmos à tranquilidade de vermos pais deixando suas crianças na escola, sem o medo constante destas retornarem trazendo no seu corpo um vírus tão perigoso quanto este que circula por todas as partes do mundo. As vacinas chegarão, mas não são garantias imediatas de que o mundo voltará ao normal. Os vírus têm o poder de modificarem seu material genético com grande rapidez e o SARS-CoV2 tem como material genético o RNA, um conjunto de informações formado por uma fita simples que, exatamente por isso, consegue modificar-se rapidamente, gerando novos vírus já modificados em relação ao modelo inicial. Novas mutações são novos vírus, ou seja, uma nova necessidade de se continuar estudando formas de combatê-los.

Temos muito a aprender, na convivência com esta nova realidade. Precisamos nos reinventar todos os dias e, principalmente, combater o negacionismo e a desinformação que assolam a sociedade, seja por ignorância ou por uma crença em políticos ignorantes. Estarmos abertos e informados é a maior e mais poderosa de todas as armas.

Bom domingo e boa semana para todos e todas.

O maior de todos os desafios

Desde 16 de março começamos uma nova jornada nas nossas vidas. O início da pandemia e das medidas adotadas para evitarmos um desastre maior começaram neste dia e vamos passar muitos anos para superar os problemas decorrentes de todas as decisões adotadas, derivadas do medo da proliferação da doença. De todos os segmentos afetados, sem qualquer dúvida, o que mais sofreu foi a educação.

Daqui para frente a ideia será a de tentar minimizar o prejuízo causado com o fechamento das escolas e a suspensão das aulas presenciais. Aqui no Piauí o fechamento e a suspensão das aulas presenciais atingiram de cheio alguns segmentos como creches, infantários, escolas de educação infantil, escolas de ensino fundamental, 1º e 2º anos do ensino médio e universidades públicas. O problema tem diferentes aspectos.

Para as crianças menores a estratégia de aulas remotas não surte o mesmo efeito da escola presencial. As escolas se desdobraram na produção de aulas para aplicação assíncrona, bem como nas aulas ao vivo. Escolas privadas se esmeraram em produzir cenários, vinhetas e professoras para lá de estimuladas na gravação das aulas com os pequenos. Entretanto, nada substitui o contato da professora com os pequenos e principalmente a socialização destes com os coleguinhas. Ouvi de alguns pais que no começo até funcionou muito bem, mas depois as crianças já estavam enjoadas das aulas televisionadas. Um amigo chegou a dizer que a filha só queria assistir as aulas ao vivo, uma prova de que a interação faz muita falta. Já nas escolas públicas o que aconteceu mesmo foi a suspensão total de atividades, embora os conselhos de educação tenham se desdobrado em regulamentar as atividades remotas para que pudessem valer como atividades letivas.

Para o ensino fundamental, as aulas remotas já apresentaram outro resultado. Algumas crianças, embora reclamando, continuaram suas aulas, fazendo atividades síncronas e assíncronas. Os pais estranharam o comportamento de algumas. Mas são aqueles pais que, em geral, não conhecem os filhos que tem, ou pelo menos até antes da pandemia, não conseguiam acompanhar ao ponto de conhecê-los e saber quando se comportam quando estão em atividades de aprendizagem. Neste caso algumas verdades sublimaram.

Os maiores, do ensino médio, especialmente os da série terminal, tiveram a possibilidade de concluir seus cursos de forma presencial. Mesmo com adiamento do ENEM, as atividades desenvolvidas vão deixar poucas sequelas. Exceto para os que, naturalmente, já apresentam algumas dificuldades.

No ensino superior, valeu a máxima de que quem paga sai de fato na frente. As instituições privadas rapidamente adaptaram suas aulas por meios remotos. As diferentes plataformas viraram rotina para professores e estudantes e apenas as aulas práticas ficaram prejudicadas, e só agora, no final do ano, estão se desenvolvendo, mas observando os protocolos de saúde. Nas instituições públicas ficou patente o lado mais obscuro da inoperância. As atividades de pesquisa continuaram, com algumas restrições. O ensino de pós-graduação sofreu um adiamento inicial, mas logo em seguida, ajustou-se de forma remota, o que incluiu atividades de orientação e até defesas de qualificações e de dissertações e teses. Já o ensino de graduação permaneceu cambaleante. As universidades federais voltaram de forma incompleta. Muitos professores alegaram não possuírem condições para ministrar aulas de modo remoto, e a grande maioria dos estudantes não tem condições de acompanhar aulas por meio digital, seja pela falta de equipamentos ou por deficiência da internet. A pandemia escancarou as dificuldades que já existiam e expôs a incompetência de muitos gestores universitários.

E 2021?

O ano que vem será uma continuidade do ano de 2020. Os sistemas educacionais esperam que as escolas e redes entendam que o biênio 2020-2021 seja um continuum. De fato, o mais importante será diagnosticar o que as crianças aprenderam em 2020. E 2021 deve tentar recuperar o que não ficou bom em 2020 e complementar com o que vem pela frente. A ideia é de que o ensino será híbrido. Seja porque muitos pais não confiarão em mandar seus filhos para escola, seja porque as escolas estarão incumbidas de fazer esta transição. Neste sentido, o uso de plataformas e metodologias ativas pode ser um diferencial.

O melhor de tudo é que para professores, escolas, pais e, principalmente, estudantes, a travessia desta pandemia separará os resistentes e resilientes num outro patamar. Em essência é a teoria da seleção natural posta à prova. Escapar vivo e ajustado é o maior de todos os desafios.

Boa semana a todos (as)

Montezuma ou Pessoa: eis a questão!

Hoje é o dia do segundo turno da eleição para Prefeito de Teresina, 29 de novembro. Dois candidatos se colocam para o eleitor escolher o que, na opinião de cada um, seria o melhor para cidade. De um lado o Professor e Economista Kleber Montezuma (PSDB), do outro o médico José Pessoa Leal (MDB).

O Prof. Kleber, meu colega de UESPI, reúne larga experiência administrativa, embora nunca tenha conseguido ocupar cargos eletivos. Já atuou como secretário de várias pastas, com destaque para educação, conseguindo levar Teresina à condição de melhor educação entre as capitais do país, conforme os indicadores oficiais.

O Dr. Pessoa, já reúne vários cargos ocupados no âmbito de eleições proporcionais, pois já foi Deputado Estadual e Vereador. Nunca teve experiência no executivo, tendo tentado se eleger prefeito em mais de um município, sem sucesso.

Fiz a minha escolha desde o primeiro turno e agora, no segundo turno, resolvi fazer uma leitura dos planos de governo de cada um dos candidatos e me surpreendi: não votaria em nenhum dos dois se fosse me basear apenas nos planos de governo! E explico: escrevo nesta coluna desde 2017 e foco meus textos em quatro temáticas: Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Educação. Não há, em nenhum dos planos de governo nada que seja atrativo para qualquer destas áreas. Vamos aos detalhes: visitei os dois planos de governo e usei as palavras-chave Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Educação de forma separada, usando o comando Control-F. Os resultados foram os seguintes.

Ciência

No plano do candidato Kleber Montezuma (KM) o termo Ciência aparece 13 vezes. Em 12 aparições está relacionado com as palavras Consciência, Deficiência e Eficiência. Apenas uma vez aparece no contexto correto, informando de uma parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, no projeto de Smartcities (cidades inteligentes). Fiz o mesmo exercício no plano de Dr. Pessoa (DP). Foram 70 menções, com mais ou menos 90% das vezes também compondo as palavras Consciência, Deficiência e Eficiência. Nas poucas vezes que apareceu aplicado corretamente se referia a dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, ou se referindo a laboratórios escolares ou compondo a expressão Ciência de Dados no segmento que fala sobre Inovação.

Tecnologia

O plano de KM faz 16 menções ao termo, mas sempre de forma genérica: “usar tecnologias...” em diferentes segmentos do plano desde coleta do lixo, transporte, educação etc. O plano de DP faz 17 menções, e também usa o termo de forma genérica.

Meio Ambiente

O plano de KM faz 10 menções à expressão, mas todas de forma genérica. Já o plano de DP faz 37 menções. Fiz uma leitura mais acurada e descobri um plano bem elaborado sobre o Meio Ambiente, incluindo facilitação de processos de licenciamento ambiental e alguns avanços como o IPTU Verde. Fui até uma lista de nomes que estavam encimados com expressão agradecimentos e lá vi o nome do colega Euller Paiva, biólogo, professor e advogado, técnico do IBAMA, com bastante conhecimento técnico sobre a área ambiental. Vi, sob meu ponto de vista, propostas factíveis e outras nem tanto, mas considero um avanço ver um plano que se preocupa com redução de carbono, numa saída local para um problema global.

Educação

No plano de KM constam 22 menções ao termo Educação. Algumas vezes usada de forma mais genérica “mais saúde e educação”, mas com um foco alinhado com o aspecto mais forte do candidato, visto que ocupou a secretaria de educação por um tempo longo. Embora menos detalhado do que o de DP, que menciona “educação” 98 vezes no seu plano, o plano de KM traz o que ele chama de vetores bem factíveis e antenados com os problemas atuais do segmento educacional. Com relação a temática, o Plano de DP também traz propostas bem fincadas na realidade e nas necessidades da cidade. Detalha pormenores que são a bandeira da atual gestão (o foco nas Olimpíadas Escolares e Escolas de Tempo Integral, por exexmplo) e que embora não sejam novidades, são importante menções e comprometimentos com a população, especialmente em continuar o que vem de fato dando certo.

Deste modo, como diria em artigo qualquer, “à guisa de conclusão”, o que vi foram dois planos que tem muito do “arroz com feijão” e uma atenção pouco direcionada para temas que são de grande relevância como o conhecimento científico. O plano de DP traz um diagnóstico interessante e completamente verdadeiro de que o Piauí é um dos últimos estados em aplicação de recursos para áreas de Ciência e Tecnologia. Atuei na gestão de três governos e assino embaixo deste diagnóstico. Uma vez discuti com um colega que defende a ideia de que Ciência é um luxo, frente aos problemas que estados e municípios passam em segmentos mais básicos, como saúde, educação, transporte, segurança e assistência social. Mas se a semente não for plantada, a planta nunca surgirá.

Rogo para que o eleitor saiba escolher hoje o prefeito pelos próximos quatro anos. Que vote consciente. Consciente do seu erro ou de ser acerto. E se o melhor não for o eleito na próxima eleição o jogo vira. Viva a Democracia!

Até o próximo post...

 

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