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56% dos brasileiros acham que o SUS não suporta a demanda da pandemia, diz estudo

A publicação da lei que criou o SUS (Sistema Único de Saúde) brasileiro, completa 30 anos no mês de outubro. Porém, desde sua criação, o SUS sempre lutou e luta por investimento, pois os financiamentos que recebe não são suficientes. Por esse motivo, e pelo estado de calamidade que trouxe a Covid-19, entende-se que o sistema não estava preparado para a pandemia.

Um estudo feito pela Famivita constatou que 56% dos brasileiros acreditam que o sistema não suportou e não suporta bem a demanda gerada pela pandemia. E entre os infectados, pelo menos 55% acham que o sistema não deu conta da demanda. Um dos reflexos, é o número de casos de coronavírus que já ultrapassam 5 milhões e o número de mortes, mais de 150 mil. 

Entre os estados, o Piauí é o que mais concorda que o sistema de saúde está dando conta da demanda, com 53% dos participantes. Já em São Paulo, estado com o maior número de casos, 47% dos entrevistados acreditam que o sistema de saúde está suportando bem a pandemia. E no Rio de Janeiro, somente 31% concordam que o sistema de saúde conseguiu e consegue dar conta da demanda.

Ademais, o estudo também constatou que pelo menos metade da população deixou de fazer alguma consulta ou exame desde que a pandemia começou. Em Tocantins, pelo menos 58% da população não compareceu a alguma consulta ou exame desde que a pandemia começou. Já no Rio de Janeiro e em São Paulo, pelo menos 51%. O estado com o menor percentual de pessoas que deixaram de comparecer a uma consulta ou exame é o Acre com 40% dos entrevistados.

 

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Em Pio IX, agente comunitária usa cordel para ensinar protocolo de saúde

Toda vez que sente uma vontade de desabafar, Maria Marilene do Monte Carvalho, 45, escreve um cordel para si mesma.

Os cordéis com cara de diário já retrataram as dificuldades da seca, os percalços enfrentados na criação dos três filhos e o período em que ela ficou separada do marido quando este era alcoólatra.

Como os versos, segundo ela, servem para aliviar a cabeça das preocupações, são descartados assim que finalizados. "Isso me ajudou a não ter depressão, a não tomar remédio controlado e nem pensar em morrer."

Mas o talento com o gênero literário tão popular no Nordeste, que explora as rimas e outros recursos musicais de nossa língua para contar uma história, não ficou restrito a seus desabafos pessoais.

Ela tem usado o cordel como uma ferramenta de trabalho para manter seus conterrâneos informados sobre o novo coronavírus. E essa ideia surgiu de um hábito antigo e necessário: escutar o outro.

Há 20 anos que ela trabalha como agente comunitária de saúde na pacata Pio IX, cidade de 18 mil habitantes no Piauí, distante a 444 km da capital Teresina.

Carvalho conta que queria mesmo era ser professora. Mas, durante o curso de pedagogia, percebeu que poderia unir a didática com o trabalho em uma UBS (Unidade Básica de Saúde).

Nascia, ali, a agente de saúde "diferentona", como costuma ser chamada pelos colegas de profissão. "Eu gosto de criar. Não consigo fazer só o feijão com o arroz", fala.

Na pandemia, o trabalho dos agentes de saúde ganhou destaque. São eles os responsáveis por monitorar os casos suspeitos de Covid-19 e isolar os moradores contaminados.

Pio IX não tem infraestrutura de saúde para tratar doenças de média e alta complexidade como os casos graves de Covid-19.

Com apenas uma UBS, o município transfere de ambulância para a vizinha Picos, a 125 km de distância, os pacientes que necessitam tratamento especializado

Pio IX contabilizava até sábado (24), 184 casos de pessoas infectadas e dois óbitos por Covid-19, segundo boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Piauí.

A literatura de cordel entrou na batalha contra a doença quando a agente de saúde notou uma reclamação comum entre as 167 famílias que atendia. "Ninguém estava entendendo as informações repassadas pela mídia sobre o coronavírus", diz.

O noticiário, segundo Carvalho, também ajudou a criar um clima de pânico que atrapalhou seu contato com as famílias. "Uma mãe chegou a dizer: esse é momento de fazer visita?", lembra.

Foi, então, que a agente de saúde se lembrou do cordel.

Bem antes da pandemia, os versos de Lene, como ela é conhecida entre os pio-nonenses, já abordavam temas como prevenção ao câncer de mama e de próstata, questões ligadas à amamentação e sobre gênero e sexualidade.

A agente de saúde tem uma filha lésbica e escreveu um cordel contando como lidou com a revelação da filha sobre a orientação sexual dela. Numa palestra para adolescentes, leu o texto e uma garota se sentiu pronta para "sair do armário". "Toda a turma dela chorou muito", lembra.

Os cordéis pandêmicos fizeram barulho na pequena Pio IX. A dona de casa Ana Patrícia da Costa, 31, conta que sua mãe, Antônia Matilde Vieira, 85, só conseguiu entender que precisa usar máscara após escutar os versos dela.

"É uma linguagem mais próxima da gente, explicada. Não tem como não entender o conteúdo", afirma Joana Teresa de Souza Rodrigues, 32.

No cordel de título "#FiqueEmCasa", a agente de saúde escreveu: "O que é o coronavírus/ é um vírus que causa infecção/ ataca o sistema respiratório/ causando danos ao pulmão/ o vírus chega até você/ através de suas mãos".

Já em "Faça Sua Parte", ensinou sobre a importância do isolamento social: "Não ache que é besteira/ siga as orientações/ evite lugares fechados/ e com aglomerações/ só sai se necessário/ essas são as recomendações".

Por falta de dinheiro para imprimir os livretos, os primeiros cordéis foram lançados em vídeo e enviados por aplicativo de mensagem a cada uma das famílias.

"Houve uma aproximação que eu não imaginava. Se antes eu via essas famílias uma vez por mês, a gente passou a ter contato quase que diário. O cordel apaziguou os ânimos mais exaltados", avalia.

Depois, o projeto conseguiu a ajuda de um patrocinador e foi possível imprimir 150 unidades, já esgotadas, do cordel "#FiqueEmCasa".

O projeto de Carvalho concorre a um prêmio da Opas (braço da Organização Mundial da Saúde para as Américas) que reconhece iniciativas inovadoras para conter o novo coronavírus.

E ela já tem planos para os próximos versos: falar sobre a realidade de sua gente.

A falta de perspectiva de vida, segundo ela, tem levado muitos homens ao alcoolismo, e feito com que mulheres recorram a ansiolíticos sem prescrição médica.

Valdir Gregório da Silva, 48, era um que vivia bêbado pelas ruas da cidade após a mãe falecer. Antes, ele trabalhava assando castanha de caju.

Sua família suspeitava que um dia ele adoeceria por causa do consumo excessivo de álcool, mas não esperava que ele fosse morrer de Covid-19.

No fim de agosto, ele foi levado em estado grave para Teresina (PI) e não resistiu. Duas semanas após a morte do irmão, Raimunda Maria da Silva, 55, contava, chorando, que ainda estava difícil encarar a realidade e olhar para as coisas que pertenciam a ele.

 

DHIEGO MAIA E KARIME XAVIER
Pio IX, PI (FOLHAPRESS)

Para governo, vermífugo pode reduzir carga viral da covid na fase inicial

Foto: Alan Santos/PR

 

O governo federal fez uma apresentação na noite desta segunda-feira, 19, no Palácio do Planalto dizendo ter comprovação científica sobre o uso do medicamento nitazoxanida para reduzir a carga viral em pacientes na fase precoce da covid-19. O estudo completo, no entanto, não foi apresentado e ainda não há qualquer publicação mais completa sobre a investigação.

O estudo foi liderado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes. "Temos um medicamento que é, comprovado cientificamente, capaz de reduzir a carga viral", disse o ministro.

A coordenadora do estudo, Patrícia Rocco, professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que o estudo ainda será publicado em uma revista científica. "Infelizmente, nesse momento não poderei relatar mais detalhe sobre o estudo já que ele foi submetido à uma revista internacional e isso faria com que perdêssemos o ineditismo, limitando a publicação. Entretanto, no Brasil continuam morrendo em torno de 500 indivíduos por dia", disse.

Rocco afirmou que a pesquisa foi submetida à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e também aos conselhos de ética de cada unidade hospitalar onde o estudo foi feito.

Segundo Rocco, foram 1.575 voluntários. Foram admitidos os que tinham até três dias de sintomas da covid-19. Parte dos pacientes recebeu doses de 500 miligramas do medicamento, três vezes ao dia, por cinco dias. Outro grupo recebeu placebos - um "falso remédio" sem qualquer efeito.

Segundo o governo, o estudo foi conduzido em centros de saúde de sete cidades, São Caetano (SP), Barueri (SP), Sorocaba (SP), Bauru (SP), Guarulhos (SP), Brasília (DF) e Juiz de Fora (MG).

O ministro disse que o medicamento não pode ser usado de forma profilática, ou seja, para prevenir a doença. "Estamos anunciando algo que vai começar a mudar a história da pandemia", disse.

Pontes afirmou ainda que ele mesmo foi voluntário nos testes. O ministro divulgou ter contraído a covid-19 no final de julho.

Por Camila Turtelli
Estadão Conteúdo

Mais de 6.000 cientistas defendem que jovens 'retomem vida normal'

Foto Ilustrativa Roberta Aline/Cidadeverde.com

Mais de 6.400 cientistas e médicos assinaram uma carta aberta pedindo que os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos estimulem a imunidade de rebanho com a estratégia que eles chamam de "proteção forçada".

A ideia é resguardar idosos e doentes e permitir a circulação de jovens acima de 18 anos para espalhar o vírus e elevar a imunidade na população.

O texto, que defende a proteção forçada no lugar de novos confinamentos, foi coordenado por professores de medicina da Universidade Harvard (EUA), Martin Kulldorff, e Stanford (EUA), Jay Bhattacharya , e pela epidemiologista da Universidade Oxford (Reino Unido), Sunetra Gupta.

Segundo os signatários, os confinamentos produzem "efeitos devastadores" na saúde física e mental dos indivíduos e na saúde pública de curto e longo prazo.

"Manter essas medidas em vigor até que uma vacina esteja disponível causará danos irreparáveis, com os desprivilegiados desproporcionalmente prejudicados."

Entre os efeitos das restrições eles listam taxas de vacinação infantil mais baixas, piora nos desfechos de doenças cardiovasculares, queda em exames de câncer e deterioração da saúde mental.

Segundo os cientistas, esse impacto levará a um maior excesso de mortalidade nos próximos anos, com os mais pobres e mais jovens carregando o fardo mais pesado. "Manter os alunos fora da escola é uma grave injustiça", diz o texto.

Os pesquisadores dizem que o conhecimento sobre o novo coronavírus avançou, e hoje já se sabe que a vulnerabilidade à morte por Covid-19 "é mais de mil vezes maior em idosos e enfermos do que em jovens".

"Na verdade, para as crianças, Covid-19 é menos perigoso do que muitos outros danos, incluindo a gripe."

A chamada imunidade de rebanho é atingida quando a porcentagem de imunes é grande o suficiente para bloquear a transmissão. Para o coronavírus, estima-se que ela esteja entre 60% e 70% da população, bem acima dos 10% que já contraíram o coronavírus até hoje, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Segundo os cientistas que assinam a carta, a vacina é uma forma de atingir a imunidade de rebanho, mas não é indispensável.

Como a maioria da população não corre o risco de morrer se for infectada, essa parcela deve continuar suas vidas normalmente, argumentam os cientistas.

Complicações de longo prazo provocadas pela Covid-19 não são mencionadas pela carta, batizada de Declaração do Grande Barrington, em referência à cidade em que foi escrita, no estado de Massachusetts (EUA).

Os autores sugerem que escolas e universidades devem adotar ensino presencial e retomar atividades extracurriculares, como esportes.

"Os jovens adultos de baixo risco devem trabalhar normalmente, e não em casa. Restaurantes e lojas devem ficar abertos. Artes, música, jogos e outras atividades públicas devem ser retomadas."

A proposta ressalta que a proteção dos vulneráveis deve ser a prioridade de saúde pública. Entre possíveis medidas eles citam garantir que funcionários de casas de repouso estejam imunes ou façam testes frequentes e que todos os visitantes sejam testados.

Um sistema de apoio deve ser organizado para fornecer alimentos, medicamentos e outros itens essenciais a idosos, para que eles não deixem suas casas.

Quando possível, idosos devem encontrar os membros da família ao ar livre, e não dentro de sua casa, sugerem.

A carta diz também que todos, jovens ou idosos, devem adotar medidas como lavar as mãos e ficar em casa quando doentes, porque isso reduz o liminar necessário para propiciar a imunidade de rebanho.

Publicado em inglês, alemão, espanhol, português e sueco, ele é coassinado por professores e cientistas de dezenas de universidades do mundo, entre elas as britânicas de Londres, Cambridge, Leicester, Edimburgo, York e Glasgow (Reino Unido), Yale (EUA), de Mainz (Alemanha), Tel-Aviv (Israel), Canterbury e Auckland (Nova Zelândia), Queens (Canadá), Instituto Karolinska (Suécia) e o Instituto Estatístico da Ìndia, e já recebeu apoio de mais de 57 mil pessoas.

A carta surge num momento em que o número de novos casos bate recordes e já começa a pressionar os sistemas de saúde. Na última semana, registrou-se 1 milhão de mortes desde o começo da pandemia.

Sob o impacto da segunda onda, governos de vários países europeus retomam restrições de mobilidade e estudam a possibilidade de reimpor confinamentos.

Um deles é o próprio Reino Unido, que pode retomar o confinamento no norte da Inglaterra ainda nesta semana. O governo britânico chegou a adotar a estratégia de imunidade de rebanho, mas a abandonou ao longo de março.

Pesquisa realizada nesta quarta-feira no país pelo instituto YouGov, porém, mostra que 56% são contra a estratégia de "proteção forçada" sugerida pelos cientistas, enquanto 32% se dizem a favor. Entre os idosos, 65% são contra.

A discussão sobre retomar a vida normal dos mais novos surge também no momento em que o governo brasileiro permitiu que escolas mantenham aulas remotas até o final de 2021.

 

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) 

Metade das brasileiras gostariam de fazer um teste para covid, diz estudo

Foto: Roberta Aline/Cidadeverde.com

O Brasil já passou 4 milhões de casos de infecções por coronavírus, porém, sua taxa de recuperados é maior do que a taxa mundial, segundo a Universidade de Johns Hopkins. Porém, mesmo com a alta taxa de recuperação, a população continua assustada com o número de casos, e também com a impossibilidade de realizar um teste para Covid. Pois, os testes são reservados para as pessoas que apresentam sintomas. 

O Trocando Fraldas em seu mais recente estudo, constatou que pelo menos metade das brasileiras gostariam de fazer um teste para covid. Porém, 74% delas não têm condições de pagar por ele. E por esse motivo, 82% das entrevistadas ainda não realizou um teste para coronavírus. Somente 12% fizeram o teste rápido, e 3% o teste CPR.

O estudo também constatou que o principal motivo que faz com que 74% das participantes queiram fazer o teste é a curiosidade de saber se já tiveram ou têm coronavírus. O segundo motivo é realmente pela suspeita de ter o vírus, com 14% das entrevistadas. 

Os dados estaduais demonstram que, Rio Grande do Norte e Pará são os estados com os maiores percentuais de pessoas que gostariam de fazer um teste, com 68% e 64% respectivamente. No Rio de Janeiro, 52% da população gostaria de poder fazer. Já em São Paulo pelo menos metade da população gostaria de realizar o teste. E o Mato Grosso é o estado com o menor percentual, mas mesmo assim, 41% da população gostaria de fazer um teste.

 

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156 países aderem à iniciativa para universalizar vacina contra covid-19, diz OMS

Foto: Rodrigo Nunes/MS


A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 21, que 156 países aderiram oficialmente à Covax, aliança global que visa acelerar o desenvolvimento de vacinas contra à covid -19 e fazer uma distribuição equitativa do imunizante.

"Mais de 156 economias trabalharão juntas para garantir a vacina por meio da Covax", disse Seth Berkley, CEO da Vaccine Alliance, órgão que colidera a iniciativa junto com a OMS. O número é menor do que havia sido anunciado no início do mês, quando 165 nações tinham interesse de participar da aliança.

Berkley ainda informou que nos próximos dias os países membros assinarão os termos do acordo e que outras 38 nações confirmarão se vão aderir à Covax. "Em seguida (aos acordos assinados com os países), na próxima fase dos trabalhos, começaremos a assinar os acordos formais com os produtores e desenvolvedores das vacinas", complementou.

Estados Unidos, China e Rússia estão entre os países que não fazem parte da lista de membros. Já o Brasil aparece na relação dos que manifestaram interesse de participar da iniciativa.

Durante a coletiva de imprensa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ainda lembrou que a Covax é um mecanismo que garantirá uma coalizão global e cobrou por mais cooperação política e financeira.

"Uma vacina ajudará a controlar a pandemia, a salvar vidas e a garantir a verdadeira retomada econômica. Isso (a cooperação financeira) não é caridade, é uma ação que representa o melhor interesse para todos os países. Nós precisamos de um fortalecimento expressivo do compromisso político e financeiro dos países. Não é apenas a coisa certa a ser feita, é a opção mais inteligente a ser tomada", falou.

Ele também informou que a organização já conseguiu US$ 3 bilhões para o Acelerador de Acesso às Ferramentas (ACT) por meio de parcerias com governos e instituições privadas, mas ressaltou que a entidade ainda precisa de R$ 15 bilhões "imediatamente" para iniciar os trabalhos da Covax nos próximos dias. Esses US$ 15 bilhões seriam usados para "cumprir com nossos prazos ambiciosos", disse o diretor-geral.

Em relação à vacina, a OMS reafirmou nesta segunda que a meta é ter 2 bilhões de doses para serem distribuídas até o fim de 2021 A diretora do Departamento de Imunização e Vacina da entidade, Kate O´Brien, explicou que essa "quantidade se baseia em vacinas que precisam de duas doses", mas ponderou que ainda não há um número exato de doses que serão compradas, já que é preciso ter certeza de quantos países irão aderir ao mecanismo Covax. Segundo a OMS, a Covax tem 9 vacinas no portfólio.

Mundo chega a 30 milhões de casos de covid-19 e países retomam 'lockdowns'

Foto: Claudio Furlan/Dia Esportivo/Estadão Conteúdo

 

Os contágios de covid-19 no planeta superaram a marca dos 30 milhões, de acordo com o levantamento em tempo real da Universidade Johns Hopkins, dos EUA. O número de mortes, segundo a mesma instituição, ultrapassou os 945 mil. Enquanto a pandemia avança, países adotam "lockdowns" parciais e tentam retomar a "normalidade" enquanto não há perspectiva de uma vacinação universal a curto prazo.

Nesta sexta-feira, 18, o governo do Reino Unido advertiu que poderá retomar o confinamento na Inglaterra após observar o aumento do número de casos, com as taxas de hospitalização dobrando a cada oito dias, segundo o Ministério da Saúde. "Queremos evitar um confinamento nacional, mas estamos preparados para fazer isso, se necessário", disse o ministro da Saúde, Matt Hancock, à rede BBC. "Estamos preparados para fazer o que for necessário, tanto para proteger vidas, quanto para proteger a economia."

De acordo com Hancock, novas restrições serão aplicadas a partir desta sexta em partes do nordeste da Inglaterra. Em várias cidades da região, que somam quase dois milhões de habitantes, ficará proibido o encontro entre pessoas que vivam em casas diferentes, e todos os locais de entretenimento terão de permanecer fechados entre 22h e 5h.

Além da Inglaterra, Israel começou a aplicar um segundo "lockdown" de sua população nesta sexta-feira devido ao ressurgimento da pandemia no país, que tem a maior taxa de contágio das últimas duas semanas.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu alertou sobre "um aumento preocupante de infecções e pacientes gravemente doentes" para justificar o confinamento de três semanas, que coincide com o feriado judaico. Um "lockdown" foi imposto no final de março e levantado em maio com a diminuição das contaminações, mas na semana passada os novos casos atingiram máximas diárias de mais de 5 mil diagnósticos positivos.

A lista dos mortos - que já são 946.685 no mundo - é encabeçada pelos Estados Unidos, com 197.633. Na sequência, Brasil e Índia somam 134.935 e 84.372 mortes, respectivamente. Quanto ao número de casos, os três países também ocupam os primeiros lugares do ranking, com Brasil e Índia invertendo de posição.

Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o nível de transmissão da covid-19 na Europa está mais alto do que na primeira onda da pandemia, entre março e abril. A entidade se declarou preocupada com a redução do tempo de quarentena decidida ou planejada por alguns países, como a França.

Novos surtos da epidemia e a maior quantidade de testes, em comparação com a onda de março-abril, levaram o número diário de casos a algo entre 40 mil e 50 mil. Na primeira onda, o dia 1º de abril registrou o recorde de 43 mil contágios, de acordo com a OMS Europa. O novo recorde absoluto diário foi registrado em 11 de setembro, com 54 mil contágios em 24 horas.

Na Áustria, que vem apresentando números tão altos quanto no primeiro semestre, o premiê, Sebastian Kurz, admitiu nesta semana que a intensidade dos novos contágios já configura uma segunda onda. O país retomou medidas restritivas. "A partir de agora, eventos em locais fechados não poderão ter mais de 10 pessoas. Estamos diante de um crescimento exponencial de novos casos na Áustria", afirmou o premiê.

"Os números de setembro deveriam servir de alerta para todos nós na Europa, onde o número de casos é superior aos registrados em março e abril", disse o diretor da OMS no continente, Hans Kluge, que pediu atenção com a chegada do outono e com o início do ano escolar.

O governo da Grécia também adotou restrições, fechando bares de música ao vivo por 14 dias e tornando obrigatório o uso de máscaras em locais fechados - públicos e privados. Feiras e mercados abertos só poderão operar com 50% da capacidade. Além disso, diante do aumento dos contágios, Atenas e sua região metropolitana foram colocadas em alerta.

Na Espanha, a maior preocupação é com Madri, a capital que responde por quase um terço dos 122 mil novos casos registrados nas últimas duas semanas. O Ministério da Saúde alertou que a capacidade de alguns hospitais madrilenhos está perto do limite. A velocidade dos contágios também começou a afetar a capacidade de testagem. Na Espanha, 13% dos testes têm resultado positivo. Em Madri, o índice de positividade chega a 22%.

Olivier Véran, ministro da Saúde da França, incluiu na quinta-feira, 17, as cidades de Lyon e Nice na lista de "zonas vermelhas" do país. O país agora tem 28 departamentos em estado crítico, entre eles Paris, Marselha, Bordeaux e Guadalupe, ilha francesa no Caribe. "Peço que, especialmente nas regiões mencionadas, os esforços sejam redobrados e para reduzir o número de encontros entre as pessoas", afirmou. (Com agências internacionais).

Fonte: Estadão Conteúdo

AstraZeneca suspende testes de vacina contra covid após reação adversa

Foto: Roberta Aline

A vacina contra covid desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca teve seus testes clínicos suspensos por suspeita de reação adversa grave em um dos voluntários participantes no Reino Unido. A informação foi publicada na tarde desta terça-feira pelo site americano Stat News, especializado em notícias de saúde e ciência, e confirmada pelo Estadão com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que firmou parceria com a farmacêutica para produzir o imunizante.

A vacina de Oxford está sendo testada também no Brasil em cerca de 5 mil voluntários. Os estudo brasileiros estão sendo coordenados pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Já havia acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a AstraZeneca para que o imunizante fosse produzido no País após uma eventual aprovação. A fabricação seria possível graças a uma parceria para transferência de tecnologia para a Fiocruz.

A reportagem procurou a AstraZeneca no Brasil para saber o impacto da interrupção dos testes no braço brasileiro do estudo, mas não recebeu resposta até as 20h15 desta terça.

A Anvisa disse que aguarda mais informações da AstraZeneca para se pronunciar oficialmente sobre a interrupção dos estudos. A decisão do laboratório britânico ocorre no dia em que o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, afirma que em "janeiro a gente comece a vacinar todo mundo". O governo federal abriu crédito de cerca de R$ 2 bilhões para a Fiocruz receber, processar, distribuir e passar a fabricar sozinha a vacina.

Segundo fonte da Anvisa, o laboratório apenas enviou um comunicado à agência sobre a interrupção, sem detalhar que tipo de efeito colateral foi notado em participante do estudo, por exemplo, que levou a travar os trabalhos. Técnicos da Anvisa, agora, buscam mais informações da AstraZeneca.

"A decisão de interromper os estudos foi do laboratório, que comunicou os países participantes. A Anvisa já recebeu a mensagem e vai aguardar o envio de mais informações para se pronunciar oficialmente", disse a Anvisa em nota.

Já a Fiocruz informou que foi informada pela Astrazeneca sobre a suspensão dos testes clínicos em fase 3 e vai acompanhar os resultados das investigações sobre possível associação de efeito registrado com a Vacina para se pronunciar oficialmente.

Fonte: Estadão Conteúdo

Candidata a vacina chinesa tem efeito mais fraco em idoso

Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

 

A empresa chinesa Sinovac Biotech informou na segunda-feira, 7, que a vacina que desenvolve contra a covid-19 no Brasil, com apoio do Instituto Butantã, apresentou respostas imunológicas mais fracas em idosos­ um dos públicos que especialistas defendem como de prioridade. A candidata CoronaVac não causou efeitos colaterais graves e mais de 90% dos testados experimentaram alta significativa de anticorpos. Só que em idosos os níveis foram ligeiramente mais baixos.

Já a farmacêutica alemã BioNTech informou que, ao lado da americana Pfizer, foi autorizada a testar também na Alemanha a sua candidata a vacina. Caso o teste clínico seja bem-sucedido, a expectativa é de que agências possam dar o aval regulatório até outubro. Assim, Pfizer e BioNTech preveem a possibilidade de administrar até 100 milhões de doses até o fim deste ano ­ e 1,3 bilhão até o fim de 2021. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Estadão Conteúdo

Covid: 9 de cada 10 relatam sintomas até três meses depois da infecção

Foto: Eduardo Valente/FramePhoto/Folhapress

 

Um estudo do Centro de Controle de Doenças Americano (CDC) aponta que nove em cada dez infectados pela covid-19 ainda sentem reflexos da contaminação. O trabalho é confirmado por relatos de pelo menos cinco médicos paulistas, que tratam pessoas que contraíram o novo coronavírus, ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. Eles apontam a ida ao consultório de pacientes que tiveram a doença nesse período de seis meses de pandemia e permanecem com sintomas como fadiga, dores no corpo, perturbação visual e perda de olfato e também do paladar por até três meses.

"Ainda tenho uma fraqueza, o corpo parece que está travado", conta o marceneiro João Soares Pereira, de 54 anos, que teve a doença em maio e ficou 25 dias no hospital, 12 deles entubado, em Ribeirão Preto. "Eu tinha obesidade, estava com 110 quilos, mas não tinha pressão alta", lembra.

Já com a oxigenação recuperada, ele contou que ainda sente a fadiga. Quase três meses depois do diagnóstico, disse que, na época, foi surpreendido pela contaminação.

"Eu me assustei bastante, principalmente quando falaram da entubação. É bem preocupante", disse o marceneiro, que já voltou ao trabalho, apesar do sintoma persistente.

As queixas de sintomas crônicos deixados pela doença foram analisadas por hospitais americanos e citadas em trabalho compilado pelo CDC, organismo do governo americano que acompanha a evolução da pandemia. O CDC mostra que, de 292 entrevistados entre 14 a 21 dias após a data do teste que deu positivo, 94% (274) relataram sintomas persistentes.

Esse levantamento foi realizado nos EUA, durante o período de 15 de abril a 25 de junho de 2020, com entrevistas por telefone de uma amostra aleatória de adultos acima de 18 anos que tiveram um primeiro teste positivo de reação em cadeia da polimerase-transcrição reversa (RT-PCR, o padrão ouro dos testes) para Sars-Cov-2, em uma consulta ambulatorial em um dos 14 sistemas acadêmicos de saúde de 13 Estados.

Síndrome

A chamada síndrome da fadiga crônica, que tem sido relatada por pacientes convalescentes da covid-19, é uma manifestação encontrada também na recuperação de pessoas que tiveram outras infecções, aponta o infectologista Valdes Roberto Bollelo, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto. "Isso não é só da covid-19, a dengue tem isso também", diz.

O médico afirma que ocorrem situações de recuperação nas quais o paciente fica por uma ou duas semanas "quebrado", com desânimo, embora a doença já tenha passado. "Isso ocorre também com chikungunya, mononucleose, toxoplasmose aguda e outras Sars (coronavírus), que apresentam quadro pós-infeccioso com mialgia e até sintomas neurológicos ou psicológicos", explicou. São reações imunológicas que estão sendo observadas também com a covid-19.

Esses casos de sintomas persistentes preocupam os profissionais de saúde, mas ainda não estão bem comprovados por pesquisas no Brasil.

Segundo Mirian Dal Ben, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, não há estudos científicos no País sobre essa permanência mais duradoura dos sintomas da covid-19. O que há é a percepção, pela experiência de consultório, de casos de pacientes que permanecem com febre por mais de 30 dias, perda do olfato ou perda de paladar, comentou a médica.

"Há casos até de gente que relata queixas de fadiga por até três meses depois da infecção", explicou a especialista.

De acordo com a infectologista Daniela Bergamasco, do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo, a prática tem mostrado que os sintomas crônicos podem permanecer por semanas. Mas a especialista ressaltou também que ainda não é possível comprovar cientificamente o fenômeno por falta de acompanhamento com parâmetros seguros de pesquisa, como foi feito pelo CDC, nos EUA, onde esses pacientes estão sendo chamados de long haulers, ou seja, pessoas que carregam os sintomas da doença por meses.

Para o pneumologista Bruno Guedes Baldi, também do HCor, é possível que pacientes com quadros graves da doença, por exemplo, continuem com os sintomas da covid-19 por até 70 ou 80 dias. "Quando a carga viral é muito alta, por exemplo, ou em casos nos quais a pessoa tenha ficado em UTI, com entubação", afirma.

Tempo de transmissão

O impacto da doença preocupa ainda por uma manifestação adicional. De acordo com a infectologista Adriana Coracini, há casos de pacientes da covid-19 que permanecem com PCR positivo por até 40 dias. Ela ressaltou, porém, que esses pacientes já não transmitem o vírus. A médica alertou também que há doentes que melhoram dos sintomas e voltam a sentir os efeitos da doença um mês depois, com PCR positivo novamente.

Um dos casos que chamou a atenção nas últimas semanas envolve um estudo da Universidade Federal do Rio (UFRJ) que encontrou uma paciente que ainda testou positivo para RT-PCR após cinco meses. O resultado foi uma surpresa para os próprios pesquisadores, mas a mesma pesquisa apontou resultados positivos para um quinto dos testados após um mês da infecção.

Adriana explica que há trabalhos científicos mostrando que, na maioria dos casos, a cultura viral fica positiva para a covid-19 durante nove dias e os exames de PCR positivos, a partir do nono dia, já não correspondem a vírus viável ou replicante. "Temos vírus positivos por 30 ou 40 dias, mas sem que isso signifique transmissão para outra pessoa", disse.

Coracini alertou, no entanto, que ainda não há dados científicos em quantidade necessária para a comprovação segura de que não haja contaminação no período. "Há estudos em andamento, ainda sem conclusões robustas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Por Pablo Pereira
Estadão Conteúdo

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