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Banho de ofurô limpa, relaxa e provoca analgesia no bebê

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Banho de ofurô não é mais novidade entre mães e profissionais da saúde. Antes era usado para higiene de crianças pequenas ou como alternativa à piscina nos dias de muito calor, hoje tornou-se um complemento de uso diário e substituto definitivo da banheira tradicional, sendo usados em bebês do nascimento até os 6 meses de idade, com a função de higiene, relaxamento e também analgesia. Cabe a nós pediatras, enfermeiras e obstetrizes orientar essas novas mães em relação aos benefícios e à técnica desse banho. A partir do sexto mês de gestação, os bebês desenvolvem a memória, e até os 9 meses de vida, serão capazes de recordar as sensações intrauterinas. Assim, quando entrarem em contato com a água, logo se lembrarão de um ambiente protegido, aquecido, escuro e da posição fetal em que costumavam ficar.


Quando colocamos o bebê em contato com a água em uma banheira normal, logo ele irá recordar de quando estava no útero materno, contudo não reconhecerá a posição e o ambiente, o que pode- rá ser motivo de insegurança, estresse e até cólicas após o banho. Muitas vezes, ele enrijece e retorce o corpo, fecha as mãos e chora. Esse momento que deveria ser agradável, torna-se estressante, tanto para o bebê quanto para os pais. O que nós podemos fazer para ajudá-los? Pensando nisso, obstetras e enfermeiras em maternidades na Holanda, em 1997, criaram um ofurô, ou uma banheira terapêutica, capaz de transmitir aos recém-nascidos e lactentes até os 6 meses de idade a mesma sensação do útero materno, tornando o banho um momento prazeroso, de relaxamento e analgesia, melhorando o choro, a agitação, a insônia e também as temidas cólicas. Devemos orientar os pais que o banho higiênico não precisa ser demorado, basta tempo suficiente para tirar a sujeira e a pele que descama e se acumula no corpo.


Já o banho relaxante ou terapêutico pode e deve ser mais longo, permitindo que o bebê fique mais tempo na água, como ocorre nos banhos de ofurô, nos quais a imersão é feita em água morna. A tem- peratura deve estar entre 36o e 37o C e, como a área de superfície da água é bem reduzida, não esfria tão rapidamente, deixando os pais e os bebês com mais tempo para aproveitar o banho. Importante salientar que o banho de ofurô pode ser dado desde os primeiros minutos de vida, ainda na sala de parto, até 6 meses de idade, ou até quando o bebê ainda couber dentro do ofurô e não conseguir ficar em pé. Mas para que o banho tenha suas propriedades terapêuticas, como relaxamento e analgesia, a técnica deve ser orientada de forma correta. O bebê deve ser encaixado no fundo, como se estivesse sentado. A água deve estar, no máximo, até os ombros após ele entrar totalmente no ofurô, por isso devemos respeitar a linha máxima do nível de água que está determinadana banheira, visto que o mais indicado, é que o bebê fique com a água dois dedos abaixo desse nível. É muito importante nunca deixar o bebê flutuar na água.


Na posição sentada, o formato circular do ofurô ajuda a dar apoio e a transmitir segurança ao bebê. Com uma das mãos, deve-se apoiar a cabeça abai- xo do queixo, para que não caia na água (até que o bebê tenha a capacidade de sustentar a cabeça so- zinho, o que ocorre por volta dos 3 meses de idade), deixando a outra livre para o banho. Nas primeiras semanas pode ser necessária a ajuda de outra pessoa até que o bebê fique mais firme ou que se obtenha a prática. Enquanto uma segura, outra passa o sabonete e faz a higiene. Outra questão importante é orientar os pais quanto ao uso dos sabonetes ideais. Os bebês precisam de produtos desenvolvidos especialmente para eles. Deve-se usar sabonetes neutros e de fórmulas suaves, que não irritam os olhos e a pele sensível, diminuindo o risco de dermatites de pele e irritações oftálmicas. O sabonete líquido glicerinado é o ideal para lavar o bebê da cabeça aos pés. Embora não haja pesquisas que comprovem todos esses benefícios, existem algumas hipóteses para que os bebês fiquem tão calmos e sem choro durante o banho, quais sejam, a posição semelhante à intrauterina em que o bebê fica ou o fato de ele estar submerso do pescoço para baixo. Na prática, o que nós médicos, profissionais da saúde e pais observamos é uma boa resposta ao banho de ofurô, tornando os bebês mais tranquilos e seguros.


(Escrito por Dr. Marcelo Reibscheid)

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