Cidadeverde.com

Edificações que abrigaram cadeias viram centros culturais no Piauí

Ressignificar, dar outro sentido a um fato ou espaço marcado por algo negativo ou sofrimento. No Piauí, quatro antigas cadeias públicas foram reformadas – e ressignificadas – para abrigar casas de cultura.

Em Jerumenha, a cadeia de 1851, hoje, é o Espaço Cultural Amélia de Freitas Beviláqua. O prédio, que estava abandonado há anos, ganhou reforma e um investimento de R$ 186 mil do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

O nome da casa homenageia a escritora e jornalista Amélia Beviláqua, nascida em 1860, em Jerumenha. “Era um prédio abandonado, em ruínas, que podia servir para abrigar um espaço de cultura para a cidade. No início de 2020 conseguimos concluir esse projeto e entregar a obra para a população de Jerumenha”, diz o secretário de Estado da Cultura, Fábio Novo.

A ideia de transformar antigas cadeias em espaços culturais não parou por aí. Um ano depois, foi entregue em São Raimundo Nonato o Espaço Cultural Hamilton Barreto. Foram investidos quase R$ 600 mil na obra. “É um local de valorização da cultura de São Raimundo Nonato. Além da recuperação de toda a estrutura física, foi criada sala para aulas de teclado e violão. As artesãs da cidade ganharam um cantinho especial, para expor seus produtos e para ministrar oficinas de artesanato”, completa o secretário.

O nome do espaço é uma homenagem ao músico Hamilton Barreto de Araújo, que nasceu em 1928, em São Raimundo Nonato. Hamilton foi um grande estudioso da música, possuía profundo conhecimento teórico, era compositor e multi-instrumentista. A obra incluiu a recuperação das estruturas das paredes, teto e recuperação do forro, do piso, pintura da área externa e interna, além das instalações hidráulicas e sanitárias, acessibilidade e recuperação de toda rede telefônica e informática.

Em São João do Piauí, a Biblioteca Osvaldo Santos, onde antes também funcionava uma cadeia da cidade, ganhou reforma e modernização com apoio do Sistema de Incentivo Estadual à Cultura (Siec).

Ao Norte do Piauí, em Campo Maior, a cadeia de 1856 vai abrigar a Casa de Formação Cultural de Jovens e Crianças. A iniciativa leva o ensino da música para cerca de 60 crianças e jovens da cidade e é uma ação da Associação Juventude Solidária, por meio do projeto Lar da Juventude.

Eles foram contemplados com recursos da Lei Aldir Blanc e, com isso, transformaram o prédio antes abandonado, doado pela Prefeitura, num espaço de arte.

“Trata-se de um prédio histórico que mantém seus traços arquitetônicos. As portas e janelas foram restauradas pelo Mestre Dico. Com o dinheiro da lei, o grupo adquiriu também novos instrumentos musicais e vai poder pagar bolsas para os professores da instituição. É mais uma antiga cadeia que perdeu suas celas e ganhou salas de aulas. O ensino da música vai espantar a tristeza, a tortura e a solidão que um dia fizeram parte desse espaço”, finalizou o secretário da Cultura, Fábio Novo.

Da Redação
[email protected]