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Hospital garante que empresário morto com Covid-19 recebeu cloroquina

Foto: Roberta Aline

O Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela esclareceu que o empresário Oderman Bittencourt, que morreu diagnosticado com a Covid-19, passou por tratamento com cloroquina. Nesta terça-feira (31), o hospital divulgou uma nota após circulação de um áudio nas redes sociais em que o empresário faz apelo pelo remédio. 

Em nota, o Hospital Natan Portela detalhou o histórico de atendimento do paciente desde a sua primeira chegada ao local no dia 20 de março de 2020. Inicialmente, o empresário "não tinha indicação clínica e nem tinha interesse em permanecer no ambiente hospitalar". 

O empresário retornou ao Natan Portela no dia 24 de março com "queixa de falta de ar (dispnéia), porém sem sinais de gravidade ou instabilidade clínica". A gravação, segundo a direção do hospital, foi gravada neste dia pelo paciente, que também apresentou "quadro de ansiedade importante e pico hipertensivo".

O tratamento com o esquema da cloroquina foi iniciado no dia 25 de março, após a equipe médica detectar "piora no padrão respiratório". 

O Cidadeverde.com teve acesso ao áudio. Nele, o empresário, que morava em Parnaíba, diz que aguardava o resultado de alguns exames iniciar o tratamento com o remédio, mas temia não resistir até o prazo de divulgação. O empresário implora para que a destinatária do áudio entre em contato com a direção do hospital e demais autoridades para que fosse possível antecipar o tratamento diante do medo de não sobreviver. 

 "Eles têm um protocolo para dar cloroquina, tem que esperar o resultado [...]. Se eu ficar esperando, essas coisas que eles querem, eu vou morrer. [...] Pede pra me dar cloroquina, pelo amor de Deus. [...] Me ajude, pelo amor de Deus. [...] Eu vim pra cá para tomar cloroquina, chegou um médico, mas disse que eu tinha que esperar mais um pouco. Eu já estou no oxigênio. Eu vou morrer. Não me dão remédio", diz o empresário em áudio.

Alerta

O Hospital Natan Portela reforça que o uso do medicamento precisa ocorrer com recomendação médica.

"É imprescindível esclarecer à população que o trabalho amplamente difundido sobre o uso da cloroquina apresenta sérias limitações metodológicas e, segundo a própria ANVISA o uso indevido da cloroquina pode trazer sérias complicações à população como, por exemplo: distúrbios do sangue e do sistema linfático, distúrbios do sistema imune, distúrbios de metabolismo e nutrição, distúrbios psiquiátricos, distúrbios do sistema nervoso, distúrbios oculares, e até mesmo distúrbios cardíacos que podem resultar em insuficiência cardíaca e em alguns casos podem ser fatais".

 

 

Veja nota na íntegra 

O Instituto  de Doenças Tropicais Natan Portela  esclarece que o paciente Oderman Bittencourt foi atendido pela primeira vez na unidade de saúde no sábado (20/03/2020), mas o mesmo não tinha indicação clínica e nem tinha interesse em permanecer no ambiente hospitalar.
 

 Na tarde de terça-feira (24/03/2020) foi atendido novamente no hospital, com queixa de falta de ar (dispnéia), porém sem sinais de gravidade ou instabilidade clínica (pressão, pulsos e oximetria normais) sendo então internado com todas as medidas clínicas cabíveis aos pacientes sintomáticos respiratórios com investigação de SRAG. Durante a noite o paciente apresentou quadro de ansiedade importante e pico hipertensivo (referindo vontade de utilizar o medicamente cloroquina devido a notas sobre o mesmo na imprensa) sendo avaliado pela médica plantonista e devidamente medicado com melhora clínica.

 
Dia 25/03/2020 o paciente foi reavaliado pela médica assistente que detectou piora do padrão respiratório e solicitou avaliação do médico intensivista que prontamente admitiu o paciente na UTI do Hospital com todos os cuidados intensivos necessários, incluindo o uso do esquema com cloroquina.
 
O uso da medicação para casos de COVID-19 veio a ser regulamentado pelo Ministério da Saúde através da nota informativa nº5 apenas em 27/03/2020 aonde é explícito que a indicação deverá ser realizada para pacientes GRAVES hospitalizados com dados de avaliação muito específicos, compatíveis com as características do paciente APENAS quando foi admitido em UTI.
 
É imprescindível esclarecer à população que o trabalho amplamente difundido sobre o uso da cloroquina apresenta sérias limitações metodológicas e, segundo a própria ANVISA o uso indevido da cloroquina pode trazer sérias complicações à população como, por exemplo: distúrbios do sangue e do sistema linfático, distúrbios do sistema imune, distúrbios de metabolismo e nutrição, distúrbios psiquiátricos, distúrbios do sistema nervoso, distúrbios oculares, e até mesmo distúrbios cardíacos que podem resultar em insuficiência cardíaca e em alguns casos podem ser fatais.

 

 

 

Carlienne Carpaso
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