Cidadeverde.com

Pâncreas artificial

A vida de quem tem Diabetes pode melhorar a partir da novidade aprovada no final de 2019 pelo FDA (US Food and Drug Administration, a agência norteamericana que autoriza o uso de novos alimentos e medicamentos para a população do EUA). A ideia foi juntar dois recursos que já existiam em um só gerando um pâncreas artificial. Antes vou falar um pouco sobre o Diabetes e o Pâncreas.

No sistema digestivo temos uma glândula chamada Pâncreas que faz dois papeis muito importantes. Ela produz uma secreção chamada Suco Pancreático que atua em processos digestivos no intestino delgado. Esta secreção contém enzimas importantes como lipases (que quebram gorduras), proteases como a tripsina e a quimiotripsina (que quebram proteínas) e a amilase pancreática que ajuda na degradação do amido. Esta é sua função no Sistema Digestivo. Além disso, o pâncreas produz hormônios que atuam no controle da quantidade de açúcar circulando na corrente sanguínea: a insulina auxilia na retirada do excedente de açúcares repassando-o para o fígado e para células musculares e do tecido adiposo. Já o glucagon tem função antagônica: ele atua na quebra do glicogênio (que é um açúcar de reserva) que se transforma em glicose disponível na corrente sanguínea. Esta é função do Pâncreas no Sistema Endócrino.

O Diabetes se caracteriza exatamente pelo excedente de glicose no sangue, ou pelo mau funcionamento do pâncreas na produção de insulina (o que caracteriza a Diabetes tipo 1) ou por desenvolver resistência à insulina (o que caracteriza a Diabetes tipo 2). Mas como eu dizia, a vida do diabético tipo 1 pode melhorar bastante, pois o FDA autorizou a produção de um pâncreas artificial.

Um conjunto de sensores é capaz de perceber quando a quantidade de glicose aumenta, a partir de um contato subcutâneo com a corrente sanguínea. Este conjunto se liga a uma pequena bomba de insulina que, induzida por um software de inteligência artificial, libera a quantidade de insulina necessária para suprir a deficiência de insulina no paciente. Uma combinação perfeita!

Conversei com o Dr. Wallace Miranda, que tem doutorado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e estudou exatamente particularidades da Diabetes tipo 2, se o Pâncreas Artificial poderia ser usado por todos os tipos de diabéticos. Ele afirmou que os pacientes com Diabetes Tipo 1 são os mais indicados para uso do novo recurso, mas pacientes com Diabetes tipo 2 com quadro de falência pancreática também podem se beneficiar da novidade. Acompanhe uma explicação detalhada sobre o pâncreas artificial do Dr. Wallace Miranda.

A ciência tem contribuído dia após dia com a melhoria das condições de vida dos pacientes. Vamos aguardar mais novidades.

Boa semana para todos (as).

ABO e Rh na farda

As casas legislativas brasileiras são um reflexo do nível educacional do seu povo. Falo isso me relacionando a todas as esferas (municipal, estadual e federal). Nossos representantes são uma amostra em miniatura da nossa própria população, por isso nem adianta reclamar muito sobre a qualidade dos políticos que são eleitos, salvo raríssimas exceções.

Na semana que passou analisamos no Conselho Estadual de Educação do Piauí uma lei prestes a ser sancionada pelo Governador do Estado sobre a obrigatoriedade de se colocar no fardamento escolar de todos os estudantes o grupo ABO e o fator Rh do estudante. A análise nos obriga a elencar pontos positivos e negativos da medida que, a princípio, soa como uma medida de grande relevância. Pensamos isso porque imaginamos que em situações de urgência ou emergência médica, para a necessidade de uma transfusão sanguínea, ganhar-se-ia algum tempo, porque a informação estaria ali no fardamento do estudante. Talvez tenha sido este o raciocínio do legislador quando teve a ideia e a apresentou aos seus pares que, certamente, devem ter debatido o tema, uma vez que uma lei desta magnitude impacta diretamente sobre o bolso dos pais que, todo início de ano, se obrigam a deixar muitos recursos para aquisição do material escolar, o que inclui o fardamento.

No plenário do Conselho discutimos prós e contras e fechamos com ideia de que a lei deveria ser vetada pelo Governador pelo fato de não trazer nenhum ganho para o estudante e sua família. Primeiro porque existe toda uma legislação em nível nacional que regula os procedimentos hemoterápicos desde 1988 quando, na época, explodia em todo o país a epidemia de AIDS, doença cujo agente etiológico é veiculado pelo sangue contaminado. Foram aprovadas leis e emitidos decretos de regulamentação que detalham os procedimentos necessários para captação e transfusão de sangue. Estes instrumentos legais obrigam as casas de saúde a fazerem todo o levantamento da tipagem sanguínea ABO e Rh, que são requisitos importantes para o processo de transfusão de sangue. O mais recente instrumento que regula isso foi uma Portaria emitida pelo Ministério da Saúde em 2016, reafirmando a necessidade de que os procedimentos preparatórios sejam feitos. Se é desse jeito pergunta-se: qual a necessidade de bordar, pintar ou aplicar sobre a farda escolar esta informação, visto que ela não será usada? Por unanimidade decidimos indicar ao Governador o veto.

Fico pensando em algumas leis que são produzidas no nosso país e que terminam virando um bom motivo para refletirmos sobre a política de uma maneira geral. Lembro bem de um kit de primeiros socorros que fomos obrigados a adquirir como uma imposição do Código de Trânsito que trazia umas gases, luvas e esparadrapo, cuja efetividade de uso só servia para se tratar danos pequenos como os provocados por uma topada, por exemplo. Em tempo algum aquele kit salvaria vidas como deve ter pensado o legislador que a incluiu no código e tornou obrigatória a aquisição. É como esta lei “educacional” que vai favorecer bem os comerciantes que trabalham com a personalização de fardamentos escolares. Os pais que, como eu, têm muitos filhos, sequer podem aproveitar a farda de um filho pro outro, visto que as crianças não são obrigadas a terem os mesmos grupos sanguíneos, nos sistemas ABO e Rh, que os seus irmãos.

A lei foi sancionada e publicada em 15 de janeiro de 2020, de acordo com o Diário Oficial do Estado.

Boa reflexão para todos (as).

Coronavírus: a bola da vez!

A ciência avança a passos lentos. Esta é a sensação que temos toda vez que se anuncia uma nova doença causada por agente ainda desconhecido e com uma grande capacidade de se alastrar e provocar um dano à saúde em proporções gigantescas.

O coringa da vez é uma nova versão de coronavírus. Trata-se de um vírus que tem causado doença respiratória e foi recentemente identificado na China. Os coronavírus são uma grande família viral, conhecidos desde a metade da década de 1960, que geram infecções respiratórias em seres humanos e em animais. As infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves a moderadas, bastante semelhantes a um resfriado comum. Todavia, alguns coronavírus podem causar doenças graves com impacto importante em termos de saúde pública, como foi a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), identificada em 2002 e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), identificada em 2012.

A transmissão do novo coronavírus ocorre pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como: gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão ou contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos. A transmissão deste grupo viral é menos intensa que o vírus da gripe fazendo com que o risco de maior circulação mundial diminua. O vírus pode ficar incubado por duas semanas, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção, de forma bem similar a um resfriado comum.

O diagnóstico do novo coronavírus é feito com a coleta de materiais respiratórios com potencial de aerossolização (aspiração pelas vias aéreas ou indução de escarro). Como procedimento é necessária a coleta de duas amostras que devem ser encaminhadas com urgência para o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), sendo uma amostra analisada por metagenômica e outra enviada ao Centro Nacional de Influenza (NIC). Para confirmar a doença é necessário realizar exames de biologia molecular que detecte o RNA viral. O diagnóstico do novo coronavírus é feito com a coleta de amostra, a partir da coleta de aspirado de nasofaringe (ANF) ou amostra de secreção respiratória inferior (escarro ou lavado traqueal ou lavado bronca alveolar).

Como a grande maioria das viroses, não existe tratamento específico para infecções causadas por coronavírus humano. Neste caso é indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas adotadas para aliviar os sintomas, conforme cada situação, como o uso de medicamento para dor e febre (antitérmicos e analgésicos) e o uso de humidificador no quarto ou tomar banho quente para auxiliar no alívio da dor de garanta e tosse.

Enquanto as autoridades de saúde temem que este vírus se espalhe como os coronavírus da SARS e da MERS o fizeram em 2002 e 2012, respectivamente, cientistas norteamericanos e chineses acabaram de publicar sua pesquisa que revela que foram encontrados amostras de vírus de 15 mil anos que podem ser liberados e se espalharem mundo afora devido ao aquecimento global (artigo intitulado Glacier ice archives fifteen-thousand-year-old viroses, em tradução livre, “Geleira arquiva vírus de 15 mil anos”, publicado na revista BioRxiv). Aquele aquecimento global que o Trump nega e que é apoiado por uma dúzia de bestas que ainda por cima acreditam que a terra é plana.

Estou quase concordando com esta história de que a Terra não tem o formato esférico (ou geoide, como gostam de afirmar meus amigos geógrafos), porque na verdade está ficando mesmo é chata com tanta gente limitada intelectualmente...

Boa semana para todos (as)...

(Com informações do Ministério da Saúde do Brasil)

Internet 5G

A gente mal se acostuma com uma tecnologia e outra já vem batendo à porta. Trata agora da internet de 5ª geração, chamada de Internet 5G. Na verdade esta ampliação de “Gs” refere-se à evolução da internet disponibilizada para uso por todos.

Quando foi lançada, a internet 2G possibilitou o uso de mensagens usando os smartphones. Passamos a mandar e-mails e mensagens rápidas e curtas, via SMS (Short Message Service, em tradução livre: Serviço de Mensagens Curtas) através dos aparelhos de telefonia celular.

A internet 3G possibilitou a ampliação das formas de comunicação, desta vez com a possibilidade de mandar fotos, áudios e vídeos. Saíamos da era do texto para era do envio de outros tipos de mídia.

A partir de 2010 começou a ser implantada a tecnologia 4G. Com ela foi possível a transmissão ao vivo com uso de som e imagem. Permitiu que as pessoas conseguissem se conectar mais proximamente, dada a sensação de falar usando os recursos de som e imagem ao mesmo tempo.

A internet 5G traz a revolução de ser muito mais rápida do que a internet 4G: estima-se que será de 10 a 20 vezes mais rápida do que a atual. Com isso downloads e uploads consumirão apenas alguns segundos para acontecer. Será bem desfrutada por quem gosta de assistir filmes ou ouvir músicas em plataformas Streaming.

A novidade da Internet 5G só chegará ao Brasil em 2022. Em recente entrevista para o Portal UOL, o Ministro Marcos Pontes, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação disse que há um conflito de natureza técnica a ser resolvido no Brasil, o que obrigou o MCTIC a adiar a licitação para exploração do serviço 5G no país.

Vamos esperar as novidades.

Boa semana para todos (as).

Asgard encontrada e cultivada

Não estamos trazendo nenhum episódio novo de Thor, o herói da Marvel que se baseia em um Deus da Mitologia Nórdica. Nem vamos falar de Asgard o mundo dos deuses da mesma Mitologia Nórdica que se popularizou graças aos filmes e personagens do formidável Stan Lee. Vamos falar de uma pesquisa que abriu um importante leque de informações sobre o surgimento dos Eucariotos.

Antes de mais nada é bom explicar. Os seres celulares se dividem em três grandes grupos: Procariotos que apresentam a célula mais simples e com o núcleo desorganizado, os Eucariotos, que são os organismos que apresentam células com formas mais complexas, incluindo um núcleo que vem totalmente organizado e os Arqueias que apresentam-se como os organismos mais primitivos e com uma organização celular peculiar. No grupo dos Eucariotos estão organismos como animais, plantas e fungos e uma infinidade de organismos bem complexos. Até hoje não se tinha noção de como a vida passou de uma estrutura celular mais simples (como Procariotos e Arqueias) para uma estrutura celular mais complexa (Eucariotos). A coisa pode ter mudado totalmente com a descoberta dos cientistas japoneses liderados por Hiroyuki Imachi, do Instituto de Ciência e Tecnologia do Mar e da Terra do Japão.

Desde o início da década passada, cientistas escandinavos descobriram Arqueias em regiões profundas do mar. Como são de grandes profundidades, estas bactérias se desintegram em razão da diferença de pressão (por viverem nas profundezas suportam grandes pressões. Ao serem trazidas para zonas com menor pressão terminam rompendo-se, pelo fato de a pressão interna ser maior do que a externa), por isso a única coisa que conseguiram coletar e conservar foi o seu DNA. Descobriram então uma série de Arqueias que receberam nomes de deuses vikings como Loki, Thor, Odim, Heimdall e Hel, e foram chamadas na mesma família: Asgard. As arqueias Asgard guardam em comum a presença de DNA de células eucariotas, descobertas feita ainda em 2015.

Em 2006, Imachi e sua equipe descobriram Arqueias de Argard a partir de sedimentos da fossa marinha de Nankai, a 2500 metros de profundidade e cuidaram de tentar cultivá-las em um biorreator, o que durou cinco anos. Conseguiram alimentar as Arqueias com leite em pó para bebês e puseram-se a observar sua estrutura e comportamento. Visualizaram-nas pela primeira vez identificando seus tentáculos e acompanharam sua lenta reprodução (considerando os padrões para as demais bactérias), pois levam um mês para concluir a reprodução.

Imagem da Arqueia de Argard. Fonte: Nature.

A equipe de Imachi publicou na revista Nature a teoria de que o ancestral dos Eucariotas seria uma arqueia muito similar a um Asgard. A ideia é de que este Arqueia, com seus tentáculos, engoliu uma bactéria e esta passou a fazer parte de sua estrutura, gerando um organismo mais complexo. A ideia do grupo de Imachi reforça a hipótese formulada pela cientista norteamericana Lynn Margulys que explica exatamente que a origem das células eucarióticas (responsáveis pela formação dos seres vivos mais complexos, o que inclui o ser humano) terem um arsenal bioquímico formado pelas Mitocôndrias (que em estrutura lembram muito uma bactéria) seriam por força da chamada Hipótese Endossimbiótica, chamada mais tarde pela pesquisadora espanhola Purificación Lopez-Garcia de Sintrofia entre Bactérias, ou trocando em miúdos, uma união (do grego Sin, junto) em troca de alimento (do grego Trophos, alimento).

A simples observação destas Arqueias pode não ser a única premissa necessária para comprovar esta ideia, mas esta simples observação reforça as hipóteses traçadas antes mesmo de se conhecer o tipo de organismo que poderia ter feito parte da interface entre a evolução entre o modelo procariótico (baseado na simplicidade da estrutura celular) e o modelo eucariótico, que se resguarda em uma complexa estrutura que favorece toda a diversidade biológica que conhecemos.

Quer saber mais sobre o assunto, clica aqui.

Uma boa semana para todos (as).

 

Estudo de pesquisadores brasileiros e franceses decifra efeito do choque entre asteroides

Ao colidirem, há bilhões de anos, alguns asteroides formaram famílias compostas por fragmentos com até centenas de quilômetros, que compartilham órbitas semelhantes.

Outros asteroides, ao entrarem em um estado de rotação muito rápida, denominada rotação crítica, desprenderam fragmentos de rocha pouco massivos, com até alguns quilômetros de diâmetro, dando origem aos chamados grupos de fissão rotacional.

Até então, os grupos de fissão conhecidos não estavam relacionados com as famílias de colisão. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá, por meio de um projeto apoiado pela FAPESP, indicou, porém, que alguns deles podem ter sido originados justamente de famílias de asteroides colisionais.

Os resultados do estudo, que teve participação de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Université de la Côte d’Azur, da França, foram publicados na revista Nature Astronomy.

“Essas descobertas mudam a maneira como se entendia a formação de famílias de asteroides”, disse Valério Carruba, professor da Unesp de Guaratinguetá e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.

“Até então se achava que uma família de asteroides era formada a partir de uma colisão e que os fragmentos poderiam evoluir por mecanismos gravitacionais ou não gravitacionais, permanecendo com, mais ou menos, o mesmo tamanho. Agora, observamos que a colisão não é um evento pontual e que pode gerar a formação em cascata de outros grupos”, disse Carruba.

A fim de tentar identificar possíveis grupos de fissão no interior de famílias de asteroides geradas por colisões foram selecionadas quatro famílias de asteroides jovens, formadas há menos de 4 milhões de anos: Jones, Kazuya, 2011 GB11 e Lorre.

Para identificá-las foram usados métodos de reconhecimento de famílias de asteroides baseados em simulações dinâmicas de reversão de tempo, algoritmos de agrupamento de aprendizado de máquina e dados astrométricos – de posição de órbita –, obtidos a partir de observações de objetos do Sistema Solar pela missão espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês).

Análises da estrutura interna dessas quatro famílias de asteroides colisionais extremamente jovens permitiram identificar vários subgrupos em seu interior.

Ao estudá-las, os pesquisadores estimaram que 6,3% da população da família 2001 GB11, 6,7% da Jones e 13,6% da família Lorre são membros de uma subfamília secundária ou terciária, como são definidos, respectivamente, subconjuntos de asteroides formados durante a primeira colisão de um asteroide e de fragmentos dessas rochas gerados em colisões subsequentes.

Ao comparar as porcentagens de membros de famílias secundárias e terciárias com as de outras famílias de asteroides com idade maior que 100 milhões de anos, constatou-se que nessas famílias a fração de subgrupos de fissão detectáveis é menor que 5%. “Provavelmente isso tem relação com o mecanismo de formação das famílias de asteroides primárias”, disse Carruba.

Momentaneamente visíveis
Ao serem formadas, as famílias de asteroides também geram uma série de fragmentos em estado de rotação acelerada por causa da colisão ou por efeitos não gravitacionais, como o de emissão da luz do Sol, conhecida como efeito Yorp, observados em famílias mais antigas. Segundo Carruba, esses fragmentos se despedaçaram e formaram uma série de grupos de fissão que só são visíveis por um determinado período. 

“Depois de 5 a 10 milhões de anos, no máximo, esses grupos de fissão começam a se separar e não podem mais ser detectados pelos métodos que costumamos utilizar. Por isso, há uma série de grupos de fissão que se formaram no passado e que não são mais detectáveis”, disse o pesquisador. 

Carruba explica que ainda não há estimativas do período de rotação de muitos asteroides integrantes de famílias de colisão. “Esse dado permitiria averiguar quais deles também poderiam ser membros de grupos de fissão”, disse.

O artigo The population of rotational fission clusters inside asteroid collisional families (DOI: 0.1038/s41550-019-0887-8), de V. Carruba, F. Spoto, W. Barletta, S. Aljbaae, Á. L. Fazenda e B. Martins, pode ser lido por assinantes da Nature Astronomy em www.nature.com/articles/s41550-019-0887-8.

(com informações da UNESP).

Terapia gênica: passos para frente, passos para trás...

A terapia gênica é uma modalidade de tratamento ultramoderna, ainda em desenvolvimento de alguns protocolos, que tem por objetivo tratar doenças genéticas.

A ideia é simples: se você tem uma doença provocada por determinado gene (ou conjunto de genes), utilizando os recursos da terapia gênica o gene defeituoso pode ser substituído, nas células ou tecidos em que sua atuação compromete a saúde. Por exemplo: um diabético tem dificuldades de processamento da glicose, porque suas células ou não produzem quantidade suficiente de insulina (Tipo 1) ou seus receptores deixam de perceber os efeitos da insulina produzida (Tipo 2). Em um tratamento com terapia gênica, os genes responsáveis pelo dano seriam substituídos nas células dos órgãos onde eles atuam.

Para transportar o gene até a célula que o detêm os cientistas usam vetores como vírus ou outros microrganismos modificados. Um dos vetores mais utilizados é Vírus Adeno-Associado (AAV) considerado seguro por não induzir transferência do DNA que porta em cromossomos das células-alvo em que atua. Mas um estudo recente fez com que cientistas que apostavam fortemente nesse vírus pusessem suas barbas de molho.

Experimentos feitos com cães hemofílicos, tratados há um bom tempo (alguns há mais de 10 anos), revelou que o vírus causou desequilíbrio nas células alterando genes responsáveis pelo surgimento de casos de câncer. Para especialistas como o Dr. Charles Venditti, do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, o AAV introduz um segmento de DNA flutuante que auxilia no sucesso da terapia. No caso do uso do AAV para hemofilia, como aconteceu com os cães, o vírus é direcionado para o fígado que passa a produzir um grande volume de substâncias coagulantes. A possibilidade de causar câncer gera para terapia gênica a necessidade de um freio nas pesquisas.

O Departamento que autoriza o uso de alimentos e drogas nos EUA (FDA) já tinha autorizado em 2019 o uso do AAV para o tratamento de Atrofia Muscular Espinhal em bebês. Com a possibilidade de que pode gerar câncer alguns tratamentos podem retroagir. Para alguns pesquisadores o gene transportado tem mais chance de se perder e não se incorporar ao genoma das células-alvo do que passar a fazer parte e começar a replicar-se provocando o surgimento de tumores.

De todo modo, enquanto alguns pesquisadores recuam na oferta de tratamentos experimentais usando a terapia gênica com vírus atenuados como o AAV, outros comemoram as conquistas. O interessante é que as pesquisas avançam para reduzir os efeitos provocados por doenças que antes não tinha quaisquer perspectivas de serem tratadas. Apesar da má notícia, as boas possibilidades geradas ajudam a dar esperanças para o que já trouxeram suas doenças desde quando foram gerados.

Quer saber mais sobre o assunto? Clica aqui.

Boa semana para todos (as).

 

 

Rede de repositórios

Projetos de pesquisa, além de novos conhecimentos, geram uma infinidade de dados que, se bem organizados, podem subsidiar novos estudos, originando ainda mais conhecimento.

Foi com base na maior eficiência no uso de informações de ciência que a FAPESP lançou em 16 de dezembro a Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo. A iniciativa vai disponibilizar, de modo organizado em uma plataforma aberta, dados associados às pesquisas desenvolvidas em todas as áreas do conhecimento no Estado de São Paulo.

A rede envolve as seis universidades públicas do Estado de São Paulo – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do ABC (UFABC) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) –, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Embrapa Informática Agropecuária (CNPTIA/Embrapa).

“A ciência, entendida como um bem público, exige comunicação e o acesso aos resultados de projetos de pesquisas deve ser pleno, sem restrições, para que privilégios não sejam criados. A Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo vai dar conhecimento e acesso público não só aos pesquisadores, mas também para o contribuinte paulista que paga para que pesquisas sejam realizadas no Estado de São Paulo”, disse o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago.

Por meio da plataforma será possível ter acesso aos dados gerados em pesquisas científicas, independentemente de sua publicação em artigos científicos. Para o pesquisador que gerou os dados, a Rede de Repositórios aumenta a visibilidade da sua pesquisa, permitindo o seu compartilhamento e reúso em novas pesquisas.

Entre os exemplos de dados que estão disponibilizados na primeira versão da Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo estão um banco de dados contendo toda a rede de drenagem da hidrografia brasileira sob a forma de grafos e um repositório de imagens de sintomas de doenças de plantas disponibilizado pelo CNPTIA-Embrapa.

Open Science
“Iniciativas que buscam facilitar a integração e a colaboração entre pesquisadores têm dois resultados principais: o melhor progresso da ciência e a maior eficiência no uso de recursos que custeiam a pesquisa. A nova rede tem esse intuito. É uma iniciativa pioneira e bem sintonizada com as práticas de Open Science. Ela vai dar um grande impulso para o desenvolvimento científico do Estado de São Paulo”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

De acordo com Brito Cruz, a rede se associa a outras três iniciativas realizadas pela Fundação no âmbito de Open Science.

A primeira ocorreu em 1997, com a criação do Scientific Electronic Library Online (SciELO), plataforma que reúne periódicos brasileiros e estrangeiros de acesso aberto. A segunda, implementada em 2010, foi a recomendação de que toda pesquisa financiada com dinheiro público devesse ser publicada em periódicos de acesso aberto, de acesso gratuito. O resultado foi que, em 2018, o Brasil foi o país com o maior número de artigos científicos publicados em acesso aberto em todo o mundo.

A terceira iniciativa mencionada por Brito Cruz é o programa de equipamentos multiusuários que estimula o compartilhamento de equipamentos de alto custo entre diferentes laboratórios.

Buscador de metadados
“Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas. Estamos lançando uma iniciativa pioneira na América Latina, que vai aumentar a visibilidade da ciência no Estado de São Paulo. A colaboração entre as instituições participantes para a criação desta rede começou em 2017 a partir da exigência, pela FAPESP, de um Plano de Gestão de Dados entre os anexos obrigatórios de propostas submetidas”, disse Claudia Bauzer Medeiros, professora do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e integrante da Coordenação Adjunta da FAPESP para o Programa de Pesquisa em eScience e Data Science.

“Um Plano de Gestão de Dados faz parte das boas práticas de pesquisa, com o planejamento, desde o início de uma proposta, sobre quais dados serão produzidos e como serão gerenciados, compartilhados e preservados”, disse Medeiros.

Medeiros, coordenadora do Grupo de Trabalho que a FAPESP instituiu para a criação da Rede, destacou o grande trabalho realizado pelas instituições participantes.

“Cada instituição desenvolveu o próprio repositório, criou grupos permanentes internos para sua gestão e trabalhou intensamente para que, ao final, todas pudessem se integrar. Esta integração é viabilizada por um portal único, que diariamente busca informações sobre os dados de cada instituição e disponibiliza essas informações [metadados] de forma integrada. O apoio institucional e o trabalho dos membros do grupo foram essenciais para chegarmos onde chegamos tão rapidamente”, disse.

O portal – um buscador de metadados  – foi desenvolvido pela USP e permite busca por instituição, autor, assunto, ano ou palavras-chave. “Essa iniciativa é um avanço enorme. Evita que muitos dados importantes, seja pela qualidade, caráter histórico ou raridade, se percam. Estamos trabalhando também na questão cultural sobre a importância de gerar esses dados”, disse Medeiros.

Participaram da cerimônia de lançamento da Rede de Repositórios Sylvio Roberto Accioly Canuto , pró-reitor de Pesquisa da USP; Maria do Carmo Kersnowsky, da UFABC; Munir Skaf, Pró-Reitor de Pesquisa da UNICAMP; Carlos Frederico de Oliveira Graeff, pró-reitor de Pesquisa da UNESP; Maryangela Geimba de Lima, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA); João Batista Fernandes, pró-reitor de Pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Lia Rita Azeredo Bittencourt, pró-reitora de Pesquisa da Unifesp; Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária (CPTIA/Embrapa).

Todos apresentaram como suas instituições estão desenvolvendo seus repositórios e a importância da rede para as pesquisas nelas realizadas.

(Com informações da FAPESP e da UNESP)

3ª Guerra Mundial: como seria aos olhos da tecnologia?

A polêmica da semana fica por conta de uma das maiores autoridades mundiais, o Presidente dos EUA, Donald Trump, que autorizou bombardeio e matou o importante comandante iraniano Qassem Soleimani e outras pessoas, dentre elas o líder miliciano iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis que andava no mesmo comboio. A polêmica agora gira em torno dos apoios que cada país, supostamente, daria para os lados envolvidos na querela, com os pronunciamentos de gigantes como Rússia e China. A parte as questões de natureza política, visto que, muito recentemente o Irã descobriu enormes reservas de petróleo, o que fortaleceria economicamente o país que hoje se recupera de uma extensa guerra contra o Iraque e os seus próprios direcionamentos de natureza religiosa que mudaram fortemente a sociedade iraniana (há toda uma ideia de que a descoberta de petróleo é na verdade o estopim para esta nova desavença, o que faz todo o sentido), indago com uma questão: como seria uma guerra que envolvesse vários países num cenário de avanços tecnológicos em que vivemos?

Não custa lembrar que evoluímos bastante nossa relação com as comunicações e que a globalização pôs muita gente de todo lugar espalhada pelo mundo inteiro. Falo isso porque dada a facilidade em nos comunicarmos hoje, as informações correm e se espalham em tempo real. O mundo hoje está totalmente diferente em relação ao mundo na década de 1940, quando o avanço do Nazismo e do Fascismo fez crescer a necessidade de se invadir territórios e toda a 2ª Guerra foi traçada. Vivemos tempos muito diferentes e com tecnologias armamentistas inimagináveis. Na década de 1990, por exemplo, na guerra do Kuwait, chegou para o mundo uma tecnologia usada pelas tropas americanas para não se perder no deserto: o GPS. Logo a tecnologia usada apenas pelos exércitos passou para o domínio popular e hoje aplicativos de smartphones acessam o sistema de posicionamento global criado e utilizado atualmente com fins bélicos.

Na semana que passou a revista Science publicou um estudo realizado pelas Forças Armadas dos EUA que procuram “limpar” satélites de comunicação e outros com fins militares que estariam “contaminados” com partículas resultantes de átomos com alta capacidade radioativa, alguns destes provenientes de testes nucleares feitos na Terra, mas com forte influência nestes importantes recursos tecnológicos. Ou seja: pesquisa aplicada para aumentar as defesas que servem a praticamente todas as nações.

Um dado interessante é que a tecnologia traz outros recursos que podem ser usados nos ataques em guerras, como o que matou o general do Irã. Em seu livro “21 conselhos para o século XXI”, o israelense Yuval Harari faz uma comparação interessante: enquanto nas guerras de duas décadas atrás um bombardeiro era guiado por um piloto, que levava bombas destruidoras, mas num vacilo, poderia ser abatido por baterias de mísseis antiaéreos, na atualidade trabalha-se com Veículos Aéreos Não Tripulados, os VANTs, popularmente chamados de Drones, que podem fazer o trabalho de um piloto de caça sem, entretanto, causar perdas de vidas humanas caso seja derrubado. No caso do drone que abateu o líder iraniano trata-se de uma arma de guerra bem avançada tecnologicamente: o MQ9 Reaper (este é o nome do brinquedinho do Exército dos EUA) pode levar até uma tonelada de armas, pode ser comandado a longa distância (como este que atacou no Aeroporto de Bagdá, no Iraque, mas era pilotado de alguma base militar dos EUA) e tem uma autonomia de 27 horas. Veja abaixo um vídeo mostrando cenas como o MQ9 Reaper.

Uma coisa é certa: se se desencadeia uma guerra vamos ver muitas mortes do lado que estiver menos resguardado pela tecnologia.

Boa semana para todos (as).

Brasileiro resolve mistério de Machu Picchu

Quem já foi a Machu Picchu no Peru já deve ter feito esta pergunta: por que os Incas vieram construir uma cidade toda de pedra numa altitude de mais 2300 metros acima do nível do mar? Os Incas são os únicos povos que se tem notícia que construíram um reino em tão elevadas altitudes. Todas as grandes civilizações do mundo construíram seus impérios mais pertinho do mar.

O mistério para tão intrigante pergunta pode ter chegado ao fim graças a pesquisa de um geólogo gaúcho, Rualdo Menegat, do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Menegat teve um insight sobre a possibilidade dos Incas terem aproveitado uma falha geológica para construírem a cidade com rochas mais “moles” ou mais friáveis. A cidade de Machu Picchu fica exatamente num local com estas características. Menegat fez quatro excursões para a região e examinou várias imagens de satélite, de vários canais. Seu trabalho apresentado na Sociedade Americana de Geologia já foi publicado em 15 idiomas e ganhou notoriedade em revistas como a Science.

Para o cientista brasileiro, os Incas identificaram a facilidade de conseguir água (nos aquíferos que se originavam nas rochas fraturadas) e a firmeza e facilidade em trabalhar com as rochas como vantagens para construção de tão impressionantes edificações, consideradas entre as maravilhas do Império Inca datada do Século XV.

A pesquisa do geólogo Rualdo Menegat é mais uma importante contribuição brasileira para o conhecimento mundial.

Até a próxima...

Posts anteriores