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IML vai investigar as causas da morte dos presos na Cadeia de Altos

O médico legista Antônio Nunes deve analisar nesta quinta-feira (04) os protocolos clínicos dos detentos que recentemente morreram sob suspeita de intoxicação na Cadeia Pública de Altos. 

A Secretaria de Justiça confirmou a morte de seis detentos. Até a última segunda-feira (01), a informação é de que 25 presos continuam internados. 

As hipóteses sobre a causa da morte estão voltadas para leptospirose ou a presença de substância tóxica na água disponível aos presos na unidade prisional.  Os protocolos também indicará se será necessário ou não fazer a exumação dos corpos. 

"Vamos analisar e ver quais dessas teses tem rumo. Orientar quem está investigando na área judiciária e ao Ministério Público. A Perícia faz a prova material: foi tal substância? foi ela ou não? é capaz de provocar um óbito? é capaz de provocar os sintomas? Avaliamos também o local, é uma coisa que pode ser feito. Após tudo isso, a gente diz: morreu por isso ou teve isso e no local tinha isso ou não. Uma vez que você diz o que ocorreu vai caber delegado e ao Ministério Público dizerem as responsabilidades", disse

Exame toxicológico

Sobre a realização de exames toxicológicos, o coordenador do IML, Antonio Nunes, ressalta que é preciso pedir com detalhe, pois não existe um "exame toxicológico geral".  Alguns exames, segundo conhecimento do médico legista, já foram realizados pelo Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública do Piauí)

Os exames cadavéricos já foram realizados. Ele explica que quanto mais o tempo passa mais fica difícil analisar a presença de doses de droga no sangue e outros órgãos do corpo. Apesar dessa situação, o material coletado em detentos que conseguiram se recuperar - ou ainda estão em tratamento - deve ajudar no diagnóstico. 

"Em geral, nesse tipo de coisa, em uma penitenciária fechada, a gente investiga algumas coisas, uma delas é a fonte de água (saber se tem minérios, algas, vegetais, gases); em termo de contatos, os inseticidas em geral; pode pensar em outra situação qualquer infecciosa, doenças transmitidas por animais, enfim, é uma série de coisas, precisa ser delimitado para fazer um toxicológico com finalidade forense".

Nunes destaca que a requisição do exame toxicológico - que deverá ser feito fora do Piauí devido ausência de laboratório específico - ficará a cargo da Polícia Civil e do Ministério Público.

"A análise dos material será repassado para o Ministério Público do Piauí e para a equipe de investigação da Polícia Civil do Piauí. Eles vão decidir o que requisita. A requisição, na verdade, é deles, mas a gente orienta enquanto perito. Nos parece que o caminho natural é pedir para outro estado, e também não é todo estado que faz". 


Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com 

 

 

Carlienne Carpaso
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