Cidadeverde.com
Diversidade

5 Lições para sair bem do armário: LGBTS narram caminhos para autoestima

Por Thiago Araújo

"Eu sou gay". Três palavras e... um pé na porta do seu armário, certo? Não é bem assim. Confesso que escrevendo agora parece fácil, e pode até ser que para alguns tenha sido, mas falar assim com tanta naturalidade sobre minha orientação sexual demorou um certo tempo, algum planejamento e bastante confiança.

Nas últimas semanas, conversei com amigos e amigas homossexuais em busca de experiências para escrever esta reportagem. Apesar de cada um ter seu caminho, separei fatos em comum que auxiliaram a jornada de nossos personagens pra achar a “saída do armário”. São 5 dicas baseadas nas histórias deles para ajudar você a sair do seu.

1. Antes para você mesmo, depois para os outros

“Se você não consegue amar a si mesmo, como você vai conseguir amar outra pessoa?”

Uma unanimidade entre as pessoas com quem conversei foi a autoaceitação. Antes de se assumir pra qualquer pessoa, você precisa estar confortável com você mesmo. Eu sei que parece papo de auto-ajuda, mas é mais pura lógica: para encarar o mundo, é preciso encarar antes o seu próprio espelho.

É uma experiência libertadora a primeira vez em que falamos em voz alta a frase “eu sou gay”. Mas, até chegar esse momento, rolam milhões de perguntas na cabeça, inclusive se nos sentimos assim mesmo ou se esta é só uma fase. Tanto fisicamente, quanto emocionalmente: você gosta de verdade de pessoas do mesmo sexo que o seu?

O primeiro caso é um tanto óbvio de perceber: na época da puberdade, os hormônios mexem com todo o nosso corpo, ativando as área do cérebro responsáveis pela sexualidade. Quando conversei com a gerente de contas Amanda Sanches, 26, ela disse que, aos 14 anos, percebeu que era lésbica: “(Foi) quando uma amiga ficou nua na minha frente e eu, estranhamente, olhei (para) ela de um jeito bem diferente”. Um ano depois veio o lado emocional, quando ela se apaixonou pela melhor amiga.

“Quando você percebeu que você era gay?”

Já para o publicitário Rafael Lungwitz, 27, foi um pouco mais difícil de se aceitar: “Achava que fosse algo que passaria quando eu arrumasse uma namorada e acontecesse algo sério entre nós. Esse dia nunca chegou. Aos 17 anos, me apaixonei por um outro garoto. Foi então que eu parei pra entender o que estava acontecendo e percebi: ‘sou gay… não vai passar, não quero uma namorada’.”

No início é meio difícil mesmo e você se sente sozinho no mundo, mesmo cercado de todo tipo de referência com a internet hoje em dia. Uma dica do arquiteto André Abrão, 27, é se informar muito: “Eu recomendo informação. Antes de tudo, para que você supere a homofobia interna. Veja séries e filmes com temáticas gays, leia livros sobre o assunto”.

2. Devo planejar para quem contar primeiro?

Escolher bem a primeira pessoa para contar pode ser chave para te ajudar em todo o processo. Um irmão, seu melhor amigo ou uma tia que sempre te entendeu melhor que todo o resto da família fazem a diferença na hora do pontapé inicial. Confiança (e algum planejamento) é o grande segredo aqui, foi o que disseram os meus entrevistados.

O músico Rafael Miranda, 26, e a designer Fernanda Caetano, 24, ambos contaram para suas respectivas melhores amigas em quem confiavam muito. “Planejei durante muito tempo e contei para minha melhor amiga de infância que era gay. Ela ficou muito surpresa, mas super me apoiou”, conta Miranda. Já a amiga de Fernanda não achou nada estranho: “Ela disse que não a surpreendia, que tinha a ver comigo, e que nada mudaria entre nós. Em geral, todos os meus amigos reagiram de uma forma muito natural. Acredito que a dificuldade maior seja contar para pessoas mais velhas, pois existe o choque entre as gerações.”

Pra enfrentar essa diferença, André Abrão contou com a ajuda da irmã e falou primeiro para ela e depois para o restante da família: “Ela entendeu que eu não podia mais viver uma mentira e foi uma grande aliada. Eu já não suportava viver escondido. Me sufocava. Assim, quando chegou no meu limite, eu decidi viver quem eu era, porém antes abri o jogo com minha família.” E a reação deles? “Minha mãe desmaiou, meu pai ficou muito quieto. Mas, foi questão de pouco tempo para eu ter todo o apoio e carinho deles.”

 

Mesmo planejando, às vezes é você quem se surpreende quando quebra as portas do armário: “Contei para meu melhor amigo e para minha melhor amiga. Semanas depois eles vieram se assumir para mim também”, revelou Rafael Lungwitz sobre a escolha de falar com os dois ao mesmo tempo. E deu super certo: “Estávamos os três muito confusos, mas um ter saído do armário ajudou os outros dois a saírem também. Um apoiava muito o outro. Assumimos no mesmo período para as famílias.”

3. Se não consegue falar, escrever vai te dar a confiança que você precisa

Amanda Sanches é dessas: já tinha se aceitado e escolheu a prima para ser a primeira pessoa para quem contar, mas não conseguia falar de jeito algum. “Eu planejei contar, mas tinha medo de falar pessoalmente, então escrevi uma carta”. Lembra da primeira paixão de Amanda por uma amiga? Esse foi o tema da carta que a prima respondeu: “Ela disse que poderia ser só uma admiração mais forte e que poderia passar. E que se não passasse, também não teria problema”.

O DJ e produtor de elenco Arrigo Araújo, 26, fez algo parecido, mas usou a internet para isso. Escolheu uma amiga que havia se mudado de colégio na época - “Achei que seria mais fácil contar para alguém com quem eu não tivesse um convívio diário. Caso ela não aceitasse, tudo seria mais fácil” - e pediu para ela entrar no ICQ, um programa de chat bem popular nos anos 2000: “Ela achou divertido, me questionou muito se eu tinha certeza, logo depois começamos a fofocar sobre meninos imediatamente e tudo correu bem”.

4. Internet é uma grande aliada

“Eu cresci em uma cidade rural e muito pequena do interior. Como estudava em outra cidade, não convivia com os colegas da escola, e também não tinha muitas referências sobre como eu tinha que ser. Sentia atração por mulheres, e isso era ok pra mim, já que não percebia que outras meninas não sentiam. Um dia, eu tive este insight incrível: notei que as meninas voltavam do fim de semana contando casinhos sobre os meninos que elas paqueravam na pracinha. Os casais de adultos que eu conhecia, eram todos formados por um homem e uma mulher. E aquela amigona do meu pai, aquela, de cabelo curto, com jeito de homem... era solteira. Foi nesse dia que eu percebi que o mundo não era gay. Eu sim.”

Este depoimento é da estudante de pós-gradução em biologia vegetal Thaíssa Engel, 24. Moradora atualmente da cidade Campinas, ela cresceu no interior do estado de São Paulo e mesmo com a consciência de que era lésbica, Thaíssa não tinha como sair do armário: “Eu não podia contar pra familiares, a minha única amiga de escola tinha se mudado. Sabia que era gay, mas não conhecia mais ninguém que fosse”. Aos 15 anos, ela se mudou para uma cidade um pouco maior, onde se conectou pela primeira vez na internet: “Um mundo novo! Isso foi um divisor de águas. Fiz vários amigos virtuais, e com esses desconhecidos, eu não precisava fingir nada. Eu era eu.”

5. Não corra: entenda o seu tempo e o do outro

 

É dever de cada um saber o seu melhor momento, mas o consenso entre as pessoas com as quais conversei é de quando ele chega, não dá mais pra segurar e você percebe que é a hora de falar para alguém. Para Arrigo, o importante é saber como dizer e respeitar o tempo de cada um:

“Acho que o ideal é não ser combativo. Sair do armário é mostrar para as pessoas quem você realmente é, mas também se abrir para que te aceitem. Muita gente, principalmente os pais, ainda não sabe como lidar com a novidade de ter alguém próximo sendo gay. Então, é uma mão de duas vias: enquanto você espera que eles te aceitem, você tem que dar para eles o tempo e o espaço necessários para que processem a informação e lidem com isso”

O geólogo Fernando Rodrigues, 24, concorda que cada um tem o seu timing e deixa um recado para quem ainda não encontrou o seu: “Se assuma para você mesmo. Depois, se assuma para amigos mais próximos que você achar que devam saber. Eu vivi por muito tempo sabendo disso, mas não queria acreditar. Posso dizer que ter um conflito interno é a pior coisa que nós podemos fazer conosco. Hoje em dia é como se eu tivesse tirado um peso das costas”.

“Se você ainda é adolescente, não queime etapas, dê tempo ao tempo e uma hora você vai perceber que precisa contar para alguém”. É o que acredita o designer Marcel Pace, 28. No entanto, ele ainda acha que há sim aquele momento limite para sair do armário e que isso tem a ver com idade e respeito:

“Se é adulto, já é hora de compartilhar com os amigos de um jeito ou de outro. Eu imaginava que as pessoas tinham o direito de se afastar de mim, caso elas não achassem ok. Coisa nenhuma! Ninguém tem o direito de te julgar ninguém. Se as pessoas realmente gostam de você, elas vão te aceitar do jeito que é. Pode parecer um chavão, mas é a mais pura verdade, e quanto mais o tempo passa, mais vou entendendo”

 

Fonte: HUFFPOST

Associação de Travestis e Transexuais realiza oficina sobre 'Registro Público:Meu Nome, Meu Orgulho'

O projeto “Prepara: que é hora de respeitar os Direitos das Poderosas” realizará na próxima terça-feira(27) a segunda oficina ‘Registro Público: Meu Nome, Meu Orgulho’. A atividade acontecerá a partir de 15h na Defensoria Pública – Av. Nossa Senhora de Fátima, 1342.

 

O projeto é uma realização da Associação de Travestis/Transexuais do Piauí (ATRAPI) e tem como objetivos: desenvolver ações de formação para o público de travestis e transexuais, estabelecer diálogo com agentes públicos, educadores/as e estudantes sobre Direitos do público-alvo.

 

A cobrança de gestores/as públicos para dar efetividade das normas jurídicas (leis, decretos, portarias) reconhecendo população Trans como sujeito de direito  também está entre os objetivos do projeto.

 

A realização de oficinas de formação, palestras e reuniões está contemplada dentro dos processos de execução   do projeto para garantir resultados efetivos nas ações  pedagógicas junto ao público envolvido.

 

Por Herbert Medeiros

 

Tambores vão rufar na 33ª Festa da Beleza Negra - 23/11

Os tambores vão rufar na próxima sexta-feira(23) para celebrar a 33ª Festa da Beleza Negra de Teresina cujo tema é ‘Xangô: a força da justiça que nos conduz’.   Também será momento para  comemorar o  dia Nacional da Consciência Negra e fortalecer os laços de  luta e ReXistência do povo afro-brasileiro.  

A atividade ocorrerá no Espaço “Memorial Esperança Garcia” a partir das 19:30. A ação é uma realização do Grupo Afrocultural “Coisa de Negô*”. A música afro energizará a tod@s com participação de James Brito, Lene Silva, Grupo Ijêxa, Coisa de Negô e outras atrações.

Grupo Afrocultural Coisa de Negô

O Centro Afro-cultural Coisa de Negô surgiu nos anos de 1990 a partir de ações do resgate,  das culturas, identidades e autoestima negra. Os/as Ativistas se constituíram através do movimento popular e religioso e também de adolescentes e jovens negros/as do Estado.

A instituição visa promover, valorizar e preservar a cultura afro-brasileira no Estado do Piauí bem como combater o racismo, a discriminação e a violência institucional e sociocultural.

Por Herbert Medeiros

Associação de Travestis e Transexuais do Piauí promove oficina "Registro público, família e cidadania"

A Associação de Travestis e Transexuais do Piauí - ATRAPI realiza amanhã (23) a oficina "Registro público, família e cidadania". A atividade é uma das ações do projeto "Prepara! É hora de respeitar o direito das poderosas", desenvolvido pela entidade com apoio do Tribunal de Justiça do Piauí.

Segundo Monique Santos, Presidente da ATRAPI, a oficina acontecerá no Auditório do CREAS POP (Rua Álvaro Mendes, 1801 - Centro), a partir das 16h. A ministrante será a Defensora Pública Patrícia Monte, Coordenadora do Programa de Erradicação do Sub-registro na Defensoria Pública do Piauí.

A atividade tem como público-alvo travestis e transexuais, mas é aberta à participação de qualquer pessoa interessada no tema. "Nós vivemos um momento muito difícil no Brasil, marcado pela retirada de direitos, especialmente de grupos historicamente excluídos. Por isso, é muito importante criamos espaços de diálogo para resistirmos às adversidades", pontua Monique Santosa

 

Por Marinalva Santana

Teresina realizará ato "Tambores pela Liberdade" no centro da cidade

Um mosaico humano de afetos, de desejos pulsantes por mais democracia, diálogos fraternos  e direitos ecoarão nesta quinta-feira(18/10) vozes, cantos, danças e ritmos no ato “Tambores pela Liberdade”, ação em defesa das liberdades democráticas e de ReXistir aos discursos de intolerância e subjugação/silenciamento  das potencialidades criativas e transformadoras da vida social.

A concentração acontece na Praça do Fripisa, às 16h, e percorrerá as ruas do centro de Teresina espalhando congraçamentos e alegrias. Entre as atrações da ação estarão:  projeto Ritmos da Periferia, banda Lisossomos, poeta Hélio Ferreira etc.  Serão artistas, ambientalistas, juventudes, organizações sociais, mulheres, educadores/as, profissionais de diversas categorias que reafirmaram “Viver e não ter a vergonha de ser feliz/cantar e cantar a beleza de ser eterno aprendiz.”

 A atividade pretende ressaltar ainda  a necessidade de refletir com serenidade  o momento do país a partir de uma ótica de compreensão racional, ética, artística  e afetiva dos caminhos que se quer pavimentar para fazer país de respeito às pluralidades, de garantia de  políticas socioeconômicas e culturais  justas e inclusivas para tod@s, sem discriminação de qualquer natureza.

Para traduzir melhor as vibrações positivas que participarão do ato, os versos de Beto Guedes sintetizam os laços que interligam pessoas diversas: Anda, quero te dizer nenhum segredo/Falo desse chão, da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar/Vamos precisar de todo mundo pra banir do mundo a opressão/Para construir a vida nova vamos precisar de muito amor/A felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver”

Por Herbert Medeiros

Aniversário de três anos do Movimento 'Ocupa Praça': a cidade é nossa

“A praça! A praça é do povo/Como  o céu é do condor”.  A expressão da luta por liberdade contida nos versos de Castros Alves revela como as sociedades transformam sua realidade para edificar outro mundo possível  a partir de suas ações individuais e coletivas.  foram mentes e corações coletivas urbanas de Teresina que lutaram fraternalmente  há três anos pela manutenção  da Praça das Ações Comunitária do bairro Parque Piauí.  

Em outubro de 2015, moradores da região e cidadãos urbanos realizaram durantes meses  conjunto de iniciativas educativas-culturais  para resistir ao projeto da Prefeitura Municipal de Teresina de construir terminal de Integração na localidade sem levar em conta os interesses dos moradores, os impactos ambientais e não realizando  consulta da  participação popular.

E para comemorar a luta do Movimento #OcupaPraça, hoje (12/10), no local onde ocorrerão as ações coletivas de ReXistência,   membros da comunidade, artistas, ativistas urbanos estarão comemorando a conquista de manter aquele espaço socioambiental.  Ao longo de todo dia serão realizadas: Oficina Horta Orgânica, palhaçaria e jogos infantis, rodas de conversa, roda de capoeira, crochetando afetos,  shows musicais, ritual de tambor e Afoxá,  plantações de mudas, contação de Histórias etc. 

A Rede Ambiental do Piauí(REAPI) e o Projeto ‘Garagem Orgânica’* participaram do evento com plantação de mudas frutíferas.  Tânia Martins, ativista da REAPI, ressaltou a importância de disseminar a cultura da produção de hortas urbanas como fator de conscientização para consumo de alimentação saudável, livre de agrotóxicos, bem como promoção da educação ambiental.

*Projeto Garagem Orgânica

De acordo com jovem Antônio Neto, um dos idealizadores do projeto, a iniciativa nasceu com objetivo de atuar em duas  frentes: realizar a produção de hortas urbanas em casas, apartamento, clínicas e outros espaços da cidade; desenvolver,  em sítio próximo de Teresina, experimento com sistema de agrofloresta (uso e manejo da terra que traz como vantagem, em relação à agricultura convencional, recuperação da fertilidade dos solos, fortalecimento de adubos verdes, controle de ervas daninhas et). Entre outras ações, o projeto realizou oficina na Galeria ‘The Doors’ para público empresarial do setor de gastronomia.

Por Herbert Medeiros

 

Onda feminina toma conta de Teresina com Ato #MulheresPelaDemocraciaMaisDireitos

  • fotos_elejamais7_EDIT.jpg Herbert Medeiros
  • Fotos_Elejamais6_EDIT.jpg Herbert Medeiros
  • Fotos_elejamais5_EDIT.jpg Herbert Medeiros
  • fotos_elejamais4_EDIT.jpg Herbert Medeiros
  • fotos_elejamais3_EDIT.jpg Herbert Medeiros
  • FOTOS_EleJamais_29_set_2018_EDIT.jpg Herbert Medeiros
  • Fotos_elejamais_2_EDIT.jpg Herbert Medeiros
  • FOTOS_EleJamais_1_EDIT.jpg Herbert Medeiros

As mulheres de Teresina ontem(29/09) mostraram  a força, ousadia, empoderamento e capacidade de mobilizar a tod@s para afirmar a  liberdade das existências sem qualquer opressão, o  amor,  a garantia e promoção  dos Direitos Individuais, Políticos e Sociais. Uma pluralidade de sujeitos ecoou com firmeza a defesa pela Democracia e mais Direitos. E para traduzir esse momento singular de energias pulsantes lutando por uma país que respeita e valoriza as Diferenças, canções nos lembram como as vozes femininas protagonizam e fazem a nossa História:

Maria, Maria (Elis Regina)

“Maria/Maria/É um dom, um certa magia/uma força que nos alerta/uma mulher que merece viver e amar/como outra qualquer no planeta/Mas é preciso ter força/é preciso ter raça/é preciso ter gana sempre/quem traz no corpo a marca/Maria, Maria/Mistura a dor e a alegria”

Ela é Bamba (Ana Carolina)

"Então vamo lá!:/Ana, Rita, Joana,/Iracema, Carolina"Ela é bamba!//Ela é bamba!/Essa preta do pontal/Cinco filhos pequenos pra criar/Passa o dia no trampo pau a pau/E ainda arranja um tempinho pra sambar

Quando cai na avenida/Ela é demais/Todo mundo de olho/Ela nem aí/Fantasia bonita/Ela mesmo faz/Manda todas/Não erra a mira...

Mãe, passista, atleta/Manicure, diplomata/Dona da boutique/Enfermeira, acrobata...

Ela é bamba/Essa índia da central/Vai no ombro/Um cestinho com neném/Oito quilos de roupa no varal/Ainda vende cocada nesse trem

Toda sexta/Ela fica mais feliz/Vai dançar numa boate do Jaú/Faz um jeito/E já pensa que é atriz/Cada dia inventa um nome

Dora, Isaura, Emília/Terezinha e Marina/Ana, Rita, Joana/Iracema e Carolina...

Dora, Isaura, Emília/Terezinha e Marina/Ana, Rita, Joana

Iracema e Carolina/Laura, Lígia, Luma/Lucineide, Luciana/Quer seu nome escrito/Numa letra bem bacana...

 

Ela é bala/A mestiça é todo gás/Cada braço é uma viga do país/Abre o olho com ela meu rapaz/Ela é quase tudo que se diz...

Quando compra uma briga/Ela é demais/Vai no groove/E não deixa desandar/Ela é pop, ela é rap/Ela é blues e jazz/E no samba é primeira linha...

"Vamo lá!:/Laura, Ligia, Luma/Lucineide, Luciana/Quer seu nome escrito/Numa letra bem bacana...

 

Pagu – Rita Lee

Mexo, remexo na inquisição/Só quem já morreu na fogueira/Sabe o que é ser carvão

Eu sou pau pra toda obra/Deus dá asas à minha cobra

Minha força não é bruta/Não sou freira, nem sou puta/Porque nem toda feiticeira é corcunda

Nem toda brasileira é bunda/Meu peito não é de silicone/Sou mais macho que muito homem!

Nem toda feiticeira é corcunda/Nem toda brasileira é bunda/Meu peito não é de silicone/Eu sou mais macho que muito homem

 

Sou rainha do meu tanque/Sou Pagu indignada no palanque/Fama de porra louca, tudo bem!

Minha mãe é Maria Ninguém

 

Não sou atriz, modelo, dançarina/Meu buraco é mais em cima

Porque nem toda feiticeira é corcunda/Nem toda brasileira é bunda

Meu peito não é de silicone/Sou mais macho que muito homem!

Nem toda feiticeira é corcunda/Nem toda brasileira é bunda

Meu peito não é de silicone/Eu sou mais macho que muito homem

 

O Lado Quente do Ser - Maria Bethânia

Eu gosto de ser mulher/Sonhar arder de amor/Desde que sou uma menina/De ser feliz ou sofrer

Com quem eu faça calor/Esse querer me ilumina/E eu não quero amor nada de menos

Dispense os jogos desses mais ou menos/Pra que pequenos vícios

Se o amor são fogos que se acendem/Sem artifícios

Eu já quis ser bailarina/São coisas que não esqueço/E continuo ainda a sê-la

Minha vida me alucina/É como um filme que faço/Mas faço melhor ainda/Do que as estrelas

Então eu digo amor, chegue mais perto/E prove ao certo qual é o meu sabor/Ouça meu peito agora/Venha compor uma trilha sonora para o amor

Eu gosto de ser mulher/Que mostra mais o que sente/O lado quente do ser/Que canta mais docemente

Manifesto pela Vida de Todos Nós - III Encontro Internacional de Sociopoética

A VIDA, A QUE SERÁ QUE SE DESTINA ?

QUEM ESTÁ EM DEFESA DA VIDA?

RESISTIR É VIVER ?

Refletindo através dos tempos, nos apresentamos aqui, agora, hoje, ontem, amanhã e sempre. Em defesa da vida de todas nós. Nós quem? Nós, que insurgimos contra o feminicídio, a favor da vida das comunidades tradicionais, ribeirinhas, camponesas, nos quilombos urbanos. Insurgimos, nós. Nós, que não morreremos educados por uma civilização que nos nega. É pela nossa vida, pela pluralidade, pelas cores, por muitas sexualidades. Apresentamos o nosso manifesto, estamos aqui desde sempre e até a existência dos dias. Existimos.

Em defesa dos corpos que se movimentam e protestam! Lutar não é crime!

Nós reivindicamos em defesa da vida de todas nós!

Não mais a destruição de nossas casas e modos de vida!

Não mais a nossa destruição em nome de uma única família, religião e tradição!

Não ao Feminicídio!

Nós reivindicamos a vida de todas nós!

 

Educação, perseguição ou insurreição?

Em nome das estudantes de ontem, de hoje e as de amanhã, nós reivindicamos a vida e a integridade dos três estudantes do curso de Licenciatura em Educação do Campo perseguidos pela Universidade Federal do Piauí por terem lutado contra a precarização.

Somos e estamos na luta pela educação.

Em defesa dos corpos que se movimentam e protestam! Lutar não é crime!

Nós reivindicamos em defesa da vida de todas nós!!

 

Desenvolvimento para a vida ou para o lucro? Lagoas do Norte para quem?

Em nome das comunidades ribeirinhas, tradicionais, quilombolas, dos povos das águas, da terra e do campo, nós reivindicamos a defesa da vida dos atingidos pelo Programa Lagoas do Norte. Lagoas do norte para quem? Essa pergunta representa nossa indignação com o atropelamento e aniquilamento rápido e feroz sobre os nossos modos de vida. Resistiremos à essa modernidade ligeira e esmagadora!

Lagoas do Norte para a população!

Vocês não vão enriquecer pelo que construímos com nossas mãos!

Não mais a destruição de nossas casas e modos de vida!

Nós reivindicamos a vida de todas nós!

 

Nossa cultura não é caso de polícia!

Em defesa das casas de reggae da Zona Norte de Teresina, criminalizadas pelo Programa Vila Bairro Segurança; em defesa da Casa Hip Hop de Teresina, tomada de policiais encapuzados, em defesa de todos os movimentos culturais brasileiros negados e perseguidos, em defesa de muitas vidas tombadas nos morros, favelas, periferias, nós reivindicamos nosso direito de cantar, dançar e gritar!

O compromisso da nossa arte não é para ser entendido por vocês, senhores!

Não queremos permissão, não haverá submissão!

Fazemos coro com Sabotage: Polícia, sai do pé!

 

Em defesa dos corpos que se movimentam e protestam! Lutar não é crime!

Nós reivindicamos em defesa da vida de todas nós!

Não mais a destruição de nossas casas e modos de vida!

Não mais a nossa destruição em nome de uma única família, religião e tradição!

Não ao Feminicídio!

Nós reivindicamos a vida de todas nós!

 

Pelos nossos terreiros, congás e casas de santo ameaçadas, destroçadas e desapropriadas por tantas vezes, reivindicamos que somos espírito-corpo-arte-cultura. Reivindicamos nossa cosmovisão afro e indígena, onde arte, vida, música, teatro, canto, espiritualidade, não se separam da vida em nenhum momento. Sendo, nós, resistentes através dos tempos, arte-vida-política, reivindicamos a nossa existência.

Não mais a nossa destruição em nome de uma única família, religião e tradição!

Nós reivindicamos a vida de todas nós!

 

Somos Camilla!

Somos Gisleide!

Francinilda, Iarla, Aretha!

Em solo patriarcal-colonizador, Violência, Opressão, Submissão, Assassinadas, delegacias sucateadas, profissionais descapacitados, instâncias do Governo omissas. Nos querem sempre caladas: “PI tem três feminicídios em 24 horas e delegada faz apelo: ‘vizinhos e vizinhas, protejam nossas mulheres’”; “Em sete meses, Piauí já registra 78% do número de casos de feminicídio do ano passado”; “Piauí é o sétimo estado do Brasil em número de feminicídios”; “Com 100 feminicídios, Piauí não proferiu nenhuma sentença em 2 anos”... Basta!

Somos muitas indignadas, cansadas, Somos mulheres, negras, mulheres e homens trans, LGBTs, guerreiras.

É preciso falar: G Ê N E RO nas Escolas, Universidades, Ruas, Casas, em toda a Cidade!

Não mais deixaremos que nossos corpos e afetos sejam reprimidos de qulaquer forma! Nós, LGBTs, não mais morreremos por sermos quem somos! Não queremos apenas o direito de amar livremente, queremos o direito a cidade, queremos o direito a proteção, o direito a moradia, queremos o ensino superior, queremos o direito ao trabalho, queremos o direito ao direito, o direito a existir!

 

Seguiremos, mulheres, LGBTs, unidas, por políticas públicas de prevenção contra tal realidade opressiva!

Para que sejamos livres!

Não ao machismo!

Não ao Feminicídio!

Não à LGBTfobia!

Nós reivindicamos a vida de todas nós!

 

Não há quem fale por nós e não queremos que falem. Queremos que ouçam.

Falamos e não nos escutaram.

Dançamos e não nos enxergaram.

Agora, ouçam nossos gritos, vejam nosso mover e temam nosso levante!

Não voltaremos para o armário, para a senzala, para a cozinha, para os porões.

Brilharemos.

Nossos olhos, nossos sorrisos, nossa pele, até nossos ossos brilharão.

 

NÓS REIVINDICAMOS A VIDA DE TODAS NÓS!

 

III Encontro Internacional de Sociopoética e Abordagens Afins

24 de agosto de 2018

Teresina, Piauí

Posts anteriores