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Firmino Filho defende isolamento social por mais uma semana

Foto:Ascom/PMT

O prefeito Firmino Filho (PSDB) voltou a usar as redes sociais para se manifestar em defesa da política de isolamento social, no combate à pandemia do coronavírus. Em uma live na manhã desta sexta-feira (27), o prefeito afirma que Teresina precisa de mais uma semana de isolamento e diz que o chamado “isolamento vertical” é uma falácia. 

“Nós precisamos manter a próxima semana com a cidade dentro de casa. Vimos muita gente saindo hoje de casa. Não é o nosso conselho, não é a nossa demanda”, assegurou Firmino Filho.

O prefeito alertou que os números de casos confirmados pode não refletir a real circulação do vírus no território piauiense.

“Não sabemos como está o vírus no Piauí, em Teresina. Esses testes que estão sendo divulgados são em pessoas que estão internadas em hospitais. Fora dos hospitais, como está a situação do vírus? Nós não sabemos”.

Firmino Filho disse ainda que o número de testes enviados a Teresina é insuficiente e cedido “à conta gotas”. Ele defende a testagem em massa da população para mapear a contaminação da doença, o que exigiria um número de testes na casa dos milhares.

“Para que a gente possa dar um passo seguro, a gente tem que fazer testagem desse vírus em massa”, disse Firmino que revelou estar buscando alternativas para aquisição de exames na iniciativa privada, ainda que com valor mais caro. 

Ceará em crise

Firmino Filho apontou a situação do vizinho estado do Ceará e os riscos de chegada ao Piauí. O estado é o terceiro maior em número de casos confirmados e já registrou mortes em decorrência do Covid-19.

“Vamos ter calma, serenidade. Vamos nos manter em casa. Só saia de casa quando for de extrema necessidade”, reforçou.

Economia

Sobre os reflexos econômicos das medidas de contenção sanitária, Firmino foi ríspido.

“Vida não tem como ressuscitar. Economia a gente pode aquecer mais na frente”, disse. O prefeito lembrou que está em seu quarto mandato e que este é o seu maior desafio. “É a mais grave crise que nós enfrentamos em toda a nossa história. Nunca pensei passar por um momento como estamos passando nas últimas semanas”, disse.

Projeções para casos de infectados

Firmino Filho faz projeções sobre número de mortes e alerta que a prioridade no momento seja a preservação das vidas acima das preocupações econômicas. 

“Não é só Teresina. É em todo Brasil, na Europa e nos Estados unidos. Essas medidas são tomadas porque é um problema do globo. Temos que deixar claro a natureza da crise sanitária que enfrentamos. Não é uma gripizinha, É algo sério e grave. Se iniciou na China e foi se espalhando. Sabemos que ele tem letalidade em torno de 1%. O problema nem é a letalidade, que já é grave, mas a rapidez de propagação. Sem medidas restritivas, se deixarmos o vírus solto, sem nenhum tipo de restrição, vamos ter rapidez de propagação e 60% da população será infectada e 1% será levada a obtido. Se pegarmos um país com 1 milhão de habitantes, 600 mil pessoas são 60%, 6 mil pessoas irão morrer. Imagine quantas pessoas vão procurar os hospitais. Isso é sério, não é brincadeira. Estamos falando de vidas. Estamos falando dos nossos entes queridos. É uma coisa séria. O isolamento é a única alternativa”, destacou.

Isolamento vertical

A possibilidade de adoção do isolamento vertical foi duramente criticada pelo prefeito. “Isolamento vertical é quando se separa o grupo de risco como idosos. Primeiro é importante dizer que essas experiências não funcionaram. A Inglaterra e Holanda são casos típicos de que não funciona. NÉ impossível não haver contato entre idosos e mais novos. O isolamento vertical até aumenta a propagação entre os mais novos, que se tornam vetores de vírus para os mais velhos. Na Inglaterra o primeiro-ministro está doente. Eles imediatamente suspenderam o isolamento vertical e isolaram todos, porque viram que não funciona. A alternativa de isolamento vertical é uma falácia”, disse. 

Com relação à crise econômica, Firmino alerta que mesmo sem o isolamento era iria acontecer. Segundo o prefeito, que é economista, quando a crise se agravar no país, as pessoas deixaram naturalmente de circular por medo. Com isso, a crise aconteceria de qualquer forma. 

“É preciso ter alinhamento das autoridades sanitárias. As medidas preventivas causam uma crise econômica? Podem causar. Dependem das reações das autoridades econômicas. Por não liberam o isolamento? O problema não é causado pelas medidas restritivas, mas pelo vírus. Se ele estiver circulando, as pessoas não vão circular por medo. As pessoas ficarão com medo e deixarão de circular. Toda grande pandemia tem graves consequências econômicas. Temos uma crise sanitária que vai gerar uma crise econômica. Se não houver isolamento, teremos uma crise econômico com um monte de mortes. Isso é duro, mas é necessário para preservar vidas. Crise econômica se tem como enfrentar, agora os médicos não podem ressuscitar uma vida. Temos que ter consciência. Precisamos fazer esse enfrentamento”, afirmou.


Lídia Brito e Valmir Macêdo
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