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Planta abundante no Piauí tem múltiplos efeitos no tratamento de várias doenças

A biodiversidade vegetal brasileira ainda guarda muitas novidades em favor da humanidade. É preciso apenas que o homem a trate com respeito, especialmente enquanto este potencial em favor da indústria farmacêutica ainda não é totalmente conhecido.

Veja artigo aqui

Em agosto passado foi publicado no Journal of Ethnopharmacology uma revisão sobre uma planta muito abundante na região da Caatinga e nas áreas de Restinga (litorânea) do Piauí. Trata-se da espécie popularmente conhecida como Catingueira, ou Poincianella pyramidalis, nos meios científicos. O estudo destacou as propriedades de vinte e cinco substâncias isoladas importantes para o tratamento de doenças respiratórias e gastrointestinais, diabetes, febre, cólicas e situações de inflamação em geral. Diversos preparos envolvendo diferentes partes da planta como raiz, cascas do caule, folhas, flores e frutos revelaram um grande número de propriedades biológicas como antibacteriana, antifúngica, anti-helmíntica, antiinflamatório, antinociceptivo (efeito neutralizante da dor), atividades neuroprotetoras e gastroprotetoras.

Poincianella pyramidalis (Catingueira). Fonte da Imagem: https://www.researchgate.net/profile/Elizanilda_Rego

O estudo foi conduzido pelas pesquisadoras Leide Maria Soares de Sousa do Programa de Pós-Graduação em Farmácia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), conduzida sob orientação da Dra. Lina Clara Gayoso Moreno e Dr. Lívio Nunes com o suporte de mais cinco pesquisadores, dentre eles este botânico que vos escreve.

A revista é considerada uma das maiores referências para o segmento do uso farmacológico das plantas e de outros recursos decorrentes do conhecimento tradicional, sendo de alto impacto no meio científico (Qualis A1 para quase todas as áreas e com Fator de Impacto de 3,69).

A P. pyramidalis e a P. bracteosa são duas plantas bastante parecidas, ambas tratadas como Catingueira e com as quais já me relaciono, enquanto botânico, há muito tempo, pois auxilio grupos de pesquisadores na área de farmacologia, lideradas pela Dra. Lina Clara (minha ex-aluna e amiga) e Dr. Lívio Nunes (UFPI), e da área de genotoxidades e citotoxidade, lideradas pelo Dr. Pedro Almeida e pela Dra. Francielle Martins (UESPI).

Boa semana para todos (as)!

Alguns esclarecimentos do mundo acadêmico

Hoje resolvi tirar algumas dúvidas de alguns dos leitores do Ciência Viva que não pertencem ao meio acadêmico e que vivem a cair na lábia de quem, por algum motivo, quer se engrandecer por meio de falácias. Isso pode até ganhar um tom politizado, mas antecipo que polemizar não é minha intenção. Vou facilitar colocando algumas perguntas que já me fizeram, aí respondo esclarecendo.

Por que algumas pessoas mentem no Currículo Lattes?

Esta foi uma pergunta que me fizeram duas vezes: quando um ex-Ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, caiu em desgraça com algumas inverdades postas no currículo e, mais recentemente, um indicado para o STF também o fez. O Lattes é o espaço onde qualquer pessoa pode construir o Currículo. Um dia um ex-aluno disse que o Lattes era a “Rede Social dos Nerds”. Na verdade, o Lattes é uma referência na área de pesquisa. Um banco de dados de informações sobre pesquisadores. Mas as informações são de total responsabilidade dos seus autores. É como diz aquela passagem da música do Capital Inicial: “O que você faz quando / Ninguém te vê fazendo / Ou o que você queria fazer / Se ninguém pudesse te ver”. Então robustecer o Lattes é uma situação de status, pelo menos no meio acadêmico. É uma mentira fácil de pegar, mas que as pessoas não se preocupam muito em fazê-la, exceto se tiverem que provar o que colocaram ou ocupar cargos públicos como o ministro e o desembargador que caíram nesta tentação.

O que era melhor eu fazer: uma pós-graduação ou um mestrado?

Recebi esta pergunta de um ex-aluno recém-formado. Vamos por parte. Pós-Graduação é um curso que se faz depois da graduação. Assim o mestrado, o doutorado ou a especialização, são todos cursos de PÓS-Graduação, porque são cursos realizados DEPOIS da Graduação. Agora, existe a Pós-Graduação Lato Sensu (Lato quer dizer Largo, Amplo) que são as Especializações e Aperfeiçoamentos, e são cursos mais amplos, aproveitando concludentes de quaisquer áreas. Não preparam para o trabalho, por isso os concludentes recebem, apenas, Certificados. Mestrado e Doutorado são cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu (Stricto quer dizer estreito, numa alusão às especificidades do curso). São cursos mais específicos e formam para o trabalho, por isso os concludentes recebem Diplomas.

Professor, quando o senhor vai fazer seu “PhD”?

Me perguntaram isso em um seminário depois que apresentei dados da minha tese de Doutorado. Devolvi a pergunta: o que você acha que é um PhD? O interlocutor falou: não seria o título de Pós-Doutorado? Muita gente não sabe de fato o que um pós-doutorado. Pós-Doutor não é um título acadêmico. O último título da carreira acadêmica é o Doutorado. Pessoas com doutorado podem ter feito um Philosophy Doctor ou Doutor em Filosofia (PhD) ou Doctor in Science ou Doutor em Ciência (DSc). O Pós-Doutorado ou Estágio Pós-Doutoral é um estágio que se faz depois do Doutorado. E porque alguns pesquisadores recorrem ao Pós-Doutorado? Em geral pesquisadores que querem se reciclar, aprender algo novo, ou mesmo voltar a produzir e publicar depois de passado o tempo de Doutorado. Mas muitas pessoas insistem que estão com um novo título, o que termina causando esta confusão na cabeça das pessoas que não pertencem ao meio acadêmico.

Assim, encerro este texto com algumas dicas importantes:

1) Preencha seu Lattes com as informações verdadeiras. Mentira tem “pernas curtas” e não demonstra nenhuma vantagem para um candidato a pesquisador.

2) Recomendo que, antes de entrar em um Mestrado, procure fazer um curso Lato Sensu. A experiência mais importante de um curso de pós-graduação é o seu trabalho final. Quem entra em um mestrado ou em um doutorado e não o completa, em geral é porque não conseguiu concluir a dissertação ou a tese, que são, sem qualquer sombra de dúvidas o maior de todos os desafios.

3) Se você concluir um doutorado e tiver ânimo, siga fazendo um ou mais estágios pós-doutorais. Procure experiências em centros mais desenvolvidos, de preferência em locais que disponibilizem equipamentos e técnicas mais sofisticadas para que você consiga crescer mais na sua área. A possibilidade de estágios pós-doutorais no exterior é uma opção muito interessante.

Boa semana para todos (as).

COVID-19: as máscaras faciais realmente protegem?

Na semana que passou a revista Nature publicou sobre a eficiência das máscaras na prevenção da contaminação pelo vírus SARS-CoV2. Mas será que esta proteção é de fato eficiente?

Christine Benn, pesquisadora dinamarquesa que atua na Guiné-Bissau, prepara um dos maiores experimentos controlados sobre o uso de máscaras feitas de tecido duplo. Sua equipe já constatou que este tipo de máscara tem um grau de eficiência variando entre 11-19% quando comparada com o modelo N95, responsável por filtrar até 95% de partículas com 0,3 micrômetros de tamanho. Sua equipe tem evidência muito fortes que, mesmo sendo menor o grau de proteção, o uso de máscaras pode evitar que mais pessoas se contaminem.

A discussão sobre o assunto é polêmica e, em diferentes partes do mundo questiona-se sua eficácia. Todavia, estudos feitos revelam que ruim com a máscara, pior sem sua adoção, pois além de maior proteção à COVID-19, as máscaras ajudam a prevenir também outras doenças.

As máscaras faciais são o símbolo onipresente de uma pandemia que deixou 35 milhões de pessoas infectadas e matou mais de 1 milhão. Em hospitais e outras instalações de saúde, o uso de máscaras de grau médico reduz claramente a transmissão do vírus SARS-CoV-2. Mas, para a variedade de máscaras em uso pelo público, os dados são confusos, díspares e muitas vezes montados às pressas. Acrescente-se a isso um discurso político divisório que incluiu um presidente dos EUA depreciando seu uso, poucos dias antes de ser diagnosticado com COVID-19. Para ser claro, a ciência apóia o uso de máscaras, com estudos recentes sugerindo que elas podem salvar vidas de diferentes maneiras: pesquisas mostram que elas reduzem as chances de transmitir e pegar o coronavírus, e alguns estudos sugerem que as máscaras podem reduzir a gravidade de infecção se as pessoas contraírem a doença.

No início da pandemia, os especialistas médicos não tinham boas evidências sobre como a SARS-CoV-2 se espalha e não sabiam o suficiente para fazer recomendações de saúde pública fortes sobre máscaras. A máscara padrão para uso em ambientes de saúde é o respirador N95, que é projetado para proteger o usuário, filtrando 95% das partículas transportadas pelo ar que medem 0,3 micrômetro (µm) e maiores. À medida que a pandemia aumentava, estas máscaras rapidamente diminuíram. O que levantou a questão agora controversa: os membros do público deveriam se preocupar em usar máscaras cirúrgicas básicas ou máscaras de pano? Se assim for, sob quais condições? “Essas são as coisas que normalmente [classificamos] em testes clínicos”, diz Kate Grabowski, epidemiologista de doenças infecciosas da Escola de Medicina Johns Hopkins em Baltimore, Maryland. “Mas simplesmente não tínhamos tempo para isso.” Portanto, os cientistas confiaram em estudos observacionais e de laboratório. Também há evidências indiretas de outras doenças infecciosas.

A confiança nas máscaras cresceu em junho com notícias sobre dois cabeleireiros no Missouri que tiveram resultado positivo para COVID-19. Ambos usavam uma cobertura facial de algodão de camada dupla ou máscara cirúrgica durante o trabalho. E embora tenham transmitido a infecção para membros de suas famílias, seus clientes parecem ter sido poupados. Outros indícios de eficácia surgiram de reuniões em massa. Nos protestos Black Lives Matter em cidades dos EUA, a maioria dos participantes usava máscaras. Os eventos não pareceram desencadear picos de infecções, mas o vírus se espalhou no final de junho em um acampamento de verão na Geórgia, no qual as crianças que compareciam não eram obrigadas a usar coberturas faciais. Abundam as advertências: os protestos foram ao ar livre, o que representa um risco menor de disseminação do COVID-19, enquanto os campistas dividiram cabines à noite, por exemplo. E como muitos não manifestantes permaneceram em suas casas durante as reuniões, isso pode ter reduzido a transmissão do vírus na comunidade.

Análises mais rigorosas adicionaram evidências diretas. Um estudo pré-impresso publicado no início de agosto (e ainda não revisado por pares), descobriu que os aumentos semanais na mortalidade per capita eram quatro vezes mais baixos em locais onde as máscaras eram a norma ou recomendadas pelo governo, em comparação com outras regiões. Os pesquisadores analisaram 200 países, incluindo a Mongólia, que adotou o uso de máscara em janeiro e, até maio, não havia registrado nenhuma morte relacionada ao COVID-19. Outro estudo analisou os efeitos das determinações do governo estadual dos EUA para o uso de máscaras em abril e maio. Os pesquisadores estimaram que isso reduziu o crescimento de casos COVID-19 em até 2 pontos percentuais por dia. Eles sugerem cautelosamente que os mandatos podem ter evitado até 450.000 casos, depois de controlar para outras medidas de mitigação, como o distanciamento físico.

“Você não precisa fazer muita matemática para dizer que isso é obviamente uma boa ideia”, diz Jeremy Howard, um cientista pesquisador da Universidade de San Francisco, na Califórnia, que faz parte de uma equipe que revisou as evidências do uso de máscaras faciais em um artigo pré-impresso que foi amplamente divulgado. Mas esses estudos baseiam-se em pressupostos de que os mandatos das máscaras estão sendo cumpridos e que as pessoas as usam corretamente, o que não se pode garantir. É comum pessoas usarem máscaras penduradas no pescoço e embaixo do queixo, o que, a rigor, demonstra um risco maior de contaminação. Além disso, o uso da máscara muitas vezes coincide com outras mudanças, como limites nas reuniões. À medida que as restrições aumentam, mais estudos observacionais podem começar a separar o impacto das máscaras daqueles de outras intervenções.

Embora os cientistas não possam controlar muitas variáveis de confusão nas populações humanas, eles podem nos estudos com animais. Pesquisadores liderados pelo microbiologista Kwok-Yung Yuen da Universidade de Hong Kong alojaram hamsters infectados e saudáveis em gaiolas adjacentes, com divisórias de máscara cirúrgica separando alguns dos animais. Sem uma barreira, cerca de dois terços dos animais não infectados contraíram a SARS-CoV-2, de acordo com o artigo publicado em maio. Mas apenas cerca de 25% dos animais protegidos por material de máscara foram infectados, e aqueles que o fizeram estavam menos doentes do que seus vizinhos sem máscara (conforme medido por pontuações clínicas e mudanças de tecido).

Pelo sim, pelo não, opto pelo uso da máscara. Embora seja algo trabalhoso, se existem evidências de que reduzem o contágio, deixar de usá-las passa a ser um negacionismo tão estúpido quanto acreditar que a Terra é plana.

No vídeo a seguir uma matéria sobre testes feitos com máscaras na Universidade de São Paulo.

Boa semana para todos (as)!

(Com informações da Revista Nature)

COVID-19: novos resultados com anticorpos monoclonais animam pesquisadores

 Uma boa notícia: outra empresa deu agora fortes indícios de que os anticorpos monoclonais (em versões sinteticamente produzidas de proteínas feitas pelo sistema imunológico) podem funcionar como tratamento em pessoas infectadas com o coronavírus pandêmico, que ainda não estão gravemente doentes.

A biotecnologia Regeneron Pharmaceuticals desenvolveu um coquetel de dois anticorpos monoclonais que se ligam à proteína de superfície do SARS-CoV-2, e tenta impedi-lo de infectar as células.

Na semana que passou, a empresa mostrou slides com dados detalhados de 275 pessoas infectadas em um ensaio controlado por placebo que, em última análise, planeja inscrever 2.100 indivíduos assintomáticos ou, na pior das hipóteses, moderadamente doentes. A análise divide os pacientes em dois grupos: aqueles que tinham anticorpos detectáveis contra SARS-CoV-2 no início do estudo e aqueles que não tinham, um grupo denominado soronegativo. O coquetel monoclonal mostrou pouco efeito em pessoas que já tinham anticorpos contra o vírus. Mas pareceu ajudar os pacientes soronegativos, reduzindo poderosamente a quantidade de vírus encontrada em swabs nasofaríngeos e aliviando os sintomas mais rapidamente. “Esses são resultados provocativos”, diz Myron Cohen, da Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, que não esteve envolvido no estudo, mas está ajudando a Regeneron a testar seu coquetel monoclonal como preventivo.

Cohen observa que os dados do Regeneron parecem semelhantes aos de um comunicado à imprensa da Eli Lilly, sobre os primeiros resultados de um teste de seu único anticorpo monoclonal contra a SARS-CoV-2. “Ambos os relatórios vão na mesma direção”, diz Cohen. Mas ele alerta que nenhum dos dois foi publicado. Ambos os testes estão em andamento e mais dados são necessários para entender como - ou se - esses medicamentos experimentais podem ajudar melhor os pacientes. Lilly, estranhamente, não viu um impacto na dose mais alta de anticorpo testada, e o Regeneron não viu nenhuma diferença entre suas preparações de dose baixa e alta usadas no estudo.

James Crowe, um viroimunologista da Vanderbilt University que está trabalhando com a AstraZeneca para desenvolver anticorpos monoclonais COVID-19, deu as boas-vindas aos resultados preliminares detalhados do Regeneron. “Eu aplaudo Regeneron por liberar tantas informações”, diz Crowe. “Eles estão contribuindo para a saúde pública ao divulgar isso o mais rápido possível.” Mas ele observa que mesmo as pessoas que se deram bem com o coquetel monoclonal ainda tinham baixos níveis de vírus detectáveis após o tratamento, o que, em teoria, poderia causar problemas. “Fiquei surpreso com a existência de qualquer vírus, visto que esses anticorpos são tão potentes”, diz ele, acrescentando que o vírus residual detectado nos testes de swab pode não ser capaz de se copiar.

Esperamos que mais resultados como este apareçam e ajudem a minimizar os efeitos do vírus, agora em queda em muitos países, mas voltando em segunda onda em alguns lugares. Motivos para nos preocuparmos ainda temos muitos. Mas a Ciência nos dá motivos para termos esperança.

(Com informações da Revista Science)

Novidades para o Ensino de Biologia

Passei meus últimos 34 anos procurando maneiras de explicar de forma mais clara sobre a ciência que estuda a vida – a Biologia. É na verdade um grande desafio, mas até que me considero bem sucedido depois de formar gerações e gerações de estudantes que trilharam pelos caminhos mais diversos possíveis. Tive a feliz oportunidade de trabalhar em boas escolas e com isso, passaram por mim levas de estudantes dos mais variados tipos. Mas isso é papo para outro dia. Hoje vamos falar das últimas novidades publicadas para facilitar a vida dos professores de Biologia.

Foi publicado na semana passada pela Editora Atena, especializada em obras de produtos acadêmicos, o livro “Pesquisa e Desenvolvimento de Abordagens para o Ensino de Biologia”, organizado pelo Prof. Dr. Pedro Marcos de Almeida e pela Profª Drª Francielle Alline Martins, ambos da Universidade Estadual do Piauí (UESPI).

O livro traz 14 capítulos distribuídos em 208 páginas com trabalhos em diferentes áreas da Biologia, mas todos convergindo para novas formas e estratégias de como ensinar determinados temas da Ciência da Vida. Áreas como Citologia (estudo das células), Genética, Botânica, Zoologia, Ecologia e Meio Ambiente estão entre os focos dos artigos publicados. As estratégias também são as mais diversas como uso de coleções de plantas desidratadas e plantas medicinais, até o uso de produção de vídeos, jogos de tabuleiro ou aplicativos para dispositivos móveis, tudo para favorecer o ensino de diferentes ciências, fugindo da mesmice dos recursos disponibilizados em livros didáticos, apenas.

Os capítulos são fruto da perspectiva dos concludentes da primeira turma do Mestrado Profissional em Ensino de Biologia (PROFBIO) e seus respectivos orientadores. Além dos Professores Pedro e Francielle, atuaram professores vinculados aos cursos de Ciências Biológicas de Teresina (Campus Poeta Torquato Neto), Campo Maior (Campus Heróis do Jenipapo) e Picos (Campus Prof. Barros Araújo), totalizando 14 docentes.

O PROFBIO é um curso em Rede oferecido pela UESPI em convênio com outras universidades do Brasil, capitaneados pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em outra oportunidade já comentei aqui sobre o sucesso deste curso e os bons resultados obtidos em nível nacional. Relembre aqui.

A pandemia, embora tenha paralisado as atividades de ensino de graduação da Universidade Estadual do Piauí, não prejudicou a força de vontade de seus pesquisadores que, mesmo com todas as dificuldades e a falta de apoio do Governo do Piauí, continuam trabalhando diuturnamente, para entregar à sociedade o melhor que podem.

O livro poder ser obtido gratuitamente. Solicite através do e-mail do Colunista ou clique neste Link.

Boa semana para todos (as).

COVID-19: médico piauiense é um dos coordenadores de Projeto RadVid19

A COVID-19 tem posto diferentes segmentos da pesquisa científica para atuar, seja na busca por medicamentos, ou na busca por vacinas ou no aperfeiçoamento de medidas de detecção da doença, visto que isso tem sido um dos calcanhares de Aquiles da pandemia.

No campo do diagnóstico, além dos testes que comumente ouvimos a mídia enfocar, estão diagnósticos mais sofisticados que pretendem fornecer pistas mais sólidas sobre a existência do vírus no paciente. Uma destas formas é através dos exames de imagens dos pulmões.

O paciente COVID-19, ao longo da infecção, vai perdendo capacidade pulmonar, o que pode ser detectado através dos exames de imagens como raio-X e tomografias computadorizadas. É comum, no diagnóstico, os médicos descreverem o percentual de acometimento pulmonar, em função da reação do organismo diante da presença do SARS-CoV2. Diante disso, a ciência descobriu um meio prático de fornecer uma graduação de gravidade.

Por iniciativa do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, InRad-HCFMUSP, e do Inova-HC, um centro de inovação tecnológica vinculado ao Hospital das Clínicas da FMUSP, foi criado o Projeto RadVid19, um projeto com a missão de desenvolver soluções inovadoras, eficazes e de rápida implementação para diagnóstico da COVID-19, para o Estado de São Paulo e para o Brasil, visando minimizar o impacto da epidemia na sociedade brasileira.

O principal foco do RadVid19 é disponibilizar ferramentas de inteligência artificial para hospitais e radiologistas brasileiros trazendo mais agilidade e precisão no combate à pandemia. Em paralelo a isto, está sendo montado um banco de exames de imagens enorme e plural representando os padrões de apresentação da doença no Brasil (atualmente está com 18 mil imagens cadastradas), que será usado para aperfeiçoamento e criação de soluções nacionais de inteligência artificial. Um dos coordenadores do RadVid19 é o médico piauiense Bruno Aragão, radiologista do Hospital Sírio-Libanês e do Grupo Fleury.

Bruno Aragão foi palestrante do Pint of Science em Teresina a nosso convite em maio/2017. Fonte: Arquivo do Pint of Science/Teresina.

O projeto é bem audacioso e já conta com 47 Centros de Diagnóstico de todo o país, cadastrados. Recebe também a parceria de grandes instituições como o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem - CBR, Banco Itaú, Petrobrás, GE Healthcare, Huawei, Siemens Healthineers, Instituto Tellus, Hospital Sírio-Libanês, Grupo Fleury, BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento dentre outros.

Quem é Bruno Aragão?

Bruno Aragão Rocha é graduado em Medicina pela Universidade de São Paulo, com residência médica na área de Radiologia e Diagnóstico por Imagem e Fellow em Radiologia Abdominal pelo Instituto de Radiologia da Faculdade de Medicina da USP. Bruno tem experiência em Inovação na área médica, com histórico de projetos inovadores como o uso da Impressão 3D para o planejamento cirúrgico e já desenvolveu pesquisa com o médico Aurus Dourado e o cientista da computação Alexandre Tolstenko, todos piauienses, que unem  tecnologia à área de saúde.

Bruno Aragão é mais um brasileiro do Piauí lutando contra a COVID-19. Boa semana para todos (as)

Flores para você

Amanhã é 21 de setembro. Aqui no Brasil se comemora como Dia da Árvore, para marcar o início da Estação da Primavera, marcado para o dia 23 de setembro, dada a posição da Terra em relação ao Sol.

Mas tenho uma pergunta intrigante: você sabia que aqui na nossa região, Nordeste e Norte do Brasil, as árvores são comemoradas em Março???

O Decreto Federal Nº 55.795, de 24 de Fevereiro de 1965, instituiu a Festa Anual das Árvores, a ser comemorada durante a última semana do mês de março (período chuvoso) nos Estados do Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Pelo sim, pelo não, como diz um dileto e sábio amigo meu: o que abunda não prejudica. É sempre válido comemorar a vida ao nosso entorno, e pelas árvores, vale a pena comemorar não somente em março pela abundância de chuvas como também em setembro, época em que muitas árvores estão em floração. Já escrevi neste Blog várias vezes sobre árvores: a floração de nossos ipês ou explicando o porquê do caneleiro ser a nossa árvore símbolo...

Atualmente estamos vivendo uma grande crise. Seja pela inércia das autoridades ou pela ideia de que as coisas podem ser feitas de qualquer jeito, grandes áreas da Amazônia, dos Cerrados e do Pantanal Matogrossense ardem em chamas, destruindo não somente as árvores, mas matando outras plantas e também muitos animais.

É preciso deixar, principalmente para as futuras gerações, que o respeito pelos seres vivos precisa ser o mote principal, pois o desequilíbrio imposto ao meio nos afeta diretamente.

Bom domingo a todos e todas e viva o dia da Árvore!!! E muitas flores para você...

 

 

O medo da volta

A pandemia de COVID19 deixou todo o mundo assustado e em pânico com a perspectiva real de enfrentar uma doença terrível e que açoitou já perto de 1 milhão de pessoas no mundo inteiro (916.237 pessoas mortas neste exato momento em que escrevo o texto). A falta de solução para a doença permitiu a recomendação de paliativos como o uso de máscaras, banhos diários de álcool em gel a 70% e o pior de tudo: o isolamento social.

De todos os problemas o que mais afeta a todos, sem dúvida, é a necessidade do isolamento social. O mundo inteiro sofreu com a crise econômica, com a lida com um jeito diferente de conviver e se comportar, com a necessidade de ter paciência contra os intolerantes, com a corrupção que fez com que políticos espertalhões dessem mais um jeitinho de pôr a mão no erário etc. Enfim: um problema que desencadeou uma porção de outros problemas. Mas o segmento mais afetado, sem qualquer dúvida foi a educação.

O fato de o vírus ser facilmente transmitido de pessoa a pessoa e existirem grupos mais suscetíveis a sucumbirem ante a doença, impôs a necessidade de as escolas pararem. Persiste a grande dúvida se pessoas assintomáticas são transmissoras ou não da doença. Pais aflitos, precisando trabalhar, ainda que de casa, foram obrigados, do dia para noite, a prover a educação dos filhos com o irrestrito apoio das escolas. Escolas privadas, mais cuidadosas com o que entregam em termos de educação, assumiram meios alternativos e passaram a mesclar aulas gravadas com encontros ao vivo usando plataformas digitais que, cada dia mais aperfeiçoadas, passaram fazer parte da rotina de professores e outros atores escolares para mitigar os efeitos do isolamento.

Nas escolas públicas os problemas são bem maiores, pois as diferenças socioeconômicas empurram os mais pobres para o abandono e para o isolamento provocado por não terem meios para acompanharem as aulas, seja por falta de equipamentos ou pela falta de internet, ou porque os gestores não conseguem pensar fora da caixinha e não conseguem gerar meios alternativos de entregar um mínimo para manutenção das crianças vinculadas à escola.

O retorno, em determinados locais, tem levantado medo e ansiedade nos que se preparam para voltar. Seja pela morte de professores ou pelo aumento no número de professores doentes. Mas o que se deve fazer?

Vou emitir minha opinião, tanto como um observador desta pandemia e de suas consequências, como a de um educador preocupado com a situação. Vamos por parte:

1) Seria muito importante que as escolas planejassem um retorno de modo escalonado: apenas algumas turmas e com uma parte dos estudantes, apenas, de modo presencial.

2) Priorizassem os estudantes que vão se submeter a concursos como o ENEM.

3) Dessem a opção para os estudantes que, ou por terem comorbidades, ou mesmo não sentirem segurança, permanecessem em casa nas atividades remotas.

4) Seguissem todos os protocolos de segurança determinados pelas autoridades sanitárias. Caso não conseguissem garantir a segurança, permanecessem apenas com atividades remotas, mas cuidando para avaliar a efetividade do aprendizado remoto usando avaliações que medissem a aquisição de habilidades e competências neste período.

5) Que as escolas protejam seus professores, resguardando os que pertencem aos grupos de risco em atividades remotas.

Os prejuízos educacionais são imensuráveis, mas não seriam maiores do que perdas provocadas pelo retorno precipitado ou mal planejado. Há crianças que se adaptaram bem às atividades remotas, mas para os mais jovens a socialização é muito importante. Todavia, não há segurança para o retorno, a curto e nem a médio prazos, e este é o nó Górdio da questão.

Que a ciência consiga através de vacinas, antivirais, anticorpos monoclonais, imunização cruzada, ou qualquer outra estratégia, promover um retorno de todos ao mais próximo possível do que seria o normal. Que os educadores consigam promover estratégias que permitam aos estudantes que tirem a diferença do que deveriam ter aprendido este ano. 2020, por tudo o que já aconteceu, já pode ficar para trás.

Boa semana para todos (as) e até o próximo post...

 

O futuro da Educação

Desde muito cedo aprendi com meus pais que precisava estudar para chegar onde quisesse. A cantilena sempre começava assim: “o que temos para deixar para vocês é o que aproveitarem da escola”. Esta lição fiz questão de passar para meus filhos e acho que o discurso deu certo. Vivendo em um país com poucas oportunidades e nascidos em um estado onde estas oportunidades são ainda menores, a saída termina sendo de fato a formação escolar. Como dizia Nelson Mandela: a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”.

O mundo, em constante evolução, vai mudando e alguns paradigmas descrevem alterações o que vale para educação em uma conjuntura de transformação do mundo do trabalho. Já falei aqui antes sobre a Educação 4.0, na perspectiva de que as carreiras profissionais estão em mudança constante para atender ao mundo contemporâneo.

Nesta toada, precisamos preparar nossos filhos para um mundo que sequer conhecemos, e aí é imperativo que os preparemos para adquirirem habilidades. Estas serão imprescindíveis para as ocupações do futuro, como já alertou o historiador israelense Yuval Harari. Mas será que esta mudança provocará alterações nos cursos oferecidos pelas universidades? Na minha opinião as mudanças já estão acontecendo.

A Google criou um programa chamado Google Career Certificates (Certificados de Carreiras do Google, em tradução livre). Trata-se de um conjunto de cursos para carreiras específicas no Google. Atualmente a plataforma oferece cursos na área de Gestão de Projetos, Analista de Informações e UX Designer, áreas altamente demandadas pelo próprio Google. São cursos com apenas seis meses de duração, mas que prometem formar pessoas para atuarem no mercado, segundo o site de “alta demanda”, como salários anuais entre US$ 54 mil e 75 mil, ou seja, valores entre R$ 22 mil e R$ 31 mil mensais. Aí vem a pergunta: quem trocaria um curso destes, rápido e voltado para formar uma clientela específica, por um curso superior numa faculdade ou universidade, com todas as deficiências que existem, sem qualquer garantia de empregabilidade e com ganhos projetados infinitamente menores? Confira aqui.

O certo é que as demandas que estão surgindo, para uma sociedade imersa na Quarta Revolução Industrial e a velocidade com que surgem novas funções, notadamente forçam o aparecimento de novos aprendizados. Quando uma grande corporação como o Google oportuniza de forma tão objetiva novos aprendizados, mostrando que logo adiante existem boas oportunidades de trabalho, é preciso e necessário que as corporações com compõem as velhas estruturas ponham suas barbas de molho. Quem precisará de uma carreira universitária dentro desta perspectiva? O que hoje seria classificado como um curso livre (aqueles que dispensam determinadas requisitos e não passam pelo crivo de uma oficialização por uma instituição normativa, como um conselho de educação) pode se tornar algo muito mais precioso do que uma carreira acadêmica, como ponto central para ingresso no mercado de trabalho e com um custo benefício infinitamente maior.

No futuro, muito provavelmente, as habilidades adquiridas serão muito mais importantes do que os títulos acadêmicos. Reflitamos. Boa semana para todos (as)

 

Águas Zarcas: a riqueza que veio do céu

Muita gente já testemunhou a queda de uma “estrela cadente”. Fica até meio redundante (cadente=que caiu), mas estamos falando de meteoros ou meteoritos. São corpos celestes que vagam e vez por outra invadem nossa atmosfera.

Ao entrarem em contato com nossa atmosfera, o atrito com o oxigênio faz com que se tornem incandescentes e, via de regra, incendeiam e se dissolvem em partículas. Os poucos que caem com um tamanho considerável, na maioria das vezes, caem nos oceanos.

Estes corpos celestes muitas vezes trazem elementos importantes na sua composição. Os meteoritos são, em geral, fragmentos de asteroides ou cometas, podendo ser rochosos, metálicos ou uma mistura de rocha e metal. Os metálicos em geral são compostos de níquel e ferro. Existem ainda, e são bem raros, os meteoros chamados de condritos carbonáceos, cuja composição é rica em hidrocarbonetos.

No dia 23 de abril de 2019 caiu sobre a Costa Rica o meteorito do tipo condrito carbonáceo batizado de Águas Zarcas. Fragmentos do Águas Zarcas tem sido vendido por até US$ 400 o grama (cerca de dez vezes mais caro do que o ouro). A revista Science produziu um vídeo falando do achado de alguns moradores. Veja:

No Brasil já cairam alguns meteoritos que ficaram famosos como a Pedra de Bendegó e o Meteorito de Santa Luzia, ambos em exposição no Museu Nacional e que não sofreram danos com o incêndio que o destruiu em setembro de 2018. O meteorito de Bendegó foi descoberto no século XVIII e foi transportado do interior da Bahia, onde foi descoberto, para o Rio de Janeiro, apenas em 1888. Para sua remoção foi criada uma comissão de engenheiros e seu transporte foi considerado uma das mais complexas operações de logística da época do Império. O meteorito tem 5.360 kg, é composto de ferro, níquel e cobalto e quando foi descoberto era o segundo maior meteorito do mundo (hoje é o 16º). Veja no próximo vídeo uma explicação sobre os meteoritos depositados no Museu Nacional.

Boa semana para todos (as).

 

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