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Stonehenge: registro da pré-história europeia

Quando o Windows XP chegou ao mercado mundial em 2001 trouxe mais do que as vantagens de software que, a exemplo de outros produtos da Microsoft revolucionavam o mundo da computação. Um papel de parede do Windows XP ajudava a popularizar a imagem de um monumento bastante curioso: o Stonehenge.

Em idiomas saxões o termo Stonehenge significa “pedra suspensa”, numa alusão ao arranjo formado por ciclos concêntricos de pedras, situadas no sul da principal ilha que forma a Grã-Bretanha, onde fica o Reino Unido. As pedras apresentam um arranjo que não deixa qualquer dúvida que representa um monumento, muito provavelmente de cunho religioso, com uma opinião quase consensual que de que era um local para realização de rituais e estudos astronômicos.

A novidade agora é que a cientista Bettina Paulsson da Universidade de Gotemburgo na Suécia concluiu que existem outras “Stonehenges” no continente europeu e que, muito provavelmente se constituem em uma verdadeira cadeia de monumentos pré-históricos que podem ter sido construídos pelos mesmos povos que habitavam a região e que, por serem caçadores-coletores eram nômades e, por onde passavam disseminavam a construção destes monumentos.

A pesquisadora, que publicou seu estudo na revista Proceedings of National Academy of Sciences, defende que as primeiras construções desta natureza foram feitas na região da Bretanha, noroeste da França, mas que apresentam registros por vários países do continente europeu como em Portugal, onde iniciou suas primeiras pesquisas sobre o assunto, passando por áreas da França e da Itália.

Megálitos de Carnac na região da Bretanha (França). Registro da pesquisadora Bettina Paulsson

Os Stonehenges reúnem pedaços enormes de rochas chamados de Megálitos, que podem apresentar até 5 metros de altura. Muitas das rochas, por vezes, não são comuns nas regiões dos monumentos, o que leva pesquisadores a imaginar que foram levadas de locais muito distantes e que, por alguma razão, foram usadas para edificar estes monumentos misteriosos.

Em alguma das regiões, são encontradas pinturas rupestres com indicativos de animais como baleias cachalotes, demonstrando que os habitantes daquelas regiões eram exímios aventureiros e andavam também por regiões litorâneas. A propósito, nas pinturas rupestres da nossa Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI) também ocorrem registros de animais que não pertencem a fauna da região: há registro de baleias e golfinhos e até de caranguejos.

Ainda existem muitas lições a serem aprendidas com os homens e mulheres que viveram na pré-história. Pelo menos é o que dizem os registros deixados em pedras.

Boa semana!!!

 

O Currículo do Piauí

Desde dezembro do ano passado a Secretaria de Estado da Educação do Piauí (SEDUC) entregou à apreciação do Conselho Estadual de Educação (CEE-PI) o Currículo do Piauí.

O documento tem o objetivo de subsidiar a educação estadual no que se refere aos conteúdos a serem trabalhados em sala de aula, na perspectiva da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada no final de 2017 através de parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE). De acordo com a BNCC todas as escolas brasileiras devem partir de um conjunto mínimo de conhecimentos em todos os componentes da Educação Básica, aprovados e regulamentados até o momento para a Educação Infantil e para o Ensino Fundamental. Apenas no final de 2018 foi aprovada a BNCC para o Ensino Médio, objeto de posterior análise.

A BNCC reúne, portanto, o mínimo que cada estudante deve conhecer sobre os assuntos de Matemática, Língua Portuguesa, Ciências etc. O restante do que se deve estudar é definido exatamente pelo Currículo.

O desenho do Currículo do Piauí foi construído por um conjunto de professores devidamente recrutados para esta finalidade, de diferentes áreas, que redigiram à luz da BNCC e da legislação vigente. Foram determinados acréscimos ao contido na Base, especialmente nos temas relativos aos conteúdos de cunho regional.

Esta primeira versão receberá as críticas do CEE-PI e deve retornar com estas considerações, para ser reapreciado e, se de acordo com as premissas de qualidade, será aprovado pelo Colegiado.

A BNCC é um importante marco para tentar reduzir desigualdades entre os estudantes de diferentes partes do Brasil. O Currículo do Piauí é uma oportunidade de levar aos estudantes piauienses o que há de melhor em termos de conteúdos educacionais.

Como professor é o que espero que aconteça. Até o próximo post...

Biodiversidade: o que temos para falar sobre o Meio Norte do Brasil?

Esta semana que passou recebemos da Editora mais um livro que ajudamos a organizar que traz como tema a Biodiversidade. Trata-se do Biodiversidade do Meio Norte do Brasil: conhecimentos ecológicos e aplicações – Volume 2.

Capa do Livro Biodiversidade de Maio Norte - Volume 2

O livro foi produzido numa parceria entre pesquisadores das universidades UFPI, UESPI, UFMA e UEMA e da EMBRAPA. Nesta obra selecionamos trabalhos que trazem informações sobre vírus que atuam em plantas, bactérias em sua relação com desinfetantes comerciais, diversidade de fungos, fungos parasitas de plantas e fungos que auxiliam o desenvolvimento de pastagens, além de estudos sobre a flora de regiões do Piauí e do Maranhão e estudos sobre a diversidade genética de nossas galinhas caipiras e da atividade mutagênica de plantas da nossa flora.

A temática de Biodiversidade é um dos focos da nossa pesquisa desde 2005 quando ingressei no curso de Doutorado em Botânica na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Na época me concentrei em estudar as plantas de um ecossistema altamente impactado pela atividade turística que é uma das formas vegetacionais que cresce nas regiões litorâneas: a Restinga. Depois disso me senti instado a dar vazão aos muitos estudos realizados nas universidades e que às vezes não atingem pesquisadores e muito menos o grande público.

Em 2011 organizamos uma obra sobre Biodiversidade do Piauí , trazendo alguns estudos que envolviam não somente plantas (nossa especialidade),

mas informações sobre outros organismos, fortalecendo parceria com vários colegas pesquisadores. Em 2013, o segundo volume sobre Biodiversidade do Piauí que traz uma concentração de informações que obtive a partir da minha tese de doutorado, mas que também traz importantes trabalhos de outros pesquisadores das áreas de microbiologia e zoologia, mas com estudos restritos a área geográfica do Piauí.

O livro publicado agora em 2018 é a sequência de uma parceria com o colega Eduardo Bezerra de Almeida Jr., pesquisador pernambucano radicado na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e que já havia colaborado na publicação do Biodiversidade do Piauí (Vol. 2). Em 2015, reunimos estudos de pesquisadores do Piauí e do Maranhão e publicamos o livro Biodiversidade do Meio Norte do Brasil: conhecimentos ecológicos e aplicações.

A ideia destas publicações passa também pela necessidade de alertar as populações destes dois estados sobre a importância da conservação da Biodiversidade, para manutenção do equilíbrio sustentável, uma vez que são dois estados ricos e biodiversos, mas que têm suas economias pautadas em atividades agrícolas que, se não trabalhadas sob premissas de sustentabilidade, podem levar a grandes perdas da riqueza natural que possuem.

O último artigo que publiquei, ainda em 2018, na Revista Equador, chama a atenção para o pequeno número de estudos na área de Biodiversidade, para o estado do Piauí. Neste estudo fizemos o apanhado do que havia sido publicado entre os anos 2003 e 2013. Apesar de não retratar a situação atual, este estudo aponta dados preocupantes sobre os efeitos desta falta de conhecimento sobre nossas riquezas. Se tiver curiosidade e quiser acessar a publicação clique aqui.

Além do livro recém lançado, as demais obras encontram-se disponíveis nas melhores livrarias brasileiras.

Bom domingo para todos(as).

 

Vida selvagem: os desafios de sobrevivência nas Savanas

Desde pequeno assistia documentários sobre a vida selvagem. Talvez isso tenha me conduzido a trabalhar como biólogo, muito embora tenha uma predileção por plantas, ao invés dos bichos. O que mis chamava a atenção eram as táticas ardilosas dos predadores para serem bem-sucedidos na caça às presas.

Na minha visão de criança, a expectativa era a de sempre torcer pelo mais fraco, ou seja, torcer que a presa escapasse do predador. Na lógica da natureza caberia ao vencedor o seu prêmio: ao predador, o alimento e à presa, a oportunidade de continuar sobrevivendo. Esta é a lei mais bem fundamentada das ciências biológicas: a Seleção Natural.

Dia desses me deparei com um vídeo da National Geographic mostrando uma rara situação na qual o predador é bem-sucedido na sua abordagem, porque o faz em conjunto com outros “colegas”, mas a presa é quem melhor surpreende.

Acompanhe a saga de jovens leões e uma girafa. Cenas raras.

Boa semana para todos(as).

A Tabela Periódica faz 150 anos

Desde anteontem, 01 de fevereiro, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) encarregou sua agência para questões de educação, ciência e cultura – a UNESCO, para capitanear as comemorações pelos 150 anos de criação da Tabela Periódica dos elementos.

Fonte: tabelaperiodica.org.

Considerada o ABC do universo, a Tabela Periódica dos Elementos reúne de forma extremamente precisa a organização, em disposição gráfica, de todos os elementos que constituem a natureza – os átomos – levando em consideração suas principais propriedades como peso atômico e potencial de seus constituintes, os prótons, nêutrons e elétrons.

A Tabela Periódica foi um instrumento construído pela intervenção de vários cientistas, e sua primeira versão data da idade média. Cientistas como Antoine Lavoisier e Lothar Meyer deram suas opiniões de como organizar os átomos conhecidos até as suas respectivas épocas. Mas a organização como conhecemos hoje foi obra do químico russo Dmitri Mendeleev.

A revista Science produziu uma tabela virtual que ajuda você a conhecer a evolução deste fabuloso instrumento utilizado pela química e que possui a capacidade de expressar inclusive as propriedades dos elementos, dada a forma como Mendeleev soube organizá-la. Experimente conhecer aqui.

O Ciência Viva já falou um pouco de Mendeleev quando escrevemos um post comentando sobre a história inspiradora da sua mãe, Maria Mendeleeva. Se quiser rever clique aqui.

Quando Mendeleev organizou a Tabela eram conhecidos apenas 63 elementos. Mas a forma como ele organizou permitiu que novos elementos fossem inseridos. Em novembro de 2016 houve a confirmação de inserção dos quatro elementos mais novos que foram denominados Nihonium (Nh), Moscovio (Mc), Téneso (Ts) e Oganesson (Og), cujos números atômicos são 113, 115, 117 e 118, respectivamente. Os estudos continuam pela inserção de mais dois elementos, cujos números atômicos seriam o 119 e o 120.

Apenas quatro países seguem pesquisas visando descobrir novos elementos: EUA, Rússia, Alemanha e Japão. As pesquisas que envolvem a descoberta de novos elementos são ainda muito dispendiosas. Estima-se que o descoberto até aqui corresponda apenas a 5% do que existe de fato no Universo.

A revista Science produziu um pequeno documentário sobre a Tabela Periódica dos Elementos. Acompanhe abaixo:

A tabela periódica sempre foi um grande desafio para os estudantes. Em algumas escolas os ensinamentos mais sólidos na química passavam pelo mínimo de conhecer as famílias dos elementos, algumas propriedades mais gerais e sem qualquer erro conhecer o nome do elemento a partir do símbolo e vice-versa. Lembrei agora dos muitos amigos que tiveram o privilégio de serem alunos do Padre Florêncio Lecchi, falecido em 2014, do Colégio Diocesano e que era muito exigente na lida cotidiana com a Tabela Periódica.

Padre Florêncio Lecchi. Fonte: Arquidiocese de Teresina.

Talvez, com alguns recursos atuais, o aprendizado da Tabela Periódica seria muito mais facilitado e até lúdico. Abaixo um vídeo que relaciona os elementos à suas respectivas utilidades no mundo moderno, um exemplo dos recursos atuais. Com musiquinha e tudo.

Boa semana para todos(as) e Viva a Tabela Periódica!!!

Processos erosivos destroem áreas do litoral brasileiro

Em julho de 1996 viajei com a família para apresentar o mar para o meu filho caçula, prestes a completar seu primeiro ano de vida. Como todo bom piauiense, visitamos várias praias do nosso litoral, o que incluiu a Praia de Macapá, um dos cartões postais, na época ainda selvagem, do litoral do Piauí.

Na oportunidade ouvi o depoimento de um morador da região falando que o mar estava avançando e destruindo parte daquele paraíso. Alguns anos depois voltei ao lugar e parte do que conhecera já não existia mais, porque fora tragado pelo avanço do mar.

O fenômeno de modificação do recorte costeiro é chamado tecnicamente de Progradação. A progradação pode ser positiva, quando há deposição de material sedimentar, fazendo com que a praia aumente de largura, ou pode ser negativa, quando o mar avança e provoca erosão, reduzindo a largura da faixa de praia e invadindo o continente.

Quando o mar invade o continente. Fonte: www.tvi24.iol.pt.

O processo de progradação é resultado da dinâmica marinha. Tem sido estudado por pesquisadores como o geógrafo baiano Dieter Muehe que coordenou a elaboração do livro Erosão e Progradação do litoral brasileiro, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente que concentrou estudos e mapeamentos em praticamente todos os estados brasileiros, deixando de fora apenas o litoral do Piauí (talvez por ser o menor).

A progradação é um processo que chama a atenção dos estudiosos, especialmente pela possibilidade de intensificação em razão do fenômeno de aquecimento global. Pela ideia do aquecimento global o nível dos oceanos tenderia a aumentar pelo derretimento das calotas polares, provocado pelo aumento da temperatura do planeta. A questão é polêmica e por isso suscita cuidados e olhares de especialistas do mundo inteiro.

Dada a importância da faixa litorânea brasileira, o tema já foi tratado várias vezes por pesquisadores em suas comunicações científicas e termina sendo tratado também por revistas de divulgação científica como a Pesquisa FAPESP. Semana passada um vídeo tratando sobre o tema foi disponibilizado apontando que o problema ocorre em mais de 60% da extensão do litoral brasileiro, afetando áreas de importância turística, como no caso da Ponta de Seixas, o ponto mais oriental do Brasil, situado na Paraíba.

Acompanhe o vídeo abaixo:

Até o próximo post…

Mais um crime ambiental

De grão em grão a galinha enche o papo, já diz o ditado popular... De crime em crime o meio ambiente vai sendo cada vez mais prejudicado. Até onde vai esta destruição?

Imagem do rompimento da Barragem em Brumadinho (MG). Fonte: Agência Brasil/EBC

O acidente de sexta-feira passada em Brumadinho (MG) chocou o Brasil mais uma vez pelos efeitos provocados pela água e lama que desceram num rastro de destruição e morte. As cenas remeteram ao acidente que aconteceu em Mariana (MG) em novembro de 2015. Mais uma vez em Minas Gerais. Mais uma vez uma atividade de exploração mineral gerida pela Vale S.A., uma companhia que era estatal, se chamava Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) que foi privatizada em 1997.

Aspecto do Rio Doce após rompimento de Barragem em Mariana (MG). Fonte: El País.

Embora existam críticas ferrenhas ao ato de ser um dano ambiental causado por uma empresa privada que um dia foi uma estatal e que na verdade nasceu como uma empresa privada e depois foi estatizada, pelo Presidente Getúlio Vargas, este não é ponto chave da questão. Estatal ou privada foi causado um grande dano ambiental em 2015, que está longe de ter sido reparado e agora mais outro dano causado. E isto vai parar quando?

O que é importante discutir é a necessidade de rigor do Estado em cuidar das questões ambientais com seriedade. O prejuízo causado pela Samarco, empresa controlada pelo consórcio entre a Vale e a BHP Billiton, responsável pela operação da exploração de Minério de Ferro que usava a Barragem do Fundão para deposição de rejeitos da mineração, cujo rompimento destruiu totalmente o Distrito de Bento Rodrigues no município de Mariana (MG), poluiu fortemente o Rio Doce, desde o ponto do rompimento, até boa parte do litoral do Espírito Santo onde este rio deságua no Oceano Atlântico, eliminando inúmeros seres vivos, contaminando solos, o rio e o mar, em um dos maiores crimes ambientais de que se tem notícia, e não resultou, na prática, em uma punição exemplar. Uma das poucas medidas práticas com efeito foi a criação da Fundação Renova, que reuniu pesquisadores de Minas Gerais e do Espírito Santo para monitorar os efeitos do acidente de 2015 e tentar reverter algumas situações. Mas o dano causado à natureza não tem retorno. Em suma os cientistas vão apenas observar o poder de resiliência da própria natureza. E aí, vai ficar por isso mesmo?

Poluentes do crime ambiental em Mariana (MG) chegando ao mar, litoral do Espírito Santo. Fonte: El Pais.

Está passando da hora de brincar de cuidar do Meio Ambiente. Sou conhecedor das necessidades das instalações destas grandes companhias e da exploração dos recursos naturais. Mas é mais do que importante que esta exploração se dê dentro de premissas de sustentabilidade. Situações como esta que ocorreram dia 25 em Brumadinho (MG) ou de 2015 em Mariana (MG), tem efeitos deletérios não somente sobre vidas humanas. Podem esconder problemas que se relacionam. Há, por exemplo, a suposição de que os casos de febre amarela no entorno da bacia do Rio Doce tenham sido motivados pela morte de numerosos anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) que se alimentam de insetos transmissores. Carente de comprovação? Com certeza. A destruição é muito mais rápida do que o avanço da ciência, que padece com falta de recursos e de pessoas. Mas faz todo o sentido imaginar que os eventos se relacionam.

Brumadinho será mais um legado da falta de uma política de Estado sobre importantes questões ambientais no Brasil? Vamos continuar sendo uma nação pujante em recursos naturais e que não cuida de suas riquezas como a água, o solo, a biodiversidade e suas populações?

Reflexões importantes para todos (as).

Atenção Cervejeiros, este post interessa a todos!!!

A cerveja, uma das bebidas mais apreciadas do mundo, apresenta quatro ingredientes básicos: água, malte, levedura e o lúpulo. A combinação destes ingredientes e o toque do cervejeiro na elaboração, com a adição de outros ingredientes e variação nos processos são os componentes que permitem a imensa diversidade de tipos de cerveja.

O lúpulo é uma planta trepadeira cultivada, típica do Hemisfério Norte. Em geral são utilizadas as flores femininas ricas nos óleos essenciais e outras substâncias que corroboram para o sabor, aroma e qualidade da cerveja.

Pesquisadores da UNESP de Jaboticabal (SP) estão em busca de uma variedade de Lúpulo que se aclimate ao clima brasileiro. A pesquisa é na área de Genética e Melhoramento Vegetal está sendo desenvolvida pelo Agrônomo e estudante de Doutorado Renan Furlan e é orientada pela Doutora Leila Trevisan Braz. Renan está cruzando diferentes variedades do Lúpulo para obter uma que consiga se aclimatar às condições brasileiras. A pesquisa é promissora e foi ganhadora de um prêmio internacional concedido pela Barth Haas Group, um dos maiores fornecedores de lúpulo do mundo.

O vídeo abaixo mostra o pesquisador Renan Furlan falando um pouco sobre sua pesquisa.

Os apreciadores da boa cerveja têm motivos de sobra para torcer pelo bom andamento e sucesso desta pesquisa. Já vejo promessas para São Arnulfo de Metz.

Até a próxima...

Darwin: de naturalista a defensor da liberdade

Na semana passada resolvi comentar sobre a Teoria da Evolução, objeto de uma discussão de ineptos sobre o tema. Na produção do texto, como é de praxe, faço leituras sobre o assunto e uma conversa puxa a seguinte, e assim se constrói o Ciência Viva.

Hoje resolvi falar mais um pouco sobre o naturalista inglês Charles Darwin. Além de um dos autores da Teoria da Evolução e da Teoria da Seleção Natural, Darwin foi um cientista notável. Sem vínculos com instituições de pesquisa, o naturalista inglês investia recursos de sua família para sustentar sua atividade científica. A riqueza vinha de uma combinação dos recursos obtidos por seu pai como médico, aliados aos recursos de uma fábrica de porcelanas do seu avô materno (chamada Josiah Wedgwood and sons) e dos investimentos que fez por ocasião da instalação da rede ferroviária da Grã-Bretanha, posto que aplicou recursos nas companhias que construíram uma das mais consolidadas malhas para circulação de trens do mundo.

Uma particularidade muito forte de Darwin que poucos conhecem foi sua luta pela libertação dos escravos. Segundo seus biógrafos, Darwin tinha verdadeira ojeriza à existência da escravidão, bastante comum na Inglaterra e nos demais países que se valiam da captura de nativos da África para esta finalidade. Um dos episódios que marca uma luta contínua pela liberdade destes povos iniciou no Brasil, quando presenciou a agressão de um escravo feita por um homem que o guiou na coleta de insetos nas matas do Rio de Janeiro. A atitude covarde do homem em bater com um chicote no rosto do escravo indignou tanto Darwin que escreveu no seu diário que nunca mais poria os pés no Brasil. Apesar de toda a biodiversidade que despertou encantamento no naturalista, numa segunda passagem pelo Brasil, cinco anos após o episódio, Darwin permaneceu embarcado enquanto a expedição passava novamente em terras brasileiras.

Em vários momentos durante sua vida, Darwin cuidou para que nada faltasse aos mais pobres que eram seus vizinhos, o que incluía escravos e não escravos. Em época de extrema crise chegou a financiar a construção de um muro somente para empregar pessoas que não tinham condições de se sustentar. Mas o episódio mais marcante desta luta pela extinção da escravidão foi o fato de Darwin, já no final de sua vida, ter financiado o episódio para derrubar um Governador-Geral da Jamaica, uma possessão inglesa na qual existiam muitos negros que sofriam com implacável tratamento dado pelo seu governante. NO fim da vida Darwin chegou a mandar dinheiro para sustentar a resistência ao governo.

Da sua epopeia como cientista, Charles Robert Darwin enfrentou (e ainda enfrenta) a ignorância de muitos que, sequer, conseguiram entender o teor de sua portentosa pesquisa. Mas seus biógrafos não deixaram de revelar o homem extraordinário que além de decifrar uma das mais polêmicas questões sobre a origem das espécies vivas, fez notáveis contribuições não somente para o aumento do conhecimento sobre o mundo natural, mas também para apaziguar questões que ainda hoje atingem a humanidade, como a pobreza e a desigualdade, situada sobre questões vinculadas ao preconceito.

Um viva a Charles Darwin!!!

Bom domingo a todos (as)...

Casamentos consanguíneos: pesquisadores descobrem causas de doenças genéticas raras

Desde muito cedo, aqui no Nordeste, se aprende que os casamentos consanguíneos podem gerar filhos doentes (senso comum). Mas a questão é que em muitas regiões, especialmente rurais, aliando o isolamento das populações com as dificuldades de deslocamento, especialmente em épocas pretéritas, ocorriam muitos casamentos entre primos, chegando a situações extremas de primos-irmãos (filhos de casais onde os cônjuges de um casal são irmãos dos cônjuges de outro casal). Eram comuns relatos de pessoas com deficiências físicas e mentais com este histórico de descenderem de casamentos entre indivíduos de parentesco próximo.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) identificou ancestralidade de doenças raras que afetam filhos de famílias consanguíneas no Nordeste. As quatro doenças raras pesquisadas foram a síndrome Spoan, que causa atrofia do sistema nervoso, seguido de paralisia; a síndrome Santos, que causa anomalia de membros; e MED25 e IMPA1, que levam à deficiência intelectual.

A pesquisa buscou identificar quando e onde surgiram as mutações que causam essas doenças de herança recessiva, revelando que têm origem ancestral na Europa e na América. De acordo com Allysson Allan de Farias, o primeiro autor do estudo, o trabalho de campo começou em 2014 e foi finalizado em 2018. Envolveu 18 pessoas afetadas por doenças genéticas raras de herança autossômica recessiva (tipo de herança que é determinada por genes situados em cromossomos não sexuais). A escolha do Nordeste se deu pela elevada prevalência de pessoas com doenças genéticas raras que poderia estar associada aos altos índices de casamentos consanguíneos, relatou o pesquisador. Cerca de 25% dos casais consanguíneos apresentam um ou mais filhos com alguma deficiência. Dentre estas, foram descritas as quatro doenças de herança autossômica recessiva: a síndrome Spoan, a síndrome Santos, MED25 e IMPA1.

Os participantes da pesquisa eram moradores da zona rural dos municípios de Catolé do Rocha e Brejo dos Santos, no Estado da Paraíba; Serrinha dos Pintos, Martins, São Miguel, Doutor Severiano, Pau dos Ferros, Encanto, Coronel João Pessoa e Riacho de Santana, no Estado do Rio Grande do Norte.

Além de suspeitar que as doenças genéticas estivessem correlacionadas aos casamentos consanguíneos, os pesquisadores queriam ir mais além: precisavam saber a origem e a idade dessas doenças, “o que talvez explicaria a dispersão das mutações genéticas causadores das síndromes raras, como também identificar as populações que pudessem estar em risco no Brasil e no mundo”, explicou Farias.

Os pesquisadores tinham a informação de que além dos casos ocorridos no Brasil com a síndrome Spoan, dois irmãos tinham sido encontrados no Egito com a mesma mutação. A partir desta realidade, foi dado início ao estudo de ancestralidade local: foi coletado sangue das pessoas com tais deficiências e extraído DNA de estudo genético nos laboratórios do Instituto de Biologia da USP. “A investigação se deu na origem do fragmento cromossômico que contém a mutação causadora de cada doença”, explicou Farias.

Para fazer as comparações, também foram utilizadas informações genéticas de bancos de dados representando as populações europeias, africanas e nativo-americanas, considerando que o Brasil é altamente miscigenado.

Questionado sobre a importância de se estudar a ancestralidade das doenças, Farias explicou que os resultados contribuem para identificar a origem e a compreensão de como essas doenças são disseminadas nas populações brasileiras e mundial. No caso especificamente do Nordeste, os resultados da pesquisa trouxeram alento. Em relação à síndrome Spoan, depois identificada, os indivíduos passaram a ser vistos de outra forma pelos profissionais de saúde e pelo governo municipal e estadual no que diz respeito ao amparo e ao bem-estar de pessoas com deficiência.

O artigo foi publicado na Nature Scientific Reports. Se quiser ler o original clique aqui.

(Com informações do Jornal da USP)

 

 

 

 

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