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Novidades sobre Alergia ao Amendoim

O amendoim é uma planta bastante presente na alimentação humana. Originária da América do Sul, muito provavelmente da região da Bacia do Rio Paraná e dos chacos paraguaios e da Argentina, o amendoim (Arachis hipogeae) é uma planta da família das Fabáceas, prima próxima de outras tantas plantas leguminosas como o feijão, a soja e muitas outras espécies menos populares na alimentação, tendo sua semente apreciada como alimento.

O amendoim é uma planta curiosa porque seu fruto, que é um legume, só se desenvolve se estiver enterrado no solo, chamando-se de hipógeo, ou seja, que cresce embaixo (hipo) da terra (geo). Na culinária faz parte de diferentes pratos, sendo apreciado cru, cozido, torrado ou misturado com outras iguarias principalmente como sobremesas.

Essa semente, tão apreciada entre os chamados snacks (lanche, em inglês), esconde a característica de ser desencadeadora de alergias relativamente comuns e violentas. De acordo com estudos, uma em cada 200 crianças desenvolvem algum tipo de alergia ao amendoim.

Os processos alérgicos provocados pelo amendoim vão desde pruridos (coceiras) intensas até vermelhidão da pele e inchaço (edemas) nos olhos, boca, língua, garganta, provocando crises asmáticas, conjuntivite e outros sintomas indesejados.

A novidade é que um dos comitês de assessoramento da FDA (Food and Drug Administration), agência que controla alimentos e drogas para uso humano nos Estados Unidos acabou de aprovar um tratamento para alérgicos ao amendoim. O tratamento lida com uma imunoterapia que trabalha com a administração de doses progressivas de amendoim aos pacientes, para treinar seu organismo a tolerar os alérgenos e reduzir os efeitos produzidos pela alergia aos produtos que contenham amendoim na composição. O tratamento foi desenvolvido pela Aimmune Therapeutics, uma empresa da Califórnia.

Embora a aprovação pelo comitê não indique uma aprovação da FDA, alguns alergistas norte-americanos adotem o tratamento, dada a alta incidência de pacientes alérgicos ao amendoim nos EUA, computados em aproximadamente 6 milhões de pessoas.

Que as novidades não demorem. Os estados alérgicos por vezes pegam os pacientes e médicos de surpresa.

Novo rosto dos nossos irmãos

A origem do homem é um tema muito palpitante na ciência. Já tratamos disso numerosas vezes aqui no Ciência Viva, inclusive com um dos nossos primeiros posts (reveja aqui).

Se torna palpitante e ao mesmo tempo intrigante, sabermos que somos uma espécie e diferente da grande maioria não temos espécies com um grau de semelhança maior com a nossa.

O mais intrigante disso tudo é que as descobertas arqueológicas e paleontológicas nos revelam que há 30 a 40 mil anos atrás dividíamos o planeta com outras espécies. Já é sabido, desde o século XIX da existência do Homem de Neanderthal, que viveu na Europa, tinha o corpo mais robusto que o nosso, a caixa craniana um pouco maior, porém, desapareceu. Uns defendem que foi extinto, outro defendem que se fundiram a nossa própria espécie. Outros grupos que coexistiram conosco teriam sido o Homo erectus, provavelmente da subespécie ergaster; o Homo floresiensis, a espécie anã dos seres humanos da Ilha de Flores, na Indonésia; o Homo luzonensis, encontrado a pouco tempo nas Filipinas e o Homem de Denisova, cujos fósseis, paupérrimos foram investigados profundamente, e já se sabe que de fato constituíram uma espécie distinta de todas as outras.

A novidade, publicada na Revista Science desta semana é que estudos inferenciais com base nas informações levantadas até o momento do Homem de Denisova permitiram a reconstrução artística da face deste hominídeo que guarda mistérios sobre a sua real origem.

O fóssil encontrado na caverna de Denisova na Sibéria, Rússia, dá conta de que se tratava de uma fêmea jovem que habitou a região há 75 mil anos atrás. Pesquisadores como o arqueólogo molecular Ludovic Orlando da Universidade de Copenhague, Dinamarca, achou uma abordagem inteligente a tentativa de reconstrução com base em poucos recursos, mas com evidências bastante sólidas, reunidas a partir da convergência de várias pesquisas.

O mais interessante, e o leitor do Ciência Viva deve concordar com nossa opinião, é que se encontrássemos alguém com esta aparência pelas ruas de qualquer lugar, talvez não a víssemos como alguém que pertence a uma outra espécie, diferente da nossa.

Bom domingo para todos (as)!

Pesquisador piauiense publica na Enciclopédia de Desenvolvimento Sustentável da ONU

Com o título Sustainable Infrastructure, Industrial Ecology and Ecoinnovation: Positive Impact on Society (Infraestrutura Sustentável, Ecologia industrial e ecoinovação: impacto positivo na sociedade, em tradução livre) o pesquisador piauiense Thiago Carvalho de Sousa ajudou a compor a Enciclopédia de Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, publicação financiada pela ONU e publicada pela Elsevier, lançada mundialmente no mês passado.

Fonte: www.plan.org.br.

Desde 2015 a Organização das Nações Unidas lançou a chamada Agenda 2030 com os 17 objetivos para o Desenvolvimento Sustentável do Planeta. Os objetivos são:

1. Erradicação da Pobreza;

2. Fome zero e agricultura sustentável;

3. Saúde e bem-estar;

4. Educação de qualidade;

5. Igualdade de gênero;

6. Água potável e saneamento;

7. Energia limpa e acessível;

8. Trabalho decente e crescimento econômico;

9. Indústria, inovação e infraestrutura;

10. Redução das desigualdades;

11. Cidades e comunidades sustentáveis;

12. Consumo e produção responsáveis;

13. Ação contra a mudança global do clima;

14. Vida na água;

15. Vida terrestre;

16. Paz, justiça e instituições eficazes;

17. Parcerias e meios de implementação.

O artigo da Enciclopédia publicado por Thiago foi em coautoria com a Dra. Cláudia Melo, brasileira que atua na Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, Áustria, no volume que se refere à meta número 9 que foca na Indústria, inovação e infraestrutura.

O trabalho traz uma visão referendada nas necessidades do futuro focada nos resultados econômicos, sociais e ambientais da inovação, aspectos da ecologia industrial, pesquisa e desenvolvimento e indicadores da sustentabilidade para o segmento. Trata de uma abordagem positiva do crescimento deste segmento da indústria, se primar pelo viés focado na sustentabilidade.

Arquivo Pessoal

Na foto: Thiago Sousa, Francisco Soares e Hermes 

Thiago Carvalho de Sousa é graduado e tem mestrado em Ciência da Computação pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Engenharia de Computação pela USP com estágio doutoral na University de Southampton na Inglaterra. Foi Superintendente Estadual de Ciência e Tecnologia entre 2016 e 2018 e atualmente é professor do Centro de Tecnologia e Urbanismo da Universidade Estadual do Piauí (UESPI).

Thiago é mais um piauiense que faz a diferença. Parabéns, amigo!

Boa semana para todos (as)...

Por que a crise na pesquisa pode afetar nosso futuro?

O Brasil é um gigante adormecido. O Brasil é uma das maiores potências mundiais, sem qualquer dúvida, mas possui muitos indicadores que o colocam como um dos piores países em qualidade de vida. Somos um dos maiores países em área contínua do planeta. Situamo-nos numa faixa da Terra onde a natureza nos favorece, pois além de apresentarmos a maior biodiversidade do planeta, temos um clima adequado para agricultura e pecuária. Temos riquezas minerais pujantes como ferro, bauxita, nióbio, petróleo, ouro e muitas outras riquezas. Um lugar de infinitas riquezas, mas de uma pobreza latente relacionada à forma como trata seu povo.

Apesar de acumularmos muitas riquezas, apresentamos índices educacionais vergonhosos. No Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes, o PISA, que comparou o desempenho de estudantes de 70 países, amargamos a 58ª posição no item Letramento, a 63ª em Ciências e 65ª posição em Matemática. Enquanto a média obtida na prova de Ciências pelos estudantes brasileiros foi de 401 pontos, a média dos demais estudantes que fizeram a prova foi de 493 pontos, ou seja, estamos bem abaixo da média. É como se a média da escola fosse 7 e estivéssemos com 5,5.

Como se isso não fosse um grave problema, refletido em nota de uma avaliação internacional, o atual governo anuncia cortes sobre cortes nas verbas referentes a bolsas para estudantes da educação básica, estudantes de graduação e da pós-graduação. O sistema brasileiro de pesquisas científicas é um dos mais frágeis do mundo, com bolsas de estudo com valores ínfimos. Para se ter uma ideia uma bolsa de Mestrado sai por R$ 1.500,00 e a de Doutorado, R$ 2.200,00. Estes valores são os mesmos praticados há mais de 10 anos. Mas cabe a pergunta: por que devemos nos preocupar com estes cortes?

Cerca de 99% da pesquisa no Brasil advém das universidades. Nas universidades que se prezam pratica-se o tripé de pesquisa, ensino e extensão. A pesquisa é responsável pela produção do conhecimento. O ensino é responsável pela reprodução do conhecimento para a formação de pessoas, enquanto a extensão é responsável pela disseminação/popularização deste conhecimento. Assim, tudo o que se produz de novo, em diferentes áreas do conhecimento advém da pesquisa. Ao cortar bolsas o governo está tirando oportunidades de novos talentos no Brasil se engajarem na produção de novos conhecimentos.

Praticamente tudo o que usamos no mundo atual advém de alguma pesquisa que avançou, resultando em um produto e na sua evolução. Do pão e da manteiga que comemos no café, passando pelo smartphone que não largamos, o transporte que nos conduz, enfim, tudo o que usamos. A pesquisa é a responsável por tudo isso. A pesquisa de melhoramento que gerou a variedade de trigo que faz o pão ou a linhagem das vacas que produziram o leite que foi usado para manteiga, passaram antes por um laboratório e pelas mãos de um ou mais pesquisadores, que empenharam seu tempo e, na grande maioria das vezes, foram remunerados pelas bolsas que citei acima. Mas basicamente, das coisas que citamos, quase tudo vem de fora. Os smartphones, por exemplo, resultaram de parcerias entre grandes empresas que os lançaram comercialmente com universidades que geraram recursos como o touchscreen, por exemplo, bem comum nos aparelhos que se usam na atualidade, em algum lugar nos Estados Unidos, Japão ou Coreia do Sul.

Um exame rápido na balança comercial brasileira vai nos mostrar o quanto nossa economia se vincula as nossas riquezas particulares desta nação-continente: dos 10 principais produtos que mais vendemos apenas um advém do conhecimento científico: aviões produzidos pela EMBRAER. Os demais são resultado do favorecimento da natureza que falamos lá no primeiro parágrafo.

Os cortes das bolsas não vão comprometer a geração atual. O corte vai comprometer as próximas gerações de brasileiros.

Até a próxima...

VII Simpósio de Diversidade Biológica do Piauí

Um importante evento científico local, Simpósio de Diversidade Biológica do Piauí, terá início amanhã, 09 de setembro, no Auditório do ISEAF, antigo Instituto de Educação Antonino Freire, na Praça Firmina Sobreira, S/N, Bairro Matinha.

Este é um evento organizado pelos professores e estudantes dos Cursos de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e está na sua sétima edição. O evento é anual e a cada ano ocorre em um dos Campi da UESPI que oferece curso na área de Ciências Biológicas. Este ano a organização ficou ao encargo de professores lotados no Campus Poeta Torquato Neto, liderados pela Profª Drª Francielle Aline Martins.

A programação é bem vasta e apresenta novidades em diferentes campos das Ciências Biológicas. Parte do evento ocorrerá no ISEAF e parte da programação em locais do Campus Poeta Torquato Neto, na UESPI.

Segue a programação, ainda dá tempo de se inscrever para participar.

Programação

Segunda-feira – 09 de setembro

Local: Auditório do ISEAF

8:00 às 09:00h – Credenciamento

9:00 às 10:00h – Abertura do evento

10:00 às 12:00h – Palestra 1: Atuação do Biólogo e o Meio Ambiente - Prof. Dr. José Roberto Feitosa Silva

14:00 às 16:00h – Palestra 2: Homem x Meio ambiente x Doenças tropicais - MSc. Kerla Joeline Lima Monteiro

16:00 às 18:00h – Mesa redonda 1: Biotecnologia e Meio Ambiente – Dr. Paulo Sarmanho da Costa Lima; MSc. Samara Raquel de Sousa & Dra. Thaís Yumi Shinya.

 

Terça-feira – 10 de setembro

Local: Auditório do ISEAF

8:00 às 10:00h – Palestra 3: Ibama: 30 anos de combate aos ilícitos ambientais - M.Sc. Euller Martins Paiva

10:00 às 12:00h – Mesa redonda 2: Monitoramento Ambiental - Dr. Ícaro Fillipe de Araújo Castro; Dr. João Marcelo de Castro e Sousa & Dra. Tatiana Vieira Souza Chaves.

14:00 às 18:00h

Minicursos:

· Extração de DNA vegetal e eletroforese – UFPI.

· A Genética e suas faces matemáticas – UESPI, setor 17, Sala 03.

· Cometa em Drosophila melanogaster – UESPI, setor 16, LabGene.

· Aprendendo a Ciclagem de nutrientes através da montagem de terrários – UESPI, Geratec, LaBioVeg.

· Confecção de matérias a partir de recicláveis – UESPI, setor 16, Sala 03.

· Culinária com Algas – UESPI, setor 16, Laboratório de Ficologia.

· Atividades práticas com materiais de baixo custo para o ensino de Biologia – UESPI, setor 17, Sala 04.

 

Quarta-feira – 11 de setembro

08:00 às 12:00h

Minicursos:

· Introdução à análise estatística utilizando o programa Statistica 8.0 – UESPI, setor 16, Sala 03.

· Noções básicas de montagem e identificação de insetos – UESPI, setor 16, Lab. de Zoologia.

· Manejo de répteis – Zoobotânico.

· Práticas com germinação e reações vegetais a estímulos do meio – UESPI, Geratec, LaBioVeg.

· Uso do óleo de cozinha descartável na produção de saponáceo – UESPI, setor 16, LabGene.

· Ferramentas tecnológicas aplicadas ao ensino de Biologia – UESPI, setor 17, Sala 03.

14:00 às 16:00h

Local: Auditório do ISEAF

Mesa redonda 3: A pós-graduação na região Meio-Norte - Dr. Fabrício Pires de Moura do Amaral; Dr. José Evando Beserra Júnior; Dra. Thaís Barreto Guedes & Dra. Roseli Farias Melo de Barros.

16:00 às 18:00h – Palestra 4: Educação Ambiental não formal - Dra. Kelly Polyana Pereira dos Santos.

 

Quinta-feira – 12 de setembro

8:00 às 10:00h - Palestra 5: A ética na pesquisa científica – Dr. Antônio Luiz Maia Filho

10:00 às 12:00h – Mesa redonda 4: Intervenção do homem no ambiente consequências e remediação – Dra. Lissandra Corrêa Fernandes Góes; Dr. Davi Lima Pantoja Leite & Dr. Hermeson Cassiano de Oliveira.

Local: Praça do CCN / UESPI

14:00 às 16:00h – Apresentação dos banners: Resumos.

16:00 às 18:00h – Apresentação dos banners: Trabalhos completos.

Local: Auditório do GERATEC / UESPI

18:00 às 19:00h – Concurso de talentos musicais.

 

Sexta-feira – 13 de setembro

Local: Auditório do ISEAF

8:00 às 10:00h – Palestra 6: Metodologias ativas no ensino de ciências/biologia – Dra. Francilene Vieira da Silva Freitas.

10:00 às 12:00h – Mesa redonda 5: Medos, Desafios, Frustrações e Alegrias na vida acadêmica - MSc. Shirliane de Araújo Sousa; Dra. Maria de Jesus Passos de Castro & MSc. Albino Veloso de Oliveira.

Local: Praça da Biologia / Setor 16 / UESPI

14:00 às 16:00h – Biologia na Praça.

16:00 às 17:00h – Encerramento e premiação

Boa semana para todos (as)

 

Barbeiros na Grande São Paulo

Quando eu trabalhava no Ensino Médio sempre me preocupava em ensinar sobre os vetores de doenças tropicais como no caso da Doença de Chagas. Especificamente nesta doença achava importante falar do barbeiro como inseto vetor do protozoário Trypanosoma cruzi.

A doença sempre foi associada à pobreza e as condições de moradias, pois os barbeiros se escondiam em frestas de casas de pau-a-pique. A doença de Chagas sempre foi considerada uma doença típica das regiões mais pobres do Brasil, como o Norte e o Nordeste.

Um dado estarrecedor tem preocupado cientistas brasileiros, pois na atualidade alguns tipos de barbeiros estão se espalhando por várias cidades da grande São Paulo, como Taboão da Serra, Embu das Artes e Carapicuíba. Acompanhe o vídeo produzido pela equipe da Pesquisa FAPESP falando sobre o assunto.

Até a próxima…

O primeiro bicho foi carnívoro

Estudos publicados na revista Science desta semana apontam para uma pesquisa dirigida pelo biólogo evolutivo John Wiens da Universidade do Arizona (EUA). Ele e sua equipe examinaram as informações de cerca de 1.000 espécies de animais, viventes de cerca de 800 milhões de anos atrás pra cá, o que inclui vertebrados diversos e um grupo 140 besouros.

Coanoflagelado. Fonte: Wikipédia.

O resultado do estudo culminou com uma árvore genealógica gigantesca mostrando muitas das interrelações entre as diferentes espécies e apontando para o ancestral de todos os animais como uma espécie que se alimentava de protistas (grupo que inclui protozoários). A ideia é que este primeiro organismo era um mini carnívoro. Teria o formato da célula base das esponjas e se alimentava de outros micro-organismos.

De acordo com Duncan Irschick, ecologista evolucionário da Universidade de Massachusetts em Amherst, a pesquisa é uma provocação a ideia mais aceita de que os primeiros animais eram herbívoros. Todavia Wiens aponta dados estatísticos robustos de que 63% das espécies atuais são carnívoras, contra 32% de espécies apenas herbívoras. Outros pesquisadores acham factível que Wiens esteja correto nas suas análises.

A discussão se alimenta de uma particularidade: a maior parte dos organismos não consegue digerir a celulose, o componente mais importante das plantas, sendo o açúcar mais abundante da natureza. As adaptações para ingestão deste componente presente na parede celular das plantas constituem-se em uma grande exceção.

Wiens alerta que as dietas herbívoras não tem como evoluir, mesmo que as plantas apresentando-se como muito abundantes. Para ele, veganos e vegetarianos precisam investir fortemente em frutos e sementes, de onde conseguem extrair proteínas importantes e açúcares digeríveis como o amido.

Boa semana para todos(as)!!!

E o futuro?

Dia desses escrevi aqui sobre STEAM como uma das saídas educacionais para o futuro, exatamente porque o mundo está mudando muito rápido e a educação precisa focar-se numa forma favorecer os estudantes que estão hoje na escola. Se quiser rever clique aqui. Mas porque devemos nos preocupar com isso? Porque será a escola do presente que formará as crianças do futuro, simples assim. E em um mundo em constante metamorfose não dá para “deixar as coisas como estão e pagar para ver”. Nem é possível prevê de fato o que vai acontecer. Isto é simplesmente impossível!

Se recuássemos no tempo alguns anos perceberíamos como o mundo dos negócios e o mundo do trabalho mudaram radicalmente. Há 22 anos uma das diversões das famílias com algum poder aquisitivo era alugar filmes. Lembro que na véspera dos feriados ia para locadora de fitas de vídeos e concedia aos meninos a escolha de títulos para ocupar parte do feriado. Saía com a mão repleta de filmes para entretenimento da família. Muito filme e muita pipoca. Neste período, se precisasse viajar tinha que recorrer a listas de hotéis das páginas amarelas do catálogo telefônico ou a indicações de amigos. E chegando em qualquer lugar e quisesse me deslocar sem depender do sistema público de transporte a saída seria fretar um táxi.

Listei três coisas que fazíamos há bem pouco tempo e que hoje são completamente diferentes. Praticamente não existem mais locadoras de vídeo em VHS, que em pouco tempo, foram substituídas por DVDs e estes só subsistem por romantismo de algumas pessoas. O Netflix, empresa surgida em 1997, foi uma das principais responsáveis por esta mudança de paradigma. Em outro ponto, as redes de hotéis tiveram que se adaptar aos novos tempos onde muito apelam para Air Bnb (empresa fundada em 2008), como uma das formas mais baratas e inteligentes de se hospedar, pois este aplicativo aluga desde imóveis completos, mobiliados, por um período curto, até a uma simples cama. Enquanto o Uber (empresa fundada em 2009) e outras empresas, concorrentes, similares, democratizaram e baratearam muito o sistema de transportar pessoas, gerando uma alternativa de ganhos para muitas motoristas, em todos os lugares do mundo.

Nestes três exemplos estou citando como o mundo mudou na perspectiva de três segmentos: locadoras de vídeos, hotéis e motoristas de taxi. Nos três exemplos estão aplicativos de base tecnológica, que começaram pequenos, por uma ideia de poucas pessoas, mas que se tornaram gigantes capazes de influenciar mudanças na cultura das pessoas e, principalmente, um redirecionamento dos gastos econômicos com as três necessidades. Mas a escola de 20 atrás estava prevendo estes tipos de ocupações, estas mudanças que estamos vivendo hoje? Com toda certeza que a resposta é NÃO. E o que virá pela frente?

No Brasil, o que vemos são instituições escolares se perguntarem a toda hora porque os resultados dos nossos estudantes são tão pífios nos exames que investigam a qualidade da educação no mundo, como é o caso do PISA. Mas a preocupação dos pais não é essa. A preocupação de quem tem filhos hoje é: o que meu filho vai ser quando crescer? Este mantra cantado na infância de todos nós, hoje, é uma pergunta que martela na cabeça de muitos pais. Algumas pessoas, inclusive, temem a paternidade/maternidade exatamente por esta dúvida mais que cruel: o medo do futuro.

As escolas precisam abrir os olhos para a Inovação. As mudanças do mundo só poderão ser acompanhadas se as crianças que estão na escola aprenderem a superar barreiras, a resolver problemas ou a inovar. São as palavras-chave para formação das pessoas para o futuro. Tudo o que se vê na escola de hoje é importante, sem qualquer dúvida. Mas a pergunta que não quer calar: será que tudo o que a criança vê na escola hoje é necessário?

As mudanças previstas para estruturação na organização da forma de ensinar, previstas pela legislação brasileira em curso, apontam nesta direção. A própria estruturação do Novo Ensino Médio traz como um dos componentes, para ser trabalhado transversalmente, o Empreendedorismo, por exemplo. Uma evolução em relação aos Parâmetros Curriculares Nacionais que há duas décadas já falavam em transversalidade. O mundo mudou e a educação precisa acompanhar tudo isso. Se isso não acontecer vem a pergunta que não quer calar: E o futuro?

Boa semana a todos(as)...

Opinião: PRESENTE-SE

Desde o final do ano passado observo as movimentações políticas após a eleição do atual Presidente do Brasil. Político com pouca ou nenhuma expressão, sem uma definição ideológica real, como a grande maioria dos políticos brasileiros, eleito em uma conjuntura totalmente favorável para os menos preparados e metidos a salvadores da Pátria, o Presidente começou a bravatar muito antes de tomar posse.

Fez uma escolha que não considero ruim para o Ministério da Ciência e Tecnologia, o que inclusive escrevi sobre o tema aqui. Para o cenário prometido de terra arrasada, escolher alguém que sabe sobre a importância do desenvolvimento científico, aos meus olhos soaram com certo otimismo.

O Presidente foi escolhendo os membros do seu Ministério, ao mesmo tempo soltando “pérolas” que, na minha opinião, somente confirmam sua incompetência para o cargo que ocupa num espetáculo de fanfarronice. Fez uma péssima escolha para o Ministério da Educação, que caiu por mera incompetência. E as bravatas com cortes anunciados seguiram pelos primeiros dias de gestão. Tira um bilhão daqui, corta outro bilhão dali...

O MEC ganhou um novo ministro: pior do que o primeiro e que pode ser “traduzido” por uma única frase de Galileu Galilei: “Quanto menos alguém entende, mais quer discordar”. Enquanto isso mais cortes sendo anunciados e atingindo segmentos da educação superior e da educação básica. Reitores das universidades correndo para seus púlpitos para anunciar medidas de austeridade para suportar os futuros tempos de escassez.

Bravata após bravata do Presidente e dos seus assemelhados, ocupando a mídia e tirando a atenção do grande público que em 2013 por causa de 20 centavos nas passagens de ônibus, soube criar um estardalhaço em nível nacional, comparável à primavera árabe, mas que agora permanece bovinamente imóvel. Ataques planejados contra a ciência: Ministro das Relações Exteriores atribui aumento do aquecimento global a existência de estacionamentos próximos às estações meteorológicas (pasmem!). Ministro do Meio Ambiente, depois o próprio Presidente, censurando o dirigente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre os avanços incontestáveis do desmatamento na Amazônia. Um descalabro!

Agora o efeito das cascatas de cortes: CNPq anunciando que não tem recursos para bolsas! Para desespero de pesquisadores e estudantes que recebem estas bolsas para produção de conhecimento científico. As redes sociais nas quais me relaciono com cientistas de todo o Brasil só se veem lamentos: “meu projeto parou!” “Meus bolsistas não tem condição de continuar!” “Até hoje não recebi nenhum tostão do [projeto] Universal!” Semana passada ouvi de uma estudante bolsista no corredor da Universidade em que trabalho: “Professor o senhor já tinha visto isto acontecer?” Não.

Desde a década de 1990, quando fui bolsista do CNPq, nunca tinha visto e nem ouvido falar nisso. Não estou espantado porque vi crescer o movimento que levou este político ao poder. Porque vi pessoas brigando entre si: metade para defender este lado ogro e metade para defender o outro lado.

Registro hoje aqui minha indignação. Não contra o Presidente, mas contra quem de boca cheia o chama de Mito. De fato é um Mito quem ousa de uma só tacada cortar 84 mil bolsas de Iniciação Científica que custam míseros 400 reais. Interrompendo mais de 84 mil sonhos, porque muitos destes bolsistas ajudam em pesquisas e descobertas importantes. O pior: ainda vou me deparar com estúpidos encontrando um meio de dizer que, ainda assim, o Mito “mitou”.

O MEC anunciou há poucos dias um programa chamado FUTURE-SE para as Universidades. Ainda não olhei ao certo o que programa diz. Os reclames na TV anunciam a oitava maravilha da natureza. Já vi alguns dizendo que é uma forma de cassar a autonomia das universidades. Em outro momento vi IES anunciando que não aderirão e que ao mesmo tempo terão verbas reduzidas. Mas não li isso em nenhum documento, apenas vi reverberarem nas redes sociais.

A ideia de financiamento privado na pesquisa nunca foi totalmente estranha para mim. Em 2013 estive quase integrando uma missão internacional da Associação Brasileira de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (ABRUEM) para a Coreia do Sul. Tive que ler muito sobre o assunto. Sobre o que as multinacionais coreanas com LG, Hyundai, Kia, Samsung e outras fizeram e revolucionaram universidades coreanas na parte de tecnologia, principalmente. Do pouco que li sobre o FUTURE-SE algumas coisas se assemelham. Mas o pior dos contratos sempre está nas letrinhas miúdas, as quais infelizmente não pude lê-las, por isso é temeroso fazer algum juízo de valor, na condição de cientista. Todavia, mesmo sem conhecer os detalhes da proposta, sórdidos ou não, já posso emitir uma opinião: ao cortar as bolsas de pesquisa agora, o FUTURE-SE não existirá.

Não existe futuro, sem presente. O projeto da vez é PRESENTE-SE. Salvem o CNPq. Salvem a pesquisa científica no Brasil.

Piauí Betta Show 2019

Você conhece o peixe Betta? A espécie Betta splendens é a principal, que reúne um monte de espécimes asiáticos, de colorido intenso e nadadeiras graciosas. Esta espécie é conhecida dos aquaristas pela sua beleza e pela ferocidade. Sim! Os bettas são peixes que brigam bastante, por isso, em geral, são criados em aquários individuais, chamados de betteiras.

Fonte: Jornal da Ciência.

Se você nunca viu um Betta de perto ou quer ver muitos destes animais em uma exposição a oportunidade será neste próximo final de semana: de 16 a 18 de agosto próximo, no Shopping Riverside, ocorrerá a Piauí Betta Show 2019. Lá, criadores de todo o Brasil, estarão expondo animais e ocorrerá a 5ª etapa do Circuito Norte e Nordeste de Bettas de Linhagem – Nordbettas’2019, uma competição para criadores de Bettas. Ao todo serão julgadas 11 categorias para machos e sete categorias para fêmeas de Bettas. A competição está muito acirrada e atualmente existem dois criadores piauienses entre os 10 primeiros colocados do Nordbettas 2019.

Eu conversei com Professor e Biólogo Gilberto Vieira, um amigo de longas datas, que está em 8º lugar na competição empatado com um criador de Canoas (RS), e enfatizou a importância da realização do evento aqui em Teresina. Ano passado esta etapa foi realizada em Fortaleza (CE), mas os organizadores estão apostando no sucesso do evento, que trará três juízes de outros estados para avaliação dos Bettas nas categorias. Gilberto, que é um campeão de várias destas categorias está confiante de que vai melhorar sua posição no ranking da competição.

Gilberto Vieira, criador de Bettas. Foto: F.S.Santos-Filho

Convite feito!!!

Até a próxima...

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