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Há 100 anos nascia Alberto Silva

Alberto Silva, um sonhador

 

Por Zózimo Tavares

Para muitos, ele era um tocador de obras; para outros, uma usina de ideias; para a maioria, um sonhador. E todos estavam certos. 100 anos depois de seu nascimento, em 10 de novembro de 1918, na Ilha Grande de Santa Isabel, em Parnaíba, Alberto Silva chega ao seu centenário como um mito da história recente do Piauí.

No decorrer de sua longa e intensa vida pública, encerrada em 28 de setembro de 2009, quando ele tombou em pleno combate, no exercício do mandato de deputado federal, sempre abraçou causas novas e ousadas, algumas polêmicas. Todas, porém, com muito entusiasmo.

Compôs uma das mais vastas e mais completas biografias políticas do Piauí. Na política estadual, foi tudo. Na política nacional, só faltou ser ministro e presidente da República. Mas ocupou cargos na administração federal equivalentes ao de ministro de Estado.

Na passagem do centenário de seu nascimento, Alberto Silva recebe as homenagens dignas de um vulto histórico, patrocinadas pelo Governo do Estado, pela Assembleia Legislativa, as Prefeituras de Parnaíba e de Teresina, a Academia Piauiense de Letras e pelo Sesc Piauí.

Na política por acaso

Alberto silva entrou na política por acaso. Quando era um jovem engenheiro formado na prestigiada Escola de Itajubá, em Minas Gerais, e comandava mais de 3 mil trabalhadores na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, ele veio passar férias em Parnaíba.

Era o final de 1947. Por essa época, a velha usina elétrica da cidade só vivia no prego. Houve também uma enchente que alagou os bairros ribeirinhos da cidade.

Em 24 horas, Alberto consertou a usina e bombeou as águas que inundavam Parnaíba. As famílias alagadas puderam voltar às suas casas e as lojas comerciais puderam reabrir as suas portas.

Imediatamente, seu nome ganhou projeção e simpatia na cidade. Os caciques da política local, abrigados na velha a matreira UDN, entenderam de lançar o seu nome a prefeito. Ele relutou, pois seu projeto era seguir a carreira profissional, no Rio.

Na última hora, porém, aceitou o convite-convocação da terra natal para concorrer à Prefeitura, certo de que perderia a eleição, pois o adversário, Darcy Araújo, do PTB, o partido das massas, se apresentava como imbatível.

A eleição foi realizada em 21 de janeiro de 1948 e o jovem engenheiro sagrou-se vitorioso, por apertada maioria. Na prefeitura, fez uma administração revolucionária, com muitas obras de infraestrutura. Ou estruturantes, como se diz atualmente.

Um peixe fora d’água

Nas eleições seguintes, em 1950, elegeu-se deputado estadual. Foi o mais votado de seu partido. Na Assembleia Legislativa, sentiu-se um peixe fora d´água. Com seis meses, renunciou ao mandato e assumiu o cargo de diretor da Estrada de Ferro Central do Piauí, sediada em Parnaíba.

Fez outra gestão revolucionária, restaurando e ampliado a malha ferroviária e substituindo as velhas “marias-fumaça” por trens modernos.

Em 1954, elegeu-se para um novo mandato de prefeito de Parnaíba. Ao final, retornou para a direção da Estrada de Ferro, dando novo impulso à ferrovia.

No começo da década de 60 foi morar em Fortaleza. A convite do governo cearense, dirigiu a companhia estadual de energia e eletrificou todo o Ceará.

 

Alberto Silva: no governo, o tocador de obras

No Governo do Piauí

Em 1970, foi indicado para ser governador do Piauí. Houve resistências e ele foi o último daquela safra a ser escolhido.

Chegando de paraquedas ao Governo do Piauí, contra a vontade do esquema político liderado pelo senador Petrônio Portella, político em ascensão no plano nacional, logo deu a volta por cima.

Fez um governo absolutamente inovador e realizador. O Piauí virou um canteiro de obras, de ponta a ponta.

“A confiança do povo explodiu já nos primeiros meses do novo governo. Explodiu é bem o termo, para definir a euforia que surpreendeu a população”, recordava Alberto, ao fazer um balanço daquele período.

Ele lembrou ainda que o mercado de trabalho ampliou-se de forma fenomenal com o grande volume de obras públicas jamais visto, e a renda regional entrou num ritmo distributivo até então desconhecido no Estado.

Albertão, símbolo de uma era de euforia

Um nome proscrito no Piauí

Do Governo do Piauí, Alberto alçou voos para importantes cargos federais. Foi coordenador do Programa de Desenvolvimento Industrial e Agrícola do Nordeste (Polonordeste) e presidente da Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (EBTU), responsável pela construção dos metrôs do Rio e de São Paulo, entre outras obras.

Com sua ausência do Piauí, para o exercício desses cargos, o esquema político que lhe fazia oposição tratou de varrer o seu nome do mapa.

Fora do governo, amargou o desprezo e a censura. Seu nome era proibido nos meios de comunicação locais, por imposição do governo.

Se alguma vez aparecia na imprensa, era em condições desfavoráveis ou amparado em liminares judiciais para se defender de agressões praticadas contra ele.

Mesmo com tantas obras e presente na memória dos piauienses, nas eleições de 1978 perdeu a eleição para senador e, em 1982, para governador.

A tormentosa volta ao poder

Em 1986, aliou-se ao seu mais ferrenho adversário politico, o ex-governador Lucídio Portella, e voltou ao Governo do Estado pelo voto direito. Lucídio foi seu vice.

A aliança política jamais imaginada revelou um Alberto Silva como homem de diálogo e sem ressentimentos.

Depois disso, ao longo de sua carreira, ele se compôs com vários outros adversários ferrenhos do passado.

O ex-prefeito Wall Ferraz, um crítico de seu segundo governo, acabou sendo seu candidato a governador, em 1990.

O último com quem Alberto fumou o cachimbo da paz foi Hugo Napoleão, que o derrotou na disputa pelo governo, em 82.

No seu segundo governo, Alberto viveu um período amargo de sua vida pública. Eram tempos diferentes daqueles idos de 70, a época do ‘milagre brasileiro’.

Além disso, a oposição foi implacável e procurou de todas as formas sabotar a sua administração e ridicularizar o governador, para enfraquecê-lo para as eleições de 90. Conseguiu.

Os altos e baixos

Ao contrário de 1975, quando deixou o governo nos braços do povo, Alberto Silva saiu em baixa do governo, em 1991.

No ano seguinte, perdeu a eleição para prefeito de Teresina. Em 1994, começou a se recuperar e conquistou o mandato de deputado federal.

Em 1996, perdeu novamente a eleição para prefeito da capital e, em 98, reconciliou-se definitivamente com o eleitorado, recebendo nas urnas o mandato de senador.

Conquistou mais dois mandatos de deputado federal, sem fazer campanha.

Grandes projetos fracassados

Nem todos os arrojados projetos de Alberto Silva deram certo. Muitos deles ficaram inacabados pelo caminho ou simplesmente não se viabilizaram.

É o caso do porto marítimo de Luís Correia. No governo e fora dele, Alberto moveu céus e mares para concluir a obras, mas não conseguiu.

O porto, um sonho secular do Pauí, ainda é uma obra inacabada até hoje. Está completamente abandonado.

Outro projeto seu que não andou foi o do restabelecimento da navegação do rio Parnaíba. Sua ideia era possibilitar a recuperação do rio, que está em condições bem mais críticas do que na época do seu segundo governo, quando lançou a ideia, sintetizada no “Navio do Sal”.

A agonia do rio não sensibilizou a classe política piauiense. O Parnaíba segue em sua correnteza mansa rumo à morte anunciada.

O nome que fica

Com formação aristocrática e vasta cultura, Alberto Silva foi um político educado, polido, incapaz de destratar um adversário.

Como um cardeal, não levantava a voz. Um comunicador nato, convincente. Impunha-se pela presença. Gostava de falar mais de obras e projetos do que de politica.

Apesar de todos os cargos públicos exercidos e dos mandatos eletivos desempenhados, levou uma vida familiar e pessoal modesta, ao lado da mulher, dona Florisa, companheira inseparável de todas as lutas, alegrias e tristezas, derrotas e conquistas.

Alberto Silva é lembrado pela sua geração como um idealista, um sonhador, um obstinado e, sobretudo, um realizador.

Um governante que fez o Piauí sentir-se grande.

BR-135, antiga PI-4, interligação Sul  do Piauí

Obras e serviços que popularizaram Alberto Silva

- Albertão

- asfaltamento de mais de 1.000 quilômetros de estradas federais e estaduais;

- ampliação do sistema elétrico do Piauí, com energia da usina de Boa Esperança;

- implantação da reforma do ensino, com a criação do Estatuto do Magistério e do Salário Móvel para os professores;

- implantação da Universidade Federal do Piauí;

- Maternidade de Teresina e Hospitais de Floriano e Picos;

- Hospital de Doenças Infecto-Contagiosas  (HDIC) e Ambulatório do HGV;

- Zoobotânico;

- reforma urbanística e ampliação do sistema viário de Teresina;

- construção do dique de proteção da zona Norte contra as enchentes, transformado na Avenida Boa Esperança, que leva ao Encontro dos Rios;

- reforma e ampliação do Theatro 4 de Setembro, reinaugurado com o Corpo de Baile do Teatro Municipal de Rio de Janeiro e a Orquestra Sinfônica Nacional;

- Monumento aos Heróis do Jenipapo, em Campo Maior;

- Projeto Piauí;

- reforma e modernização do Palácio de Karnak;

- construção do edifício-sede do Tribunal de Justiça do Piauí;

- Poticabana;

- Metrô de Teresina;

Com Alberto Silva no governo, o Palácio de Karnak virou um cartão postal

Personalidades recebem medalha que homenageia centenário de Alberto Silva

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Quarenta e cinco personalidades do Piauí foram condecoradas na noite desta quinta-feira (08) com a Medalha da Ordem Estadual Centenário Alberto Tavares e Silva. A honraria foi instituida por decreto pelo governador Wellington Dias e marca o centenário de nascimento do ex-governador Alberto Silva. Entre os homenageados, políticos, empresários, jornalistas. A cerimônia foi realizada no Auditório Serra da Capivara, na sede do Tribunal Regional do Trabalho – 22ª Região, na zona Leste de Teresina. A viúva de Alberto Silva, Florisa de Mello Tavares Silva, foi representada pela filha  Suzana Silva, que falou da iniciativa do governador.

"Foi um grande dia. Essa medalha, a partir de agora, vai ser um marco para as gerações futuras de que o Piauí é viável. Tendo boa vontade política ele é viável e eu aproveito uma velha frase dele que o "Piauí é a prancheta do meu coração", afirmou emocionada.

Para o governador Wellington Dias, Alberto Silva era um homem além do seu tempo e pensava um Piauí desenvolvido. "Estou muito feliz. O Piauí inteiro, tanto quem fez oposição ao Dr. Alberto Silva, ou quem trabalhou com ele, reconhece  o importante papel que ele teve. Era uma pessoa muito além do seu tempo, ou seja, uma pessoa que tinha um conhecimento profundo sobre o Estado. Era ousado. Ela não só realizada grandes obras, mas tinha uma visão de Piauí desenvolvido. Muitas pessoas se inspiraram nesse ideia e eu sou parte dessa geração. Tive o privilégio de conviver com ele em vários momentos. Mais que eleitores, ele tinha fãs", afirmou o governador.

O senador eleito Marcelo Castro, um dos homenageados, definiu o governo de Alberto Silva como histórico para o Estado. "É uma honra ser homenageado com esta medalha. Alberto Silva era um dos homens públicos mais brilhantes e que mais realizaram pelo estado do Piauí. Ele foi nomeado governador no início da década de 70 e fez um governo revolucionário. Foi um marco no desenvolvimento e muito de onde estamos devemos a ele", disse.

Fundador do Grupo Jelta, o advogado e empresário Jesus Elias Tajra também foi homenageado com a medalha. "“Quero parabenizar o governador Wellington Dias pela iniciativa, em homenagem a uma grande figura não só da política, mas de cidadania no Piauí. Alberto Silva foi realmente uma grande figura, um grande governador. Na minha opinião foi o governador. O que fez no Piauí e a marca que deixou são indeléveis, altivas e engrandeceram o estado. Foi um cidadão que tinha características pessoais exclusivas. Era um homem determinado, era aquele que dizia eu quero, posso e faço”, afirmou o empresário, que destacou os momentos que viveu ao lado do histórico político.

“Eu estive ao lado dele em vários momentos. Não era a gente que acompanhava ele, era ele que convidada a gente, porque na época eu tinha uma grande atuação no esporte e na comunicação quando eu dirigia à Rádio Pioneira”, declarou.

Engenheiro por formação, Alberto Tavares e Silva foi governador do Estado por duas ocasiões; entre os anos de 1971 e 1975, e de 1987 à 1991. Foi senador da República pelo Piauí entre os anos de 1979 e 1987, e 1999 e 2007. Além disso, ocupou o cargo de deputado federal nos quadriênios 1995-1999 e 2007-2009.

Como governador do Estado, ele foi responsável por viabilizar a construção de importantes estradas, que ligaram o estado de norte a sul, o metrô de Teresina, além de inaugurar o estádio Albertão, maior praça esportiva do estado e que leva o seu nome. 

Ocupando o cargo de senador da república, Silva foi o responsável por lançar, ainda em 2001, o projeto da primeira usina a produzir biodiesel através da mamona no mundo, na Universidade Federal do Piauí.

Alberto Tavares e Silva, nasceu no município de Parnaíba, em 10 de novembro de 1918 e faleceu no ano de 2009, em Brasília.

Lista de homenageados:

1.Academia Piauiense de Letras
2.Alcenor Barbosa de Almeida 
3.Amadeu Campos de Carvalho Filho
4.Antônio de Pádua Franco Ramos 
5.Antônio Fonseca dos Santos Neto
6.Antônio Luíz Cronemberger Sobral 
7.Armando Madeira Basto – “Post Mortem”
8.Bertolino Marinho Madeira Campos
9.Cid de Castro Dias
10.Ciro Nogueira Lima – “Post Mortem”
11.Cláudia Cristina da Silva Fontineles 
12.Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí – CREA-PI 
13.Constantino Pereira de Sousa
14.Darcy Fontenelle de Araújo – “Post Mortem”
15.Elvira Mendes Raulino de Oliveira
16.Firmino da Silveira Soares Filho
17.Florisa de Mello Tavares Silva
18.Francisco Tomaz Teixeira
19.Francílio Ribeiro de Almeida – “Post Mortem” 
20.Heitor Castelo Branco Filho
21.Iran Mendes do Nascimento
22.Jesus Elias Tajra
23.João Cláudio da Silva Moreno
24.João Paulo dos Reis Velloso 
25.João Tavares Silva Filho – “Post Mortem” 
26.João Vicente de Macêdo Claudino
27.Joel da Silva Ribeiro 
28.José Antenor Castro Neiva – “Post Mortem” 
29.José Elias Tajra
30.Kenard Kruel Fagundes dos Santos
31.Lourival Sales Parente
32.Lucídio Portela Nunes – “Post Mortem”
33.Luiz Ayrton Santos
34.Manoel Lopes Veloso – “Post Mortem”
35.Marcelo Costa e Castro
36.Marco Antônio Ayres Corrêa Lima
37.Murilo Ferreira de Rezende 
38.Norbelino Lira de Carvalho
39.RaimundoWall Ferraz – “Post Mortem”
40.Romildo Macêdo Mafra 
41.Severo Maria Eulálio – “Post Mortem”
42.Zózimo Tavares Mendes

Flash Lyza Freitas
Hérlon Moraes (Da Redação)
redacao@cidadeverde.com

O Conselheiro da República

Em 1998, foi eleito senador e, em 2004, foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Conselho da República. Conquistou um novo mandato de deputado federal em 2006. 

Presidente do diretório regional do PMDB no Piauí, faleceu em Brasília, no dia 28 de setembro de 2009, no exercício de seu segundo mandato de deputado federal, vítima de insuficiência respiratória. 

Toda a sua trajetória política será revivida no ano de seu centenário.

Uma revolução na cultura

Orador e músico, Alberto Silva pertenceu à Academia Piauiense de Letras, ocupando a Cadeira 1, uma homenagem da intelectualidade piauiense ao seu desempenho administrativo no primeiro governo. 

Ele criou a Secretaria de Cultura e deixou o maior acervo de realizações de todos os tempos na área cultural do Estado. 

Destacam-se, entre as realizações do período, a criação do Plano Editorial do Estado, com a publicação de mais de 40 obras fundamentais da história, da geografia e da literatura do Piauí; a construção do Monumento aos Heróis do Jenipapo, em Campo Maior, e a reforma do Theatro 4 de Setembro, inaugurado com um concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Governador institui Ordem Estadual Centenário Alberto Tavares e Silva

Em comemoração ao centenário de nascimento do ex-governador do Piauí e ex-senador, Alberto Silva, o governador do Estado, Wellington Dias, instituiu, por meio de decreto, a Medalha da Ordem Estadual Centenário Alberto Tavares e Silva.

A outorga da comenda será realizada no dia 8 de novembro, às 18 horas, em cerimônia no Auditório Serra da Capivara, na sede do Tribunal Regional do Trabalho – 22ª Região, localizado na Avenida João XXIII. 

A honraria será concedida a 50 personalidades piauiense contemporâneas ao ex-governador, pessoas que trabalharam e fizeram parta da vida de Alberto Silva. 

Em Parnaíba, o Sesc Piauí, ao lado da Fundação Alberto Tavares e Silva, realiza, no dia 10 de novembro, na Catedral Nossa Senhora da Graça, uma missa em celebração ao centenário do ex-chefe do executivo piauiense. Da mesma forma, no dia 24 de novembro, a Fundação lança, no espaço Castelo de Eventos, a exposição A Memória Afetiva do Ilustre Filho da Parnaíba, que segue aberta ao público até o dia 19 de dezembro.

Celebrações em homenagem ao ex-governador estão previstas também na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), prefeituras de Teresina e Parnaíba, além da Academia Piauiense de Letras.

De nome de estádio ao homem do biodiesel 

Engenheiro por formação, Alberto Tavares e Silva foi governador do Estado por duas ocasiões; entre os anos de 1971 e 1975, e de 1987 à 1991. Foi senador da República pelo Piauí entre os anos de 1979 e 1987, e 1999 e 2007. Além disso, ocupou o cargo de deputado federal nos quadriênios 1995-1999 e 2007-2009.

Como governador do Estado, ele foi responsável por viabilizar a construção de importantes estradas, que ligaram o estado de norte a sul, o metrô de Teresina, além de inaugurar o estádio Albertão, maior praça esportiva do estado e que leva o seu nome. 

Ocupando o cargo de senador da república, Silva foi o responsável por lançar, ainda em 2001, o projeto da primeira usina a produzir biodiesel através da mamona no mundo, na Universidade Federal do Piauí.

Alberto Tavares e Silva, nasceu no município de Parnaíba, em 10 de novembro de 1918 e faleceu no ano de 2009, em Brasília.

Lista de homenageados:

1.Academia Piauiense de Letras
2.Alcenor Barbosa de Almeida 
3.Amadeu Campos de Carvalho Filho
4.Antônio de Pádua Franco Ramos 
5.Antônio Fonseca dos Santos Neto
6.Antônio Luíz Cronemberger Sobral 
7.Armando Madeira Basto – “Post Mortem”
8.Bertolino Marinho Madeira Campos
9.Cid de Castro Dias
10.Ciro Nogueira Lima – “Post Mortem”
11.Cláudia Cristina da Silva Fontineles 
12.Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí – CREA-PI 
13.Constantino Pereira de Sousa
14.Darcy Fontenelle de Araújo – “Post Mortem”
15.Elvira Mendes Raulino de Oliveira
16.Firmino da Silveira Soares Filho
17.Florisa de Mello Tavares Silva
18.Francisco Tomaz Teixeira
19.Francílio Ribeiro de Almeida – “Post Mortem” 
20.Heitor Castelo Branco Filho
21.Iran Mendes do Nascimento
22.Jesus Elias Tajra
23.João Cláudio da Silva Moreno
24.João Paulo dos Reis Velloso 
25.João Tavares Silva Filho – “Post Mortem” 
26.João Vicente de Macêdo Claudino
27.Joel da Silva Ribeiro 
28.José Antenor Castro Neiva – “Post Mortem” 
29.José Elias Tajra
30.Kenard Kruel Fagundes dos Santos
31.Lourival Sales Parente
32.Lucídio Portela Nunes – “Post Mortem”
33.Luiz Ayrton Santos
34.Manoel Lopes Veloso – “Post Mortem”
35.Marcelo Costa e Castro
36.Marco Antônio Ayres Corrêa Lima
37.Murilo Ferreira de Rezende 
38.Norbelino Lira de Carvalho
39.RaimundoWall Ferraz – “Post Mortem”
40.Romildo Macêdo Mafra 
41.Severo Maria Eulálio – “Post Mortem”
42.Zózimo Tavares Mendes

Da Redação
redacao@cidadeverde.com

Piauí ganha uma nova Constituição


Alberto Silva governava o Piauí quando a Assembleia Legislativa promulgou a nova Constituição do Estado,  em 5 de outubro de 1989.  No seu primeiro mandato de governador, ele saiu do Karnak sob aplausos. Já no segundo, enfrentou muitos reveses e deixou o poder em 1991 com um desgaste devastador. 

Foi candidato a prefeito de Teresina, em 1992, numa eleição vencida em primeiro turno por Wall Ferraz (PSDB), que fora seu candidato a governador dois anos antes. 

Em 1994, foi eleito deputado federal, sem sair de casa. Em 1996, perdeu no segundo turno mais um pleito para a Prefeitura de Teresina, desta vez para o economista Firmino Filho (PSDB), ex-secretário municipal de Finanças. 

 

Alberto Silva lançou ideia do biodiesel

Seria a primeira usina do mundo a produzir biodiesel através da mamona. Em novembro de 2001, Alberto Silva, então senador da República pelo PMDB, lançou a pedra fundamental da primeira usina piloto de biodiesel do Brasil, no campus da Universidade Federal do Piauí (UFPI). O biodiesel é um óleo extraído da mamona e, por ter as mesmas características do diesel comum, poderia ser usado em máquinas e tratores.

O Cidadeverde.com resgata uma reportagem feita pelo jornalista Elivaldo Barbosa  que acompanhou o lançamento. 

Alberto Silva sempre foi um político à frente do seu tempo. Antes do ex-presidente Lula lançar o projeto - em 2008 - o senador piauiense defendia a ideia. Alguns alegaram até que Lula se espelhou no projeto de Alberto Silva, mas organizou de forma diferente ao que defendia o piauiense. A divergência entre os dois projetos é perceptível na entrevista que concedeu à Agência Senado.

Leia trechos da entrevista de Alberto Silva sobre o biodiesel.

Qual a sua proposta?

Minha proposta é que pequenos proprietários, trabalhadores rurais assentados em projetos de reforma agrária e arrendatários de terras se organizem em associações ou cooperativas para criar usinas de produção de biodiesel a partir da mamona, no semi-árido nordestino, e com base em óleo de dendê na Amazônia. Já estamos trabalhando para a construção de um protótipo no Piauí.

Qual o município do Piauí?

Estamos reunindo os lavradores de São Raimundo Nonato e municípios vizinhos que plantaram e colheram mamona no ano passado e na hora de vender ficaram decepcionados com o preço de 65 centavos o quilo que lhes foi oferecido por uma dessas quatro usinas que vão vender biodiesel à Petrobras.

 Já existe uma lei para produção do biodiesel. Será que seria necessário mais uma lei para criar esse tipo de associação.?

Sim, eu proponho que da mesma forma que o presidente Getúlio Vargas criou a Petrobras e por isso nós temos petróleo hoje e que o regime militar criou o Proalcool e temos álcool hoje, para termos biodiesel o presidente Lula deve criar a Biobrás. Para isso, o presidente manda um projeto de lei ao Congresso. Essa empresa planejará e acompanhará todas as fases de produção e comercialização do biodiesel, do plantio e da colheita à fabricação do óleo.Será um Petrobras do combustível alternativo. É isso que o presidente tem que fazer.

Como o senhor justifica o investimento na criação de uma estatal para incentivar pequenos agricultores na época da desestatização, quando se fala tanto em agronegócio que envolve grandes empresas?

Já respondi. O Brasil produz 14 bilhões de litros porque o regime militar criou o Proalcool, o Brasil produz tanto petróleo, hoje porque Getúlio criou a Petrobras. Mas vamos fazer uma conta rápida: a Ecodiesel ofereceu R$ 0,65 por um quilo de semente de mamona, o lavrador tira no máximo uma tonelada de mamona por hectare. Ao vender por esse preço, ele fatura R$ 650,00 por tonelada, mas se ele plantar mandioca, ele tira 20 toneladas por hectare em 15 meses. Vendendo a 100 reais a tonelada, tem R$ 2 mil, três vezes mais do que o dinheiro da Ecodiesel. Assim, não vai ter semente de mamona, quem vai plantar mamona para vender 65 centavos o quilo? Ninguém.

Qual a solução para melhorar esse preço?

A solução é esta: o agricultor planta com apoio do Programa de Agricultura Familiar (Pronaf), recebe o dinheiro do Pronaf, planta, colhe, leva para a usina da associação ou cooperativa, a usina esmaga a semente, extrai o óleo da mamona ou do dendê. Para garantir uma renda mínima para esse trabalhador, o governo teria que garantir um preço mínimo para o biodiesel produzido pelo Pronaf, por essas usinas de trabalhadores. Isso se chama valor agregado, ele agregou valor à produção agrícola dele. Da mesma forma que o governo dispõe recursos para o Bolsa Família, pode oferecer para esse trabalhador agrícola pobre produzir mamona, dendê e biodiesel.

O trabalhador poderá ainda obter renda de culturas conjuntas?

Existem ainda os subprodutos dessa atividade. Minha proposta é a plantação dupla: uma fileira de feijão e uma de mamona. Isso produz uma tonelada de mamona e uma tonelada de feijão por hectare. Proponho que o Banco do Nordeste abra uma conta para cada trabalhador e outra para a associação de produtores de biodiesel. E que faça um acordo com aassociação para que o trabalhador não tire mais de R$ 250,00 por mês da sua conta.

Mas o agricultor terá uma renda de apenas R$ 250,00 por mês?

Se muitos vivem da Bolsa Família de R$ 90,00, imagina R$ 250,00. Mas ele terá mais dinheiro desses subprodutos. Assim o lavrador terá dinheiro, terá feijão para consumo e para comercialização. Mas para isso ele leva o feijão para a fábrica, seca e ensaca, a diretoria dessa associação não vende o feijão dele, bota o feijão no agronegócio, espera chegar o pico do preço e vende feijão a R$ 2,00. Com uma tonelada, o lavrador já tem R$ 2 mil na conta dele, em quatro meses de trabalho.

Mas como garantir o preço do biodiesel?

Ele colhe feijão de quatro em quatro meses. E continua colhendo mamona, mamona dá o ano todo, vai colhendo e entregando na fábrica, e a fábrica transformando em óleo. Aí vamos fixar o preço. O governo vai ajudar o lavrador, o governo vai comprar o biodiesel do lavrador por um preço acima de R$ 2,00. Já que é para gerar emprego, a Biobrás compra o biodiesel dessas associações por um preço especial: R$ 2,30.

Por Yala Sena (Com informações do Senado Federal)

redacao@cidadeverde.com

Governo do Piauí institui Medalha Alberto Silva

O governo do Piauí instituiu a ‘Medalha da Ordem Estadual Centenário Alberto Tavares Silva’. Segundo o governador Wellington Dias, a comenda é para reverenciar a memória do engenheiro Alberto Silva, ex-governador e ex-senador, na passagem dos 100 anos de seu nascimento.

A medalha será concedida a personalidades que colaboraram com o ex-governador em sua longa trajetória política e administrativa, na qual exerceu dois mandatos no Palácio de Karnak (1971-1975 e 1987-1991), dois mandatos também de senador (1979-1987 e 1999-2007) e mais dois de deputado federal (1995-1999 e 2007-2009).

A cerimônia de outorga da Medalha será realizada no dia 8 de novembro, quinta-feira da próxima semana, às 18 horas, no Auditório Serra da Capivara, no edifício-sede do Tribunal Regional do Trabalho – 22ª Região, na Avenida João XXIII.

O governo do Estado associou-se a outras instituições nas homenagens à memória de Alberto Silva, nascido em Parnaíba, em 1918, e falecido em 2009, em Brasília.

O centenário do nascimento dele está sendo lembrado também pela Assembleia Legislativa, as Prefeituras de Teresina e de Parnaíba, a Academia Piauiense de Letras e o Sesc Piauí.

A volta ao governo

Alberto Silva tentou voltar ao Governo do Piauí através do voto popular. Com o restabelecimento das eleições diretas para governador, em 1982, ele concorreu ao Palácio de Karnak, sendo derrotado pelo deputado federal Hugo Napoleão (PDS), apoiado pelo governador Lucídio Portella e todo o seu esquema político.

Mesmo vencido nas urnas, por uma diferença de 120 mil votos, ele não cruzou os braços. Ainda estava na metade do mandato de senador e se incorporou à campanha do PMDB para levar o já governador Tancredo Neves à Presidência da República, através do Colégio Eleitoral, onde foi seu eleitor.

Também com a volta das eleições diretas para os prefeitos das capitais, em 1985, comandou a campanha vitoriosa do deputado federal Wall Ferraz (PMDB) à Prefeitura de Teresina. 

Em 1986, foi novamente candidato a governador. Ele enfrentou nas urnas o então deputado federal Freitas Neto, o último prefeito nomeado de Teresina. Venceu o pleito com o apoio de antigos adversários, à frente o ex-governador Lucídio Portella, líder do PDS e seu companheiro de chapa.

Nessa campanha, estavam no palanque da oposição quatro ex-governadores: Chagas Rodrigues, Helvídio Nunes, Alberto Silva e Lucídio Portella. Helvídio concorria ao terceiro mandato de senador, mas não foi eleito. Chagas Rodrigues disputava o Senado pela terceira vez e saiu vitorioso.

Por Zózimo Tavares

zozimotavares@cidadeverde.com

A chegada ao Governo e Senado

Em 1970, numa articulação política comandada pelo coronel Virgílio Távora, uma das lideranças do Ceará com largo prestígio junto ao governo militar de 64, o engenheiro Alberto Silva foi escolhido governador do Piauí pelo presidente Emílio Garrastazu Médici.

Ele tomou posse no Palácio de Karnak como um estranho no ninho, pois a política estadual era dominada pelo esquema do senador Petrônio Portella, já um líder nacional da Arena, o partido do governo.

Mas logo Alberto caiu na simpatia popular, pois o seu governo sacudiu o Piauí, abrindo frentes de obras públicas para todos os lados. Em seu mandato, o Estado foi ligado de ponta a ponta por estrada asfaltada. Foi a época das grandes obras públicas, destacando-se entre elas o estádio Albertão.

 

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