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Três são indiciados no caso do garoto achado em cela; penas podem passar de 20 anos

Três pessoas foram indiciadas no caso do garoto de 13 anos encontrado em uma cela da Colônia Agrícola Major César Oliveira, presídio que abriga detentos do regime semiaberto no Piauí. Somada as penas do pai Gilmar Francisco Gomes, da mãe Sebastiana Rodrigues Gomes e do detento José Ribamar Pereira Lima ultrapassam 20 anos. 

O inquérito foi protolocado no Fórum Desembargador Odorico Rosa nesta segunda-feira (30), pelo delegado Jarbas Lima, titular do 14º DP. A partir de agora, caso será analisado pelo Ministério Público que deve denunciar os indiciados a Justiça. 

Ao todo foram ouvidas quase 20 testemunhas. O inquérito policial tem mais de 280 páginas. 

A Polícia Civil concluiu que tanto o garoto de 13 anos, que foi encontrado embaixo da cama do detento, como os três irmãos dele não sofreram violência sexual. Contudo, foi comprovado que as crianças já haviam dormido na penitenciária outras vezes quando o pai estava preso. 

"Recebemos o laudo definitivo que confirmou que não houve estupro. Ouvimos várias pessoas para concluir o inquérito. Conselheiros tutelares de várias cidades também participaram. O pai e a mãe foram indiciados por quatro crimes e o detento por três", disse Jarbas Lima. 

Delegado Jarbas Lima

O pai e a mãe do garoto foram indiciados por abandono de incapaz majorado; permitir alguém menor de 18 anos sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância, frequente casa de jogo um mal-afamada ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida; submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento e dispor a vida ou saúde de outrem. 

Já José de Ribamar pelos crimes de abandono de incapaz; submeter criança ou adolescente sob sua autoridade; guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento e dispor a vida ou saúde de outrem. 

No inquérito, o delegado considera ainda que o garoto foi obrigado a ficar na penitenciária e que poderia ter sido molestado sexualmente, uma vez que, o adolescente ficou em uma cela com um suspeito de estupro. 

"José de Ribamar já respondia a processo por crime de abuso sexual a menores. O garoto ficou sozinho na cela com esse detento, ou seja, em um ambiente propício para o crime", ressalta o delegado.

O pai do garoto permanece preso e o detento foi transferido de unidade prisional. O delegado havia representado pela prisão preventiva da mãe, mas a Justiça negou. O adolescente e os irmãos continuam em um abrigo. 

 

Graciane Sousa
gracianesousa@cidadeverde.com