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Diversidade

"Vozes Plurais: Direito à comunicação para adiar o fim do mundo"

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Vozes Plurais: Direito à comunicação para adiar o fim do mundo”, marca a semana pela democratização da comunicação organizada pela Plataforma de comunicação Popular e Colaborativa OcorreDiário. As atividades, que acontecem na modalidade virtual, acontecem entre os dias 23 e 25 de outubro e fazem alusão ao dia 17 de outubro, dia nacional de mobilização pela democratização da comunicação. Quem se interessar marca na agenda que as atividades serão sempre às 19h horas, com exceção da live de sábado que acontecerá às 19h30. 

 

Na pluralidade das vozes, a semana  conta com pensadores indígenas, artistas, pesquisadores em comunicação e coletivos de comunicação. Anota aí, vai ter participação do professor Adilson Cabral (UFF), ativista e pesquisador de comunicação comunitária que vai debater junto com o indígna Cristian Wari’u, dos Podcasts @vozindigena e @coopioparente trazendo vozes ancestrais para construir outra comunicação. Ambos estarão na live-debate neste sábado, 24, onde haverá saudação dos coletivos Labcine, Malamanhadas, Fala Dirceu e Centro de Defesa Ferreira de Sousa, demarcando a importância das coletividades para democratizar os espaços midiáticos. 

Além disso, vai ter debate nesta quinta (23) com a comunicadora, pesquisadora artista Mallu Mendes, que entrevista Jacob Alves, artista e pesquisador de tecnologias, com o tema sobre o tema “Dança e democratização da Comunicação” abordando também temas sobre o Junta-Festival de Dança Internacional . E no domingo tem live-debate com Vicente de Paula, JornArtista e pesquisadore que vai entrevistar Cecília Bizerra, doutoranda em Comunicação pela UFMG com o tema “Democratização da Comunicação: Gênero, Raça e Classe”. 

Segundo autores como Coutinho e Paiva (2007), a comunicação na América Latina está concentrada nas mãos das elites. Como um direito humano, a comunicação deve ser uma garantia para a democracia e pluralidade das vozes. “Isto porque o direito de dizer a palavra é uma garantia constitucional de tratados internacionais, mas ainda assim o Brasil silencia a grande maioria de sua população os mais pobres, as pessoas LGBTQI+, negros e negras, indígenas, diversos credos e religiões e etc. São muitas as coletividades que clamam por voz, mas estão sujeitas às indústrias midiáticas (TV, Rádio, Editoras de livros e revistas, Indústria Musical e do Cinema e etc.)”, afirma Sarah F. Santos, Co-idealizadora do OcorreDiário. 

Mesmo com a disseminação da internet, ainda há concentração tanto para produção de comunicar, como no acesso à informação. Por exemplo, Luan e Sarah apontam que,  durante a pandemia observou-se a precariedade no acesso à internet excluindo as populações mais empobrecidas de acessar a educação. Inclusive, o OcorreDirário, publicou  uma reportagem, denunciando as precárias condições tanto de professores como estudantes da rede básica nesse quesito. 

"Reconhecer que no mundo existem vozes Plurais e que todes têm direito a dizer sua palavra, é reconhecer a igualdade entre nós através daquilo que nos diferencia. O esforço do Ocorre é pra tornar a Comunicação um espaço plural, democrático e de humanização diante de um mundo que tenta nos desumanizar a cada dia", afirma Luan Matheus, Co-idealizador do OcorreDiário.

 

 

 

5 maiores canais LGBTI+ do Youtube Brasil

A diversidade no audiovisual vem crescendo. Por isso, no YouTube não é diferente. No Brasil, canais LGBT trazem discussões necessárias do nosso cotidiano.

E por esse crescimento ser significativo em uma plataforma tão importante e influente, escolhemos os cinco maiores canais brasileiros que discutem temáticas LGBT. Confira:

Mandy Candy

Se você não conhece o canal da Amanda – ou melhor, Mandy – está na hora de conhecer. No YouTube desde 2014, é uma das primeiras vlogueiras transexuais do site.

Nos vídeos, Mandy conta seu processo de transformação e aceitação pessoal. Com mais de um milhão de inscritos, trata de forma bem intimista sobre a temática LGBT. Além disso, os fãs também podem ter um gostinho a mais fora do YouTube. Em 2016, ela lançou o livro autobiográfico “Meu Nome Não É Amanda”.

 

Põe na Roda

É provável que em algum momento você tenha assistido um vídeo do trio Nelson Sheep, Pedro HMC e Felipe Abe. Marcado como um dos maiores canais LGBT, o canal Põe na Roda já atingiram mais de 825 mil inscritos e mais de 116 milhões de visualizações.

Entre muito humor, há também discussão séria. Em meio a vídeos informativos, você encontra documentários sobre HIV e de grandes celebridades do cenário LGBT. Na plataforma desde 2014, o canal discute diferentes temas: política, cinema, sexo, religião.

A abordagem é bem humorada, mas com objetivo de orientar e educar. O canal já chegou a ser divulgado em sites internacionais com legendas em inglês.

Fmastrandea

Por mais que o YouTube seja aberto para todos os públicos, o publicitário Felipe Mastrandea já avisa que seu conteúdo é só para maiores de idade. Abordando em seus vídeos polêmicas sobre o corpo e situações, trata tudo com risadas.

Mas entre todas suas brincadeiras e palhaçadas, há uma discussão séria e interessante que merece atenção. (pelo menos, é o que mais de 545 mil inscritos acreditam).

Para Tudo

Já muito famosa na internet, a drag queen Lorelay Fox também se tornou a diva do YouTube entre os canais LGBT. Com quase 500 mil inscritos, a personagem do publicitário Danilo Dabague não se desliga da espontaneidade na hora de falar sério.

“Eu quis criar um canal que falasse desse universo, mas não achava que as coisas sairiam dessa forma. Achei que falaria de temas como maquiagem, ou coisas assim. Mas percebi que as pessoas precisavam que eu comentasse assuntos mais relevantes, como preconceito e aceitação”, declarou ao UOL.

E a partir de uma linguagem direta e acessível, foi conquistando seu público aos poucos. Sempre revelando curiosidades e experiências pessoais. Mas sempre tocando em temas mais profundos. E nunca deixando de ensinar as melhores dicas de maquiagem.

Louie Ponto

De forma tranquila e muito didática, Louie é escolha certa para explicar questões LGBT. Já um grande sucesso, com mais de 415 mil inscritos, ela fala de visibilidade lésbica, feminismo, política e questões simples da vida.

Como se não bastasse tudo isso, ela também canta (e muito!), fala de filmes e games. E se você estiver a procura de se envolver na militância LGBT, ela pode ser a escolha perfeita.

 

Menções honrosas a outros canais LGBT

Ainda que esses sejam os maiores canais LGBT do Brasil, é impossível deixar um pessoal de fora.

Por mais que seu foco não seja em discutir a temática, Luba é outro que desperta paixão do público. Seus mais de cinco milhões de inscritos acompanham semanalmente muito humor e diversão entre os vídeos. E todos com todo o carisma que só ele sabe proporcionar.

Quem também discute sobre o tema através de filmes e séries é Federico Devito. Marcado por sua trajetória como colírio da Capricho, assumiu a homossexualidade, e passou a participar de programas de tv, conquistando ainda mais o público LGBT.

Um projeto que não deve deixar de ser mencionado é o do canal Coletivo Lumika. Com apoio da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual – em parceria com a Secretaria da Cultura – um grupo de jovens discute sexualidade a partir de web séries e curta-metragens.

Apesar de poucos inscritos – em comparação aos citados aqui – o canal já arrecadou prêmios de Melhor Filme e Melhor Curta Nacional. Em festivais como o CLOSE e o Mix Brasil.

FOnte: Influu

Outubro Rosa e população TRANS: Prevenção para [email protected]

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O Outubro Rosa representa uma mobilização social para promover campanha educativa de conscientização/prevenção ao controle   câncer de mama. No Brasil, a ação está estabelecida pela lei nº 13.733/2018. Por meio desta iniciativa,   busca-se incentivar o acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento, contribuindo para reduzir mortalidade do público-alvo.  

As ações de conscientização devem ter forte apoio das instâncias do Ministério da Saúde e Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. No entanto, campanhas focam prioritariamente mulheres cis heteressexuais, o que acaba negligenciando a população LGBTQI+ de informações fundamentais para seu bem-estar físico e mental.

O formato das iniciativas compreende “saúde da mulher” em uma perspectiva heteronormativa (a vida sociocultural, política e econômica enquadrada   em uma percepção de mundo heterossexual regulando a dinâmica social). Nessa forma de conceber as vivências em saúde, os órgãos oficiais silenciam aspectos como: mulher lésbica precisa de exame preventivo de colo de útero, homens e mulheres  trans também têm suas necessidades especificas invisibilizadas.

A  omissão estatal para realizar ações para mulheres e homens TRANS fez   O Coletivo piauiense  086 promover a campanha "Prevenção para Todes".  Ativistas do segmento se mobilizaram para  produzir informações em linguagem acessível e educativa. Monique Alves, precursora do movimento LGBT de Teresina,  ressalta em sua mensagem: "preconceito ainda existe e é uma barreira a ser quebrada". 

 A ausência de ações das instâncias públicas de saúde  para  a população TRANS (Travestis, transgênero e Transexual) torna vulnerável a  saúde mamaria deste segmento, comprometendo direitos básicos   assegurados na Constituição Federal ao determinar a promoção  do bem de todos sem distinção de qualquer natureza bem como o estabelecido no Art. 196: “a saúde é Direito de Todos e Dever do Estado”.

Segundo dados  estimados, os sujeitos LGBTQIA+ representam algo em torno de 10% da população brasileira, ou seja, 20 milhões de cidadãs e cidadãos. 5% deste universo são pessoas trans. Enquanto a expectativa de vida da população em geral é de 76,3 anos, a de pessoas trans é de 35 anos. Observa-se neste cenário,  o descaso e a violência institucional responsáveis por  gerar desigualdades, injustiças e adoecimentos que comprometem qualquer noção de civilização e desenvolvimento pleno de um país.

 Neste sentido, a prevenção e tratamento do câncer de mama são   importantes para agenda da saúde pública, contudo, mulheres e homens  TRANS necessitam estar [email protected] nessa agenda, considerando as especificidades fisiológicas que caracterizam as mudanças corporais ligadas à hormonização. Mastologistas apontam que as regiões glandulares, sejam mamas ou axilas, carecem de autoexame regular, sobretudo a partir dos 40 anos. 

Acolhimento e atendimento humanizados dos profissionais de saúde bem como garantia de políticas públicas integrais fazem toda diferença para uma vida digna e bem-estar biopsicossocial de pessoas TRANS.

Veja os Vídeos da Campanha do Coletivo 086 

 

Por Herbert Medeiros

 

Discursos de ressentimento na redes sociais e autoritarismo nas interações sociais têm longa história

Uma mentira dita mil vezes será sempre mentira. Uma narrativa de mentiras e ações criminosas, conforme próprio STF aponta no inquérito de fake news,  vem se construindo desde 2018 como   política de ódio, incitação à polarizações e fabricação de inimigos imaginários para vender o kit de intervenção: autoritarismo, perseguições aos opositores, sucateamento das políticas públicas e outras ilegalidades.   

Para forças políticas submissas aos grupos econômicos e financeiros,  o  ano 2018, precisava fabricar o inimigo: produziram o antipetismo, falaram em uma guerrilha marxista, empurraram goela abaixo  veneno  para cegar e calar   qualquer debate sobre políticas de austeridade visando  tirar dos pobres para transferir pra ricos; silenciaram sobre reformas tributárias distribuítivas; abafaram meios para pensar em discutir a qualificação  da educação pública; fecharam olhos para propostas de melhorar SUS bem como políticas racionais e inteligentes de enfrentar problema da segurança pública e da geração de renda etc. 

A  senha para mobilizar as massas estava dada:  produzir medos, tocar terror, falar em antipetismo, falar em pautas moralistas e reacionárias  à exaustão.   A questão é: a quem interessa antipetismo e discurso moralista? Quais empresários também patrocinaram/patrocinam  há décadas tal antipestimo e qualquer  pauta de pensar outras alternativas fora da ortodoxia das austeridades, do neoliberalismo de  Estado forte para empresas e bancos ? Quais lobbys  financiaram política de fabricar medos, bodes expiatórios e comercializar o pacote ‘solução’ para exorcizar as 'forças do mal fabricada'?

 Então, é notório   que  interesses bem organizados e articulados se mobilizaram/mobilizam  para faturar com antipetismo e temas moralistas postos na arena pública : os teólogos da prosperidade sedentos por verba pública, velhas raposas da política - DEM, PP, MDB e cia - empresários em estado de quase convulsão pra aliviar sonegação, investigações, perdão de dívida, liberação geral da boiada; setores do agronegócio predador para  rasgar normativas de proteção/preservação ambiental.

Isso dito, ressalte-se: não é imperativo alguns apressados e incendiários já proclamarem que se está  isentando  o PT e aliados em fazer  autocritica, em prestar conta  para sociedade e ordem jurídica das acusações de  enriquecimento ilícito,  em se reinventar  e deixar  fisiologismo  rasteiro que tanto combateu.  

E sim, corrupção também é veneno a ser combatido, mas deixar de fora o modo  como sistema econômico dominante - já antes citado -  vem  há séculos corrompendo instituições,  é enterrar a cabeça para não ver o óbvio.

Podemos  voltar  mais no tempo para ver como  as mentiras  e  discurso de ódio é carta da manga para alimentar as massas que buscam qualquer réstia de saída para milhões de vida jogadas às margens das riquezas econômicas e sociais. Anos antes do golpe militar, o discurso de criar inimigo e indicar a  ‘moral e bons costumes’ serviu como moeda de troca pra sedimentar anos infelizes da nossa história. .

 Anterior ao golpe,  grupos religiosos, empresariais, midiáticos, militares, lobbys ultras reacionários  se mobilizavam com campanhas de difamação, produção de mentiras (olha ai as fake news), destruição de reputações com objetivo de desestabilizar governo Jango ou quaisquer grupos políticos e sociais simpáticos aos governo Goulart.

 

 

 

A Ditadura floresceu nesse amontoado do  autoritarismo brasileiro que deixa rastros no passado e presente:  semear ódio, medo, terror, polarização e fabricar ideias conspiratórias para vender kit  antidemocrático e  contra ao Estado de Direito:   rasgar direitos trabalhistas, precarizando força de trabalho, privatizar tudo e jogar ónus nas costas dos precarizados pela mercado – Estado Máximo para elite financeira, Estado mínimo pra pobre e classe média.

 

 No tocante ainda aos discursos que  atacam partidos de esquerda, centro-esquerda,  movimentos sociais e  narrativas  diferentes do autoritarismo vigente,  antes da era das redes sociais e discursos de ódios potencializados nestas mídias,  já tínhamos  uma larga produção em massa  de um ‘jornalismo’ tradicional pautado no ressentimento e intoxicado com ideia de aniquilar e silenciar visões de mundo contrárias ao status dominante.  

Conglomerados midiáticos também contribuíram e muito com    atual estado de autoritarismo e desorganização institucional da ordem democrática sucateada.    Desde anos 80 revista Veja já cuspia ódio contra organizações sindicais,  trabalhadores/as rurais organizados/as, lutas de grupo urbanos e movimentos sem teto e outros agentes sociais.

Nos anos 90, era   do governo Fernando Henquique/PSDB,   revista Veja  continuou a produzir  de forma patológica  capas e discursos de ódio contra quem se opunha ao modelo neoliberal vigente.  Estadão, Globo e  outros veículos também insuflaram,  demonizaram e envenenaram mentalidades contra partidos e grupos discordantes. Como se vê antipestismo e discursos de ódio  têm longas raízes.  

 Discursos da grande mídia deveriam fazer autocrítica – que é quase impossível, por razões óbvias -  por também contribuirem com  fake news e seus efeitos corrosivos e explosivos para democracia durante campanha de 2010. Naquela época  José  Serra(PSDB) fabricou  fake News aos montes,  exibindo   barrigas de mulheres grávidas e disseminando terror sobre interrupção da gravidez e outras mentiras repulsivas  disseminadas de forma vergonhosa para atiçar eleitorado fundamentalista religioso.   Folha de São Paulo e  grandes jornais mergulharam de braçada  nessa campanha e semearam conteúdos contendo submundo do sensacionalismo e  destruição de reputações.

Nem se fala como Lava-Jato e 'jornalismo' hegemônico, na sina de combater corrupção,   espremeram os fatos até fabricarem  falsos profetas que viriam ‘solucionar’ nossos males – ops, aprofundar nossos fossos de desigualdades, de racismo estrutural, de política genocidas.

Se por uma lado, a cobertura midiática desnudava  como Lava Jato   mostrou modus operandi da  corrupção é realidade  sistêmica, revelando  que o    mundo empresarial jorrava  dinheiro para  setores políticos. Dessa simbiose,  parasitavam  o  Estado  com  projetos socioeconômicos das elites dominantes.  

 Por outra lado, a seletividade da grande mídia em atenuar  a corrupção de outros agentes empresariais bem como calar frente aos abusos e perseguições das ações lava-jatista, revelou-se que no DNA da operação também nascia  ódios, sentimento de vingança e  desestabilização do sistema jurídico, passando trator  por  cima da constituição,  do código da masgistratura, dos procedimentos jurídicos de ampla defesa, , da interação promiscua ministério público e judiciário.

Mas sempre é possível construir outras  narrativas para além da polarização infertil que tentam nos impor. Narrativas pautadas em: democratizar mais a democracia; defender bens comuns da natureza e de vida ecológica, respeitando fluxos naturais e práticas de produção agrícola e pecuária não desagregadores dos ecossistemas.

Construir narrativa para  mais empoderamento de mulhres, negros/as, lgbti+, populações tradicionais. Narrativas de participação ativa, com vez e voz, do segmentos sociais na regulação de negócios, tecnologias e relações de trabalho produtoras de desigualdade, injustiças e desequilíbrios ambientais. Não nascemos para ser submisso   ao mercado ou qualquer crença que reduz o humano à servidão e escravidão. ReXistir sempre foi imperativo de quem sabe que a história se faz por caminhos de enfrentamento e  desconstrução das narrativas hegemônicas.   

Por Herbert Medeiros

Educação para Diversidade: promover bem de [email protected] sem distinção de qualquer natureza

Quando um  ministro da Educação não tem projeto, programa ou serviços a mostrar, a estratégia é criar uma cortina de fumaça: atacar  segmentos socais vulneráveis como mulheres, lgbti+, negros/as;   tirar o dele de reta e jogar responsabilidade nas costas dos adversários. Simples assim.

Nesta semana, o ocupante da pasta educacional fez exatamente isso: incitou discursos de ódio com fala repulsiva  e jogou para plateia dos convertidos  produzindo  lgbtfobia na maior cara dura. Agrediu as famílias e  filhos/as lgbts, reforçando uma necropolítica governamental planejada e executada    para eliminar, calar, silenciar, humilhar e segregar  os que não se enquadram na visão de quem ocupa poder central.  

No Brasil distópico da atualidade, é preciso lembrar e repetir de forma exaustiva:  incitar preconceitos e discriminações de qualquer natureza   não constitui  ‘liberdade de opinião’, pelo contrário, é crime reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal.

Nenhuma liberdade é absoluta quando viola princípios   constitucionais basilares das relações humanas: igualdade, da não-discriminação, da dignidade humana, cidadania.  É o que popularmente conhecemos como princípio ético:  minha liberdade termina onde começa a do outro.

Mas o verdadeiro questionamento que  a sociedade brasileira faz ao  Ministério da Educação: cadê o papel de articular e coordenar  com Estados e Munícipios ações concretas para viabilizar aulas remotas no contexto de pandemia?

O ano de 2020 não viu um tostão dos 135 milhões de reais que deveriam ser implementados para assegurar internet nas escolas. Segundo jornal Folha de São Paulo,  somente 16% do orçamento de 2019 foi destinado pelo Ministério para levar cultura digital às escolas.

O que todos queremos saber é como  Ministério Educação ficou mais de uma ano e meio paralisado, envolvido em criar  problemas imaginários e fabricar fantasmas  para desviar atenção da incompetência de quem ocupava a pasta.

A pergunta que não quer calar:   ministro da   deseducação e desgoverno  digam para sociedade como atuaram  contra o desenvolvimento do país atrapalhando  aprovação  da Proposta de Emenda Constitucional(PEC) do Fundo de Desenvolvimento e Valorização da Educação (FUNDEB) no congresso nacional.  Sem financiamento do FUNDEB em 2021, a Educação no país ficaria paralisada.

A verdadeira política vigente no Ministério da Educação hoje: desmontar, destruir, aniquilar o pensamento crítico, a cultura, a arte, a ciência, a pluralidade pedagógica,  a produção cientifica, a  convivência humana com as Diversidades culturais, sociais e políticas.

Ao longo da história do país   convivemos com obscurantismos, projetos políticos e econômicos reacionários e autoritários. Mas agentes sociais   e culturais  sempre estiveram no caminho para  ReXistir    aos porta-vozes do ressentimento e dos afetos destrutivos das potencialidades  brasileiras. O poeta na anunciava: o tempo não para.

Linn da Quebrada - "A mulheridade no Brasil, hoje, significa resistência, significa força"

 

Chama-se Linna Pereira. Mas toda a gente a conhece como Linn da Quebrada, nome artístico. Tem 28 anos. É uma mulher trans, artista multimédia e ativista, voz de uma nova música brasileira, funk-manifesto que não pede licença. É “bixa travesty, nem ator, nem atriz, atroz. Performer e terrorista de género”, nas suas palavras. Desde que se ouviram as primeiras batidas de “Enviadescer”, primeiro single da sua fulgurante carreira, lançado em 2016, não parou de provocar e fazer pensar. “Pajubá”, de outubro do ano passado, editado graças a uma campanha de crowdfunding, é um desafio constante. Ao que julgamos saber dos outros e de nós. Às ideias feitas. Às certezas. À norma. Sobre o que é isto das categorias de género, de como nos devemos ou não comportar, sobre como pode ou não o nosso corpo ser.

 

Já foi – e ainda é – muitas pessoas, muitos corpos. Nasceu Lino, já foi Lara, hoje é Linna. Amanhã poderá ser outra.

Vou te contar a lenda da bicha esquisita

Não sei se você acredita, ela não é feia (nem bonita)

Mas eu vou te contar a lenda da bicha esquisita

Não sei se você acredita, ela não é feia (nem bonita)

 

Ela sempre desejou ter uma vida tão promissora

Desobedeceu seu pai, sua mãe, o Estado, a professora

Ela jogou tudo pro alto, deu a cara pra bater

Pois pra ser livre e feliz tem que ralar o cu, se foder

 

De boba ela só tem a cara e o jeito de andar

Mas sabe que pra ter sucesso não basta apenas estudar

Estudar, estudar, estudar sem parar

Tão esperta essa bichona, não basta apenas estudar

Fraca de fisionomia, muito mais que abusada

Essa bicha é molotov, o bonde das rejeitada

 

[2x]

Eu tô bonita? (tá engraçada)

Eu não tô bonita? (tá engraçada)

Me arrumei tanto pra ser aplaudida mas até agora só deram risada

 

Abandonada pelo pai, por sua tia foi criada

Enquanto a mãe era empregada, alagoana arretada

Faz das tripas o coração, lava roupa, louça e o chão

Passa o dia cozinhando pra dondoca e patrão

 

Eu fui expulsa da igreja (ela foi desassociada)

Porque "uma podre maçã deixa as outras contaminada"

Eu tinha tudo pra der certo e dei até o cu fazer bico

Hoje, meu corpo, minhas regras, meus roteiros, minhas pregas

Sou eu mesmo quem fabric0

 

[4x]

Eu tô bonita? (tá engraçada)

Eu não tô bonita? (tá engraçada)

Me arrumei tanto pra ser aplaudida mas até agora só deram risada

A Lenda, Linn da Quebrada

Linn ressignifica o que é isto de ser-se homem ou mulher. Ou querer nenhuma destas duas categorias. “Há muitas mulheridades possíveis de se construir. Há muitas formas de se ser mulher e por muito tempo ser mulher esteve em função do homem”.

 

Não está mais.

 

“Nós somos as novas Evas, nós somos as filhas e netas das bruxas, nós somos aquelas que têm construído outras corporalidades, outras identidades, outras feminilidades, feminilidades viris, outras masculinidades também, masculinidades que não sejam nocivas.”

 

De noite pelas calçadas

Andando de esquina em esquina

Não é homem nem mulher

É uma trava feminina

Parou entre uns edifícios, mostrou todos os seus orifícios

Ela é diva da sarjeta, o seu corpo é uma ocupação

É favela, garagem, esgoto e pro seu desgosto

Está sempre em desconstrução

 

Nas ruas pelas surdinas é onde faz o seu salário

Aluga o corpo a pobre, rico, endividado, milionário

Não tem Deus

Nem pátria amada

Nem marido

Nem patrão

O medo aqui não faz parte do seu vil vocabulário

Ela é tão singular

Só se contenta com plurais

Ela não quer pau

Ela quer paz

 

Seu segredo ignorado por todos até pelo espelho

Seu segredo ignorado por todos até pelo espelho

Mulher

 

Mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher

Mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher

Mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher

Mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher, mulher

 

Nem sempre há um homem para uma mulher, mas há 10 mulheres para cada uma

E uma mulher é sempre uma mulher

Nem sempre há um homem para uma mulher, mas há 10 mulheres para cada uma

E uma e mais uma e mais uma e mais uma e mais outra mulher

E outra mulher (e outra mulher)

E outra mulher (e outra mulher)

E outra mulher (e outra mulher)

E outra mulher (e outra mulher)

 

É sempre uma mulher?

É sempre uma mulher?

É sempre uma mulher?

É sempre uma mulher?

 

Ela tem cara de mulher

Ela tem corpo de mulher

Ela tem jeito

Tem bunda

Tem peito

E o pau de mulher!

 

Afinal

 

Ela é feita pra sangrar

Pra entrar é só cuspir

E se pagar ela dá para qualquer um

Mas só se pagar, hein! Que ela dá, viu, para qualquer um

 

Então eu, eu

Bato palmas para as travestis que lutam para existir

E a cada dia conquistar o seu direito de viver e brilhar

Bato palmas para as travestis que lutam para existir

E a cada dia batalhando conquistar o seu direito de

Viver brilhar e arrasar

Viver brilhar e arrasar

Viver brilhar e arrasar

Viver brilhar e arrasar

 

Ela é amapô de carne osso, silicone industrial

Navalha na boca

Calcinha de fio dental

 

Ela é amapô de carne osso, silicone industrial

Navalha na boca

Calcinha de fio dental

 

Ela é amapô de carne osso, silicone industrial

Navalha, navalha, valha

Navalha, navalha, valha

Navalha, navalha, valha

Navalha, navalha, valha

Navalha na boca

E calcinha de fio dental

 

Eu tô correndo de homem

Homem que consome, só come e some

Homem que consome, só come, fodeu e some

Mulher, Linn da Quebrada

Nesta revolução há um denominador comum: o fim do machismo, da misoginia e das masculinidades tóxicas, impregnadas de violência e autoridade. Que matam.

“A cada 19 horas um LGBT é barbaramente assassinado ou se suicida vítima da ‘LGBTfobia’, o que faz do Brasil o campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais”, diz o Relatório 2017 do Grupo Gay da Bahia, a organização LGBTI+ de referência na contabilização deste tipo de dados, no Brasil. Embora seja difícil provar a afirmação em termos mundiais, por falta de dados credíveis para comparação, como explica a Agência Pública, os números não deixam de mostrar uma realidade tenebrosa.

Detalhando: “445 LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) morreram no Brasil, (incluindo-se três nacionais mortos no exterior), em 2017, vítimas da homotransfobia: 387 assassinatos e 58 suicídios. Nunca antes na história desse país registraram-se tantas mortes, nos 38 anos que o Grupo Gay da Bahia (GGB) coleta e divulga tais estatísticas. Um aumento de 30% em relação a 2016, quando registraram-se 343 mortes”. Este é o número mais aproximado a que se pode chegar e a organização revela que os dados podem estar subestimados, não havendo números oficiais definitivos a nível nacional. Segundo um estudo da Transgender Europe (TGEU), entre 2008 e 2016, o Brasil foi apontado como o país onde mais se mataram pessoas trans, em números absolutos – foram registradas 868 ocorrências nesse período, entre 66 países.

 

Está em curso uma luta de poder. “Nós temos ganhado território, nós temos estabelecido uma guerra, uma disputa. Disputa de linguagem, disputa de poder, de alternância de poder, nós temos ganhado território. E isso tem deixado eles com medo. Eles estão com medo, é óbvio. Eles têm perdido território, sempre foram homens e meninos mimados, acostumados a ter poder e a ter tudo em suas mãos, é óbvio que eles estariam com medo.”

 

Um facto histórico, que mostra como as pessoas trans, negras, da periferia reivindicam o seu lugar político e na política é a eleição de Erica Malunguinho da Silva (do PSOL – Partido Socialismo e Liberdade). É a primeira trans eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo [e não do Rio de Janeiro, como erradamente digo na entrevista], com 55.223 votos. Só este ano, houve pelo menos 53 candidaturas de pessoas trans, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil. Em 2014, concorreram cinco.

 

“É justamente por isso que vem a reação. E que vem toda essa forma, principalmente de se criar um mito em torno do Bolsonaro. Porque o Bolsonaro é um meme, ele é um mito, ele é a representação do poder e da branquitude e da masculinidade nociva no que diz respeito à tentativa de proteger o seu território. Mas o que me assusta não é o Bolsonaro, o que me assusta talvez sejam as pessoas que querem eleger o Bolsonaro”.

 

Esta terça-feira, 16, mais uma travesti foi morta no centro de São Paulo. Testemunhas dizem que o assassinato foi da autoria de apoiantes do candidato à presidência pelo Partido Social Liberal, que teriam gritado ‘com Bolsonaro presidente, a caça aos ‘veados’ vai ser legalizada’.  Juntando-se às dezenas de ataques com motivação política, que nos últimos dias têm sido denunciados.

 

Baseado em carne viva e fatos reais

É o sangue dos meus que escorre pelas marginais

E vocês fazem tão pouco mais falam demais

Fazem filhos iguais, assim como seus pais

Tão normais e banais, em processos mentais

Sem sistema digestivo lutam para manter vivo

Morto, vivo, morto, vivo, morto, morto, morto, viva!

 

Bomba pra caralho, bala de borracha, censura, fratura exposta

Fatura da viatura, que não atura pobre preta revoltada

Sem vergonha, sem justiça, tem medo de nós

Não suporta a ameaça dessa raça

Que pra sua desgraça a gente acende (a)ponta, mata a cobra, arranca o pau

Tem fogo no rabo, passa, faz fumaça, faça chuca ou faça sol

É uó, (u)ócio do comício em ofício que policia

o comércio de lucros e loucos que aos poucos

Arrancam o couro dos outros mais pretos que louros, os mouros

Morenos, mulatos, pardos de papel passado presente futuro

Mais que perfeito, em cima do muro, em baixo de murro

 

No morro, na marra quem morre sou eu? Ou sou eu quem mata?

Quem mata, quem multa, quem mata sou eu? Ou sou eu quem mata?

Quem mata, quem multa, quem mata sou eu? Ou sou eu quem mata?

Bomba Pra Caralho, Linn da Quebrada

Em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no Brasil – um total de 4,5 mulheres mortas por cada 100 mil brasileiras. A maioria das vítimas era negra. O Brasil mata 71% mais mulheres negras do que brancas. As informações são do Atlas da Violência 2018, do Instituto de Pesquisas Económicas Aplicadas e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado em junho passado. Neste relatório, percebe-se também que a taxa de homicídio de mulheres negras foi de 5,3 para cada 100 mil negras; e de 3,1 para cada 100 mil brancas. Entre 2006 e 2016, os números de assassinato caíram 8% entre as mulheres brancas e aumentaram 15,4% entre as mulheres negras.

 

É preciso resistir, diz Linn: “Temos construído redes, entre nós. Temos nos ajudado, temos nos amado e temos construído redes psicológicas de apoio, redes de apoio emocional, redes de apoio material, redes de apoio económicas para nos manter vivas, em relações que não sejam nocivas a nós.”

 

Bicha estranha, louca, preta, da favela

Quando ela tá passando todos riem da cara dela

Mas, se liga macho

Presta muita atenção

Senta e observa a tua destruição

 

Que eu sou uma bicha, louca, preta, favelada

Quicando eu vou passar e ninguém mais vai dar risada

Se tu for esperto, pode logo perceber

Que eu já não tô pra brincadeira

Eu vou botar é pra foder

 

Ques bicha estranha, ensandecida

Arrombada, pervertida

Elas tomba, fecha, causa

Elas é muita lacração

Mas daqui eu não tô te ouvindo, boy

Eu vou descer até o chão

O chão

O chão

Chão, chão, chão, chão

 

Bicha preTRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ

Bicha preTRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ

Bicha preTRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ

Bicha preTRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ

 

A minha pele preta, é meu manto de coragem

Impulsiona o movimento

Envaidece a viadagem

Vai desce, desce, desce, desce

Desce a viadagem

 

Sempre borralheira com um quê de chinerela

Eu saio de salto alto

Maquiada na favela

Mas, se liga macho

Presta muita atenção

Senta e observa a tua destruição

 

Que eu sou uma bicha, louca, preta, favelada

Quicando eu vou passar e ninguém mais vai dar risada

Se tu for esperto, pode logo perceber

Que eu já não tô pra brincadeira

Eu vou botar é pra foder

 

Ques bicha estranha, ensandecida

Arrombada, pervertida

Elas tomba, fecha, causa

Elas é muita lacração

Mas daqui eu não tô te ouvindo, boy

Eu vou descer até o chão

O chão

O chão

O chão, chão, chão, chão

 

Bicha preTRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ

Bicha preTRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ

Bicha preTRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ

Bicha preTRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ, TRÁ

 

Sempre borralheira com um quê de chinérela

Eu saio de salto alto

Maquiada na favela

Mas que pena, só agora viu, que bela aberração?

 

É muito tarde, macho alfa

Eu não sou pro teu bico

Não

Bixa Preta, Linn da Quebrada

Linna é cara, corpo e alma de Bixa Travesty documentário realizado por Claudia Priscilla e Kiko Goifman, vencedor de um prémio Teddy, a distinção do Festival Internacional de Cinema de Berlim para produções que abordam temáticas LGBTI+. “Bixa Travesty” encerrou a edição 2018 do Festival Internacional de Cinema Queer de Lisboa e abriu a edição no Porto. Quando a entrevistamos, a 10 de outubro, encontramo-la e à sua equipa – Jup do Bairro, Pininga, Badsista – na Associação Cultural ZDB, no Bairro Alto, para um conversa aberta ao público.

Acompanhada por Jup, sua cara-metade em palco, tentavam responder à pergunta  “A Canção é uma arma?”. Como cantaria José Mário Branco, em 1975, “tudo depende da bala / e da pontaria / tudo depende da raiva / e da alegria”. No caso de Linn, o alvo já foi atingido, como se ouve nos primeiros segundos do filme Bixa Travesty: “Eu quebrei a costela de Adão. Muito prazer, eu sou a nova Eva. Filha das travas. Obra das trevas”.

Fonte: Fumaça

Comunidade lgbti+ e interações online e offiline: construção de pontes, empatia e disrupturas

As múltiplas expressões da comunidade LGBTI+ no Brasil  lutam todo dia para  ReXistir às violências de toda ordem produzidas por  processos históricos, sociais, culturais e políticos. E essa   longa caminhada por reconhecimento social, respeito, direitos e cidadania envolveu sangue, suor, lágrimas, enfrentamentos, organização sociopolítica para efetivar o direito de existência com Dignidade e bem-estar conforme determina a lei máxima do país.

As lutas para consumar Direitos e Liberdade de Expressão representaram/representam  diálogos plurais e democráticos   com setores do poder público, dos diversos  segmentos sociais organizados,  da iniciativa privada, das forças políticas do poder Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas também construíram-se e constroem-se   interlocuções   importantes  para promover processo educativos de empoderamento @s lgbti+ junto à indústria do entretenimento, da mídias tradicionais e  das mídias digitais.

Mas nesse contexto de construir travessias, pontes de alianças, disrupturas , parcerias e laços de solidariedade precisamos a todo instante reavaliar de forma críticas e autocrítica   nosso fazer, nossas práticas e ações  socioculturais  para fortalecer  nosso ReXistir como potência de fato transformadora e provocadora do status quo.

Situações com possibilidades de despontencializar as  mudanças  ocorrem quando focamos reações desproporcionais frente à personalidade da cultura lgbti+. A  Diva e artista trans  Nany People postou  no instagram foto ao lado do apresentador Ratinho do SBT.  De um lado muitos internautas elogiaram o trabalho, a representatividade e importância da artista.  Por outro,  alguns mostraram indignação, expressaram grande decepção, questionaram como ela pousa ao lado de apresentador aliado de um presidente que viola e ataca direitos lgbts.

O fato de Nany People ser pessoa pública produz burburinho e reverberações entre seus [email protected] E é legitimo que internautas da comunidade da Diversidade da Sexual   externem opiniões e ecoem seus discursos nas infovias digitais. Posicionamento, óbvio, pautado na ética, na empatia, no uso  racional da argumentação e também respeito aos Direitos Humanos. .

No caso em questão, o ponto de fato a ser questionado na postagem é a ausência de respeito aos valores humanos disseminados no Programa do Ratinho e   reforçado pelo apresentador com  suas ações e falas: reducionistas, simplistas, produtora de estigmas, reforçadora de ódios a grupos vulneráveis.

O que internautas devem  cobrar e denunciar  é o trabalho da emissora e  do  programa quando sua grade de conteúdo  violar  Direitos Humanos, colocando  o ibope e lucro acima das pessoas. Conteúdos de TV violadores de Direitos devem responder judicialmente por danos causados.  Devemos sempre lembra para emissora: o Código de Ética das Emissora de Rádio e TV determina explicitamente: “os programas transmitidos não advogarão discriminação de raça, credo, religiões, assim como o de qualquer grupo humano sobre o outro.”

Outra situação envolvendo reações diversas e passionais foi o trabalho de atuação teatral do ator Luis Lobianco ao apresentar o monólogo Balada da Gisberta, em 2018.  O espetáculo tem como elemento da narrativa dramática a existência da trans Gisberta Salce Junior, assassinada brutalmente por jovens em Porto, Portugal.

Houve movimento de questionar a legitimidade do Ator Cis representar na encenação o  papel de uma pessoa trans. No caso em questão, uma certa cultura do cancelamento também entrou no embate, o que não é educativo pois deve-se de fato    combater/denunciar  os discursos e práticas de ódios oriundos de grupos reacionários e  nazifascistas existentes no país. Para tais segmentos a favor da barbárie devemos sempre estar atento e forte  e reafirmar sempre: Eles não passarão. 

O que é importante salientar nos debate e reflexões  sobre representatividade Trans nas artes:  super necessário e legitimo trazer para agenda pública a temática:  considerando o processo histórico e social   de invisibilizar e negar  espaços   artísticos  para talentos Trans nas companhias de  teatro, na programação televisiva, na produção cinematográfica e outras expressões artísticas. 

O diálogo plural e democrático com ator poderia ser caminho mais potente para refletir sobre a peça, o processo criativo de realização do espetáculo, as formas de integrar comunidade trans  durante a ação criativa, o papel e necessidade  das artes cênicas ampliar e diversificar o campo de atores/atrizes de todas identidades de gênero e orientações sexuais.

O Mestre Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoas, nos desafia sempre: “Sinto-me nascido a cada momento para eterna novidade do mundo”.

Por Herbert Medeiros

Madame Satã: ícone da cultura lgbti+ brasileira

Madame Satã: Personagem emblemática da boêmia e cena cultura carioca  da primeira metade do século XX. As circunstâncias socioculturais fizeram do artista um ser multifacetado: garçon, conzinheiro, segurança, capoerista, transformista. Em 1938 participa desfile usando fantasia dourada e é agraciado com primeira colocação. A fantasis trazia a representação simbólica de um morcego. 

 

As astúcias para sobreviver  ensinaram Madame Satã a aprender lutas corporais e formas de se defender das situação perigosas e armadilhas produzidas pelo burburinho urbano do Rio de Janeiro daquele período. 

 

Mas para conhecer mais de perto essa persona-simbolo da Cultura LGBT Brasileira,  clique em  Madame Satã e veja narrativa sobre sua trajetória. 

 

Coletivo 086 realização ação para consolidar sua atuação social

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  • RIFA_2_REEDT.png Grax Medina
  • RIFA_3_edit.png Grax Medina

O Coletivo 086 realizará rifa solidária visando levantar fundos para efetivar o registro do CNPJ como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). A ação envolverá mais de 20 prêmios doador por artistas piauienses e estabelecimentos   comerciais da cidade.

Entre as premiações estarão pinturas, desenhos, tatuagens, sessões terapêuticas, sessões fotográficas, livros, kit de sexshop, combo de pizza, quadros, camisas, canecas, bottons e chaveiros personalizados.

Para participar, o interessado pode fazer transferência, depósito, boleto ou por cartões visa, máster e hiper no valor de R$ 20,00. O Sorteio acontecerá online dia 3 de outubro de 2020;

Para saber mais sobre o grupo e a ação, fazer contato via  @coletivo086

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