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A Tabela Periódica faz 150 anos

Desde anteontem, 01 de fevereiro, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) encarregou sua agência para questões de educação, ciência e cultura – a UNESCO, para capitanear as comemorações pelos 150 anos de criação da Tabela Periódica dos elementos.

Fonte: tabelaperiodica.org.

Considerada o ABC do universo, a Tabela Periódica dos Elementos reúne de forma extremamente precisa a organização, em disposição gráfica, de todos os elementos que constituem a natureza – os átomos – levando em consideração suas principais propriedades como peso atômico e potencial de seus constituintes, os prótons, nêutrons e elétrons.

A Tabela Periódica foi um instrumento construído pela intervenção de vários cientistas, e sua primeira versão data da idade média. Cientistas como Antoine Lavoisier e Lothar Meyer deram suas opiniões de como organizar os átomos conhecidos até as suas respectivas épocas. Mas a organização como conhecemos hoje foi obra do químico russo Dmitri Mendeleev.

A revista Science produziu uma tabela virtual que ajuda você a conhecer a evolução deste fabuloso instrumento utilizado pela química e que possui a capacidade de expressar inclusive as propriedades dos elementos, dada a forma como Mendeleev soube organizá-la. Experimente conhecer aqui.

O Ciência Viva já falou um pouco de Mendeleev quando escrevemos um post comentando sobre a história inspiradora da sua mãe, Maria Mendeleeva. Se quiser rever clique aqui.

Quando Mendeleev organizou a Tabela eram conhecidos apenas 63 elementos. Mas a forma como ele organizou permitiu que novos elementos fossem inseridos. Em novembro de 2016 houve a confirmação de inserção dos quatro elementos mais novos que foram denominados Nihonium (Nh), Moscovio (Mc), Téneso (Ts) e Oganesson (Og), cujos números atômicos são 113, 115, 117 e 118, respectivamente. Os estudos continuam pela inserção de mais dois elementos, cujos números atômicos seriam o 119 e o 120.

Apenas quatro países seguem pesquisas visando descobrir novos elementos: EUA, Rússia, Alemanha e Japão. As pesquisas que envolvem a descoberta de novos elementos são ainda muito dispendiosas. Estima-se que o descoberto até aqui corresponda apenas a 5% do que existe de fato no Universo.

A revista Science produziu um pequeno documentário sobre a Tabela Periódica dos Elementos. Acompanhe abaixo:

A tabela periódica sempre foi um grande desafio para os estudantes. Em algumas escolas os ensinamentos mais sólidos na química passavam pelo mínimo de conhecer as famílias dos elementos, algumas propriedades mais gerais e sem qualquer erro conhecer o nome do elemento a partir do símbolo e vice-versa. Lembrei agora dos muitos amigos que tiveram o privilégio de serem alunos do Padre Florêncio Lecchi, falecido em 2014, do Colégio Diocesano e que era muito exigente na lida cotidiana com a Tabela Periódica.

Padre Florêncio Lecchi. Fonte: Arquidiocese de Teresina.

Talvez, com alguns recursos atuais, o aprendizado da Tabela Periódica seria muito mais facilitado e até lúdico. Abaixo um vídeo que relaciona os elementos à suas respectivas utilidades no mundo moderno, um exemplo dos recursos atuais. Com musiquinha e tudo.

Boa semana para todos(as) e Viva a Tabela Periódica!!!

Processos erosivos destroem áreas do litoral brasileiro

Em julho de 1996 viajei com a família para apresentar o mar para o meu filho caçula, prestes a completar seu primeiro ano de vida. Como todo bom piauiense, visitamos várias praias do nosso litoral, o que incluiu a Praia de Macapá, um dos cartões postais, na época ainda selvagem, do litoral do Piauí.

Na oportunidade ouvi o depoimento de um morador da região falando que o mar estava avançando e destruindo parte daquele paraíso. Alguns anos depois voltei ao lugar e parte do que conhecera já não existia mais, porque fora tragado pelo avanço do mar.

O fenômeno de modificação do recorte costeiro é chamado tecnicamente de Progradação. A progradação pode ser positiva, quando há deposição de material sedimentar, fazendo com que a praia aumente de largura, ou pode ser negativa, quando o mar avança e provoca erosão, reduzindo a largura da faixa de praia e invadindo o continente.

Quando o mar invade o continente. Fonte: www.tvi24.iol.pt.

O processo de progradação é resultado da dinâmica marinha. Tem sido estudado por pesquisadores como o geógrafo baiano Dieter Muehe que coordenou a elaboração do livro Erosão e Progradação do litoral brasileiro, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente que concentrou estudos e mapeamentos em praticamente todos os estados brasileiros, deixando de fora apenas o litoral do Piauí (talvez por ser o menor).

A progradação é um processo que chama a atenção dos estudiosos, especialmente pela possibilidade de intensificação em razão do fenômeno de aquecimento global. Pela ideia do aquecimento global o nível dos oceanos tenderia a aumentar pelo derretimento das calotas polares, provocado pelo aumento da temperatura do planeta. A questão é polêmica e por isso suscita cuidados e olhares de especialistas do mundo inteiro.

Dada a importância da faixa litorânea brasileira, o tema já foi tratado várias vezes por pesquisadores em suas comunicações científicas e termina sendo tratado também por revistas de divulgação científica como a Pesquisa FAPESP. Semana passada um vídeo tratando sobre o tema foi disponibilizado apontando que o problema ocorre em mais de 60% da extensão do litoral brasileiro, afetando áreas de importância turística, como no caso da Ponta de Seixas, o ponto mais oriental do Brasil, situado na Paraíba.

Acompanhe o vídeo abaixo:

Até o próximo post…

Mais um crime ambiental

De grão em grão a galinha enche o papo, já diz o ditado popular... De crime em crime o meio ambiente vai sendo cada vez mais prejudicado. Até onde vai esta destruição?

Imagem do rompimento da Barragem em Brumadinho (MG). Fonte: Agência Brasil/EBC

O acidente de sexta-feira passada em Brumadinho (MG) chocou o Brasil mais uma vez pelos efeitos provocados pela água e lama que desceram num rastro de destruição e morte. As cenas remeteram ao acidente que aconteceu em Mariana (MG) em novembro de 2015. Mais uma vez em Minas Gerais. Mais uma vez uma atividade de exploração mineral gerida pela Vale S.A., uma companhia que era estatal, se chamava Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) que foi privatizada em 1997.

Aspecto do Rio Doce após rompimento de Barragem em Mariana (MG). Fonte: El País.

Embora existam críticas ferrenhas ao ato de ser um dano ambiental causado por uma empresa privada que um dia foi uma estatal e que na verdade nasceu como uma empresa privada e depois foi estatizada, pelo Presidente Getúlio Vargas, este não é ponto chave da questão. Estatal ou privada foi causado um grande dano ambiental em 2015, que está longe de ter sido reparado e agora mais outro dano causado. E isto vai parar quando?

O que é importante discutir é a necessidade de rigor do Estado em cuidar das questões ambientais com seriedade. O prejuízo causado pela Samarco, empresa controlada pelo consórcio entre a Vale e a BHP Billiton, responsável pela operação da exploração de Minério de Ferro que usava a Barragem do Fundão para deposição de rejeitos da mineração, cujo rompimento destruiu totalmente o Distrito de Bento Rodrigues no município de Mariana (MG), poluiu fortemente o Rio Doce, desde o ponto do rompimento, até boa parte do litoral do Espírito Santo onde este rio deságua no Oceano Atlântico, eliminando inúmeros seres vivos, contaminando solos, o rio e o mar, em um dos maiores crimes ambientais de que se tem notícia, e não resultou, na prática, em uma punição exemplar. Uma das poucas medidas práticas com efeito foi a criação da Fundação Renova, que reuniu pesquisadores de Minas Gerais e do Espírito Santo para monitorar os efeitos do acidente de 2015 e tentar reverter algumas situações. Mas o dano causado à natureza não tem retorno. Em suma os cientistas vão apenas observar o poder de resiliência da própria natureza. E aí, vai ficar por isso mesmo?

Poluentes do crime ambiental em Mariana (MG) chegando ao mar, litoral do Espírito Santo. Fonte: El Pais.

Está passando da hora de brincar de cuidar do Meio Ambiente. Sou conhecedor das necessidades das instalações destas grandes companhias e da exploração dos recursos naturais. Mas é mais do que importante que esta exploração se dê dentro de premissas de sustentabilidade. Situações como esta que ocorreram dia 25 em Brumadinho (MG) ou de 2015 em Mariana (MG), tem efeitos deletérios não somente sobre vidas humanas. Podem esconder problemas que se relacionam. Há, por exemplo, a suposição de que os casos de febre amarela no entorno da bacia do Rio Doce tenham sido motivados pela morte de numerosos anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) que se alimentam de insetos transmissores. Carente de comprovação? Com certeza. A destruição é muito mais rápida do que o avanço da ciência, que padece com falta de recursos e de pessoas. Mas faz todo o sentido imaginar que os eventos se relacionam.

Brumadinho será mais um legado da falta de uma política de Estado sobre importantes questões ambientais no Brasil? Vamos continuar sendo uma nação pujante em recursos naturais e que não cuida de suas riquezas como a água, o solo, a biodiversidade e suas populações?

Reflexões importantes para todos (as).

Atenção Cervejeiros, este post interessa a todos!!!

A cerveja, uma das bebidas mais apreciadas do mundo, apresenta quatro ingredientes básicos: água, malte, levedura e o lúpulo. A combinação destes ingredientes e o toque do cervejeiro na elaboração, com a adição de outros ingredientes e variação nos processos são os componentes que permitem a imensa diversidade de tipos de cerveja.

O lúpulo é uma planta trepadeira cultivada, típica do Hemisfério Norte. Em geral são utilizadas as flores femininas ricas nos óleos essenciais e outras substâncias que corroboram para o sabor, aroma e qualidade da cerveja.

Pesquisadores da UNESP de Jaboticabal (SP) estão em busca de uma variedade de Lúpulo que se aclimate ao clima brasileiro. A pesquisa é na área de Genética e Melhoramento Vegetal está sendo desenvolvida pelo Agrônomo e estudante de Doutorado Renan Furlan e é orientada pela Doutora Leila Trevisan Braz. Renan está cruzando diferentes variedades do Lúpulo para obter uma que consiga se aclimatar às condições brasileiras. A pesquisa é promissora e foi ganhadora de um prêmio internacional concedido pela Barth Haas Group, um dos maiores fornecedores de lúpulo do mundo.

O vídeo abaixo mostra o pesquisador Renan Furlan falando um pouco sobre sua pesquisa.

Os apreciadores da boa cerveja têm motivos de sobra para torcer pelo bom andamento e sucesso desta pesquisa. Já vejo promessas para São Arnulfo de Metz.

Até a próxima...

Darwin: de naturalista a defensor da liberdade

Na semana passada resolvi comentar sobre a Teoria da Evolução, objeto de uma discussão de ineptos sobre o tema. Na produção do texto, como é de praxe, faço leituras sobre o assunto e uma conversa puxa a seguinte, e assim se constrói o Ciência Viva.

Hoje resolvi falar mais um pouco sobre o naturalista inglês Charles Darwin. Além de um dos autores da Teoria da Evolução e da Teoria da Seleção Natural, Darwin foi um cientista notável. Sem vínculos com instituições de pesquisa, o naturalista inglês investia recursos de sua família para sustentar sua atividade científica. A riqueza vinha de uma combinação dos recursos obtidos por seu pai como médico, aliados aos recursos de uma fábrica de porcelanas do seu avô materno (chamada Josiah Wedgwood and sons) e dos investimentos que fez por ocasião da instalação da rede ferroviária da Grã-Bretanha, posto que aplicou recursos nas companhias que construíram uma das mais consolidadas malhas para circulação de trens do mundo.

Uma particularidade muito forte de Darwin que poucos conhecem foi sua luta pela libertação dos escravos. Segundo seus biógrafos, Darwin tinha verdadeira ojeriza à existência da escravidão, bastante comum na Inglaterra e nos demais países que se valiam da captura de nativos da África para esta finalidade. Um dos episódios que marca uma luta contínua pela liberdade destes povos iniciou no Brasil, quando presenciou a agressão de um escravo feita por um homem que o guiou na coleta de insetos nas matas do Rio de Janeiro. A atitude covarde do homem em bater com um chicote no rosto do escravo indignou tanto Darwin que escreveu no seu diário que nunca mais poria os pés no Brasil. Apesar de toda a biodiversidade que despertou encantamento no naturalista, numa segunda passagem pelo Brasil, cinco anos após o episódio, Darwin permaneceu embarcado enquanto a expedição passava novamente em terras brasileiras.

Em vários momentos durante sua vida, Darwin cuidou para que nada faltasse aos mais pobres que eram seus vizinhos, o que incluía escravos e não escravos. Em época de extrema crise chegou a financiar a construção de um muro somente para empregar pessoas que não tinham condições de se sustentar. Mas o episódio mais marcante desta luta pela extinção da escravidão foi o fato de Darwin, já no final de sua vida, ter financiado o episódio para derrubar um Governador-Geral da Jamaica, uma possessão inglesa na qual existiam muitos negros que sofriam com implacável tratamento dado pelo seu governante. NO fim da vida Darwin chegou a mandar dinheiro para sustentar a resistência ao governo.

Da sua epopeia como cientista, Charles Robert Darwin enfrentou (e ainda enfrenta) a ignorância de muitos que, sequer, conseguiram entender o teor de sua portentosa pesquisa. Mas seus biógrafos não deixaram de revelar o homem extraordinário que além de decifrar uma das mais polêmicas questões sobre a origem das espécies vivas, fez notáveis contribuições não somente para o aumento do conhecimento sobre o mundo natural, mas também para apaziguar questões que ainda hoje atingem a humanidade, como a pobreza e a desigualdade, situada sobre questões vinculadas ao preconceito.

Um viva a Charles Darwin!!!

Bom domingo a todos (as)...

Casamentos consanguíneos: pesquisadores descobrem causas de doenças genéticas raras

Desde muito cedo, aqui no Nordeste, se aprende que os casamentos consanguíneos podem gerar filhos doentes (senso comum). Mas a questão é que em muitas regiões, especialmente rurais, aliando o isolamento das populações com as dificuldades de deslocamento, especialmente em épocas pretéritas, ocorriam muitos casamentos entre primos, chegando a situações extremas de primos-irmãos (filhos de casais onde os cônjuges de um casal são irmãos dos cônjuges de outro casal). Eram comuns relatos de pessoas com deficiências físicas e mentais com este histórico de descenderem de casamentos entre indivíduos de parentesco próximo.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) identificou ancestralidade de doenças raras que afetam filhos de famílias consanguíneas no Nordeste. As quatro doenças raras pesquisadas foram a síndrome Spoan, que causa atrofia do sistema nervoso, seguido de paralisia; a síndrome Santos, que causa anomalia de membros; e MED25 e IMPA1, que levam à deficiência intelectual.

A pesquisa buscou identificar quando e onde surgiram as mutações que causam essas doenças de herança recessiva, revelando que têm origem ancestral na Europa e na América. De acordo com Allysson Allan de Farias, o primeiro autor do estudo, o trabalho de campo começou em 2014 e foi finalizado em 2018. Envolveu 18 pessoas afetadas por doenças genéticas raras de herança autossômica recessiva (tipo de herança que é determinada por genes situados em cromossomos não sexuais). A escolha do Nordeste se deu pela elevada prevalência de pessoas com doenças genéticas raras que poderia estar associada aos altos índices de casamentos consanguíneos, relatou o pesquisador. Cerca de 25% dos casais consanguíneos apresentam um ou mais filhos com alguma deficiência. Dentre estas, foram descritas as quatro doenças de herança autossômica recessiva: a síndrome Spoan, a síndrome Santos, MED25 e IMPA1.

Os participantes da pesquisa eram moradores da zona rural dos municípios de Catolé do Rocha e Brejo dos Santos, no Estado da Paraíba; Serrinha dos Pintos, Martins, São Miguel, Doutor Severiano, Pau dos Ferros, Encanto, Coronel João Pessoa e Riacho de Santana, no Estado do Rio Grande do Norte.

Além de suspeitar que as doenças genéticas estivessem correlacionadas aos casamentos consanguíneos, os pesquisadores queriam ir mais além: precisavam saber a origem e a idade dessas doenças, “o que talvez explicaria a dispersão das mutações genéticas causadores das síndromes raras, como também identificar as populações que pudessem estar em risco no Brasil e no mundo”, explicou Farias.

Os pesquisadores tinham a informação de que além dos casos ocorridos no Brasil com a síndrome Spoan, dois irmãos tinham sido encontrados no Egito com a mesma mutação. A partir desta realidade, foi dado início ao estudo de ancestralidade local: foi coletado sangue das pessoas com tais deficiências e extraído DNA de estudo genético nos laboratórios do Instituto de Biologia da USP. “A investigação se deu na origem do fragmento cromossômico que contém a mutação causadora de cada doença”, explicou Farias.

Para fazer as comparações, também foram utilizadas informações genéticas de bancos de dados representando as populações europeias, africanas e nativo-americanas, considerando que o Brasil é altamente miscigenado.

Questionado sobre a importância de se estudar a ancestralidade das doenças, Farias explicou que os resultados contribuem para identificar a origem e a compreensão de como essas doenças são disseminadas nas populações brasileiras e mundial. No caso especificamente do Nordeste, os resultados da pesquisa trouxeram alento. Em relação à síndrome Spoan, depois identificada, os indivíduos passaram a ser vistos de outra forma pelos profissionais de saúde e pelo governo municipal e estadual no que diz respeito ao amparo e ao bem-estar de pessoas com deficiência.

O artigo foi publicado na Nature Scientific Reports. Se quiser ler o original clique aqui.

(Com informações do Jornal da USP)

 

 

 

 

Teoria da Evolução nossa de cada dia

Na semana que passou o Brasil inteiro assistiu um vídeo antigo da pastora e atual ministra Damares Alves, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos sendo entrevistada. Na sua fala, a pastora, atual ministra diz: “a Igreja Evangélica perdeu espaço na história... Nós perdemos o espaço na ciência quando nós [sic] deixamos a teoria da evolução entrar nas escola [sic]... Quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência [?!?]. A Igreja Evangélica deixou a ciência pra lá...” Veja o vídeo abaixo:

A Ministra-Pastora já tinha criado uma polêmica na semana anterior relacionando cores e gêneros, ao que foi rechaçada por uma onda de pessoas postando fotos com as cores mencionadas. A própria Pastora-Ministra, num ato falho (não condizente com sua fala), apareceu no dia seguinte vestida numa das cores reclamadas, incompatível com seu gênero (com base em sua opinião).

Ao tocar no assunto Teoria da Evolução, a Pastora-Ministra, na minha opinião, queimou-se mais uma vez. Ao ponto do seu colega Ministro, Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, ter encerrado a questão com uma frase bem simples: “Não se deve misturar Ciência com Religião”. Apesar da simplicidade em encerrar a polêmica sem maiores discursos, Pontes evocou o mesmo tema do pronunciamento feito em 1996 pelo Papa Joao Paulo II que, em discurso direcionado à Pontifícia Academia de Ciências aceitou a Teoria Neodarwinista, afirmando que “a teoria da evolução está se fortalecendo tanto que já pode ser considerada mais do que uma simples hipótese”.

A crença religiosa, qualquer que seja ela (Católica, Evangélica, Espírita etc.) não pode e nem deve, sob qualquer hipótese misturar-se à Ciência. A ciência é algo absolutamente baseada em fatos comprováveis, que seguem etapas ou processos e que por isso, se comprovam. Numa vertente de defesa cega, um destes líderes evangélicos ainda abobrinhou: “se a teoria da evolução fosse correta não seria mais uma teoria e sim, Lei da Evolução”.

Tenho um conselho bastante interessante para quem duvida da Teoria da Evolução: na próxima vez que adoecer não faça uso de antibióticos. O princípio que os rege, deteriorando os patógenos causadores das doenças é o da Teoria da Evolução. Apenas ore, reze ou apele. Neste caso, tomar o antibiótico é um sinal de pouca fé.

Para encerrar o assunto peço ao Criador que dê juízo à Ministra-Pastora e evoco a frase do cientista Theodosius Dobzhansky: “nada em biologia faz sentido exceto à luz da evolução”.

Um bom domingo...

Vida selvagem: a cobra-coral

Um dia desses uma cobra coral foi notícia no Portal CidadeVerde por ter aparecido em um apartamento do térreo em um condomínio na zona urbana da cidade de Teresina, reveja aqui.

Conversando com a jornalista esclareci que estas cobras são bastante encontradas aqui na região de Teresina, onde existem também as falsas-corais, cobras que carregam um padrão de coloração semelhante, mas que não são peçonhentas como as chamadas corais verdadeiras.

De acordo com site www.herpetofauna.com.br especializado em répteis existem 32 espécies de corais verdadeiras e 52 espécies de falsas-corais (veja). As trinta e duas espécies pertencem a uma única família Elapidae, considerada a que reúne as cobras mais venenosas do mundo. No Brasil apenas o gênero Micrurus reúne espécies de corais verdadeiras.

Cobra coral verdadeira (Fonte: Minas faz ciência)

O veneno das cobras corais é uma neurotoxina e os principais efeitos são visão dupla e borras, a face se apresenta alterada, dores musculares e aumento da salivação. A insuficiência respiratória pode ocorrer como complicação do acidente levando a morte.

 

Como diferenciar uma cobra coral verdadeira de uma falsa?

É senso comum que as cobras exibem diferenças importantes, especialmente no momento de se determinar quem é peçonhenta e quem não tem peçonha. Apenas para esclarecer: todas as cobras são venenosas, mas apenas uma parte delas tem a capacidade de inocular o veneno, o que convencionou-se chamar de peçonha. No Brasil existem quase 400 espécies de cobras, mas apenas cerca de 60 são peçonhentas e, portanto, consideradas perigosas.

Aprendemos na escola uma série de características que demonstram o perfil das cobras peçonhentas: cabeça triangular, cauda bruscamente afilada, pupilas em formato de fenda etc. Entretanto, existe uma gama muito grande de exceções. Dia desses um amigo me mandou a foto de uma jiboia que ele havia encontrado em seu quintal aqui em Teresina. Aí disparei: “você matou uma inocente!” Aí ele disse: “mas tinha cabeça triangular...” A jiboia é uma cobra que mata suas presas por constrição, ou seja, aperta sua presa até matar. A cobra coral, por exemplo, possui a cabeça arredondada. Então muitos destes sinais não são corretos.

Coral verdadeira atacando Cobra Coral falsa (Fonte: Youtube)

Em geral as falsas corais possuem a porção ventral de uma cor diferente dos anéis que aparecem na porção dorsal do corpo. Na imagem acima a coral que está sendo atacada é falsa e a que está atacando é verdadeira. Ficou em dúvida não espere confirmações: acione os bombeiros ou a polícia ambiental. Eles são os profissionais preparados para contenção destes animais.

Por que a coral falsa “imita” a coral verdadeira?

Na natureza é comum espécies potencialmente mais fáceis de serem predadas por serem mais frágeis imitarem espécies mais resistentes ou mais perigosas. Este é um tipo de mimetismo (imitação) chamado de Aposematismo.

Por que não devemos matar cobras?

O direito a vida é pleno. Não devemos matar porque todos tem o direito de viver. Mas dia desses disse isso das pobres aranhas caranguejeiras que tem uma aparência horripilante e são inofensivas e choveu de gente, nas redes sociais da cidadeverde.com dizendo: “então leva pra ti...” Mas estes animais exercem um importante papel no controle de outros animais. Quando um elo da cadeia alimentar é rompido há um desequilíbrio ecológico muito grande. Quer um exemplo disso: o acidente do rompimento da barragem de rejeitos de Mariana jogou um volume imenso de poluição na bacia do rio Doce. Uma mortandade de animais imensurável. Há uma hipótese sendo investigada que o retorno de doenças como a Febre Amarela em áreas onde a doença havia sido erradicada atribuída ao acidente. Na cadeia alimentar os pequenos anfíbios (sapos, rãs, pererecas) se alimentam de insetos vetores desta e de outras doenças. Quem está sofrendo com isso tudo?

Até o próximo post...

Ministro do MCTIC aposta em melhorar a vida das pessoas

Há alguns dias atrás escrevi um post comentando sobre a indicação do Astronauta Marcos Pontes (clique aqui) para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Este Ministério se tornou um dos meus pontos de observação do Governo porque desde 2014 me aproximei em razão das minhas ocupações, seja pelo período em que presidi a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI) ou pelo período em que fui Superintendente Estadual de Ciência e Tecnologia.

Na posse, no último dia 02, Marcos Pontes foi atencioso para com os jornalistas e na transmissão ao vivo pelas redes sociais do MCTIC ouvi sua preocupação em alinhar-se com relação à formação, à manutenção da pesquisa e ao estímulo à inovação. Na verdade, o grande papel de um órgão de Ciência e Tecnologia é ajudar no desenvolvimento do país. É preciso saber colocar na cabeça dos governantes que recursos empreendidos com o desenvolvimento científico e tecnológico não pode, em hipótese alguma, ser visto como despesa. É preciso que seja visto como investimento.

A bem da verdade, se formos compreender o desenvolvimento de algumas nações como o Japão do pós-guerra e da Coreia do Sul da década de 1960 para cá, é preciso contar que este desenvolvimento esteve atrelado ao crescimento da relação entre a formação de bens de capital, especialmente da Indústria com as universidades. O exemplo da Coreia é bem mais recente: hoje das dezenas de marcas de produtos coreanos como Samsung, LG, Kya, Hyundai e muitas outras tiveram parte do desenvolvimento de seus produtos e serviços criados, gerados, nos laboratórios das universidades. Ou seja, muitos dos produtos que hoje usamos como aplicativos, recursos inteligentes em smartphones, smartvs ou em automóveis podem ter iniciado com o trabalho de conclusão de curso de um estudante, orientado por um pesquisador.

Em países desenvolvidos fizeram-se necessárias políticas de aproximação entre a academia e o setor produtivo, o que muitas vezes, no nosso país, provoca uma urticária tanto nos pesquisadores quanto nos empresários. Mas é importante dizer: não há crescimento e desenvolvimento de tecnologias sem esta aproximação. A indústria precisa contar com a expertise dos pesquisadores e a pesquisa precisa contar com a urgência e os recursos da indústria. Mas é difícil convencer tanto aos empresários que a pesquisa básica sustenta a pesquisa aplicada, quanto aos pesquisadores que é necessário otimizar recursos para obtenção de lucros no caso específico das indústrias. Neste caso faz-se mister o papel do Governo em incentivar a pesquisa básica ilustrado na fala do agora Ministro Marcos Pontes.

Ainda da sua fala ficou clara a preocupação com as diferenças regionais. Ele afirmou da necessidade de se levar a banda larga para todos os lugares do Brasil. Não é concebível que o Ministério da Educação esteja investindo em mediação tecnológica para tentar dar condições similares para estudantes que vivem nos rincões, sem uma internet de banda larga. Na minha visão pessoal já é um prejuízo considerável ter aulas a distância ao invés de dispor sempre do melhor professor ali ao vivo e a cores, imagine tendo que assistir aulas com um sistema falhando porque a internet não consegue chegar em todos os lugares. Tirar as diferenças de todas regiões é um desafio hercúleo, mas precisa ser tentado.

Respondendo a um questionamento de um jornalista sobre o financiamento da pesquisa Pontes foi enfático em lutar por mais recursos orçamentários especialmente no tocante à pesquisa básica. Ele também abordou a preocupação do país com a Inovação. Em diferentes rankings relacionados ao registro de patentes de produtos ou processos o Brasil está entre os últimos colocados. É preciso, sobretudo, investir numa educação mais voltada para a inovação.

No anúncio de sua equipe um nome foi possível destacar: o secretário de Pesquisa e Formação é Prof. Dr. Marcelo Marcos Morales, professor titular da área de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em um cenário desolador onde a carência de recursos, especialmente para o ambiente universitário, o discurso do novo ministro mostrou-se como uma luz no final do túnel. Vamos aguardar.

Até o próximo post...

Vida Selvagem: Urso Polar

Uma das coisas que crescemos acompanhando foram as aventuras de jornalistas e documentaristas em busca de conhecer e apresentar ao grande público detalhes sobre a vida de alguns dos animais selvagens da Terra.

Destacam-se neste sentido as equipes de grupos como a National Geographic e a BBC de Londres que desenvolveram know-how para esta atividade com documentários importantes sobre a vida selvagem. Graças a estes profissionais é possível conhecermos aspectos de como vivem, como se ajustam as mudanças do meio ambiente e cooperam no equilíbrio ambiental muitos animais pertencentes a faunas de diferentes lugares do Planeta.

Destes animais um dos mais icônicos é o urso polar. Considerado uma das maiores vítimas do aquecimento global, o urso polar é frequentemente retratado como um sobrevivente. Por vezes é retratado por documentaristas em situação desconfortável diante do derretimento de geleiras, na região onde vive (Ártico) (foto)

A espécie Ursus maritimus foi descrita desde o século XVIII, mas parte da sua biologia ainda não é bem documentada pela ciência. O grande problema é que esta espécie vive em locais bastante inóspitos para que os cientistas possam fazer observações mais detalhadas sobre como vivem estes animais. A espécie encontra-se distribuída por várias regiões próximas ao Círculo Polar Ártico, no Hemisfério Norte. Sua circunscrição atinge o norte do Canadá e especialmente a região da Groelândia (foto)

Com o intuito de conhecer melhor a espécie o cinegrafista da vida selvagem Gordon Buchanan responsável pelo documentário The Bear Family and me (A Família Urso e eu, em tradução livre) resolveu encarar um novo desafio: ganhar a confiança de uma família de ursos polares para conhecer melhor os hábitos da espécie. No vídeo a seguir, confira o encontro do documentarista com um urso do clã que pretende acompanhar.

Conhecer melhor a espécie talvez seja um importante elemento para o processo de preservação da espécie. Algumas imagens de animais em sofrimento ou mortos causam um incômodo para muitas pessoas. Neste caso a necessidade de sensibilização é global (foto).

Até o próximo post...

 

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