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Descobertas moléculas orgânicas no solo de Marte

Na semana passada a revista Science publicou um artigo em que anunciou a descoberta de matéria orgânica no solo de Marte. A sonda Curiosity da NASA analisou amostras de solo demonstrando a presença de moléculas à base de Carbono – base molecular importantíssima para a vida na Terra.

Desde que pousou em 2012 no solo marciano, a sonda Curiosity faz incursões e coletas de amostras. As primeiras detecções foram consideradas muito fracas pelos cientistas, supondo-se inclusive que poderiam se contaminações, advindas da Terra.

Sonda Curiosity

A Curiosity agora se deparou com moléculas orgânicas similares às que são encontradas no gás e óleo típicas da matéria orgânica que forma o petróleo na Terra. A extração foi feita em dois locais diferentes no antigo leito do que teria sido um lago. Desta vez foram encontradas amostras orgânicas em um volume 100 vezes maior do que a anterior.

Apesar da descoberta dos materiais orgânicos não significa que o mesmo tenha sido originado de um ser vivo, mas sua simples descoberta já evidencia a capacidade da molécula em se preservar a uma pequena profundidade de uma superfície completamente inóspita, por pelo menos três bilhões de anos (a datação estimada para a amostra do solo).

Os cientistas usaram uma broca robótica que extraiu a amostra alguns centímetros abaixo do solo. A amostra foi aquecida a uma temperatura entre 600°C e 860°C. Um espectrômetro de massa analisou a fumaça resultante do aquecimento percebendo moléculas de carbono na forma de pequenas cadeias alifáticas (abertas) e anéis aromáticos (cadeias fechadas). Quimicamente as moléculas se mostraram semelhantes ao querogênio, a parte insolúvel de uma molécula orgânica que se produz por intempéries pedológicas.

As moléculas encontradas podem ser tanto derivadas de organismos que viveram no passado de Marte, quanto oriundos de meteoros que, em geral, também são ricos neste tipo de molécula.

O próximo passo é enviar missões a Marte que consigam retornar para Terra trazendo estas amostras, para que possam ser examinadas nos laboratórios terráqueos. Análises mais detalhadas podem evidenciar a origem destas moléculas.

Uma reflexão necessária...

 

Foi de cortar o coração. A cena: um trator robusto de aço, derrubando a última árvore do que seria um resíduo de uma floresta. O orangotango, caminha sobre o tronco da árvore caído e parte para o embate com a máquina. Esbarra, cai do tronco, logo é cercado por dois ou três homens que aparecem na cena para seu “resgate”.

Na subjetividade da nossa pequena e mesquinha vida me pus a pensar naquele primo macaco distante, em um lugar distante, a Indonésia. Brigando talvez pelo último recurso do seu habitat. Destruído pela sanha humana de usar aquele último palmo de terra.

A cena me remeteu ao centro do enredo de Avatar, aquele filme que foi um sucesso gigante de bilheteria, em 2009, no qual a história se passa numa lua extraterrestre chamada Pandora, com figuras humanoides azuladas que defendiam a todo custo o equilíbrio de seu mundo invadido por seres humanos com máquinas que buscavam explorar um recurso mineral raro, encontrado apenas naquele mundo.

Vi naquele Orangotango um habitante Na’vi de Pandora, defendendo seu território com uma desproporcionalidade absurda de forças. E confesso: fiquei entristecido!

No mundo inteiro, nós humanos, temos sido uma espécie brutalmente assassina de convivas. Temos sido a força da própria seleção, mas não de uma seleção aprimorada. Uma seleção baseada apenas em interesses absolutamente mesquinhos. Já usamos um considerável conjunto de recursos, o que limita bastante a nossa sobrevida na Terra. Não a mim ou a você que está lendo este texto. Mas as gerações futuras que também dependerão destes mesmos recursos para sobreviver e muitos não são renováreis.

Há alguns meses li o livro “A Sexta Extinção” escrito pela jornalista Elizabeth Kolbert e fiquei impressionado com os efeitos da nossa capacidade de destruir o mundo. Caminhamos para mais um processo de extinção em massa. Desta vez não é um asteroide ou meteoro que vem do espaço e causará um impacto definitivo sobre nosso planeta. O problema agora é causado por nós mesmos. É uma autodestruição!

Em 1855 um líder indígena dos EUA, Cacique Seattle mandou uma carta para o então Presidente pretendia fazer uma troca de terras e colocar os índios em uma reserva. A carta do índio tem palavras muito fortes e muito dentro da realidade em que vivemos. Pesquei um trechinho dela que diz:

“Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra. ”

É apocalíptico, mas bastante atual e verdadeiro: “Tudo quanto fere a Terra, fere também os filhos da Terra”

Entretanto, ainda se vê muita gente preocupada com os direitos dos animais, preocupados com a preservação e a conservação da natureza. Em nível mundial destaco a ação de grupos como o International Animal Recue (IAR), uma ONG preocupado com o resgate de animais em risco pela ação humana. Foram eles que filmaram o Orangotango tentando resistir. Nem foi agora. O vídeo é de 2013. Gente que investe tempo e boa parte de sua vida por causas como essa.

Nem precisa ir do outro lado do mundo para conhecer gente assim. Minha amiga Jacqueline Lustosa, vive aqui em Teresina e de vez em quando usa suas redes sociais para reclamar da falta de cuidado que os governantes tem com a natureza, com animais mais frágeis. Conheçam o perfil da Jacqueline no Facebook (https://www.facebook.com/profile.php?id=100010095373412).

Precisamos entender a Terra como um lar para todas as espécies, inclusive a nossa.

No link abaixo um vídeo com resgates feitos pela IAR na ilha de Borneo.

Um bom domingo e até a próxima...

 

Corta a Ciência! Corta soberania!

Na semana que passou o país inteiro sofreu com uma greve de caminhoneiros. Até quem nunca pensou que seria afetado pagou o pato (sem nenhum tipo de correlação com um pato famoso que tem por aí!). Desabastecimento de tudo, inclusive de combustível. Prejuízo imenso para as cadeias produtivas do país porque faltou ração para alimentar os animais. Leite derramado no esgoto, porque não tinha como escoar a produção das bacias leiteiras.

Esta dependência perigosa de um único modal de transporte é fruto de um abandono lá atrás, no passado, onde uma malha ferroviária inteira parou de crescer e passou a encolher. Modais mais baratos ainda, abortados nos primeiros momentos de sua evolução, como o transporte fluvial. Investimentos em ferrovias: zero! Investimentos em proteção da navegabilidade dos rios: zero! Investimento na malha rodoviária: o máximo possível! Afinal a indústria automobilística crescendo, os insumos para produção de veículos crescendo, a oferta de combustíveis fósseis em alta. E viva o fim da crise do petróleo!!! Abu Dhabi que o diga...

Agora, na esteira da política de preços flutuantes do mercado internacional, aumento dia sim e outro também nos derivados do petróleo. E também nos não derivados. Etanol subindo de preço também.

Solução pós-greve: baixar o preço do Diesel, congelando por dois meses, cortar impostos e taxações sobre este combustível etc. Quem pagará a conta? Nem precisa ser expert em economia para saber.

Uma pergunta: mas o blog não é de Ciência? Pode estar se questionando o incauto leitor... Mas a ciência brasileira também foi para lona por causa do mau gerenciamento dos preços e lucros da nossa estatal de petróleo.

Dia 04 de junho várias entidades que se ocupam de trabalhar com Ciência no Brasil assinaram um manifesto pedindo aos legisladores do Brasil que revisem os termos dos cortes orçamentários propostos na Medida Provisória nº 839/2018. Ela afeta oito segmentos relacionados à ciência e a educação brasileira. Transcrevo abaixo os segmentos e onde vai apertar o calo, com os cortes de verbas:

1. CNPq – prejudicando a formação de recursos humanos;

2. Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) – afetando o fomento à pesquisa e à inovação tecnológica, em empresas inovadoras e instituições de ciência e tecnologia;

3. MEC – prejudicando a concessão de bolsas para estudantes de Instituições de Ensino Superior;

4. Ministério da Saúde – atingindo importantes programas da Fiocruz e prejudicando o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS);

5. Programas de Educação do Campo (INCRA) e Educação e Formação em Saúde (Fiocruz, Funasa e Fundo Nacional de Saúde);

6. Fundo de Universalização das Telecomunicações (FUST) – afetando serviços que visam atender a população excluída do mercado, primordialmente nas áreas de educação, de saúde, de segurança e as bibliotecas em regiões remotas e de fronteira;

7. EMBRAPA – prejudicando pesquisas que agregam valor à produção agrícola e beneficiam a segurança alimentar e a pauta de exportações do país;

8. INMETRO – atingindo programa de fiscalização em metrologia e qualidade.

Ao todo 46 entidades assinaram o manifesto, dentre elas a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) da qual me orgulho em fazer parte como membro, dois Fóruns permanentes, uma federação, três conselhos de gestores nas áreas de Ciência e Tecnologia e Amparo à Pesquisa, oito associações e 32 sociedades científicas diversas. O que se pede é a análise mais cuidadosa destes cortes.

Para que a Ciência, Tecnologia e Inovação no nosso país possa se desenvolver é necessária a aplicação de recursos, indubitavelmente. No Brasil, mais da metade dos recursos aplicados são de natureza pública, que muitas vezes puxam as aplicações advindas do segmento privado.

Sem a aplicação de recursos fica muito difícil fazer pesquisa. Sem a pesquisa não há geração de conhecimento. Sem geração do conhecimento não há domínio sobre o que é possível virar bem de produção e consumo. O resultado disso é que tudo o que consumimos precisa vir de nações que investem em pesquisa. Já é assim praticamente.

Se verificarmos a balança comercial brasileira vamos ver que dos dez produtos mais exportados pelo Brasil em 2017, oito são matéria-prima (soja, café, açúcar, óleo bruto para refino, minério etc.). Os dois restantes são carros montados aqui e aviões. Se formos filtrar e considerarmos que os carros são apenas montados aqui (não são resultado de desenvolvimento tecnológico local), a única coisa que o Brasil consegue exportar, fruto de desenvolvimento tecnológico são os aviões. Não é à toa que EMBRAER é a terceira maior fabricante de aviões do mundo.

Exportar muita matéria-prima é sinal de que somos uma colônia. Não conseguimos agregar valor a estes produtos. Por que? A causa básica é a falta de desenvolvimento da pesquisa aplicada, principalmente. A pesquisa aplicada só se desenvolve bem se a pesquisa básica estiver conseguindo avançar. Um exemplo: desenvolvimento de uma droga extraída de uma planta para combater determinada doença (pesquisa aplicada), conhecer esta planta, o ambiente onde ela vive e como ela se relaciona com outros organismos (pesquisa básica). Não tem dinheiro nem para a básica e nem para aplicada.

Precisamos fazer alguma coisa contra esta situação caótica. A principal arma é saber escolher nossos representantes.

Até o próximo post...

Como construir um sistema escolar do século 21?

Esta pergunta é o subtítulo da obra World Class – How to build a 21st-century school system (Classe Mundial – Como construir um sistema escola do século 21, em tradução livre) do educador Andreas Schleicher, da série de publicações intitulada Strong Performers and Successful Reformers in Education (Artistas Fortes e Reformadores de Sucesso na Educação, em tradução livre) publicado pela OECD – Organização pra Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o mesmo órgão que organiza o Exame de Desempenho de Estudantes, PISA. Andreas Schleicher é professor honorário da Universidade de Heidelberg na Alemanha e dirige o segmento de Educação e Competências da OCDE, sendo o supervisor geral do PISA e considerado uma das maiores autoridades mundiais em política educacional.

O livro, publicado em língua inglesa, está disponível gratuitamente no endereço https://www.oecd-ilibrary.org/docserver/9789264300002-en.pdf?expires=1527876050&id=id&accname=guest&checksum=448615DE3B7A47F519A5A119ABBB99E0

Traz um apanhado geral sobre os sistemas educacionais e os desafios de se incrementar sistemas que possam atuar na formação do cidadão do século XXI.

A obra está dividida em seis capítulos. O primeiro capítulo, intitulado Educação, através dos olhos de um cientista, traz uma visão da educação sob a óptica de pesquisadores, abordando as origens do PISA, considerado um excelente indicador para medir a qualidade da educação de uma nação.

Na segunda parte chamada “Desmascarando alguns mitos”, o livro traz um panorama de várias relações entre os sistemas educacionais e tempo de escolaridade, aplicação de recursos financeiros, tamanhos das classes, entre outros temas que inclui a discussão sobre imigração e pobreza. O terceiro capítulo “O que faz com que sistemas escolares de alto desempenho sejam diferentes” esmiúça alguns fatores diferenciais dos sistemas que obtêm resultados superiores. O capítulo é enriquecido por textos sobre o processo de recrutamento de professores, o processo de otimização do trabalho docente, um sistema de bonificação para professores e estudantes, otimização de recursos financeiros para escola e o processo de autonomia da escola.

As três últimas partes arrematam sobre as dificuldades e estratégias que devem ser usadas para implantação de sistemas escolares. Há uma discussão sobre o processo de equidade, extremamente necessário para equilibrar as diferentes relações entre a população e suas escolas. Há uma abordagem sobre as relações entre cidades grandes e desenvolvimento do processo educacional nas grandes cidades, bem como uma série de considerações sobre os migrantes. Na parte final o autor traça um panorama sobre os processos de reforma e o como fazer isso acontecer, com abordagens sobre o perfil do professor do século XXI e novas estratégias para repensar as avaliações.

É uma leitura rica para quem quiser se inteirar sobre as reformas educacionais tão necessárias para países como o nosso, que não está entre os que menos investe, mas está entre os que colhe os piores resultados.

Até o próximo post e boas leituras...

 

 

 

 

 

Nossa vida é comandada por Algoritmos

Você já deve ter passado pela estranha experiência de ter pesquisado sobre um produto na internet, por exemplo, e todas as vezes que abre uma rede social, aparece alguma coisa sobre aquele produto que você pesquisou. Estranho isso, não?

Na verdade, quando você faz uma pesquisa, principalmente visando comprar alguma coisa, existem algoritmos que capturam aquele seu interesse e em todas as oportunidades que podem exibem novamente o resultado daquela sua busca. Mas o que são os algoritmos. Algoritmo é definido como o conjunto de passos ou ações que devemos adotar para realizar uma determinada ação.

Se preciso ir ao médico, por exemplo, 1) devo fazer uma pesquisa de qual especialidade devo procurar; 2) quais são os profissionais que atendem naquela especialidade; 3) quais são os profissionais que atendem para o meu plano de saúde; 4) buscar um contato para marcar a consulta médica; 5) pesquisar o endereço de onde o profissional atende; 6) me dirigir ao local onde o médico atende. Estes seriam os passos básicos para conseguir o que estou precisando, a partir da premissa: preciso ir ao médico.

Os algoritmos são as unidades básicas de funcionamento dos programas de computação. Todo programa de computação, por mais simples que seja, depende de um conjunto de passos para, a partir daí, tentar resolver um problema. Depois de construído, o algoritmo é “traduzido” para uma linguagem que o computador consiga entender. Daí para a frente a máquina toma de conta.

Vivemos em um mundo em franca transformação e boa parte do que precisamos fazer hoje pode contar com ajuda de um computador e de todo o conjunto de instruções capazes de fazer com que este computador trabalhe. O vídeo a seguir traz breves entrevistas com cientistas que falam sobre o papel dos algoritmos nas nossas vidas.

Na atualidade existem sistemas que conseguem capturar nossas necessidades ou nossa curiosidade sobre um determinado produto, por isso muitas pessoas já estão evitando falar próximo de seus computadores ou deixar a câmera de seu notebook descoberta. Verdade ou mentira, pelo sim ou pelo não, já tem muita gente desconfiada de que existem algoritmos que espionam nossas preferências para fins absolutamente comerciais. Não se deve duvidar de muitas coisas.

Até o próximo post...

Genes pós-morte

É quase um consenso que depois que morremos algumas coisas no nosso organismo ainda continuam funcionando por algum tempo. Nossos cabelos e unhas, por exemplo, continuam a crescer por um tempo razoável, uma vez que até todas as células do nosso corpo pararem de funcionar leva um tempo.

Em pesquisas recentes cientistas observaram o comportamento de cerca de 1.000 genes em peixes-zebra e ratos até quatro dias depois que estes animais já tinham morrido. Grupos de genes relacionados ao câncer, à resposta imune, inflamações e resposta ao stress foram os mais ativos.

Uma grande surpresa foi verificar que alguns genes que só funcionam nas fases iniciais do nosso desenvolvimento (quando somos embriões) e que ficam bloqueados durante toda nossa fase adulta, voltam a ter atividade após a morte. Muito provavelmente fatores que estimulam suas atividades durante as fases embrionárias também os instiguem à ação após a morte

A pesquisa também analisou cerca de 9 mil amostras de 36 tipos diferentes de tecidos humanos e constatou que os genes de tecidos musculares praticamente “enlouquecem” após a morte, trabalhando fortemente. Esta mesma pesquisa constatou que 600 amostras apresentaram franca atividade: amostras do baço e do cérebro foram as mais estáveis. Amostras da pele e da gordura subcutânea mostraram-se bem ativas. Esta atividade pode ser bastante útil para medicina forense, mostrando que uma das consequências deste conhecimento seria subsidiar com novas informações perícias realizadas em vítimas de assassinato, por exemplo.

Outra aplicação da pesquisa é a possibilidade de se estudar o efeito diferenciado em receptores de órgãos transplantados, permitindo entender porque algumas pessoas convivem muito bem com o órgão transplantado, enquanto outras desenvolvem câncer por ter recebido órgão de outra pessoa.

O vídeo a seguir, produzido pela Science conta mais sobre o assunto:

Até a próxima!!!

 

 

 

 

Teoria da Relatividade, Albert Einstein e Sobral no Ceará: o que existe em comum?

Albert Einstein é considerado um dos maiores gênios da humanidade. Ele foi o físico teórico responsável pela formulação da Teoria da Relatividade, considerada um dos principais pilares da Física Moderna.

Einstein nasceu em Ulm na Alemanha e era filho de uma família de judeus alemães pobres. Iniciou seus estudos na Alemanha, mas aos 16 anos mudou-se para Suíça onde complementou seus estudos. Einstein iniciou sua vida profissional trabalhando em um escritório de patentes em Zurique, na Suíça, depois de passar dois anos desempregado. Concluiu seu Doutorado em 1905 e logo publicou trabalhos em vários temas como efeito fotoelétrico, movimento Browniano, relatividade especial e equivalência entre massa e energia. Mas entre seus estudos mais promissores publicou sobre a Teoria da Relatividade.

A Teoria da Relatividade é como se chama o conjunto de ideias sobre a Relatividade Restrita e a Relatividade Geral. A teoria é composta por dois postulados: o princípio da Relatividade e a Invariância da velocidade da luz. Mas o que esta teoria tem a ver com o interior do Ceará?

Em 29 de maio de 1919, portanto a 99 anos atrás, cientistas ingleses viajaram para fazer observações de um eclipse solar. Foram escolhidas duas cidades para observação do Eclipse: Sobral, no interior do Ceará, aqui no Brasil, e na Ilha do Príncipe, na Costa africana, pois em ambas a visão do eclipse seria mais completa. Em Sobral, os cientistas tiraram fotografias com um telescópio que, ao serem reveladas, puderam comprovar a existência do chamado "efeito Einstein", ou seja, a curvatura da luz ao se aproximar de um corpo de grande massa – no caso, o desvio da luz emitida pelas estrelas ao passar nas proximidades do Sol.

O registro fotográfico é considerado uma comprovação definitiva da Teoria da Relatividade de Einstein. Este ano a Prefeitura de Sobral, juntamente com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) marcou uma série de eventos para comemorar o Centenário da comprovação da Teoria da Relatividade. Desde 1999 existe na cidade o Museu do Eclipse fundado no aniversário de 80 anos da comprovação da Teoria e que passa por reformas para reabrir em 29 de maio de 2019, por ocasião do Centenário.

Até o próximo post...

 

 

Como destruir a pesquisa em Biodiversidade de um só golpe...

Biodiversidade é conjunto de todos os seres vivos de uma determinada área geográfica. A biodiversidade da Terra ainda não é plenamente conhecida e muitos dos seres vivos são extintos antes de serem conhecidos pela ciência.

É sabido no mundo inteiro que o Brasil é o detentor da maior diversidade biológica do planeta. Só para se ter uma ideia no Brasil são conhecidas cerca de 55 mil espécies de plantas, o que corresponde a aproximadamente 22% das plantas que ocorrem no mundo inteiro (total de 250 mil espécies). Mas não somos somente os maiores no Reino Vegetal: temos mais de 82 mil espécies de insetos, quase duas mil espécies de aves, mais de 700 espécies de mamíferos, quase cinco mil espécies de peixes e por aí vai. De acordo com os cálculos dos especialistas, detemos 9% das espécies de animais do mundo inteiro, ou seja, de cada 10 espécies de animais encontrados na Terra uma é brasileira.

Estudar a biodiversidade não é simples. Muitas das espécies vivem restritas em áreas de preservação conservadas porque antes viviam em áreas que deram lugar a projetos de exploração voltados para agricultura, pecuária, mineração ou produção de energia, especialmente hidrelétricas. Para estuda-las são necessárias verdadeiras odisseias dos pesquisadores em campo. Depois trazê-las para laboratórios ou para levá-las para laboratórios ou universidades mundo a fora em busca da identificação e do conhecimento associado a aplicações como estudo de fármacos associados ou outros compostos de importância, por exemplo. Mas continuar com estes estudos está cada vez mais difícil.

O Governo Brasileiro, sob a égide de uma crise econômica mais movida por um sem fim de erros nas aplicações de recursos financeiros, tem imposto cortes sobre cortes das verbas aplicadas em pesquisa. Como se não bastasse o encolhimento dos já parcos recursos investidos na pesquisa científica, cortes maciços em bolsas de estudo, congeladas desde 2013. Para se ter uma ideia paga-se 1500 reais para um estudante de Mestrado e 2200 para um estudante de Doutorado. Como se isso não bastasse um novo golpe: aumento estrondoso da burocracia para quem estuda biodiversidade.

Parece pouco, mas cito um exemplo simples: o meu próprio! Sou um pesquisador considerado mediano: por não ser pesquisador profissional (sou mais professor do que pesquisador) me envolvi em cerca de 20 a 30 projetos nos últimos 20 anos. Trabalho com diversidade de plantas. Minha produção acadêmica não é tão grande porque tenho menos de 10 anos de Doutorado e apenas há uns quatro anos passei a atuar em Mestrados e Doutorados, onde as pesquisas são mais intensas. Pois bem: de acordo com a Lei Federal Nº 13.123/2015 combinada com o Decreto nº 8.772/2016 que a regulamentou, a fim de que eu não receba uma multa pelas minhas pesquisas do ano 2000 para cá, terão que ser registradas até 05 de novembro de 2018 no Sistema Nacional de Gestão de Recursos Genéticos e Conhecimento Tradicional Associado (SisGen). Ou registro tudo ou serei multado em até R$ 10 milhões!

Assim: como se não bastasse a falta de recursos, o cancelamento de pesquisas pelas limitações financeiras que vivemos, especialmente aqui na região Nordeste onde não conseguimos competir em pé de igualdade com colegas do eixo Sul-Sudeste, teremos que parar tudo para colocar todos os registros, de todas as plantas que coletamos num sistema que, em tese, foi criado para controlar a biopirataria. O detalhe mais tosco é o seguinte: nenhum pesquisador estrangeiro está obrigado a fazê-lo! Tudo em nome da ciência...

Quer saber mais? Dá uma lida neste artigo da Science, desta semana: http://science.sciencemag.org/content/360/6391/865.1?utm_campaign=toc_sci-mag_2018-05-24&et_rid=40167178&et_cid=2072632&sso=1&sso_redirect_count=1&oauth-code=a2b59676-2da9-4f40-8034-48a9b1fb3a42

Animador não?!?

Viva o Brasil! Antes que se morra...

 

 

 

Bluetooth: a tecnologia do “Dente Azul”

Todo mundo que mexe com alguma coisa de tecnologia já ouviu falar e sabe para que serve a tecnologia Bluetooth. Mesmo o mais “cru” dos usuários de smartphones ou computadores sabe que alguns aparelhos podem ser interligados pelo Bluetooth.

A tecnologia foi criada nos anos 1990 e veio para substituir cabos e fios que interligam diferentes aparelhos. Hoje por exemplo é possível ligar seu computador a uma impressora, um mouse ao computador ou o teclado ao computador tudo com tecnologia Bluetooth, sem precisar de nenhum fio e com a segurança necessária para que estes equipamentos se integrem. Se você se deparar com alguém com algo estranho enrolado na orelha pode ser um fone interligado a um telefone, por exemplo, por sinal Bluetooth.

O Bluetooth é uma tecnologia que já tem quase 30 anos e que se popularizou rapidamente. É possível ligar seu telefone a uma caixinha de som apenas com os sinais de rádio emitidos e reconhecidos pelos dois aparelhos. Alguns automóveis recebem ordens de seus motoristas nos seus módulos de som ou de GPS com a tecnologia alimentada pela energia que vem de um transmissor e um receptor, interligados por sinal Bluetooth. Isso ocorre especialmente quando os aparelhos estão próximos uns dos outros. Para interligação entre um número maior de equipamentos e que se situem a uma distância maior ou com mais barreiras físicas entre eles é comum o uso do Wi-fi. O Bluetooth substitui o infravermelho como elemento para permitir os comandos a distância entre os usuários e os aparelhos, o que chamamos de Controle Remoto.

Mas você já se perguntou porque Bluetooth tem este nome? Traduzindo para o português Bluetooth significa literalmente “Dente Azul”. Mas será que é isso mesmo? É...

Quando a tecnologia foi criada pela Ericsson e mais um conjunto de parceiros, que passaram a usar a tecnologia de modo integrado nos seus respectivos equipamentos, formando o que ficou conhecido como Bluetooth Special Interest Group (SIG), a ideia foi que a tecnologia uniu como parceiros empresas que eram, naturalmente concorrentes. A Ericsson achou por bem batizar a nova tecnologia com o termo Bluetooth em homenagem ao Rei Harold Blatand ou Haroldo I da Dinamarca. Este rei foi muito importante para unificação de países escandinavos como a Dinamarca e a Noruega. O símbolo do Bluetooth representa exatamente as letras HB. Veja o símbolo.

Segundo a lenda, o Rei Haroldo tinha um dente necrosado que ficou azulado, daí a denominação de Haroldo Dente Azul. Outra explicação para o termo Blatand (Dente Azul em Dinamarquês) é que Bla, significa Homem de pele morena e Tand, significa Homem Notável. De qualquer forma Haroldo Dente Azul já se tornou notável e extremamente conhecido pela tecnologia batizada com seu nome.

Temos muita coisa a aprender. Gostou? Até a próxima...

Missão chinesa à lua avançará no campo da Radioastronomia

Na próxima segunda-feira, 21 de maio, será lançado um satélite chinês em direção à Lua. O objetivo desta missão é levar até o lado escuro da Lua (não voltado para a Terra) um módulo equipado com aparelhos de rádio.

A ideia de estudar o lado de lá da Lua é que este aparelho de rádio poderá captar ruídos vindos do Cosmo, com o objetivo de estudar os efeitos do Big Bang, sem a influência da Terra. O equipamento de rádio é fabricado na Holanda e é fruto de uma parceria estabelecida entre Holanda e China em 2015, com o objetivo de ampliar o espectro de estudos da Radioastronomia, especialidade da Astronomia holandesa.

O satélite chinês se chama Queqiao e até o final do ano concluirá sua missão. O projeto se chama Explorador de Baixa Frequência Holanda-China (sigla em inglês NCLE). A ideia geral é que o NCLE prepare a Lua para receber outras missões complementares a esta. A transmissão terá início, provavelmente em março de 2019, quando o módulo já instalado abrirá antenas de carbono medindo 5 metros de comprimento que repetirão os ruídos de baixa frequência para satélites previamente postos em órbita lunar pela Queqiao.

A ciência ainda tenta rastrear resíduos da grande explosão (“Big Bang”) que gerou o Universo. Neste caso com os eco da grande explosão.

(com informações da Revista Science)

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