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"O pior para economia é você ter que recuar depois", diz Rafael Fonteles sobre isolamento

Em entrevista nesta quinta-feira (23) ao Jornal do Piauí, o secretário de Fazenda, Rafael Fonteneles, disse que o fim precipitado do isolamento pode ser ainda mais prejudicial para a economia. O secretário assinalou que o retorno tem que ser lento e gradual para que se evite o agravamento da crise econômica e sanitária.

“O melhor para a economia é voltar não tendo que recuar depois, esse é o grande ponto. Não adianta você precipitar essa retomada das atividades e depois chegar a um pico e ter que recuar porque os hospitais estão superlotados, porque a população está em pânico com medo até de se locomover, pois pode sofrer um acidente e também não ter o leito de UTI. Então, essa abertura, essa retomada, tem que ser bem lenta e gradual para poder não correr o risco, o que seria o pior para economia você ter que recuar depois”, afirmou.

Ele voltou a defender o isolamento social rigoroso e precoce como bem-vindo do ponto de vista econômico e disse que “é legítima a ansiedade pela retomada por parte da classe empresarial”.

Fonteles informou que há um grupo de estudos junto com a Associação Piauiense de Prefeitos (APPM) para o retorno das atividades econômicas. Um cronograma deverá ser divulgado na próxima semana apontando indicativos de datas para a retomada gradual dos setores econômicos.

Dados relacionados ao número de óbitos, à entrada e saída de pacientes dos leitos deverão ser analisados antes da liberação do isolamento. “Cronograma com datas seguras para retomada de cada atividade. Atividade industrial, atividade empresarial”, citou o secretário, apontando que serão necessárias semanas para essa transição gradual e que nelas serão estabelecidos os protocolos para a empresas e consumidores de cada setor. 

Foto: Reprodução/TV Cidade Verde

Pagamento de funcionários e fornecedores

Fonteles confirmou a queda na arrecadação estadual de cerca de 36%. O percentual real de redução será divulgado após o fim do mês de abril. Ele garantiu que vai cumprir ”fielmente” a folha de pagamento dos servidores públicos e que os fornecedores terão o mínimo de atrasos.

“Sem os fornecedores recebendo, com o mínimo de atraso possível, não teremos condições de manter o serviço”, disse Rafael Fonteles ressaltando aqueles que fornecem insumos diretos para o combate à Covid-19. “Estamos fazendo o possível para que o atraso não seja aumentado, pelo contrário, seja reduzido”, declarou.

Ele garantiu que para os próximos meses a folha de pagamento do funcionalismo será paga ‘fielmente’, mas alertou para a contrapartida da União. “Conseguimos cumprir abril, vamos conseguir maio e claro que se essa ajuda do governo federal demorar quatro, cinco meses, ficará impossível qualquer ente da federação suportar uma queda (na arrecadação) de 30%”, alertou

Valmir Macêdo
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