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Espécie de vespa do Cerrado guarda o segredo da destruição das Superbactérias

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O veneno produzido por uma vespa que vive no Cerrado brasileiro se revelou uma importante arma contra as chamadas superbactérias. Pesquisa conduzida pela pesquisadora brasileira Marisa Rangel identificou um peptídeo (fração menor do que uma proteína) extraído da vespa Polybia dimorpha com grande capacidade de destruir a parede celular de bactérias.

A substância, batizada de Polydim-1, em homenagem à vespa, age assim: no momento que a substância entra em contato com a parede celular da bactéria uma reação provoca a severa destruição da parede levando a um dano mortal à bactéria. O artigo com a descoberta foi publicado na Revista Plos One e os testes já vem sendo feitos em várias instituições de pesquisa como o Instituto Butantan, Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Uma descoberta como esta ajuda a alimentar as preocupações com o processo de degradação de áreas do Cerrado. Os Cerrados brasileiros são vistos como a última fronteira agrícola do Brasil, especialmente na região que ficou conhecida como MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que ainda mantém um grau razoável de preservação. Com o avanço da atividade agrícola muitas destas potencialidades ainda não descobertas podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidas.

A degradação da vegetação leva junto a extinção de animais. Plantas e animais resguardam informações que a ciência não teve ainda como alcançar, dado o descompasso entre o processo de avanço do conhecimento científico e a degradação do meio ambiente.

É preciso ficar muito atento a esta relação (descobertas científicas X degradação ambiental).

Quer saber mais sobre o assunto, clique: http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0178785#references 

Como a floresta fóssil se formou?

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Desde domingo passado tenho recebido algumas perguntas sobre nossa Floresta Fóssil. Algumas pessoas perguntaram, por curiosidade, informações sobre sua formação, origem etc. Vamos esclarecer com base em algumas perguntas.

O que a Floresta Fóssil tem de raro?

Primeiro aspecto importante: fósseis de plantas são mais raros do que de animais. Isso é fácil de compreender. Nós animais já apresentamos várias partes do nosso corpo mineralizadas. Dentes, ossos, carapaças, conchas são partes presentes nos animais que possuem minerais na sua estrutura. Especialmente substâncias a base de Cálcio como o Fosfato de Cálcio e o Carbonato de Cálcio. As plantas, em geral não apresentam partes com tanta concentração de minerais como os animais. Em geral, a maior parte dos constituintes de uma planta são compostos orgânicos. Assim, fósseis de plantas são bem mais difíceis de serem formados, porque as plantas são mais fáceis de passarem por processos de decomposição.

O que faz da floresta fóssil de Teresina uma das mais raras no mundo?

A cena é muito comum. Onde encontramos troncos fossilizados, estes, normalmente, são encontrados rolados. É como se antes do processo de fossilização ter iniciado, um evento cataclísmico derrubou a floresta. Aí um fenômeno natural deu início ao processo de fossilização das plantas. Em todos os lugares onde são encontrados fósseis de plantas na forma de troncos percebe-se que estes estão rolados. Na Floresta de Teresina os troncos tem uma particularidade: foram fossilizados em posição de vida. Até bem pouco tempos atrás apenas aqui e no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, era possível visualizar fósseis em posição de vida. Recentemente foi encontrada uma floresta petrificada na cidade de Filadélfia, Estado do Tocantins com alguns troncos, aparentemente, em posição de vida.

Como os fósseis foram formados?

Os fósseis se formam quando não há a decomposição do ser vivo que o antecede. A decomposição é a ação de transformação do material vivo que passa por reações executadas pelos microorganismos (fungos e bactérias) na presença de oxigênio. Quando o ser vivo morre e é soterrado bruscamente, sem que se acumule oxigênio no seu entorno, o processo de decomposição fica prejudicado. Com o passar do tempo, compostos minerais vão, gradativamente, substituindo as estruturas antes vivas, que vão funcionando como moldes. A pressão exercida pelo soterramento proporciona, por exemplo, a permineralização, um dos processos de fossilização. O tempo vai passando e o organismo vai, literalmente, se transformando em rocha. Quando o processo é concluído, tem-se a formação do fóssil.

Como é possível calcular a idade de um fóssil?

Os fósseis são calculados através do uso de radioisótopos, cuja a meia-vida é conhecida. Vou explicar. Alguns dos elementos que nos constituem apresentam versões ligeiramente diferenciadas. Por exemplo o carbono. O carbono apresenta número atômico 12 (possui 12 elétrons na sua eletrosfera). Mas existe o Carbono-14 (que tem dois elétrons a mais). Um carbono 14 pode se transformar em um carbono 12, demandando um tempo, chamado de Meia-Vida. A Meia-Vida do Carbono é de 5.730 anos. A grosso modo podemos dizer que se um organismo vivo tiver 10 gramas de Carbono 14 e encontrarmos um fóssil daquela mesma espécie com apenas 5 gramas de Carbono 14, significa que aquele fóssil tem 5.730 anos, aproximadamente, pois a Meia-Vida é o tempo que leva para uma determinada quantidade de um determinado elemento diminuir sua quantidade pela metade. No caso da formação Pedra de Fogo, onde se encontra a Floresta Fóssil, o método utilizado para determinar sua idade não pode ser o Carbono 14, pois sua idade está na escala de milhões de anos. Para medições de rochas na escala de milhões de anos são utilizados métodos como Potássio 40 – Argônio 40 ou Urânio 238 – Chumbo 206, entre outros.

Além do registro de plantas que não existem mais, mas foram imortalizadas na forma de troncos fósseis, a Floresta Fóssil de Teresina registra traços do ambiente antigo no qual estes organismos viviam (o Paleoambiente). Na época em que a floresta estava viva o que existia era uma floresta úmida ambiente rico em lagoas. Os continentes ainda estavam ligados entre si. Ao invés da América, as placas tectônicas ainda estavam fundidas formando o grande continente do passado chamado Pangea.

As coisas mudaram muito de lá pra cá. Isto mais do que justifica que este patrimônio seja preservado.

Reforma do Ensino Médio

Quando a reforma do Ensino Médio foi anunciada na forma de medida provisória fiz alguns comentários em redes sociais que culminaram com o pedido de alguns amigos em escrever um artigo mais esclarecedor sobre o assunto. Escrevi e foi publicado em outubro de 2016 em um jornal de grande circulação o artigo Ensino Médio: a reforma exclusiva, onde levantei alguns aspectos da reforma proposta na época, ainda no formato de Medida Provisória.

Passados quase um ano da publicação toco novamente no tema, com o pensamento focado nas mesmas premissas que me moveram no artigo anterior: qual será o resultado prático desta reforma?

É do conhecimento de todos os atores que lidam com a educação de que a reforma do ensino médio já estava mais do que passando da hora de acontecer. O Ensino Médio no Brasil nunca disse a que veio. Na verdade, trata-se de uma etapa da educação formal que em tese poderia qualificar o estudante para o trabalho ou para a passagem para a etapa seguinte, da formação em nível superior e o que acontece na prática? Nem uma coisa e nem outra.

Na reforma já definida legalmente a ideia é oferecer para os estudantes itinerários formativos que combinem as aptidões de cada estudante com as possibilidades de engajamento na carreira universitária ou no mercado de trabalho. Os itinerários são bem similares às áreas de conhecimento já utilizadas para estruturação do Exame Nacional de Ensino Médio, o ENEM: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, acrescidas do itinerário relacionado à educação profissional. A reforma é necessária, o foco interessante, mas a prática não parece ser exequível ao ponto de que a reforma realmente atinja tais propósitos.

O Governo Federal desenvolve uma campanha de mídia respondendo dúvidas dos estudantes e falando do que vai acontecer. A propaganda principal é assim: os atores se reúnem num ambiente de rua ou praça onde os que atuam como “alunos” tiram dúvidas com um outro ator que representa o “governo” tirando estas dúvidas. O tirador de dúvidas coloca que a partir da reforma cada estudante vai poder escolher o que quer estudar. Que não precisa escolher a profissão, mas que precisa escolher qual o itinerário que deseja seguir. Até aí tudo maravilhoso. Para quem vive num grande centro urbano, parece uma perfeição. De repente, ao optar por um itinerário formativo que não existe na escola do seu bairro, o estudante pode procurar outra escola e tá tudo resolvido. Mas uma pergunta não quer calar: e nos municípios que só tem uma escola de ensino médio? O estudante vai escolher o que?

É preciso olhar a questão nas entrelinhas. A reforma, como apresentada na mídia, lembra obra de ficção, pois na grande maioria das escolas do Brasil não chegará nem perto de acontecer como nas mídias oficiais.

Muitas escolas já se preocupam com o “como vai ser”. Mas todo o planejamento de como devem se desenvolver as mudanças dependem da aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio que ainda está sendo montada (recebeu contribuição de vários segmentos, mas ainda não está em vigor). A BNCC é que vai dizer o que será obrigatório e o que a escola pode oferecer como diferencial para seus estudantes. Após a divulgação da BNCC caberá aos Conselhos Estaduais a regulamentação de como as escolas devem organizar os itinerários a serem ofertados aos seus estudantes.

Na condição de professor e operador da educação torço para que se se encontre um modelo que resulte em ganhos para a educação brasileira.

Floresta fóssil de Teresina: o tempo não pára (II)

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Teresina está assentada sobre a Formação Geológica Pedra de Fogo. Esta é uma das existentes na Bacia do Rio Parnaíba. A formação tem idade permiana (entre 298 e 250 milhões antes do presente). A bacia se estende por várias áreas próximas de Teresina, como Timon (MA) e municípios antes considerados território da Capital, como Nazária, Demerval Lobão, Beneditinos e Monsenhor Gil, todos no Piauí.

Nesta formação, além da Floresta Fóssil comentada no post anterior, são encontradas também outras evidências de seres vivos como Estromatólitos (aglomerados registrados em rochas com resquícios de microorganismos que viveram no passado), esteiras algálicas (formadas por algas, organismos típicos de ambiente marinhos), peixes, anfíbios e répteis.

Em 2015 foi publicado na revista britânica Nature artigo de pesquisadores liderados pelo professor da Universidade Federal do Piauí, Juan Cisneros, contando mais uma novidade da Formação Pedra de Fogo. Foram encontrados fósseis de três anfíbios e um réptil da época do Permiano. As prospecções dos fósseis foram feitas na cidade de Timon (MA), Nazária e Monsenhor Gil (PI).

A investigação permitiu que se descobrisse que dois dos fósseis animais encontrados são completamente novos para a ciência. A equipe inclusive utilizou nomes com base na localização dos fósseis. Um deles o Timonya anneae, em homenagem ao município de Timon, onde foi encontrado e o outro Procuhy nazariensis, aludindo à Formação Pedra de Fogo (em linguagem Timbira, Prôt = sapo e cuhy = fogo, ‘sapo da formação pedra de fogo’) e nazariensis em referência ao município de Nazária.

O fóssil do outro anfíbio encontrado não permitiu uma identificação (se era uma nova espécie ou uma espécie já conhecida) e o fóssil do réptil foi identificado como Captorhinus aguti, uma espécie já conhecida da comunidade científica.

Os quatro fósseis são pertencentes a espécies que viviam em ambiente lacustre (lagoas) e foram conservados em rochas em três áreas da formação Pedra de Fogo. No artigo os autores chamam a atenção para o baixo interesse despertado por pesquisadores para a fauna de tetrápodes (animais de quatro patas) encontrados nesta formação geológica ao longo dos últimos 50 anos.

Vê-se que além da floresta fóssil outras riquezas também precisam ser preservadas na nossa região.

Floresta fóssil de Teresina: o tempo não pára (I)

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Teresina é uma cidade de muitas particularidades. Foi a primeira Capital planejada do Brasil. É a única Capital nordestina que não fica no litoral. E uma que talvez seja novidade para muitos: é a única Capital do mundo que possui um sítio paleontológico na sua região central.

E o que é um sítio paleontológico? Vamos por partes. A Paleontologia é a parte da Biologia que estuda os fósseis. E o que são fósseis? São seres, marcas ou partes deixadas por seres que viveram no passado e que ficaram registradas em rochas. Um sítio paleontológico reúne fósseis que contam a história de determinados seres do passado. É diferente dos sítios arqueológicos, encontrados em várias cidades do mundo como Roma, Atenas e outras. Os sítios arqueológicos resguardam locais que registram a passagem do homem. Para que o leitor entenda, os sítios paleontológicos registram resquícios de formas de vida.

É comum, ao falarmos em fósseis e paleontologia nos remetermos diretamente aos dinossauros. Os dinossauros foram seres que viveram em um passado remoto, em torno de 60 milhões de anos, antes do presente. De fato os dinos são os fósseis mais conhecidos, de uma forma geral. Mas estima-se que representam muito pouco da diversidade dos seres vivos, se considerarmos o tempo de existência da vida no nosso planeta e toda a diversidade de ambientes.

O sítio encontrado em Teresina é de uma floresta petrificada de idade Permiana. Trocando em miúdos: temos um sítio formado por exemplares de árvores que existiram em uma época muito antiga, anterior aos dinossauros. O período Permiano ocorreu entre 298 e 250 milhões de anos antes do presente. Ou seja: nossos fósseis são de uma floresta que era viva antes dos Dinossauros surgirem na Terra. E que tipo de árvores eram encontradas no local? Nesta época não existiam ainda as plantas com frutos como mangueiras, cajueiros e outras. Dominavam neste período árvores parecidas com as samambaias só que dotadas de flores, que já não existem mais desde antes dos dinossauros aparecerem nas paisagens do Planeta Terra.

A estas alturas creio que o leitor estaria se perguntando: em que museu estão estas raridades? Não estão em nenhum museu. Localizam-se às margens do rio Poti na altura dos bairros dos Noivos (margem direita) e Ilhotas (margem esquerda). Ali, pertinho do Centro, ao lado da Poticabana, existem troncos fósseis com cerca de 250 milhões de anos.

Na década de 1990 uma lei municipal criou o Parque e alguns anos depois outra lei delimitou sua área. Mais recentemente o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) encomendou um estudo e tomou algumas providências referentes à proteção do local.

O tempo está passando e precisamos da proteção deste patrimônio. Como diria o poeta: "o tempo não pára".

Nos próximos posts vou comentar mais sobre a riqueza do que temos na nossa região, em termos de valores científicos.

Teresina: cidade verde ou amarela?

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O mês de Agosto tem vários significados para quem vive em Teresina. Primeiro é o mês do aniversário da cidade, dia 16. Segundo é o último mês ventilado do período. Setembro é o primeiro dos quatro meses do B-R-O-Bró, período conhecido pelo calor intenso e abafado na nossa cidade. Terceiro porque a cidade começa a ganhar um colorido diferente dos ipês. A cidade se banha de amarelo-ouro em todos os seus cantos e recantos.

O ipê ou pau d’arco é uma árvore de beleza suntuosa. E o que mais atrai nesta planta: a profusão da vibrante floração. Para um leigo é fácil ver que a planta está em floração porque o cenário muda rapidamente. A planta está verde, com suas folhas. Entre o julho e agosto as folhas começam a cair. Entre agosto e setembro os pequenos botões, praticamente invisíveis para quem olha de longe, se abrem no fenômeno conhecido com antese floral. Em geral as flores surgem sem que a árvore permaneça com folhas. À medida que as flores vão caindo, novas folhas vão surgindo e as flores polinizadas darão lugar aos frutos.

Todos os anos a beleza impressionante dos ipês suscita dúvidas nas pessoas inebriadas pelo espetáculo de cores. Surgem as perguntas: por que os ipês liberam suas folhas antes de florescer? Como é que a planta “sabe” que está na época da sua floração? Quantas “tipos” de ipês existem?

Por que os ipês liberam suas folhas antes de florescer?

O fenômeno de liberação de folhas é chamado de caducifolia. As folhas ficam caducas (velhas) e caem. Este fenômeno decorre da falta ou escassez de água no solo. A reposição de água fica difícil, então a planta “opta” por liberar suas folhas, economizando água.

Como é que a planta “sabe” que está na época da sua floração?

De uma forma geral as plantas sincronizam seus fenômenos fisiológicos (queda das folhas, floração, frutificação, germinação de sementes etc.) ao tempo de luminosidade. Ou seja, a floração ocorre quando o dia está maior do que a noite ou vice-versa. Assim existem as plantas de Dia Longo (PDL) e as plantas de Dia Curto (PDC). Mas aqui em Teresina, como nos situamos próximos à linha do Equador, dia e noite praticamente tem o mesmo tamanho. Daí nossas plantas não usam este critério para regular-se. É mais provável que outros fatores ambientais, como a umidade do ar, por exemplo, regulem o processo de floração dos nossos ipês.

Quantos “tipos” de ipês existem?

O termo ipê é o nome comum de várias espécies da família das Bignoniáceas. Esta família de plantas apresenta flores grandes, coloridas, apresentando-se principalmente como árvores ou trepadeiras. Os ipês são árvores, em geral de grande porte. Botanicamente as espécies de ipês estão inseridas em dois gêneros: Handroanthus e Tabebuia, totalizando 39 espécies brasileiras das quais existem registros de seis espécies para o Piauí, com flores variando entre brancas, amarelas, róseas e roxas.

Além da beleza que proporcionam os ipês são árvores de madeira nobre, sendo consideradas plantas de grande importância econômica. Os ipês se distribuem em várias regiões do Brasil, nos ambientes da Amazônia, Cerrado, Caatinga e Floresta Atlântica. Em Teresina, além das ocorrências naturais, nas suas florestas deciduais e ciliares, em razão da beleza cênica, muitos exemplares são encontrados em quintais e jardins.

O cultivo e a preservação dos ipês amarelos fazem da nossa cidade verde, neste período do seu aniversário, uma cidade verde e amarela.

Você sabe por que o Caneleiro é a árvore-símbolo de Teresina?

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Muita gente sabe que o caneleiro é a árvore símbolo de Teresina. Muita gente até conhece o Caneleiro, mesmo sem grandes conhecimentos botânicos, especialmente porque o seu tronco é cheio de pequenas “canelas”, num arranjo singular. Muita gente até admira o Caneleiro com suas flores dispostas em um arranjo piramidal e de um amarelo-ouro que chama muita atenção. Mas pouca gente sabe porque o Caneleiro foi escolhido a árvore símbolo de Teresina. Eu sei!

Estávamos às vésperas de reinaugurar o Parque da Cidade, em Agosto de 1993. Na época o segundo maior parque urbano de Teresina, situado no bairro Primavera, adquirido da família do ex-Prefeito João Mendes Olímpio de Melo na década de 1980 e que passara por um longo período sem a devida atenção da Prefeitura de Teresina. Eu tinha acabado de chegar aos quadros da Secretaria de Meio Ambiente, biólogo recém-formado. A Secretaria era comandada pelo Prof. Valdemar Rodrigues e o Prefeito era Raimundo Wall Ferraz.

Professor Wall visitava as obras do Parque a cada dois dias, sempre preocupado com os detalhes e com o seu jeito acelerado. A previsão era concluir a reforma para comemorações do aniversário de 141 anos da cidade, cuja abertura, naquele ano, seria dia 15 de agosto, véspera do aniversário. Em uma destas visitas acompanhada por mim e pelo Valdemar, na qual caminhávamos pelas diferentes áreas do Parque, paramos sob a sombra de uma árvore e ele disse: “Teresina precisa ter uma árvore como símbolo! Como pode uma cidade chamada de Cidade Verde não ter uma árvore que a simbolize?” Interrogou decidido.

Professor Valdemar de imediato gostou da ideia e começou a citar várias sugestões de plantas representativas da nossa região. Wall meneou com a cabeça: “É o caneleiro! Nenhuma destas ganha do Caneleiro, Valdemar! Quando cheguei em Teresina isso aqui era um Chapada de Caneleiros! É a nossa árvore mais representativa!”, pontificou de imediato, no tom enérgico como quem estivesse brigando. Ficamos ali eu e Valdemar observando todos os argumentos do Prof. Wall e sua sabedoria para muito além do lado administrativo, perscrutando detalhes da planta que nós, eu e Valdemar, parecíamos conhecer muito menos do que ele. O Prefeito saiu da visita decidido e eu encarregado de buscar os detalhes técnicos para emissão do Decreto Municipal.

Na minha busca por informações descobri que o gênero Cenostigma, ao qual pertence o Caneleiro (Cenostigma macrophyllum Tul.), estava sendo objeto de revisão do Prof. Maurício Teles (UFPI) durante seu Mestrado, orientado pela Dra. Graziela Barroso, a Dama da Botânica brasileira, concluído no ano seguinte à decretação (1994).

O Decreto foi assinado no dia 13 de agosto de 1993 (Decreto Municipal nº 2.407 de 13.08.1993), tornando o Caneleiro a Árvore-Símbolo de Teresina.

Nossa cidade verde ganhou seu símbolo no universo botânico: o Caneleiro! Nem precisou um estudo aprofundado ou uma discussão acalorada sobre o assunto. Hoje, quando visito áreas que ainda guardam algumas espécies nativas, vendo a quantidade de caneleiros nestes remanescentes lembro daquele dia. Como em muitas outras coisas ligadas à política e à administração pública, Wall tinha razão.

Parabéns a Teresina pelos seus 165 anos! Parabéns à cidade simbolizada pelo Caneleiro!!!

No mundo animal também é assim: não basta ser pai...

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O Nemo que o diga...

Como hoje é o dia dos Pais resolvi falar um pouco de alguns animais que, no exercício da função de pai nos ensinam lições pra lá de interessantes.

Muitas animações exibidas para crianças trazem histórias interessantes, não somente pelo conhecimento que transmitem, mas incluindo verdadeiras lições de vida que devem ser repassadas através do entretenimento. Um destes casos é o peixe-palhaço Marlin, o pai superprotetor de Nemo do clássico da Disney, Procurando Nemo. Nemo foi o único filhote que escapou de ser predado e tem um defeito em uma das nadadeiras, o que provoca um cuidado exagerado do seu pai Marlin. Cientistas da Universidade de Illinois (EUA) descobriram que os peixes-palhaço (Amphiprion ocellaris) dispensam cuidados parentais até para ovos que não pertencem às suas ninhadas. Foi observado que promovem a limpeza de resíduos nos ovos e abanam com as nadadeiras fornecendo maior disponibilidade de oxigênio. Outros animais em igual condição devorariam os ovos.

Outro pai campeão em cuidados com os filhotes é o cavalo-marinho. Na sua corte, durante o acasalamento, o macho guarda, protegendo em uma bolsa ventral, os ovos. Após maturação e a eclosão os filhotes são expelidos em movimentos que se assemelham a contrações de um parto. Todo o trabalho que nas demais espécies é feito pela fêmea, no cavalo-marinho, é realizado pelo macho. No litoral brasileiro encontram-se pelo menos três espécies destes animais que lembram cavalos, mas são peixes ósseos (Hippocampus reide,  H. erectus e H. patagonicus). No litoral do Piauí, uma das atrações é a visita ao manguezal onde é possível visualizar estes belos peixes. Veja o macho do cavalo-marinho parindo

A atividade de proteção de filhotes também é rotina na vida do papai Aruanã. O Aruanã é uma espécie de peixe de água doce (Osteoglossum bicirrhosum) típico da bacia Amazônica que guarda seus ovos na boca. A atividade é desenvolvida pelo macho que durante este período fica sem se alimentar e, constantemente vai à superfície para captar oxigênio para os ovos.

Estes três exemplos vindos da água demonstram o quão sábia é a natureza, dividindo responsabilidades entre machos e fêmeas na lida e nos cuidados com os filhotes. A atividade de ser pai não deve se restringir à mantença do lar, mas deve, sobretudo, à corresponsabilidade na criação e manutenção dos filhotes. Este trabalho de fazer prosperar o futuro da família e o sucesso dos próprios genes não é responsabilidade única da mãe. O pai também tem responsabilidades importantes junto aos filhos.

Para além das animações e dos exemplos na natureza, ser pai também é proteger, é zelar pelo sucesso e pela felicidade dos filhos. Lembrem-se do Peixe-palhaço Marlin, dos Cavalos-Marinhos e dos Aruanãs e Feliz Dia dos Pais!

Para onde vão nossos campeões de Olimpíadas do Conhecimento?

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Por estes dias vimos na imprensa nacional matéria falando sobre garotos que retornavam da Indonésia, trazendo medalhas da Olimpíada Internacional de Física. Conseguiram a proeza de trazer três medalhas de ouro e duas de bronze para o Brasil. Entre gracejos do repórter e a surpresa de pessoas que passavam no aeroporto vendo a chegada noticiada dos campeões uma coisa me chamou a atenção: foi a primeira vez que eu vi uma matéria de TV abordar o tema olimpíada científica tendo como pano de fundo o futuro dos campeões em termos profissionais. A sociedade precisa saber um pouco mais sobre isso.

Durante muitos anos trabalhei em excelentes escolas de Teresina (PI) que não são excelentes apenas por se tratar de senso comum. Nossa cidade tem boas escolas e não é fenômeno recente. Pude trabalhar, na condição de professor, com uma excelente matéria prima. Estudantes de ponta e que se faziam de ponta não somente pelas boas notas, mas sobretudo por resultados em competições científicas como Olimpíadas de Ciências, Matemática, Química, Física, Astronomia, Robótica, entre outras. Desde o fim dos anos 1990 até hoje foram vários campeões que orgulhavam suas famílias e as escolas. Criaram uma cultura que ainda se mantém, especialmente em casos como os estudantes de Cocal dos Alves (PI) e de outras cidades que se destacam neste tipo de competição, com mérito aumentado por se tratarem de estudantes de escolas públicas e do interior do Estado. Mas alguém já parou para verificar o que estes meninos e meninas fizeram quando cresceram?

Muitos dos campeões de Olimpíadas se tornaram médicos. Juntaram o conhecimento em Química ou o melhor do seu raciocínio matemático, por exemplo, e foram estudar a ciência de Hipócrates. Outros encaminharam-se em carreiras acadêmicas respeitáveis, estudando em boas escolas de engenharia ou economia, mas o mercado os absorveu como executivos de instituições financeiras. São pagos para pensar matematicamente como o banco deve investir seus recursos para lucrar mais. Mas porque não viraram professores ou pesquisadores nas áreas de Física ou Química ou Matemática?

A resposta é simples e triste: a carreira de professor não os apetece sob o ponto de vista de carreira profissional. Sempre defendi a premissa de que – “quanto melhor a semente, mais frondosa será a árvore”. Mas fica difícil para um jovem, por vezes genial, submeter-se a rotina, salários e baixo reconhecimento social da condição de professor. Nossa sociedade precisa repensar isso com urgência. Estamos perdendo valores fabulosos e nosso país continua patinando nas últimas colocações dos exames que medem a qualidade do ensino nas áreas de Matemática, Ciências e Letramento (leia-se o PISA - Programme for International Student Assessment).

Como pode um país que se coloca tão bem em Olimpíadas Científicas (esteve entre os 15 melhores na Olimpíada Internacional de Matemática em 2016, por exemplo) ser uma piada quando o básico é medido por estes testes. Estamos falando do mesmo país? Claro que sim. Precisamos de muitos campeões. Especialmente daqueles que possam dividir seu conhecimento e multiplicá-lo. Precisamos atrair nossos melhores talentos para a missão de educar.

Cientistas piauienses desenvolvem pesquisas para erradicar fome no mundo

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Você sabia que existe uma tecnologia capaz de permitir o cultivo de plantas e a criação de animais integrados na forma de um sistema, a baixíssimo custo? Você já ouviu falar do “Sisteminha” da Embrapa?

“Sisteminha” é o modo carinhoso como os visitantes diários da Embrapa Meio-Norte em Parnaíba (PI) apelidaram o projeto da Unidade Demonstrativa do Sistema Integrado para Produção de Alimentos. Trata-se de uma tecnologia social que se baseia na piscicultura, em pequenos tanques construídos com papelão, plástico ou taipa, que integra um sistema de produção de alimentos, com baixo consumo de energia elétrica e água. A criação de peixes se integra à criação de galinhas de postura, frangos de corte, codornas, preás e minhocas. Os resíduos metabólicos dos peixes, ricos em sais minerais são usados no cultivo de vegetais na forma hidropônica ou convencional em canteiros. A atividade é escalonada para aproveitamento de pequenas áreas urbanas de até 1000m2. O escalonamento da produção semanal de milho verde, feijão verde, forragem hidropônica, macaxeira, batata doce fortificada, outras hortaliças além de frutíferas como o mamão, melancia e melão caipira irrigados com a água do tanque dos peixes, garantem a sustentabilidade do sistema.

Desenvolvido pelos pesquisadores da Embrapa Meio Norte, na unidade de Parnaíba, liderados pelo Dr. Luiz Carlos Guilherme, o Sisteminha é visto como uma importante ferramenta para combater a fome e reduzir a miséria em áreas onde há escassez de água e falta de oportunidades de trabalho. Este ano, em maio, Dr. Luiz Guilherme, atendendo nosso convite, participou como palestrante do Pint of Science, um festival internacional de divulgação científica que aconteceu em Teresina (PI).

A criação dos peixes associada com outros cultivos e criação de outros animais insere carboidratos e proteínas na alimentação das famílias. A manutenção desse sistema integrado permite a continuidade da agricultura durante todo o ano, diminuindo a insegurança alimentar.

Do Piauí para o Mundo

O Sisteminha foi desenvolvido integralmente na Embrapa Meio Norte em Parnaíba a partir do Sistema patenteado pelo Dr. Luiz Guilherme, resultado da sua pesquisa de Doutorado. O projeto já recebeu reconhecimento internacional. Em 2014 o projeto recebeu na Espanha o Prêmio Innovagro, outorgado pelo IICA (Instituto Interamericano de Cooperación para la Agricultura). Em 2013 recebeu da Fundação Banco do Brasil o prêmio de destaque de projeto de cunho social, tendo sido homenageado também pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária com o Prêmio Professor Octávio Rodrigues em 2015. A qualidade do projeto foi percebida pela Fundação Bill & Melinda Gattes que financia sua implantação em cinco países da África (Uganda, Gana, Etiópia, Camarões e Tanzânia). A Revista Cidade Verde já destacou em suas páginas este importante projeto.

Como pesquisador, dá orgulho saber que nossos colegas, radicados aqui no Piauí, tem conseguido, com perspicácia, inteligência e inovação resolver problemas em escala mundial.

Quer saber mais sobre o assunto? Acesse https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/19623493/projeto-com-producao-de-alimentos-vai-alcancar-cinco-paises-da-africa e https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/1754839/projetos-ampliam-acao-da-embrapa-meio-norte-no-exterior

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